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Data de lançamento
20 Julho 2006Duração
Cleveland Heep (Paul Giamatti) é um homem triste, que vive solitário. Até que, numa noite qualquer, acontece algo que muda drasticamente sua vida. Ele encontra em seu prédio uma outra pessoa que tenta se esconder dos demais, uma jovem misteriosa chamada Story (Bryce Dallas Howard), que mora entre as passagens sob a piscina. Surpreso, Cleveland descobre que Story é uma "narf", uma espécie de ninfa das histórias infantis, e que ela é perseguida por criaturas malignas, que desejam impedir que ela retorne ao seu mundo de origem. Além disto Story possui poderes de percepção, que a permite ver qual será o destino dos moradores do prédio de Cleveland. Juntos, Cleveland e os moradores de seu prédio, se unem para encontrar um meio que permita Story a retornar ao seu mundo.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
26.07.2009
[review feita em 28 de julho de 2022]
se assume como um conto infantil e traz uma metalinguagem que explicita o quanto a ficção é artificial por natureza e portanto essa recusa crescente por histórias que fogem do "realismo" (geralmente associado a um realismo cínico mesmo) é algo sem sentido porque no fim o potencial da arte é mesmo o da imaginação, de levar você a acreditar que algo não real é real.
e, enquanto um conto infantil, é bobinho, mas muito lindo e guarda uma sinceridade muito genuína e bonita por trás de tudo, tem paixão pela própria história que tá contando mesmo em seus momentos mais bestinhas. afinal, vá ao inferno a verossimilhança, porque as vezes ela parece mais prender a narrativa e a possibilidade de conceitos do que outra coisa em muitos casos.
edit: aliás eu entendo quem não gosta do shyamalan enquanto roteirista ou mesmo cineasta, mas inegavelmente ele é um bom diretor viu, a forma como ele gerencia a câmera e conduz o ritmo da narrativa é admirável.
nota: 6.7
obs.: marcelo tas tava bem no filme.
Há um momento em que o personagem do Jeffrey Wright fala algo sobre ser ridículo, quando todos estão pela primeira vez assumindo seus papéis na salvação de Story. Com o desenvolver da cena, nós vemos que nenhum dos participantes ali tem medo de parecer ridículo.
O filme, em si, não tem medo de parecer ridículo. Quando todos se posicionam frente a um menino que está lendo o destino em caixas de cereal, ninguém está rindo ou fazendo caretas. Todos estão sérios. Nada melhor do que botar fé na história que se está contando.
Acho bonito como tudo é sobre não perder a fé. Sobre como a chegada de alguém, de um anjo, pode devolver a esperança a alguém que a tinha perdido, com muitos motivos.
Falando até sobre escolhas estéticas, esse é um dos melhores usos de CGI que já vi. O momento em que a águia chega é extremamente dramático, mas disfarçado pela água, como que para não sairmos daquele momento, vermos do ponto de vista que as outras narfs estão vendo. História contada, nada mais a dizer. A vida dos dois mundos ocorrerá, paralelamente, mas não como se nada tivesse acontecido.
Subestimadíssimo filme do Shyamalan, assim como Armadilha.
01.10.2006
Dois filmes habitam esse filme.
Um é uma fabula fantasiosa e inocente que condensa seu narrar no condominio e nas personalidades que habitam de forma belissima e muito interessante, o outro é um filme alegórico onde o diretor debate o seu próprio eu (e seu cinema) perante o público, a critica e a sociedade. Gosto dos dois filmes e ambos são interessantes mas acredito que eles se anulem, pois exigem coisas diferentes do enredo.
Se por um lado a fabula pede que seus personagens se mostrem inocentes é ironico que todos eles pareçam tão autoconscientes da metalinguagem que os cerca. E se por outro lado são tão conscientes parece soar meio forçado toda a inocencia que a fabula pede.
Nessa contradição há também beleza, e ela não parece ser acidental, ainda sim sinto que o filme ganharia de abraçar com profundidade a sua inocencia e abandonar o cinismo reativo que cerca o filme. Ou abandonar a fabula como espaço de fantasia inocente e partir pro cinismo de metalinguagem, Shyamalan domina ambos.