Felipe
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Últimas opiniões enviadas

Felipe
2 dias atrás

Fazendo alusão à “Morte e vida Severina”, do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, o novo filme do inventivo cineasta cearense Guto Parente tem fortes traços com o clássico poema regionalista da literatura brasileira. Ambos tratam de um longo percurso de um personagem solitário, em meio aos desafios do mundo, cercado por obstáculos sociais. Parente volta a estudar personagens queer complexos, aqui trazendo uma protagonista com mutas camadas, Madalena (ótimo papel da atriz travesti Noá Bonoba, também professora e pesquisadora). Ela é uma produtora de cinema, que está grávida e prestes a rodar uma fita de ficção científica B, cujo roteiro foi deixado pelo falecido pai. Madalena tem a rotina revirada quando Davi (Marcus Curvelo), o diretor do filme e seu ex-marido, desaparece do set. Cheia de dúvidas e maus pressentimentos, ela investiga por conta próprio o sumiço de Davi. O bebê dela está para nascer, o que a motiva a querer gravar logo o filme, mesmo sem a presença do diretor. O longa é uma comédia dramática cheia de subtramas, sobre as andanças dessa personagem que se transforma durante aquela jornada de busca pelo marido e de ser mãe de primeira viagem – sem contar os desafios para as gravações no set. Vê-se um filme dentro de outro filme, metalinguagem pura, com momentos de incerteza sobre aquilo que vemos ser da cabeça da protagonista, algo real ocorrendo ou se aquilo tudo é do roteiro do longa em execução. Para complexar ainda mais o roteiro, a personagem tem devaneios, sonhos misteriosos, enquanto as cenas nítidas de como ela quer o filme aparecem em imagens caóticas, assombradas. Como em “Inferninho” e “Doce amianto”, o cineasta faz um cinema queer contemporâneo unindo fantasia, estética camp, figuras marginalizadas complexas e altas doses de melancolia, entregando aqui um dos filmes de destaque do ano, que gostei demais. Tanto que foi exibido e premiado em importantes festivais nacionais e internacionais, como Ciné+ no FidMarseille 2025 (França), Festival de Brasília, Mostra de Cinema de São Paulo e MixBrasil. Em exibição nos principais cinemas com distribuição da Embaúba Filmes. POR FELIPE BRIDA - Texto publicado no blog Cinema-naweb blogspotcom em 18/09/2026

Felipe
2 dias atrás

Adaptação para os cinemas do livro "Era uma vez minha 1ª vez", que foi sucesso entre os jovens, escrito por Thalita Rebouças (que é também atriz e jornalista, e hoje um dos nomes de destaque da literatura adolescente moderna). E segue a linha dos outros livros da autora que viraram cinema, que discutem relacionamentos afetivos e familiares entre os adolescentes, como “Fala sério, mãe!” e “Ela disse, ele disse”. O longa, em cartaz nos cinemas brasileiros, sofreu alterações no curso das histórias da obra original, incluindo redução no número das personagens (de seis para quatro, que são Teresa, Clara, Tuca e Patty, interpretadas por Letícia Braga, Castorine, Lívia Silva e Duda Matte). No entanto, manteve a essência da discussão, sobre amadurecimento e sexualidade, de forma bem humorada. A linguagem parece com a do livro, direta, com astral lá em cima, ora com momentos cômicos ora dramáticos (quando surgem dúvidas sobre o florescer da idade, em que as meninas adolescentes conversam sobre a “primeira vez”, tanto o beijo quanto o sexo). O quarteto de melhores amigas faz um pacto para perder a virgindade até a formatura, que está chegando, e a partir daí cada uma vivencia sua própria jornada de descobertas, com erros e acertos nos sentimentos e nas atitudes com os prováveis parceiros. É um filme para público teen, com sacadas e gírias daquela idade, às vezes romantizado demais, e serve como passatempo para o público adolescente (que se reconhecerá em várias cenas). Não é um tipo de filme que curto, acho a proposta repetitiva e há outros melhores que este, porém tá valendo à garotada que está em busca de filme que não exige filosofia nem tanta originalidade. O longa tem produção e distribuição da Na Paralela Filmes, com codistribuição de A Fábrica, em parceria com a RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio, além de coprodução da Warner Bros. Pictures e RioFilme, e investimento do BRDE, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual e da Ancine. POR FELIPE BRIDA - Texto publicado no blog Cinema-naweb blogspotcom em 17/09/2026

Felipe
3 dias atrás

Continuação de “Funny girl”, filme que deu o Oscar de atriz a Barbra Streisand, e uma boa sequencia dos acontecimentos da vida e da carreira da atriz e cantora Fanny Brice, fenômeno da Broadway. Fanny Brice era uma mulher inteligente, espirituosa e resiliente, capaz de transformar suas dores pessoais em arte. No palco encantava e emocionava o público, e a autenticidade aliada ao humor a tornaram uma figura única no cenário artístico americano daquele período. Sua vida inspirou o musical da Broadway “Funny Girl” (1964), adaptado para o cinema em 1968, e a continuação, “Funny Lady” (1975). Ela permanece como símbolo da mulher que desafiou padrões, conquistou espaço em um meio dominado por homens e deixou uma marca indelével na cultura americana. Sua história de ascensão, amores complicados e talento inquestionável continua a inspirar gerações, especialmente através das interpretações de Streisand que eternizaram sua trajetória. Seguindo os passos do primeiro filme, “Funny girl”, este mantém drama e romance, mas com menos números musicais e menos alegria na vida da personagem central, já que enfrentou relacionamentos amorosos abusivos que a machucaram profundamente. “Funny lady” carrega um forte ar melancólico, retratando cortes importantes do final da vida da biografada, mais adulta e madura, tendo como força motriz o trabalho de Barbra, uma atriz e cantora que gosto muito. Fanny morreu em 29 de maio de 1951, em Beverly Hills, vítima de uma hemorragia cerebral, aos 59 anos. “Funny lady” recebeu cinco indicações ao Oscar (como fotografia, som e figurino) e seis ao Globo de Ouro, incluindo melhor filme de comédia ou musical, atriz e ator. A direção é de Herbert Ross, de “A garota do adeus” e “Flores de aço”. Disponível em DVD pela Classicline no box “Barbra – The Funny Collection”, que vem junto com o primeiro filme. POR FELIPE BRIDA - Texto no blog Cinema-naweb blogspotcom

  • Mths Gonc 3 anos atrás

    Oi Felipe

  • Flávia 5 anos atrás

    Oi, bom?

    Gostei do seu perfil e comecei a ler algumas análises tua dos filmes que eu já assisti e são muito boas.

    Só uma dúvida, você já assistiu os filmes:

    - A felicidade não se compra (1946) - Tem dublado e colorido no site "Lapumia . Org "

    - Casablanca

    - Aurora (1927)

    Se não, recomendo MUITO! O primeiro da lista é o meu favorito e se gosta de histórias bonitas e emocionantes, recomendo fortemente (o final é a cereja do do bolo).

  • Carlos Belarmino 5 anos atrás

    Muito obrigado e prazer em conhecer!