Durante a 2ª Guerra Mundial Willie Keith, um jovem oficial, se incorpora à tripulação do Caine, um navio de menor porte que funciona como caça-minas. O imediato Steve Maryk e o tenente Tom Keefer também fazem parte do staff. Logo depois da chegada de Willie, o capitão DeVriess é substituído pelo capitão Philip Francis Queeg, que logo impõe sua autoridade e sua neurose acerca de limpeza, pois é de seu intento comandar um navio imaculado, onde até uma camisa fora de calça é motivo de séria advertência.
"A Nave da Revolta" é um filme de drama e guerra de 1954, dirigido por Edward Dmytryk e baseado no romance "The Caine Mutiny" de Herman Wouk.
Ao incorporar as ambiguidades humanas potencialmente capazes de aflorar num ambiente teoricamente reto e certo como o militarismo (a Marinha, neste caso), e transpor tais ideias, presentes na obra de Herman Wouk, vencedora do Prêmio Pulitzer, com alguma eficiência para a tela de cinema, o filme do diretor Edward Dmytryk, dialoga de certa maneira com “Sindicato de Ladrões”, de Elia Kazan, ambos lançados no mesmo ano, e ambos indicados ao Oscar por suas inquestionáveis qualidades artísticas (“Sindicato...” terminou vencedor). Assim como Elia Kazan, Dmytryk foi um diretor relacionado ao comunismo durante os anos 1950, integrando a lista negra do Senador Joseph McCarthy. E assim como Kazan, ele declinou de suas convicções ideológicas para delatar companheiros e permanecer em atividade em Hollywood. No subtexto que acompanha “A Nave da Revolta” temos, então, uma trama que se debruça a explicar e justificar um julgamento onde um ato, em princípio condenável –o motim contra um oficial superior –adquire ares dúbios diante das personalidades dos envolvidos e dos detalhes minuciosos e pertinentes que passaram despercebidos. Com efeito, até mesmo o personagem possivelmente visto como o vilão, o militar em julgamento, é reiterado como mais uma vítima das circunstâncias.
A bordo do U.S.S. Caine, um velho navio de guerra destinado a executar a varredura de minas marítimas durante a Segunda Guerra Mundial, o jovem oficial Keith (Robert Francis) se depara com a instabilidade crescente do novo comandante, o capitão Queeg (Humphrey Bogart num de seus mais espetaculares trabalhos), cujos rompantes de indignação para com condutas irrisórias dos recrutas, as ordens estapafúrdias dadas com rigor descabido e a constante impressão de hostilidade intelectual para com os demais oficiais podem indicar um quadro preocupante de paranóia.
se distraia e navegue em círculos, além de cortar seu próprio cabo de reboque. Incidentes adicionais indicam que Queeg está sofrendo de stress. Maryk acha estranho o comportamento do capitão e Keefer insidiosamente planta a semente, dizendo que Queeg está próximo de um colapso nervoso.
Aliado aos preocupados oficiais Maryk (Van Johnson) e Keefer (Fred MacMurray), Keith chega a cogitar uma audiência com um almirante a fim de denunciar seus temores de uma complicação iminente. Ela surge, entretanto, durante uma tempestade que ameaça virar o navio, o que obriga o Tenente Maryk a destituir o negligente Queeg de seu posto de comando.
Durante uma tempestade bem forte, Queeg se mostra inseguro e Maryk invoca um regulamento da Marinha para assumir o controle do navio, que é salvo.
Porém Maryk é mandado para a Corte Marcial, onde será defendido por Barney Greenwald, enquanto Challee atua na promotoria. Conduzidos por esse exaspero, os personagens são assim levados ao julgamento que ocupa o terço final do filme, quando Maryk deve ser submetido à corte marcial e a dúvida –teria ele ou não se amotinado? –respondida.
Seu defensor é o niilista Tenente Greenwald (o magnífico José Ferrer).
As evidências ficam contra Maryk, pois os oficiais, principalmente Keefer, não
assumiram responsabilidade, apesar de terem encorajado Maryk.
Compreendendo intrinsecamente as complexidades movediças e existenciais que uma circunstância assim acarreta (refletidas com perfeita noção de analogia em suas próprias experiências), o diretor Dmytryk vislumbra as implicações humanas que se entrevê através da suposta solidez de conduta moral vigente na Marinha, e ressalta as margens de erro improváveis com este roteiro relativamente bem equilibridado no seu ritmo e na sua administração dos fatos –o roteirista Stanley Roberts só não domina com destreza as passagens que tentam ilustrar o relacionamento amoroso de Keith em conflito com sua harmonia familiar, tópicos, no entanto, que estão longe de serem centrais ao filme.
Se tem Humphrey Bogart no filme sempre é bom conferir, me chamou atenção também pela temática sobre a Segunga Guerra, é um bom filme, com diálogos interessantes. Eu servi ao Exército e isso acontece muito, comandantes muitas vezes insanos, com comportamentos questionáveis sobre sua tropa, enfim, acredito que seja relativamente normal, recomendo o filme. Visto em 16/11/2024
O filme vai relativamente bem até os minutos finais, quando existe uma clara intervenção do governo tentando passar uma mensagem moralista para desmentir o filme. Tem ótimas atuações, especialmente Bogard, com vários detalhes bem sutis. A produção é muito bem feita, com cenas bem convincentes, especialmente para a época. 14/11/2024
Mesmo datado, o impacto psicológico deste filme é extraordinário, por conta da trama riquíssima em detalhes. "A Nave da Revolta", é um condensado thriller de guerra, valorizado pelo excepcional elenco e roteiro consistente.
Indicado para sete Oscars em 1954, este clássico se destaca pelo alto nível de dramaticidade dos personagens envolvidos. Humphrey Bogart contribui com uma atuação intensa, na medida em que é exposto neste clássico conto de conduta militar em época de guerra. Ótimo filme!
Durante a 2ª Guerra Mundial Willie Keith, um jovem oficial, se incorpora à tripulação do Caine, um navio de menor porte que funciona como caça-minas. O imediato Steve Maryk e o tenente Tom Keefer também fazem parte do staff. Logo depois da chegada de Willie, o capitão DeVriess é substituído pelo capitão Philip Francis Queeg, que logo impõe sua autoridade e sua neurose acerca de limpeza, pois é de seu intento comandar um navio imaculado, onde até uma camisa fora de calça é motivo de séria advertência.
"A Nave da Revolta" é um filme de drama e guerra de 1954, dirigido por Edward Dmytryk e baseado no romance "The Caine Mutiny" de Herman Wouk.
Ao incorporar as ambiguidades humanas potencialmente capazes de aflorar num ambiente teoricamente reto e certo como o militarismo (a Marinha, neste caso), e transpor tais ideias, presentes na obra de Herman Wouk, vencedora do Prêmio Pulitzer, com alguma eficiência para a tela de cinema, o filme do diretor Edward Dmytryk, dialoga de certa maneira com “Sindicato de Ladrões”, de Elia Kazan, ambos lançados no mesmo ano, e ambos indicados ao Oscar por suas inquestionáveis qualidades artísticas (“Sindicato...” terminou vencedor).
Assim como Elia Kazan, Dmytryk foi um diretor relacionado ao comunismo durante os anos 1950, integrando a lista negra do Senador Joseph McCarthy. E assim como Kazan, ele declinou de suas convicções ideológicas para delatar companheiros e permanecer em atividade em Hollywood.
No subtexto que acompanha “A Nave da Revolta” temos, então, uma trama que se debruça a explicar e justificar um julgamento onde um ato, em princípio condenável –o motim contra um oficial superior –adquire ares dúbios diante das personalidades dos envolvidos e dos detalhes minuciosos e pertinentes que passaram despercebidos.
Com efeito, até mesmo o personagem possivelmente visto como o vilão, o militar em julgamento, é reiterado como mais uma vítima das circunstâncias.
