Os dois crimes/investigações do início parecem não ter muita relação um com o outro e acho que esse já é um charme inicial pro filme: uma história de detetive bem amarrada não é superada por quase nada nesse mundo.
Daí pra frente, aqui tem de tudo: extrema direita higienista, plano de contra ataque que dura mais do que décadas, corpos encontrados em situações esdrúxulas, um mosteiro, uma faculdade no meio do nada, uma gêmea que cortou o próprio dedo quando criança e foi criada nas sombras. O que mais a gente quer?
Pra quem gostou, recomendo A rainha Diaba. Não tem muito a ver, mas meio que tem tudo a ver.
O que é o diabo aqui? O progresso? Alguém que se aproveita do progresso? Ambos? São muitos os filmes do cinema brasileiro dessa época que mostram como o povo fica de um lado pro outro igual a um pião sem conseguir se firmar ou prosperar, mesmo quando a chance brota do chão, e vejo que aqui o sobrenatural é muito bem usado a serviço da história: há Eurídice, um profeta, o diabo, transformações e tudo o que se tem direito.
O sofrimento de todo mundo que está ali é muito evidente, porém trabalhado um pouco à exaustão, creio eu. O narrador também prepara pra algo que nunca vem. Ou até vem, mas aí é um evento mundial que todos nós já conhecemos e que vemos poucos efeitos em tela. Parece aquele romance lá que no final o cara tava no world trade center (não que eu tenha assistido):
ao final nenhuma daquelas vidas importa muito porque a guerra vem aí. Ok, porém onde está a guerra? Onde está a consquência dela?
Por isso, sinto que tem uma certa fetichização da dor. Toda aquela miséria não dá em lugar nenhum. Vejo que "O som da queda" é um filme que consegue retratar toda essa dor, porém chega a alguma lugar. A dor é o meio, não o fim, por mais trágico ou desesperançoso que esse fim seja.
Legal ver que nesse começo de carreira o De Palma já trazia elementos que traria mais pra frente em todos seus filmes. Claro que sempre há muito destaque às referências que ele faz a outros diretores/filmes, mas o que mais me chama a atenção é como ele sempre consegue criar tramas muito enroladas: tudo vai dando meio errado devido a uma coisinha que aconteceu antes e no final sempre tem alguma ponta meio solta que foi propositalmente deixada assim. Além disso, claro, a forma como ele contrói as imagens sempre é muito encantadora. Quebrando a tela em duas, mostrando coisas em dois planos diferentes, ou criando uma tensão gigantesca da qual os personagens não sabem. São mais de 40 anos fazendo filmes que parecem caricatos, não soam como reais e que conseguem mesmo assim prender todo mundo que vê. Não é fácil. Muita gente tenta até hoje e não consegue. Pra quem gostou, recomendo Ilha dos prazeres proibidos, do Reichenbach, também é caricato, não soa como real e consegue prender a atenção como poucos.
Meus parabéns pra esse filme que conseguiu me fazer falar mal de traduções de título para o português, coisa que nunca faço, mas pelo amor de Deus, isso aqui é claramente um jornas querendo exaltar a curiosidade da própria profissão. Deixando este ponto de lado, o personagem perdido, querendo viver outra vida, logo nos conquista. Do que ele quer fugir? Do tédio, da esposa, da vida em si? Talvez nem ele saiba. As paisagens são lindamente mostradas junto com sua ausência de arrependimento. A movimentação de câmera tem seu ápice já ao final, quando não sabemos o que acontece dentro do quarto, apenas temos indícios de certas reações de fora do quarto e pequenos ruídos dentro dele. O tédio faz a gente se enfiar em cada coisa estranha. Me lembrou Close Up, do Kiarostami, com alguém fingindo viver outra vida.
Um épico do homem contra a natureza sempre parece uma boa ideia. Talvez este seja o pai de filmes com essa temática. É maluquice pura, principalmente porque vemos que o adversário dele não é a selva e sim a própria insanidade. O filme acaba sendo uma metáfora de si próprio, porque temos um estrangeiro chegando na América pra levar tudo o que há aqui, matar e escravizar indígenas, desmatar o quanto julga necessário e tudo mais. Coisa que o próprio Herzog fez, trocando apenas borracha pelo próprio filme. Complexo, sem dúvidas. A cena final é muito divertida. A coroa do delírio. Uma ópera na selva, que onda. Pena que não morreu antes. Pra quem gostou, recomendo O último azul. Outro road movie na água, muito mais sossegado.
