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Em um contexto capitalista onde existencia é atrelada a produtividade a sociedade ocidental moderna cada vez menos sabe lidar de forma honesta e bonita com o envelhecimento, ao contrário, o conceito é colocado no lugar do improdutivo, do que carece de cuidado e do que espera a morte...Nesse contexto Tereza é mensagem de resistencia por estar viva e querer viver, entender que ainda pode construir histórias, viver emoções e realizar sonhos. O filme por horas se deslumbra com uma jornada inocente de descoberta e faz mergulhos mais rasos do que poderia, ainda sim tem beleza poética para dar e vender. Que enquanto houver vida, vivamos!
O colapso cada vez menos silêncioso de não caber em si e não se ver percebido pelo outro.
Minha primeira sensação ao terminar o filme foi de alguma decepção, minha expectativa era alta e os ciclos aqui são repetitivos, quase exaustivos, e esperamos por uma luz que nunca vem. Quanto mais eu penso nele mais, entretanto, passo a gostar do que é feito.
O filme acerta em não patologizar sua protagonista (e esse talvez seja dos trabalhos mais interessantes da J. Lawrence) e nunca romantizar ou fetichizar sua condição, nunca cair no caricato, ao invés disso ele optar pela construção de um problema de linguagem, existir no mundo onde ela está é uma dor, e seu marido, que não é um vilão (mas é falho, humano), simplesmente não consegue acompanhar, enxergar ou compreender. Não é então, sobre o racional e sim sobre o existencial, e é nessa toada que o filme cresce em mim. Entendo então que a linguagem do filme não busca fluidez, busca atrito, desconforto (algo como o filme Meu Pai faz, ali com Alzheimer). E nesse sentido sua montagem inconstante (que gera sim problemas de ritmo) vem para fortalecer a linguagem em torno de sua proposta fugindo do que seriam locais faceis para essa narrativa, fugindo do confortável, nunca sendo um abraço e nos colocando sempre no local de observador da complexidade moral, emocional e existencial.
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Bons filmes!
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Um dos maiores documentaristas da historia, Coutinho sempre mostrou compreender a potência da narrativa em seus trabalhos. Aqui, assim como em seus outros trabalhos notórios e geniais ele flerta com a noção da realidade ficcional e faz dela sua teste principal. Acho esse seu trabalho mais minimalista e lento. Mas a ideia de igualar o real e o controlado, o atuado (e não estamos todos atuando) e o espontaneo e refletir se a natureza falsa de uma gravação consegue ultrapassar o ilusório. O captado e refletido produz sentimentos que nos lembram tudo, menos fingimento.