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[review feita em 31 de agosto de 2022]
sobre o período pós-contracultura dos movimentos hippies em que os integrantes desses movimentos encaravam a desilusão de uma sociedade que não mudou como se imaginava. há tambem um senso de estados unidos caótico, que venceu essa juventude e que parece agora os engolir e se antes as drogas representavam uma expansão de consciência e ir contra o estado americano - agora até esse estado a aceitou a seus termos na cidade de las vegas e em vez de iluminar a mente, o que sobra das drogas é a mais completa alienação possível. pra mim parte desse texto vai de uma crítica ao próprio movimento da contracultura, quando o personagem principal lembra da época ele diz que achava que estavam lutando por algo certo, mas não parece entender muito bem os reais motivos das pautas.
dessa forma, o filme constantemente beira a genialidade e sua primeira metade é incrível. mas então o filme decide se tornar uma das coisas mais nojentas de misoginas que já assisti, com algum fiapo de senso crítico pra questão e que me parece mais uma tentativa de dizer "naooo, vc não entendeu a crítica!". e aí no fim o que sobra é um se beber não case com alguma pretensão intelectual, uma fantasia masculina e problemática que reconhece seus problemas mas decide ignorá-los e abraçar uma diversão alienada. nada me convence de que a trama da Lucy é aceitável.
nota: 3.0
[review feita em 28 de julho de 2022]
se assume como um conto infantil e traz uma metalinguagem que explicita o quanto a ficção é artificial por natureza e portanto essa recusa crescente por histórias que fogem do "realismo" (geralmente associado a um realismo cínico mesmo) é algo sem sentido porque no fim o potencial da arte é mesmo o da imaginação, de levar você a acreditar que algo não real é real.
e, enquanto um conto infantil, é bobinho, mas muito lindo e guarda uma sinceridade muito genuína e bonita por trás de tudo, tem paixão pela própria história que tá contando mesmo em seus momentos mais bestinhas. afinal, vá ao inferno a verossimilhança, porque as vezes ela parece mais prender a narrativa e a possibilidade de conceitos do que outra coisa em muitos casos.
edit: aliás eu entendo quem não gosta do shyamalan enquanto roteirista ou mesmo cineasta, mas inegavelmente ele é um bom diretor viu, a forma como ele gerencia a câmera e conduz o ritmo da narrativa é admirável.
nota: 6.7
obs.: marcelo tas tava bem no filme.
[review feita em 31 de agosto de 2022]
como toda obra do Marcelo Gomes, tem todo um olhar muito contemplativo para a realidade e aqui a gente é posto no papel de observador, somos levados a participar do filme, como quem está ali e apenas contempla, como se olhasse para o mundano com um fascínio carinhoso.
e entre contemplações, uma certa melancolia paira tudo, quando nos sentimos alegres ou confortáveis, efeitos de câmera nos tiram o foco, uma trilha sonora entra. como se nos perdêssemos ao assistir a própria vida, como se nos desassociássemos por um momento do nosso próprio ser individual e olhássemos a realidade em profundidade, mas logo somos puxados novamente por certos sentimentos de desconforto.
e no fim fala sobre a vida mesmo, a vida é isso, muito bonita mesmo em sua melancolia.