Filminho noir que dá vontade de ver outros filminhos noir, coisa boa. Pra quem gostou, recomendo Rebecca, do Hitchcock. Filmes nos quais a pessoa que inspira o nome do filme não aparece desde o começo.
Assisti a esse aqui quase seguido ao Bang Bang e entendo que a experimentalidade do Tonacci funciona melhor aqui do que lá. A história parece até forçada demais pra ser verdade, e mesmo assim existe a impressão de que ela é a vida de muitas outras pessoas. Sobre o que foi construído o Brasil? Quantos Carapirús ainda estão por aí? Pra quem gostou, recomendo O Abraço da Serpente.
Eu gostei da atmosfera de terror e da inquietude que o personagem maluco do maluco do Vincent Gallo tem o tempo todo. Também é legal o rumo que a história toma ao final, mas acho que nada além disso. Vejo que O Vício, do Ferrara, fala muito melhor sobre o que esse filme quer falar.
O tempo passa, eu vejo mais filmes, e acho que na verdade eu gosto do Sganzerla, mas não gosto de cinema marginal. Não que eu não veja valor nos momentos em que os diálogos param e vemos apenas momentos que claramente o Tonacci queria gravar pra colocar ali no meio: Uma perseguição na estrada, cenas de dança soltas, mágicas de troca de corpo/lugar possibilitadas pela edição. Tudo isso é muito divertido e bem filmado, claro. Mas acho que falta certa coesão, mesmo em meio à experimentalidade presente. O Sganzerla conseguia, pelo menos. Vejo que Sem Essa, Aranha consegue colocar muito mais loucura, porém mantém tudo mais amarrado também.
Talvez eu já tenha visto algum filme que carrega o nome de alguém que não é mostrado, mas não me lembro de algum com tamanho impacto. Rebecca está ali. O momento em que a morte dela é descrita pelo marido e a câmera aponta para onde ela estava em cada ação narrada, enquanto suas palavras são trazidas pela boca de outros, é o auge de sua presença. Queria dizer também que vi na Secretaria de Cultura de São Caetano do Sul e que esqueceram de colocar a legenda, então caso eu tenha perdido algo, foi por isso. Pra quem gostou, recomendo Laura, de 1944.
Dá pra começar pensando em como os segredos de uma criança parecem ser muito pequenos, mas que podem sim ser muito grandes. O luto, a infância, a vida em família e tudo no mundo pode ser muito custoso a uma criança. É necessário buscar refúgio em algum lugar. Não que seja muito mais fácil para os adultos que ali estão, muito pelo contrário.
Aliás, os adultos e a família como um todo me lembrou, a princípio, Marte Um. Não que as famílias tenham alguma semelhança tão notável, além de serem famílias negras e mineiras. Mas me soou como um drama que acompanharia os dilemas familiares existentes de modo lento, sem muitas reviravoltas, algo que me agrada muito em Marte Um. Porém gosto como aqui todo o desenrolar da vida familiar resulta no grande segredo que todos possuem. Somos apresentados a uma família que não é disfuncional, longe disso, mas que está meio atrapalhada, meio confusa após a morte de uma pessoa muito querida. A forma como cada um lida com essa dor é até um pouco escondida. A gente se esquece do luto, depois nos lembramos, depois ele é deixado de lado novamente. Parece até a vida real
Ao final, é legal como o único legado deixado pelo pai é o que ele poderia contribuir mesmo: uma lista de compras pra uma obra, que é justamente o que soluciona todo o problema que surgiu. Acho que é o que a gente deixa mesmo.
Vale destacar dois aspectos muito ricos aqui também. O primeiro é como é construído o momento em que todos descobrem o que está se passando ali. Cada um volta mais desolado que o outro. Até que chega o momento em que o irmão mais velho praticamente protagoniza um filme de terror abrindo as portas e pisando no barro até quase morrer do coração.
O segundo é a construção da casa. O cinema brasileiro é muito bom em construir lares, historicamente. A gente pode falar do Khouri em suas casas de campo sinistras em Amor Voraz, As filhas do fogo, O anjo da noite, Estranho encontro, O desejo. Da Anna Muylaert em suas casas de família disfuncionais em Que horas ela volta, Além de tudo me deixou mudo o violão, Durval discos, Mãe só há uma. Dos filmes baseados em textos do Nelson Rodrigues em seus lares ruídos por patriarcas em Os sete gatinhos, Toda nudez será castigada, As gêmeas, Beijo no asfalto. E de tantos outros: Edifício Master, Aquarius, Ainda estou aqui, O som ao redor, O Novelo, Carvão, Ela e Eu, Marte Um, Dois Córregos, Cidade Campo, Excitação, Os enforcados, São Bernardo, Dona Flor e seus dois maridos, Malu, Gravidade, A praia do fim do mundo, etc.
