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MILONGA *
* Resenha publicada na semana de lançamento do filme nos cinemas, em 27/12/2025
Com dois prêmios no Cine Ceará de 2024, a coprodução Uruguai/Argentina da estreante cineasta uruguaia Laura González chegou ao circuito de cinema brasileiro com pouca repercussão do público, infelizmente. É um bom filme, um delicado drama bem construído e bem interpretado, que passou despercebido aos olhos das pessoas – e incluo aqui a crítica. Os dois países sul-americanos produtores sabem contar histórias de traumas, superação e memória, e ‘Milonga’ segue nesse escopo. O drama acompanha Rosa (Paulina García, chilena premiada como melhor atriz no Festival de Berlim por ‘Glória’, a versão original de 2013), uma senhora que ficou viúva há poucos meses, após longa dedicação ao marido. Ela sofreu nas mãos dele, um cidadão violento. Sozinha, afasta-se da única pessoa da família, o filho. Um dia descobre na milonga, um ritmo derivado do tango, uma forma de superação dos traumas passados. Ela passa a frequentar um salão de dança para pessoas idosas. Lá conhece Juan (o uruguaio Cesar Troncoso, que fez diversos filmes no Brasil), e os dois iniciam uma amizade que extravasará para fora do salão de dança. Um filme feminino em que a protagonista é encorajada a resolver seus problemas por meio da arte e assim seguir a vida com outros olhares. Também toca em feridas das mulheres agredidas e abusadas por seus companheiros, mostrando as marcas psicológicas duradoras da violência doméstica. Um bom exemplar da nova safra do cinema latino-americano contemporâneo. Nos cinemas pela Kajá Filmes.
POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
O cineasta carioca Felipe Sholl escreve e dirige esse seu segundo filme, sete anos depois de se lançar com o bom drama “Fala comigo” (2017), que tratava dos obstáculos do relacionamento entre um garoto de 17 anos com uma mulher de mais de 40. Sholl agora se volta ao submundo da noite das ruas do bairro da Glória, no Rio de Janeiro, onde a prostituição é palco e trânsito de pessoas de diferentes idades. Ali, o jovem professor de literatura Gabriel (Caio Macedo) conhece Adriano (Alejandro Claveaux), garoto de programa uruguaio que auxilia na chefia dos pontos. A paixão entre os dois é avassaladora, que se transforma em obsessão. Eles passam a viver juntos, até o dia em que Adriano desparece, sem deixar vestígios. Gabriel sai pelo Rio na tentativa de obter um paradeiro que o leve ao seu amor. A interpretação dos dois atores centrais é o ponto alto desse filme de classificação 18 anos, que traz cenas fortes de sexo e revela um Rio pouco registrado no cinema, da prostituição noturna. O longa é uma espiral de emoções na vida de um garoto que acaba de se mudar para aquela cidade e em poucos dias se vê preso num relacionamento cansativo e abusivo, até ser acolhido pela nova família, o dos meninos de programa. Temas como solidão, necessidade de conexão, identidade, rejeição e amadurecimento estão entrelaçados em uma história que passa longe de romance tradicional e final feliz; é um drama duro, realista, em um contexto de insegurança e violência, com imagens marcantes (a estética noturna é outro tom maior do filme). Além dos atores mencionados, completam o excelente elenco a cantora trans Diva Menner, Alan Ribeiro, Jade Sassará, Sandro Aliprandini e participações especiais de Daniel Rangel, Ernesto Piccolo, Edmilson Barros e Wilson Rabelo. Depois da carreira em festivais mundiais, como Tallinn, Rio e Mostra de SP, o filme, assinado pela Syndrome Films, com produção de Daniel van Hoogstraten, em coprodução com RioFilme e Telecine, estreia nos cinemas com distribuição da Retrato Filmes. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
Últimos recados
Oi Felipe
Oi, bom?
Gostei do seu perfil e comecei a ler algumas análises tua dos filmes que eu já assisti e são muito boas.
Só uma dúvida, você já assistiu os filmes:
- A felicidade não se compra (1946) - Tem dublado e colorido no site "Lapumia . Org "
- Casablanca
- Aurora (1927)
Se não, recomendo MUITO! O primeiro da lista é o meu favorito e se gosta de histórias bonitas e emocionantes, recomendo fortemente (o final é a cereja do do bolo).
Muito obrigado e prazer em conhecer!
Drama histórico exibido no Festival de Rotterdam, escrito e dirigido pelo diretor Roberto Andó, um veterano cineasta que faz obras de ar ao mesmo tempo cult e moderno. Novamente trabalha com o nome mais importante da Itália do momento, premiado este ano em Veneza, Toni Servillo – eles fizeram juntos pelo menos três longas que gosto muito, ‘Viva a liberdade’ (2013), ‘As confissões’ (2016) e ‘A estranha comédia da vida’ (2022). Nesta intrigante história real ocorrida nos anos finais do Risorgimento, a Unificação Italiana, Servillo interpreta o coronel siciliano Vincenzo Orsini, que liderou tropas para enfrentar o exército Bourbon, na campanha de 1860, de Giuseppe Garibaldi (papel aqui de Tommaso Ragno). Orsini e Garibaldi criam a Expedição dos Mil, na tentativa de conquistar Palermo; para tanto, organizam um mirabolante plano, de simular a retirada dos soldados para enganar os inimigos. Um filme de estratégias militares, que lembra uma partida de xadrez, onde cada movimento é decisivo. Apesar de poucos recursos, Andó realizou um filme diferenciado, de uma história esquecida e que se tornou emblemática para a Unificação da Itália na metade do século XIX. Bom figurino de época e diálogos auspiciosos impulsionam a trama de disputa de território e heroísmo.
* Resenha publicada na semana de lançamento do filme nos cinemas, em 29/11/2025
POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom