Elvira luta contra sua meia-irmã em um reino onde a beleza suprema reina. Ela recorre a medidas extremas para cativar o príncipe, em meio a uma competição implacável pela perfeição física.
Filme meio-irmão de A Substância que, por sua vez, é descendente do chinês Escravas da Vaidade, de 2004. Assim como seus precedentes, A Meia-Irmã Feia trata de forma visceral a busca pela beleza (sempre para atender a padrões...), com direito a crueldade, aflição, sexo e cenas nojentas. Embora seja difícil ter empatia por algum personagem - a maioria gananciosa, lasciva e cruel -, as atuações do elenco se incumbem de manter o interesse até o final. Creio que só simpatizei com uma personagem, que se destaca pela sua demonstração de solidariedade mais ao final. Os cenários, vestuário e os efeitos de maquiagem são muito bem feitos e contribuem positivamente para o resultado, embora o filme não seja para todos os gostos. Tem uma rápida cena de humor macabro pós-créditos.
Filme tem uma boa nova abordagem e perspectiva, ainda assim não sei dizer se gostei muito, apesar de entender e reconhecer que não é ruim. Ainda assim não virei fã.
Achei muito interessante acompanhar a história pela perspectiva da irmã que fez de tudo para conquistar o príncipe. Essa mudança de ponto de vista torna o conto ainda mais perturbador.
O filme tem cenas fortes e desconfortáveis, mas consegue prender a atenção do início ao fim.
Dirigido por Emilie Blichfeldt, “A Meia-Irmã Feia” reinterpreta o clássico conto de fadas Cinderela de maneira grotesca e perturbadora, focando na obsessão pela beleza e no preço que ela exige. A beleza não é tratada como uma bênção, mas como uma obsessão coletiva que deforma o corpo e a alma. Blichfeldt não apenas reconta uma história: ela a destrincha, expondo suas entranhas. Com o auxílio do diretor de fotografia Marcel Zyskind, ela constrói um universo visualmente bonito e sombrio. Ao contrário da estética limpa e mágica das versões Disney, este mundo pulsa com podridão, sangue, beleza distorcida... e realidade. É impossível não traçar paralelos com a obrigação imposta sobre o perfil feminino que vemos em todos os lugares e níveis da sociedade. O filme não suaviza sua crítica à cultura da beleza ao invés disso ele a escancara, repete até que a mensagem seja impossível de ignorar. Na narrativa, não há interesse de moralizar ou redimir, muito menos em oferecer soluções fáceis. Sua proposta é confrontar, é mergulhar no absurdo, rir do grotesco e criar em quem assiste a admissão de que o horror das irmãs malvadas dos Irmãos Grimm sempre esteve mais próximo de nós e em mais formas do que gostaríamos de admitir. Acho que o grande trunfo do filme está no seu reconhecimento do texto original como obra de horror, e não apenas de encantamento. O grotesco que vemos em A Meia-Irmã Feia não é fruto do exagero, é um espelho mais honesto de uma história que, desde suas versões mais antigas, já falava de mutilações, humilhações e punições corporais. A diretora apenas remove o verniz, expondo o terror por baixo da magia e cria um anacronismo que ecoa e reflete o nosso contemporâneo. E há Lea Myren, como Elvira, a tal meia-irmã feia. Ela é o grande ponto de sustentação de todo o longa. Com uma atuação selvagem e profundamente sincera, ela conduz o filme. Sua Elvira não quer aceitação, ela quer a transformação a qualquer custo. Enfim... A Meia-Irmã Feia é narrativamente inquietante, visualmente hipnotizante e extremamente atual. Um conto de fadas onde a beleza se mistura à náusea e a ambição é sentida nos ossos. Emilie Blichfeldt oferece uma visão que não pretende confortar, mas confrontar e, no processo, nos lembra que, no fundo, talvez todos nós, não importando o sexo ou orientação sexual, sejamos todas meias-irmãs feias, tentando desesperadamente caber em um sapatinho que nunca foi feito para nós.