Nosso Segredo entra nesta longa lista. Dá pra falar sobre vários aspectos do funcionamento da casa aqui e de como ela é construída, mas acho que dá pra ficar num ponto específico: a luz branca da cozinha. É difícil falar sobre algo que é essencialmente brasileiro porque isso não existe realmente. Mas em um momento em que existe quase que um lobby anti luz fria a gente olha pra essa casa com as lâmpadas acesas e se lembra de tantas casas em que vivemos e frequentamos.
Coisa linda meu deus. Pra quem gostou, recomendo Gravidade, do Leo Tabosa, que também fala de uma casa meio atrapalhada.
Há algumas comparações que podem ser feitas entre esse filme e Vício Frenético, a principal é como o Harvey Keitel interpreta homens muito destrutivos em ambos.
A principal diferença, claro, é onde atuam estes personagens. Um é um policial corrupto e o outro é um diretor. Esta distinta função de ambos não impede que o diretor seja nocivo a todos ao seu redor. A princípio nós até o vemos como alguém que não quer ser mau com seus atores e família, porém descobrimos o impacto de seus atos com o passar do tempo. A relação entre seu elenco parece ser o principal problema, mas enxergamos que é ele quem mais os manipula. Sua esposa não pode contar com ele nem no pior momento de sua vida.
Ao final, toda essa destruição do protagonista é voltada para si mesmo, e ele tem o fim natural dos personagens do Ferrara, que é uma morte trágica e amargurada. Vejo, porém, que aqui há uma distinção grande: Eddie é muito parecido com o próprio Ferrara. A morte de Sarah (no filme dentro do filme) soa como a morte do próprio Eddie. Então quem Ferrara estava matando quando seus personagens morriam nos anos 90? Em quem seus mafiosos eram inspirados? Algum deles, com todos os crimes cometidos, era tão nocivo aos outros ao seu redor quanto Abel Ferrara era na vida real? Ele próprio parece dizer que não.
Vejo que em Napoli, Napoli, Napoli o Abel está um pouco mais otimista, mais compadecido.
Ver um filme do De Palma é sempre uma coisa agradável. Parece haver muita diversão na galhofa que se passa em tela. Em meio a tudo isso, alguns malabarismos narrativos e estéticos: piadas com sonhos, a câmera se inclinando ao descer escadas, o uso do mesmo ator para papéis diferentes, plot twist, tudo de bom. Pra quem gostou, recomendo meu favorito dele: Olhos de serpente.
É legal como, mesmo em filmes que deixam a desejar em muitos momentos, o texto do Nelson sempre possui uma grande sustentação. Histórias em que tudo parte da própria família e terminam com uma tragédia parecem simples, mas o grande dilema e conflito entre os personagens não necessariamente são fáceis de se construir, e aqui é tudo muito bem amarrado em pouco mais de uma hora. Além da boa história, também há momentos visualmente impactantes, como o primeiro momento em que Marilena se veste de noiva. Vale a pena assistir sim. Vejo que Toda nudez será castigada é um filme que usa melhor do texto do Nelson no ambiente familiar.
Provavelmente minha cena favorita do filme é quando todos se encontram e, passado o choque, se dão bem. Acho que tem uma coisa pra além da culpa e miséria que pais são colocados em determinadas situações, que é: a alta sociedade gosta de fazer suas brincadeirinhas, viver suas emoções, mas às custas de quem? Quem toma o tiro? Quem é humilhado? Como os amantes são tratados? Pra quem gostou, recomendo O mundo por um fio, também do Fassbinder, mas em um gênero totalmente distinto.
