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Mais do que apenas um filme de romance açucarado, trata-se especificamente sobre o amor e as percepções das diferenças entre os casais. Neste caso, um par protagonista bastante oposto. Ela, Katie (a belíssima Barbra Streisand carregando o longa), judia e fervorosa militante comunista, e ele, Hubbell (o sempre lindo Robert Redford), um jovem atleta pequeno burguês apolítico que gosta de escrever contos. Duas melodias distintas tocando, cada uma, em seu uníssono, a fim de formar a sinfonia perfeita movida apenas, e tão somente, pelo amor, variando entre tons de dor, paixão e tristeza numa roda-gigante por vezes monótona e despretensiosa. Porém, carrega uma questão ainda atual: a não aceitação do contraditório, quando qualquer conversa vira bate-boca. É uma obra de ritmo lento, mas envolvente e cativante dentro do saboroso arco romântico retratado. Paradoxalmente, antissentimental.
Ao revisitar esta distinta obra-prima, percebe-se o quão valiosa e poética é a câmera do diretor soviético. Pois, funcionando como suas lembranças, eis um sublime filme levemente autobiográfico repleto de visuais e sons que apenas as paredes da memória são capazes de fornecer. Lírico, profundo, intenso e incrível, e de modo não convencional onde o indefinível penetra a monotonia, é sobre as dores e as delícias cicatrizadas, em cada cidadão, por essa divindade chamada vida. Passado, presente e futuro coexistindo em peso, como reflexos. Ou seja, demonstrando que talvez o maior medo dos pais/filhos seja realmente o espelho se quebrar. Recomenda-se entregar-se ao deleite estético e imagético do longa, neste onirismo hipnotizante que iguala o mundano ao milagroso.
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Oi Danilo!
Político, humanista, iconoclasta e brilhante, assim pode ser definido este documentário em curta-metragem da poetisa feminista iraniana Forugh Farrokhzad, em seu único trabalho como diretora. Em apenas 22 minutos, sua câmera afiada trafega por uma casa de leprosos retratando tanto a feiura não distorcida daquela realidade miserável quanto a beleza das vidas habitadas e existidas ali, sob a narração intercalada de citações do Antigo Testamento, do Alcorão e da própria poesia de Farrokhzad. Ao conseguir justapor os males do mundo à religião e à gratidão, e bebendo da fonte do neorrealismo italiano, este aclamado filme tornou-se um marco da New Wave (Nova Onda) do cinema do Irã, crescendo exponencialmente com o passar dos anos e, por conseguinte, indispensável à história cinematográfica daquele país.