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Aruanda é um marco do cinema brasileiro. O filme de Linduarte Noronha surpreendeu as platéias do Rio de Janeiro e São Paulo quando de suas primeiras exibições, em 1960. A história da formação e da sobrevivência de uma comunidade de escravos libertos do sertão da Paraíba aparecia na tela com imagens a um só tempo líricas e rudes. Um narrador (o próprio Linduarte) explicava a saga daquela gente e a fotografia de Rucker Vieira revelava um jeito novo de olhar o Brasil.
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Registro histórico valiosíssimo.
Apesar de ser interessante como se mostra o trabalho das pessoas ali, eu vejo que essa narração dá muito o tom do que deve ser pensado sobre o que acontece.
Isso, por si só, já não me agrada, porque as pessoas não podem falar por si, as imagens tampouco.
Agora, falar de uma população negra que buscou uma vida fora das cidades (das quais esta população foi excluída), e dizer que a vivência que se possui neste modo alternativo de vida é primitiva e atrasa, aí já é demais, pobreza narrativa. Ar de superioridade terrível.
Vejo que a Agnes Varda, por exemplo, sempre usou muito melhor da narração em seus documentários. Os panteras negra é um grande expoente.
Fiquei hipnotizado na parte das mulheres fazendo cerâmica.
Coitado do burro aguentando aquele peso, maus tratos.
Apenas em 1960, por meio de um corajoso e doloroso curta-metragem nordestino, a vida esquecida dos quilombolas descendentes de escravos foi alçada aos grandes olhos do (poder) público brasileiro. Neste caso, os sobreviventes remanescentes moradores na Serra do Talhado, nas proximidades de Santa Luzia e São José de Sabugi, Paraíba, que fazem da terra e do barro o sustento de toda uma comunidade. Sendo um dos percursores do movimento Cinema Novo nacional, por sua áspera crítica à desigualdade social, racial e classicista, o filme bebe da fonte do neorrealismo italiano e oferece questionamentos necessários com escassos recursos, tanto financeiros quanto técnicos, tornando-se uma importante e urgente etnografia visual. Um exemplar da história cinematográfica do Brasil de imagens belas e marcantes em apenas 21 minutos. Ou, como sugere o título, um estado espiritual desejado por homens pretos de fé e perseverança.