Finalzinho muito legal, apesar da história meio arrastada. Não se compara com O enigma de outro mundo, mas tudo bem, acho que vale. Pra quem gosta de finais meio agoniantes, recomendo O anjo da noite, do Walter Hugo Khouri
Provavelmente o auge do filme é quando a gente vê a invasão de Tróia. Existem muitas comparações de A Odisseia com Oppenheimer em relação a ser um homem que se arrepende do que fez na guerra, mas acho que tem uma coisa muito importante aqui que difere os dois filmes: Em Oppenheimer, o protagonista está se arrependendo enquanto está construindo a bomba, e tudo aquilo ali é um mal necessário. Enquanto em A Odisseia, Odisseu age o tempo inteiro como se aquilo ali não fosse necessário. Explico-me melhor: Odisseu luta por um homem sem rosto e que claramente possui uma preocupação material com aquela invasão, algo que vai muito além da sua cunhada ter sido levada. Ao final, Odisseu vê que apenas perdeu com tudo aquilo. Pelos mortos e pelos anos. E essa diferença dá um tom totalmente distinto aos dois filmes. Nada ali foi necessário. Tudo foi perdido. Vidas e anos. Para além de debater se o filme é uma adaptação boa ou ruim, gosto de como foi escolhido que Odisseu fosse um veterano de guerra: alguém que possui ecos da morte de uma deusa trazidos o tempo todo e só explicados ao final, após estarmos totalmente envolvidos com a história do nosso herói. Ainda sobre cenas memoráveis, como o momento em que a estátua e a Zendaya são colocadas lado a lado, vale destacar como a presença do ciclope é perturbadora. Seus gritos geram uma agonia gigantesca. A conclusão também é muito intensa, com Odisseu agindo quase que como um semideus. Uma luta que nem foi prometida é entregue com muita potência, apesar da atuação esquisita à beça do Robert Pattinson. A construção do Odisseu ao longo de toda essa história, porém, é cheia de contradições, o que faz com que nós nos empatizemos com os seus soldados que querem causar um motim a qualquer momento. Um épico que consegue ser tudo o que se propõe, em minha humilde opinião, mesmo com o Nolan mostrando sua redundância clássica. Sobre filmes longos, mas anti épicos, pra quem gostou, recomendo Não espere muito do fim do mundo.
Eu gosto de como o nome, Moscou, já representa algo que, assim como a peça em si, nunca vai acontecer. É uma peça que não vai ser concretizada, assim como a vida de quem está ali na trama dentro da trama. Assim como em outros filmes, o Coutinho tenta contar a vida das pessoas apenas por fragmentos, então aqui a própria trama da peça é contada deste modo: de modo incompleto e com pontos de vista diferentes. E mesmo sem ser alguém que constrói cenas super elaboradas, Moscou traz momentos mais belos do que qualquer outro filme de outro diretor. Como dois fósforos no escuro ao som de duas pessoas cantarolando pode representar tão bem encontro e encanto? Deve ser muito difícil fazer cinema sabendo que o Coutinho sempre vai ser melhor que você.
Sobre peça dentro do filme: O beijo no asfalto, do Murilo Benício.
Assisti a esse sem imaginar muito bem do que que ia se tratar. Talvez imaginasse não sei se uma coisa romantizada, mas uma coisa um pouquinho mais alto-astral, não sei dizer. E aí não foi o que eu encontrei, obviamente. É um documentário bastante sóbrio, como quase toda a filmografia do Ferrara. Ele não é alguém super alto-astral o tempo todo, apesar de Go Go Tales, O Rei de Nova York e outros filmes até terem momentos de festejo. Mas a maior parte das vezes ele é alguém bastante realista no sentido de que ele vê como é dura a vida de seus personagens. E aqui eu vejo que ele entrevista pessoas que poderiam ser personagens se seus filmes de ficção. A consequência da miséria é muito bem mostrada, ao contrário da causa, que é extremamente confusa e complexa. Gosto de como são trazidas pessoas da gestão pública que explicam que sabem que existe um problema, que talvez até a causa seja óbvia, mas que não conseguem encontrar uma solução. Também é deixado bem claro o lado que o filme assume, principalmente quando um discurso extremamente racista toma forma pela boca de um jornalista, porém é imediatamente refutado por alguém que está no cotidiano destes jovens que soam fadados a um destino igual ao dos mais velhos. Ainda falando sobre os problemas que todos ali vivem, é muito rico como várias pessoas possuem voz dadas a elas, sejam estas pessoas fictícias ou reais. Ninguém está imune a ter a vida atingida por aquela miséria ali, seja na cadeia, seja dentro da própria família, nas ruas, etc. Difícil. Pra quem gostou, recomendo Os chefões, também do Ferrara.
Acho interessante como o filme fala sobre pessoas perdidas, até abandonadas, talvez? E como elas usam do vício para ficarem um pouco mais presentes, ou para talvez para se conformarem com o que aconteceu, com o que pode acontecer. O tempo todo os personagens olham pra fora da câmera, como se buscassem algo que nunca encontram, com uma desesperança gigantesca, sem nenhuma perspectiva do que fazer. Tudo isso colocado num contexto pós-guerra. Um momento em que nada sobrou. Um jornalista falando de esporte numa cidade em reconstrução, num país em reconstrução, uma atriz que foi patrocinada pela extrema-direita e agora tem que fingir que aquilo não acontecia, tem que mendigar certos papéis, um senhor que passou por tanta dor na vida que não consegue viver sem o vício, e o vício como essa forma de escape, que é altamente vantajosa para alguns. Vícios. Sejam eles em morfina, em escape ou na história de alguma atriz em decadência. Perdas. Sejam de bens materiais, de carreiras ou de alguém que te apoia na busca pela verdade. Nada muito interessante jornalisticamente.
Pra quem gostou, recomendo O vício, do Abel Ferrara.
Julia Roberts em comédia romântica é sempre um deleite. Gosto de como as três protagonistas possuem seu espaço em tela e na trama, todas com as histórias mais típicas do cinema e da vida: a que não sabe se quer seguir a vida de casada que já foi previamente traçada para ela, a que encontra um playboy com fetiche em pobre e a casta que cai no conto do vigário de um homem muito mais velho. Legal que o final vai pra um meio clichê: é o esperado, mas não tira a personalidade e a marca de quem tem sua história contada. Pra quem gostou, recomendo O casamento do meu melhor amigo. Julia Roberts em mais uma comédia romântica em que a vida não dá a ela o ideal, mas que o possível basta.
Recentemente vi o filme sobre a Leci e acho que tem muita sinergia com 3 Obás de Xangô. Não chegam a ser biografias, são basicamente homenagens. Aqui, falando também muito sobre religião e cultura brasileira através da vida das pessoas que foram estes instrumentos de cultura. Bem massa.
Pra quem gostou, recomendo A luta do século, também do Sergio Machado. Vai muito nessa onda de homenagear os biografados.
Sempre ouvi falar muito mal desse e agora entendi a razão. Parece que nada do filme carrega o que havia de bom nos anteriores. Sem contar que tá cheio de piadinha de duplo sentido. O final salva um pouquinho da dignidade.
Acho que Matrix Revolutions se baseia bastante em cenas do final, mas vale mais a pena. Ligeiramente subestimado.
Rios Vermelhos
3.6 141Os dois crimes/investigações do início parecem não ter muita relação um com o outro e acho que esse já é um charme inicial pro filme: uma história de detetive bem amarrada não é superada por quase nada nesse mundo.
Daí pra frente, aqui tem de tudo: extrema direita higienista, plano de contra ataque que dura mais do que décadas, corpos encontrados em situações esdrúxulas, um mosteiro, uma faculdade no meio do nada, uma gêmea que cortou o próprio dedo quando criança e foi criada nas sombras. O que mais a gente quer?
Pra quem gostou, recomendo A rainha Diaba. Não tem muito a ver, mas meio que tem tudo a ver.
Proezas de Satanás na Vila de Leva-e-Traz
4.0 16O que é o diabo aqui?
O progresso? Alguém que se aproveita do progresso? Ambos?
São muitos os filmes do cinema brasileiro dessa época que mostram como o povo fica de um lado pro outro igual a um pião sem conseguir se firmar ou prosperar, mesmo quando a chance brota do chão, e vejo que aqui o sobrenatural é muito bem usado a serviço da história: há Eurídice, um profeta, o diabo, transformações e tudo o que se tem direito.
E a gente bem sabe que quem vende a alma ao capeta acaba descobrindo que o demônio cobra com juros e correção monetária.
Pra quem gostou, recomendo O amuleto de Ogum.
A Fita Branca
4.0 754 Assista AgoraO sofrimento de todo mundo que está ali é muito evidente, porém trabalhado um pouco à exaustão, creio eu. O narrador também prepara pra algo que nunca vem. Ou até vem, mas aí é um evento mundial que todos nós já conhecemos e que vemos poucos efeitos em tela.
Parece aquele romance lá que no final o cara tava no world trade center (não que eu tenha assistido):
ao final nenhuma daquelas vidas importa muito porque a guerra vem aí. Ok, porém onde está a guerra? Onde está a consquência dela?
