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Data de lançamento
10 Set. 2000Duração
As aventuras de João Grilo (Matheus Nachtergaele), um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó (Selton Mello), o mais covarde dos homens. Ambos lutam pelo pão de cada dia e atravessam por vários episódios enganando a todos da pequena cidade em que vivem.
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O alto da compadecida não é um filme ruim, ele apenas não dialogou comigo. É nitidamente uma peça de teatro adaptada para uma película. As falas, as atuações, o ritmo, o roteiro, tudo é teatral! Tudo bem produzido, bem filmado, bem atuado, porém não apela a minha alma. Não me pega. Essa visão cristianizada do Suassuna sempre me deu um pouquinho de vergonha alheia. Tanto é que, para mim, o final do filme é um sermão moralista apelativo a humildade e a culpa cristã comicamente poético e constrangedor.
IMPRIMATUR - visto no cinema no ano 2000:
Eu não acompanhei a minissérie por isso a experiência acabou como inédita. No fundo tenho certa ressalva sobre esse tipo de conversão, mas jamais vou desmerecer o filme nacional preferido do povo brasileiro.
Avaliação em nota: 7.0
Achava um mico eu nunca ter assistido kkk, finalmente vi, e de fato é tudo que falam sim.
Reassisti O Auto da Compadecida e, para mim, continua sendo uma das maiores obras de arte do cinema brasileiro. É um filme extremamente completo: os personagens são muito bem construídos, o roteiro é brilhante, o regionalismo é executado com autenticidade e o figurino ajuda a dar ainda mais identidade à obra.
Tudo funciona de forma quase perfeita. É nítida a influência de Ariano Suassuna nos diálogos, na escolha das palavras e na maneira como os personagens se expressam. Existe uma riqueza cultural enorme em cada cena, sem que isso prejudique o humor ou a narrativa.
Para mim, está tranquilamente no Top 5 do cinema nacional. Um clássico atemporal que continua tão divertido e relevante hoje quanto na época em que foi lançado.
#revisitando
O roteiro acompanha João Grilo e Chicó atravessando fome, coronelismo, cangaço e confusão religiosa com a mesma energia de quem resolve problema dizendo “deixa comigo” sem ter plano nenhum. Cada situação parece pior que a anterior, mas os personagens continuam sobrevivendo na base da conversa fiada e do improviso emocional, o famoso “Deus proverá”, só que em ritmo de forró e desespero.
Mas por trás da comédia e das mentiras absurdas, existe uma crítica social muito afiada. O filme escancara desigualdade, hipocrisia religiosa e abuso de poder sem nunca perder o humor. Padre, bispo, coronel… todo mundo ali parece mais preocupado com status e interesse próprio do que com qualquer valor moral verdadeiro. E isso faz a obra funcionar tão bem porque ela entende uma coisa profundamente brasileira, as vezes o humor é a única maneira de suportar injustiça constante.
Matheus Nachtergaele transforma João Grilo num dos personagens mais carismáticos do cinema nacional justamente porque ele não é herói clássico, é sobrevivente profissional. O cara mente, manipula, improvisa e corre do perigo como quem já entendeu que honestidade sozinha não paga almoço. Energia de brasileiro que consegue resolver burocracia impossível conversando com três pessoas e um cafezinho. Enquanto isso, Selton Mello faz de Chicó praticamente o espírito da insegurança nacional, fala muito, exagera tudo e parece viver permanentemente assustado com as consequências da própria existência. A dupla funciona porque mistura esperteza e covardia numa química absurdamente humana.
Na direção, Guel Arraes abraça completamente o tom teatral e popular da obra original de Ariano Suassuna. O filme parece uma mistura de cordel, teatro de rua e caos brasileiro organizado por alguém que claramente entende o país profundamente. Tudo é exagerado, colorido e cheio de personalidade, mas sem perder a crítica por baixo da comédia.
Brasil, quem tem dinheiro manda, quem tem poder explora e quem nasce sem nada…aprende cedo que criatividade também é ferramenta de sobrevivência.