Mais um filme cult em cópia restaurada integra a programação do Festival Olhar de Cinema desse ano. Trata-se de “High School”, na seção Olhares Clássicos Cine Passeio. O documentário é um dos filmes da primeira fase do diretor três vezes vencedor do Emmy Frederick Wiseman, falecido em fevereiro passado aos 96 anos. Em seu segundo trabalho para o cinema, ele retrata o cotidiano de uma escola pública secundária na Filadélfia e expõe, com olhar crítico, os mecanismos de disciplina, conformismo e controle presentes na educação norte-americana em plena efervescência social da década de 1960. A estética do longa é marcada pelo estilo do Cinéma Vérité, sem narração ou entrevistas, captando sucessão de fatos e acontecimentos (do jeito que a vida é). O diretor se põe como um observador do cotidiano daquela escola, mostrando professores autoritários, alunos rebeldes e até policiais chamados às pressas para reprimendas. O ano de 1968 foi um período tenso, marcado pela contracultura, protestos estudantis, passeatas feministas, tensões da Guerra Fria e a explosão da Guerra do Vietnã. A escola-alvo do filme, a Northeast High School, na Filadélfia, Pensilvânia, vira um microcosmo daquela sociedade em profunda transformação. O filme acompanha choques geracionais, entre adultos tentando preservar valores tradicionais enquanto jovens encarnam a mudança cultural que emergia nos Estados Unidos. E a punição severa, naturalizada na época, é vista como forma de obediência/subserviência. Wiseman é um cronista da cena urbana, utiliza o estilo direto do documentário observacional, sem comentários externos, entrevistas ou trilha sonora, com um preto-e-branco formidável que dramatiza as passagens. O filme tem uma montagem fragmentada, com cortes abruptos, enquadramentos variados (com muitos closes em rostos) e sobreposição de cenas que desafiam o espectador a interpretar os significados. Na época, o filme foi considerado polêmico, e olhando-o depois de quase 60 anos, as imagens continuam poderosas, incômodas. 25 anos depois Wiseman fez uma espécie de sequência, “High School II” (1994), analisando desta vez o cenário escolar da Escola Secundária Central Park East, em Nova York. O documentário conta com mais uma sessão no festival Olhar de Cinema, no dia 09/06. PS: No mês passado a Mubi lançou uma coleção em homenagem ao cineasta, intitulada “Frederick Wiseman: American lives”, com oito documentários dele que são análises íntimas da sociedade americana e suas contradições; no catálogo há “Model” (1980) e “High School”, bem como longas de enorme duração que ele fez e foi exibido e importantes festivais, como “At Berkeley” (2013) e “City Hall” (2020). POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA-NAWEB BLOGSPOTCOM
Documentário chato, com longos trechos de citações lidos pelos professores, que mostra toda imbecilidade da sociedade estadonidense, seja os professores, seja os alunos, e como cereja do bolo estragado, grandes closes nas bundinhas adolescentes, exploradas até no poster acima. Nota 4,0.
Precioso retrato de uma época feito através da observação da rotina diária de uma escola secundária dos EUA no final dos anos 60. O documentário apenas apresenta os fatos e situações para que cada um faça o seu julgamento daquilo que ele mostra. Como algumas revoltantes sequências envolvendo o autoritarismo de professores e até uma frase de extremo mau gosto proferida por um ginecologista para uma plateia de jovens alunos. Algumas passagens em que professores recitam longos textos em sala de aula quebram um pouco o ritmo do documentário, mas de um modo geral ele é um bom exemplar do seu gênero.
Mais um filme cult em cópia restaurada integra a programação do Festival Olhar de Cinema desse ano. Trata-se de “High School”, na seção Olhares Clássicos Cine Passeio. O documentário é um dos filmes da primeira fase do diretor três vezes vencedor do Emmy Frederick Wiseman, falecido em fevereiro passado aos 96 anos. Em seu segundo trabalho para o cinema, ele retrata o cotidiano de uma escola pública secundária na Filadélfia e expõe, com olhar crítico, os mecanismos de disciplina, conformismo e controle presentes na educação norte-americana em plena efervescência social da década de 1960. A estética do longa é marcada pelo estilo do Cinéma Vérité, sem narração ou entrevistas, captando sucessão de fatos e acontecimentos (do jeito que a vida é). O diretor se põe como um observador do cotidiano daquela escola, mostrando professores autoritários, alunos rebeldes e até policiais chamados às pressas para reprimendas. O ano de 1968 foi um período tenso, marcado pela contracultura, protestos estudantis, passeatas feministas, tensões da Guerra Fria e a explosão da Guerra do Vietnã. A escola-alvo do filme, a Northeast High School, na Filadélfia, Pensilvânia, vira um microcosmo daquela sociedade em profunda transformação. O filme acompanha choques geracionais, entre adultos tentando preservar valores tradicionais enquanto jovens encarnam a mudança cultural que emergia nos Estados Unidos. E a punição severa, naturalizada na época, é vista como forma de obediência/subserviência. Wiseman é um cronista da cena urbana, utiliza o estilo direto do documentário observacional, sem comentários externos, entrevistas ou trilha sonora, com um preto-e-branco formidável que dramatiza as passagens. O filme tem uma montagem fragmentada, com cortes abruptos, enquadramentos variados (com muitos closes em rostos) e sobreposição de cenas que desafiam o espectador a interpretar os significados. Na época, o filme foi considerado polêmico, e olhando-o depois de quase 60 anos, as imagens continuam poderosas, incômodas. 25 anos depois Wiseman fez uma espécie de sequência, “High School II” (1994), analisando desta vez o cenário escolar da Escola Secundária Central Park East, em Nova York. O documentário conta com mais uma sessão no festival Olhar de Cinema, no dia 09/06. PS: No mês passado a Mubi lançou uma coleção em homenagem ao cineasta, intitulada “Frederick Wiseman: American lives”, com oito documentários dele que são análises íntimas da sociedade americana e suas contradições; no catálogo há “Model” (1980) e “High School”, bem como longas de enorme duração que ele fez e foi exibido e importantes festivais, como “At Berkeley” (2013) e “City Hall” (2020). POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA-NAWEB BLOGSPOTCOM
filmaço!
Documentário chato, com longos trechos de citações lidos pelos professores, que mostra toda imbecilidade da sociedade estadonidense, seja os professores, seja os alunos, e como cereja do bolo estragado, grandes closes nas bundinhas adolescentes, exploradas até no poster acima. Nota 4,0.
Wiseman é um grande documentarista. Por mais breve que seja a história ele se interessa pelos acontecimentos, e por pessoas.
Precioso retrato de uma época feito através da observação da rotina diária de uma escola secundária dos EUA no final dos anos 60. O documentário apenas apresenta os fatos e situações para que cada um faça o seu julgamento daquilo que ele mostra. Como algumas revoltantes sequências envolvendo o autoritarismo de professores e até uma frase de extremo mau gosto proferida por um ginecologista para uma plateia de jovens alunos. Algumas passagens em que professores recitam longos textos em sala de aula quebram um pouco o ritmo do documentário, mas de um modo geral ele é um bom exemplar do seu gênero.