Por isso, sinto que tem uma certa fetichização da dor. Toda aquela miséria não dá em lugar nenhum.
Vejo que "O som da queda" é um filme que consegue retratar toda essa dor, porém chega a alguma lugar. A dor é o meio, não o fim, por mais trágico ou desesperançoso que esse fim seja.
Irmãs Diabólicas
3.5 123Legal ver que nesse começo de carreira o De Palma já trazia elementos que traria mais pra frente em todos seus filmes. Claro que sempre há muito destaque às referências que ele faz a outros diretores/filmes, mas o que mais me chama a atenção é como ele sempre consegue criar tramas muito enroladas: tudo vai dando meio errado devido a uma coisinha que aconteceu antes e no final sempre tem alguma ponta meio solta que foi propositalmente deixada assim.
Além disso, claro, a forma como ele contrói as imagens sempre é muito encantadora. Quebrando a tela em duas, mostrando coisas em dois planos diferentes, ou criando uma tensão gigantesca da qual os personagens não sabem.
São mais de 40 anos fazendo filmes que parecem caricatos, não soam como reais e que conseguem mesmo assim prender todo mundo que vê. Não é fácil. Muita gente tenta até hoje e não consegue.
Pra quem gostou, recomendo Ilha dos prazeres proibidos, do Reichenbach, também é caricato, não soa como real e consegue prender a atenção como poucos.
Profissão: Repórter
4.0 93 Assista AgoraMeus parabéns pra esse filme que conseguiu me fazer falar mal de traduções de título para o português, coisa que nunca faço, mas pelo amor de Deus, isso aqui é claramente um jornas querendo exaltar a curiosidade da própria profissão.
Deixando este ponto de lado, o personagem perdido, querendo viver outra vida, logo nos conquista. Do que ele quer fugir? Do tédio, da esposa, da vida em si? Talvez nem ele saiba. As paisagens são lindamente mostradas junto com sua ausência de arrependimento. A movimentação de câmera tem seu ápice já ao final, quando não sabemos o que acontece dentro do quarto, apenas temos indícios de certas reações de fora do quarto e pequenos ruídos dentro dele. O tédio faz a gente se enfiar em cada coisa estranha.
Me lembrou Close Up, do Kiarostami, com alguém fingindo viver outra vida.
Fitzcarraldo
4.2 155 Assista AgoraUm épico do homem contra a natureza sempre parece uma boa ideia. Talvez este seja o pai de filmes com essa temática. É maluquice pura, principalmente porque vemos que o adversário dele não é a selva e sim a própria insanidade.
O filme acaba sendo uma metáfora de si próprio, porque temos um estrangeiro chegando na América pra levar tudo o que há aqui, matar e escravizar indígenas, desmatar o quanto julga necessário e tudo mais. Coisa que o próprio Herzog fez, trocando apenas borracha pelo próprio filme. Complexo, sem dúvidas.
A cena final é muito divertida. A coroa do delírio. Uma ópera na selva, que onda. Pena que não morreu antes.
Pra quem gostou, recomendo O último azul. Outro road movie na água, muito mais sossegado.
Laura
4.1 147 Assista AgoraFilminho noir que dá vontade de ver outros filminhos noir, coisa boa.
Pra quem gostou, recomendo Rebecca, do Hitchcock. Filmes nos quais a pessoa que inspira o nome do filme não aparece desde o começo.
Serras da Desordem
4.2 34 Assista AgoraAssisti a esse aqui quase seguido ao Bang Bang e entendo que a experimentalidade do Tonacci funciona melhor aqui do que lá.
A história parece até forçada demais pra ser verdade, e mesmo assim existe a impressão de que ela é a vida de muitas outras pessoas.
Sobre o que foi construído o Brasil? Quantos Carapirús ainda estão por aí?
Pra quem gostou, recomendo O Abraço da Serpente.
Desejo e Obsessão
3.2 85Eu gostei da atmosfera de terror e da inquietude que o personagem maluco do maluco do Vincent Gallo tem o tempo todo. Também é legal o rumo que a história toma ao final, mas acho que nada além disso.
Vejo que O Vício, do Ferrara, fala muito melhor sobre o que esse filme quer falar.
Bang Bang
3.9 54O tempo passa, eu vejo mais filmes, e acho que na verdade eu gosto do Sganzerla, mas não gosto de cinema marginal.