Filme meio-irmão de A Substância que, por sua vez, é descendente do chinês Escravas da Vaidade, de 2004. Assim como seus precedentes, A Meia-Irmã Feia trata de forma visceral a busca pela beleza (sempre para atender a padrões...), com direito a crueldade, aflição, sexo e cenas nojentas. Embora seja difícil ter empatia por algum personagem - a maioria gananciosa, lasciva e cruel -, as atuações do elenco se incumbem de manter o interesse até o final. Creio que só simpatizei com uma personagem, que se destaca pela sua demonstração de solidariedade mais ao final. Os cenários, vestuário e os efeitos de maquiagem são muito bem feitos e contribuem positivamente para o resultado, embora o filme não seja para todos os gostos. Tem uma rápida cena de humor macabro pós-créditos.
Filme tem uma boa nova abordagem e perspectiva, ainda assim não sei dizer se gostei muito, apesar de entender e reconhecer que não é ruim. Ainda assim não virei fã.
Gostei de A Meia-Irmã Feia. O filme mostra de forma intensa como a busca pela beleza acima de tudo pode trazer consequências cruéis.
Achei muito interessante acompanhar a história pela perspectiva da irmã que fez de tudo para conquistar o príncipe. Essa mudança de ponto de vista torna o conto ainda mais perturbador.
O filme tem cenas fortes e desconfortáveis, mas consegue prender a atenção do início ao fim.
Dirigido por Emilie Blichfeldt, “A Meia-Irmã Feia” reinterpreta o clássico conto de fadas Cinderela de maneira grotesca e perturbadora, focando na obsessão pela beleza e no preço que ela exige. A beleza não é tratada como uma bênção, mas como uma obsessão coletiva que deforma o corpo e a alma.
Blichfeldt não apenas reconta uma história: ela a destrincha, expondo suas entranhas. Com o auxílio do diretor de fotografia Marcel Zyskind, ela constrói um universo visualmente bonito e sombrio. Ao contrário da estética limpa e mágica das versões Disney, este mundo pulsa com podridão, sangue, beleza distorcida... e realidade.
É impossível não traçar paralelos com a obrigação imposta sobre o perfil feminino que vemos em todos os lugares e níveis da sociedade. O filme não suaviza sua crítica à cultura da beleza ao invés disso ele a escancara, repete até que a mensagem seja impossível de ignorar.
Na narrativa, não há interesse de moralizar ou redimir, muito menos em oferecer soluções fáceis. Sua proposta é confrontar, é mergulhar no absurdo, rir do grotesco e criar em quem assiste a admissão de que o horror das irmãs malvadas dos Irmãos Grimm sempre esteve mais próximo de nós e em mais formas do que gostaríamos de admitir.
Acho que o grande trunfo do filme está no seu reconhecimento do texto original como obra de horror, e não apenas de encantamento. O grotesco que vemos em A Meia-Irmã Feia não é fruto do exagero, é um espelho mais honesto de uma história que, desde suas versões mais antigas, já falava de mutilações, humilhações e punições corporais. A diretora apenas remove o verniz, expondo o terror por baixo da magia e cria um anacronismo que ecoa e reflete o nosso contemporâneo.
E há Lea Myren, como Elvira, a tal meia-irmã feia. Ela é o grande ponto de sustentação de todo o longa. Com uma atuação selvagem e profundamente sincera, ela conduz o filme. Sua Elvira não quer aceitação, ela quer a transformação a qualquer custo.
Enfim...
A Meia-Irmã Feia é narrativamente inquietante, visualmente hipnotizante e extremamente atual. Um conto de fadas onde a beleza se mistura à náusea e a ambição é sentida nos ossos. Emilie Blichfeldt oferece uma visão que não pretende confortar, mas confrontar e, no processo, nos lembra que, no fundo, talvez todos nós, não importando o sexo ou orientação sexual, sejamos todas meias-irmãs feias, tentando desesperadamente caber em um sapatinho que nunca foi feito para nós.
Pega "Cinderela" e pega "A Substância", joga no liquididicador, você tem "A meia-irmã feia".