A bordo do U.S.S. Caine, um velho navio de guerra destinado a executar a varredura de minas marítimas durante a Segunda Guerra Mundial, o jovem oficial Keith (Robert Francis) se depara com a instabilidade crescente do novo comandante, o capitão Queeg (Humphrey Bogart num de seus mais espetaculares trabalhos), cujos rompantes de indignação para com condutas irrisórias dos recrutas, as ordens estapafúrdias dadas com rigor descabido e a constante impressão de hostilidade intelectual para com os demais oficiais podem indicar um quadro preocupante de paranóia.
Esta neurose faz com que ele
se distraia e navegue em círculos, além de cortar seu próprio cabo de reboque. Incidentes adicionais indicam que Queeg está sofrendo de stress. Maryk acha estranho o comportamento do capitão e Keefer insidiosamente planta a semente, dizendo que Queeg está próximo de um colapso nervoso.
Aliado aos preocupados oficiais Maryk (Van Johnson) e Keefer (Fred MacMurray), Keith chega a cogitar uma audiência com um almirante a fim de denunciar seus temores de uma complicação iminente. Ela surge, entretanto, durante uma tempestade que ameaça virar o navio, o que obriga o Tenente Maryk a destituir o negligente Queeg de seu posto de comando.
Durante uma tempestade bem forte, Queeg se mostra inseguro e Maryk invoca um regulamento da Marinha para assumir o controle do navio, que é salvo.
Porém Maryk é mandado para a Corte Marcial, onde será defendido por Barney Greenwald, enquanto Challee atua na promotoria. Conduzidos por esse exaspero, os personagens são assim levados ao julgamento que ocupa o terço final do filme, quando Maryk deve ser submetido à corte marcial e a dúvida –teria ele ou não se amotinado? –respondida.
Seu defensor é o niilista Tenente Greenwald (o magnífico José Ferrer).
As evidências ficam contra Maryk, pois os oficiais, principalmente Keefer, não
Compreendendo intrinsecamente as complexidades movediças e existenciais que uma circunstância assim acarreta (refletidas com perfeita noção de analogia em suas próprias experiências), o diretor Dmytryk vislumbra as implicações humanas que se entrevê através da suposta solidez de conduta moral vigente na Marinha, e ressalta as margens de erro improváveis com este roteiro relativamente bem equilibridado no seu ritmo e na sua administração dos fatos –o roteirista Stanley Roberts só não domina com destreza as passagens que tentam ilustrar o relacionamento amoroso de Keith em conflito com sua harmonia familiar, tópicos, no entanto, que estão longe de serem centrais ao filme.
Se tem Humphrey Bogart no filme sempre é bom conferir, me chamou atenção também pela temática sobre a Segunga Guerra, é um bom filme, com diálogos interessantes. Eu servi ao Exército e isso acontece muito, comandantes muitas vezes insanos, com comportamentos questionáveis sobre sua tropa, enfim, acredito que seja relativamente normal, recomendo o filme. Visto em 16/11/2024
O filme vai relativamente bem até os minutos finais, quando existe uma clara intervenção do governo tentando passar uma mensagem moralista para desmentir o filme. Tem ótimas atuações, especialmente Bogard, com vários detalhes bem sutis. A produção é muito bem feita, com cenas bem convincentes, especialmente para a época. 14/11/2024
Assisti em 08/06/1977, quarta, no canal 12 (hoje RBS ou Globo), em Sessão das Duas.
Mesmo datado, o impacto psicológico deste filme é extraordinário, por conta da trama riquíssima em detalhes. "A Nave da Revolta", é um condensado thriller de guerra, valorizado pelo excepcional elenco e roteiro consistente.
Indicado para sete Oscars em 1954,
este clássico se destaca pelo alto nível de dramaticidade dos personagens envolvidos. Humphrey Bogart contribui com uma atuação intensa, na medida em que é exposto neste clássico conto de conduta militar em época de guerra. Ótimo filme!