Não que eu não veja valor nos momentos em que os diálogos param e vemos apenas momentos que claramente o Tonacci queria gravar pra colocar ali no meio: Uma perseguição na estrada, cenas de dança soltas, mágicas de troca de corpo/lugar possibilitadas pela edição. Tudo isso é muito divertido e bem filmado, claro.
Mas acho que falta certa coesão, mesmo em meio à experimentalidade presente. O Sganzerla conseguia, pelo menos.
Vejo que Sem Essa, Aranha consegue colocar muito mais loucura, porém mantém tudo mais amarrado também.
Rebecca, a Mulher Inesquecível
4.2 374 Assista AgoraTalvez eu já tenha visto algum filme que carrega o nome de alguém que não é mostrado, mas não me lembro de algum com tamanho impacto.
Rebecca está ali. O momento em que a morte dela é descrita pelo marido e a câmera aponta para onde ela estava em cada ação narrada, enquanto suas palavras são trazidas pela boca de outros, é o auge de sua presença.
Queria dizer também que vi na Secretaria de Cultura de São Caetano do Sul e que esqueceram de colocar a legenda, então caso eu tenha perdido algo, foi por isso.
Pra quem gostou, recomendo Laura, de 1944.
Nosso Segredo
3.7 9Há algumas maneiras de se ver a principal revelação do filme, e eu entendo que a mais interessante é vê-la de modo literal.
O que é esse hipopótamo? Um hipopótamo, oras. E dessa visão, é possível desdobrarmos outras reflexões.
Dá pra começar pensando em como os segredos de uma criança parecem ser muito pequenos, mas que podem sim ser muito grandes. O luto, a infância, a vida em família e tudo no mundo pode ser muito custoso a uma criança. É necessário buscar refúgio em algum lugar.
Não que seja muito mais fácil para os adultos que ali estão, muito pelo contrário.
Aliás, os adultos e a família como um todo me lembrou, a princípio, Marte Um. Não que as famílias tenham alguma semelhança tão notável, além de serem famílias negras e mineiras. Mas me soou como um drama que acompanharia os dilemas familiares existentes de modo lento, sem muitas reviravoltas, algo que me agrada muito em Marte Um. Porém gosto como aqui todo o desenrolar da vida familiar resulta no grande segredo que todos possuem. Somos apresentados a uma família que não é disfuncional, longe disso, mas que está meio atrapalhada, meio confusa após a morte de uma pessoa muito querida. A forma como cada um lida com essa dor é até um pouco escondida. A gente se esquece do luto, depois nos lembramos, depois ele é deixado de lado novamente. Parece até a vida real
Ao final, é legal como o único legado deixado pelo pai é o que ele poderia contribuir mesmo: uma lista de compras pra uma obra, que é justamente o que soluciona todo o problema que surgiu. Acho que é o que a gente deixa mesmo.
Vale destacar dois aspectos muito ricos aqui também. O primeiro é como é construído o momento em que todos descobrem o que está se passando ali. Cada um volta mais desolado que o outro. Até que chega o momento em que o irmão mais velho praticamente protagoniza um filme de terror abrindo as portas e pisando no barro até quase morrer do coração.
O segundo é a construção da casa. O cinema brasileiro é muito bom em construir lares, historicamente. A gente pode falar do Khouri em suas casas de campo sinistras em Amor Voraz, As filhas do fogo, O anjo da noite, Estranho encontro, O desejo. Da Anna Muylaert em suas casas de família disfuncionais em Que horas ela volta, Além de tudo me deixou mudo o violão, Durval discos, Mãe só há uma. Dos filmes baseados em textos do Nelson Rodrigues em seus lares ruídos por patriarcas em Os sete gatinhos, Toda nudez será castigada, As gêmeas, Beijo no asfalto. E de tantos outros: Edifício Master, Aquarius, Ainda estou aqui, O som ao redor, O Novelo, Carvão, Ela e Eu, Marte Um, Dois Córregos, Cidade Campo, Excitação, Os enforcados, São Bernardo, Dona Flor e seus dois maridos, Malu, Gravidade, A praia do fim do mundo, etc.
Nosso Segredo entra nesta longa lista. Dá pra falar sobre vários aspectos do funcionamento da casa aqui e de como ela é construída, mas acho que dá pra ficar num ponto específico: a luz branca da cozinha. É difícil falar sobre algo que é essencialmente brasileiro porque isso não existe realmente. Mas em um momento em que existe quase que um lobby anti luz fria a gente olha pra essa casa com as lâmpadas acesas e se lembra de tantas casas em que vivemos e frequentamos.
