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Quando vi a premissa e toda a história por trás do filme, fiquei bastante interessado. Depois de ver, quase defendi o figurão da warner que não queria lançar.
Um humor quase infantil, mas que se finge de um pouco mais adulto, lembrando o (terrível) Inspetor Bugiganga. Tenta retratar alguma sátira ao sistema judiciário dos Estados Unidos, mas não engata em momento algum. Os personagens de desenhos aparecem do modo mais genérico possível, tirando o Coyote, que realmente é usado de modo muito criativo na ausência das palavras e no seu humor físico.
De resto, ruim à beça.
Vejo que A Crônica Francesa, do Wes Anderson, usa animação de modo muito mais criativo.
-Achei que você tivesse ficado com medo.
-Você tinha razão. Estou com medo. Será que todos os amantes têm a impressão de estar inventando algo? Eu conheço os gestos. Imaginei tudo enquanto esperava por você.
-Você sonhou comigo?
-Não. Eu pensei em você.
Revendo um filme que provavelmente é meu favorito, junto com outro, que não vem ao caso.
Vejo que há infinitas coisas pra se falar aqui, mas dá pra se ater a duas, basicamente.
Uma delas é como o filme é sobre uma pessoa pintando a outra, sobre um quadro a ser pintado, e se torna um filme sobre quadros não pintados. Sobre histórias não contadas. Tudo que a gente vê nesse filme poderia ser um quadro, é feito como se fosse pra ser uma pintura. Há então vários momentos em que Marianne apenas vê Heloise. Depois de muito ver, ela nunca a pinta da maneira que a vê, é sempre algo mais contido, como a própria Heloise deixa claro ao dizer que o primeiro retrato não era próximo da realidade tampouco próximo de quem o realizou. Então tudo o que acontece ali pode ser contado, pintado, mas no final não é. Porque na verdade não se pode. E Heloise não é um sujeito passivo a isso, apesar de ser o "objeto" do retrato. Ela inclusive quer que o aborto que ela presenciou seja retratado, ela quer registrar e se lembrar daquilo, quer esta história sendo contada.
E o segundo ponto de destaque do filme, que é meio batido, é o olhar. Marianne o tempo todo tem que olhar para Heloise para pintá-la, tentando captar tudo o que existe nessa pessoa, decifrar a outra através da observação. Novamente, Heloise não é passiva a isso. Ela, inclusive, fala a Marianne: por que você acha que só você tá me olhando? Veja onde eu estou, nós estamos no mesmo local. Eu também estou olhando diretamente para você.
Posteriormente, é a própria Heloise que decide agir igual a Eurídice. Elas não possuem escolhas. Não é aquele último olhar que acabou com a história das duas, tampouco com a de Eurídice. Aquele olhar é apenas uma ausência de arrependimento, é a presença da lembrança, é a vulnerabilidade de se permitir ser visto, é o momento em que Marianne deixa escapar o fato de que é uma pintora justamente por estar vulnerável, é a primeira vez que Heloise escuta uma música que não é sacra, é a liberdade de se andar sozinha e entrar no mar pela primeira vez.
Conforme falei da primeira vez que assisti, eu discordo de Marianne: Heloise olhou para ela diante da orquestra, olhar para a música era olhar pra ela afinal.
Não existe nada igual a esse filme
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Existe uma análise do Thomas Flight que eu gosto muito da cena em que Michael salva seu pai no hospital. Essa é a quarta vez que vejo esse filme e só agora percebi que o Michael praticamente não aparece na primeira hora. Este primeiro terço de filme basicamente apresenta o universo e o protagonista (que não é o Vito) fica um pouco de lado. Ele apenas nega uma vez ou outra a família e o pai.
Até que ele tem que agir para que Vito não morra. Michael se torna frio de um modo que ele próprio se assusta. Ao contrário do filho do padeiro, ele não tem as mãos trêmulas ao acender o cigarro. Ele tem mãos firmes. O fogo não titubeia em suas mãos. Ele arregala os olhos, apaga o fogo, mas não existe volta a partir dali.
Vejo que há um quê de Lawrence da Arábia. Me explico: filmes que se inspiram em Lawrence normalmente têm como protagonista alguém com carreira militar que usa de suas táticas para vencer os adversários que ali se apresentam. E é exatamente isso que Michael faz ao final, o grande ápice do filme.
Tudo é feito para que a cena final faça sentido: Michael mostra que se tornou quem negava. Não tem problemas em matar ninguém, em mentir para sua esposa, em aceitar o diabo.
Vale destacar também como as despedidas são bem exploradas no filme: a última vez que Santino e Michael estão juntos é terminada com um abraço carinhoso do irmão mais velho.
O último momento de Vito e Michael também é marcante enquanto um espelho. Os dois estão frente a frente, com seus rostos quase se misturando, à la Persona. Michael se tornará um homem igual a Vito. É inevitável. Shakespeariano.
Difícil falar desse filme sem repetir tudo o que já foi dito. Difícil não amar.
Pra quem gostou, recomendo Donos da noite, do James Gray. Poderoso Chefão às avessas.