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Data de lançamento
5 Julho 2019Duração
Na cidade de Toritama, considerada um centro ativo do capitalismo local, mais de 20 milhões de jeans são produzidas anualmente em fábricas caseiras. Orgulhosos de serem os próprios chefes, os proprietários destas fábricas trabalham sem parar em todas as épocas do ano, exceto o carnaval: quando chega a semana de folga eles vendem tudo que acumularam e descansam em praias paradisíacas.
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[review feita em 01 de Abril de 2022]
encantador no olhar da realidade. é fascinante, não por ser uma história absurda, mas pelos momentos de identificação e correlações que fazemos com nossas vidas. é um documentário que se sente como uma ficção, tão confortável quanto. E é tão profundo e bem feito que acabou se tornando uma experiência de contemplação e reflexão pessoal pra mim. na verdade a vida é bem bonita, apesar de tudo.
Colocar o nome da galinha de Sarajane foi o auge.
>Assistido em 29 de Julho de 2025
Pegue a frase “Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar”, tire toda a sua poesia e deixe apenas a informação. O resultado é o título do filme em inglês: “Waiting for the Carnival”.
É triste ver uma sociedade inteira completamente seduzida pelo canto da sereia do empreendedorismo. Vendem a essas pessoas a ideia de trabalhar por conta, em alguns casos na própria casa, sem ter que obedecer a patrão, bater ponto ou cumprir horário fixo, podendo produzir o quanto quiser por dia. Ser um trabalhador autônomo. Livre para decidir como quer trabalhar.
Vendem isso e entregam altos níveis de precarização. A ausência de patrão vem acompanhada da ausência de qualquer direito trabalhista. Os que trabalham em casa tem que arcar com os custos de energia elétrica e manutenção dos equipamentos. Podem decidir seus horários e o quanto querem produzir por dia, mas, seguindo a lógica de “quanto mais se produz, mais se ganha”, dedicam 14/15/16 horas por dia para poder tirar seu sustento. Ainda assim, para muita gente, não é o suficiente para bancar alguns dias de lazer durante o carnaval. Lazer esse não só desejado, mas justificadamente necessário, para que não enlouqueçam em uma vida em que só se trabalha e nunca se aproveita.
E quem pode culpá-los por defenderem esse modelo? Em uma sociedade que traz ainda tão latente em seu imaginário a herança da escravidão, normalizamos a ideia de que aqueles que empregam detêm plenos poderes sobre os empregados. Quem nunca sofreu algum tipo de humilhação no trabalho? Quem nunca ouviu elogios sobre algum patrão por este não fazer mais do que sua obrigação: ser uma pessoa minimamente decente e respeitosa? Junte-se a isso a influência dos coaches de empreendedorismo e o resultado é um solo fértil para a agenda neoliberal fincar raízes.
Gostei de como o diretor se abstém de formular conclusões sobre o que os entrevistados falam, deixando a cargo dos espectadores perceber a violenta contradição daquele regime de trabalho tão desumano.
O documentário apenas perde um pouco de sua força ao optar por um enfoque exagerado em Léo – mesmo sendo uma figura bem interessante, não consegui enxergá-lo como protagonista da história recente de Toritama.
Realista demais.
Aqueles que se dizem livres e donos do seu tempo durante o ano inteiro, trabalhando mecanicamente, acabam se desesperando na primeira oportunidade de realmente viverem as maravilhas da vida para além do engessamento imposto pelas condições de trabalho. Infelizmente, essa liberdade se limita apenas aos quatro dias de Carnaval. Passada a euforia, a dura realidade os aguarda de braços abertos.