Gustavo Benevenuto
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Rio de Janeiro - (🇧🇷 BRA)
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Últimas opiniões enviadas

  • Gustavo Benevenuto
    2 horas atrás

    Como continuar vivendo quando um país inteiro tenta apagar sua dor?

    O roteiro acompanha uma história profundamente íntima, mas que carrega o peso de um trauma coletivo. Não é um filme que grita o tempo todo, mas, machuca justamente pela contenção. Cada conversa parece carregada de coisa não dita, cada silêncio parece esconder medo acumulado durante anos. É aquele tipo de sofrimento que não explode de uma vez, ele vai ficando na casa, nos objetos, na rotina, como infiltração emocional impossível de remover.

    Mas por trás da narrativa familiar, existe uma crítica muito forte sobre memória política e apagamento histórico. O filme fala sobre ditadura não só como sistema violento, mas como máquina de silêncio. Porque regimes autoritários não querem apenas controlar pessoas, querem controlar lembranças. Querem transformar ausência em burocracia, dor em estatística e desaparecimento em “assunto encerrado”. O mais doloroso seja justamente o olhar humano da história. Ao invés de transformar tudo em discurso grandioso, o filme mostra como violência política destrói coisas pequenas: almoço em família, rotina, sensação de segurança, futuro. É uma abordagem que bate diferente porque aproxima a tragédia da vida comum.

    As atuações trabalham numa frequência extremamente contida, mas intensa. Ninguém parece performar sofrimento, os personagens simplesmente vivem esmagados por ele. Existe um cansaço emocional constante, aquela sensação de pessoas tentando continuar funcionando porque a vida não para nem depois do trauma.

    Na direção, Walter Salles conduz tudo com delicadeza quase cruel. A câmera observa mais do que invade, e isso deixa o filme ainda mais íntimo. Visualmente, existe uma melancolia discreta em cada ambiente, como se o passado estivesse permanentemente sentado no canto da sala, assistindo tudo em silêncio.

    Um país que tenta seguir em frente, mesmo carregando fantasmas que nunca encarou direito,
    onde lembrar dói…mas esquecer custa ainda mais caro.

  • Gustavo Benevenuto
    2 horas atrás

    O roteiro acompanha Travis Bickle como alguém lentamente apodrecendo por dentro enquanto observa a cidade ao redor. O mais assustador é que o filme nunca trata isso como explosão repentina, mas um desgaste contínuo. Solidão vira obsessão, obsessão vira raiva, e raiva eventualmente procura alvo. É tipo passar tempo demais lendo comentário de internet às três da manhã e começar a perder fé na humanidade.

    Mas por trás da violência e do caos psicológico, existe uma crítica pesada a alienação urbana e ao abandono social. Travis é um veterano de guerra largado emocionalmente a própria sorte, vivendo numa cidade indiferente, suja e hostil. O filme entende uma coisa desconfortável, algumas pessoas desaparecem socialmente antes mesmo de morrer. Elas continuam andando, trabalhando, existindo… mas completamente desconectadas do resto do mundo. E talvez seja por isso que o personagem incomoda tanto. Robert De Niro interpreta Travis como alguém que quer desesperadamente pertencer a alguma coisa, mas já perdeu a capacidade de se relacionar normalmente. Ele observa as pessoas como se estivesse separado delas por um vidro invisível. Energia de quem passa tanto tempo sozinho que começa a transformar a própria cabeça numa teoria conspiratória ambulante.

    O filme também trabalha masculinidade de um jeito extremamente desconfortável. Travis acredita que precisa “agir”, “limpar”, “resolver” como se violência pudesse preencher vazio existencial. É quase uma autópsia da ideia do homem isolado que confunde dor emocional com missão pessoal. Na sociedade atual é impossível não perceber como esse tipo de figura continua existindo por toda parte, só que agora com acesso a internet e podcast.

    Na direção, Martin Scorsese transforma Nova York numa febre urbana. Tudo parece sujo, abafado, iluminado por néon cansado e fumaça de madrugada. A cidade não é cenário, é extensão da mente do Travis. O trânsito, o barulho, a decadência de tudo contribui pra sensação de que o personagem está preso num ciclo mental sem saída.

    Visualmente, o filme envelheceu como aqueles prédios antigos cheios de rachadura, deteriorado mas cheio de personalidade. O ritmo lento funciona justamente porque você sente o desconforto crescendo aos poucos, sem alívio real.

    No fim, Taxi Driver é quase uma metáfora da solidão moderna de quanto mais isolado alguém fica, mais a própria mente vira companhia e as vezes…isso pode ser a pior coisa possível.

  • Gustavo Benevenuto
    1 dia atrás

    O roteiro pega uma premissa que facilmente poderia virar só violência estilizada e constrói algo muito mais melancólico. No fundo, Léon é sobre duas pessoas completamente destruídas tentando aprender convivência no meio do caos. Um mata gente por dinheiro, a outra perdeu a infância antes mesmo de entender o que era infância. Basicamente terapia familiar versão anos 90 dirigida no modo hard.

    Mas por trás da relação central, existe uma discussão bem amarga sobre abandono e maturidade forçada. Mathilda é uma criança obrigada a crescer rápido demais porque o mundo ao redor falhou completamente com ela. E Léon, apesar de adulto, parece emocionalmente preso num estado quase infantil. É como se os dois ocupassem lugares errados na própria vida e tentassem se completar no improviso.

    Jean Reno constrói um protagonista silencioso, estranho e surpreendentemente vulnerável. O cara mata sem hesitar, mas parece completamente perdido quando precisa lidar com carinho humano básico. Já Natalie Portman entrega uma Mathilda intensa demais pra idade, o tipo de personagem que claramente ainda deveria estar preocupada com escola, mas tá ocupada sobrevivendo emocionalmente.

    E aí entra Gary Oldman completamente descontrolado como Stansfield, provavelmente um dos policiais mais caóticos da história do cinema. O homem atua como se tivesse cheirado três energéticos e um colapso nervoso antes de entrar em cena. É impossível prever o que ele vai fazer e isso deixa o filme constantemente desconfortável.

    Na direção, Luc Besson mistura violência estilizada com momentos quase íntimos de um jeito muito particular. O filme alterna tiros e explosões com cenas silenciosas de leite, planta no vaso e solidão compartilhada. Parece estranho no papel, mas funciona porque tudo é guiado por essa sensação de personagens tentando desesperadamente encontrar algum tipo de conexão humana.

    Visualmente, tem aquela estética noventista crua e charmosa. Apartamentos apertados, corredores escuros, fumaça, luz amarela e Nova York parecendo permanentemente cansada da existência. Combina perfeitamente com a sensação de que todo mundo ali vive a margem da normalidade.

    No fim, O Professional é quase uma metáfora sobre pessoas emocionalmente perdidas. As vezes quem mais entende sua dor é também quem esta quebrado por dentro e no meio de um mundo violento…qualquer tentativa de afeto já parece sobrevivência.

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