Coisa linda meu deus. Pra quem gostou, recomendo Gravidade, do Leo Tabosa, que também fala de uma casa meio atrapalhada.
Olhos de Serpente
3.8 38 Assista AgoraHá algumas comparações que podem ser feitas entre esse filme e Vício Frenético, a principal é como o Harvey Keitel interpreta homens muito destrutivos em ambos.
A principal diferença, claro, é onde atuam estes personagens. Um é um policial corrupto e o outro é um diretor. Esta distinta função de ambos não impede que o diretor seja nocivo a todos ao seu redor. A princípio nós até o vemos como alguém que não quer ser mau com seus atores e família, porém descobrimos o impacto de seus atos com o passar do tempo. A relação entre seu elenco parece ser o principal problema, mas enxergamos que é ele quem mais os manipula. Sua esposa não pode contar com ele nem no pior momento de sua vida.
Ao final, toda essa destruição do protagonista é voltada para si mesmo, e ele tem o fim natural dos personagens do Ferrara, que é uma morte trágica e amargurada. Vejo, porém, que aqui há uma distinção grande: Eddie é muito parecido com o próprio Ferrara. A morte de Sarah (no filme dentro do filme) soa como a morte do próprio Eddie. Então quem Ferrara estava matando quando seus personagens morriam nos anos 90? Em quem seus mafiosos eram inspirados? Algum deles, com todos os crimes cometidos, era tão nocivo aos outros ao seu redor quanto Abel Ferrara era na vida real? Ele próprio parece dizer que não.
Vejo que em Napoli, Napoli, Napoli o Abel está um pouco mais otimista, mais compadecido.
Síndrome de Caim
3.3 75Ver um filme do De Palma é sempre uma coisa agradável. Parece haver muita diversão na galhofa que se passa em tela. Em meio a tudo isso, alguns malabarismos narrativos e estéticos: piadas com sonhos, a câmera se inclinando ao descer escadas, o uso do mesmo ator para papéis diferentes, plot twist, tudo de bom.
Pra quem gostou, recomendo meu favorito dele: Olhos de serpente.
Gêmeas
3.3 72 Assista AgoraÉ legal como, mesmo em filmes que deixam a desejar em muitos momentos, o texto do Nelson sempre possui uma grande sustentação. Histórias em que tudo parte da própria família e terminam com uma tragédia parecem simples, mas o grande dilema e conflito entre os personagens não necessariamente são fáceis de se construir, e aqui é tudo muito bem amarrado em pouco mais de uma hora.
Além da boa história, também há momentos visualmente impactantes, como o primeiro momento em que Marilena se veste de noiva.
Vale a pena assistir sim.
Vejo que Toda nudez será castigada é um filme que usa melhor do texto do Nelson no ambiente familiar.
Roleta Chinesa
4.0 44 Assista AgoraProvavelmente minha cena favorita do filme é quando todos se encontram e, passado o choque, se dão bem.
Acho que tem uma coisa pra além da culpa e miséria que pais são colocados em determinadas situações, que é: a alta sociedade gosta de fazer suas brincadeirinhas, viver suas emoções, mas às custas de quem? Quem toma o tiro? Quem é humilhado? Como os amantes são tratados?
Pra quem gostou, recomendo O mundo por um fio, também do Fassbinder, mas em um gênero totalmente distinto.
Príncipe das Sombras
3.5 159Finalzinho muito legal, apesar da história meio arrastada. Não se compara com O enigma de outro mundo, mas tudo bem, acho que vale.
Pra quem gosta de finais meio agoniantes, recomendo O anjo da noite, do Walter Hugo Khouri
A Odisseia
4.2 583Provavelmente o auge do filme é quando a gente vê a invasão de Tróia. Existem muitas comparações de A Odisseia com Oppenheimer em relação a ser um homem que se arrepende do que fez na guerra, mas acho que tem uma coisa muito importante aqui que difere os dois filmes: Em Oppenheimer, o protagonista está se arrependendo enquanto está construindo a bomba, e tudo aquilo ali é um mal necessário. Enquanto em A Odisseia, Odisseu age o tempo inteiro como se aquilo ali não fosse necessário.
Explico-me melhor: Odisseu luta por um homem sem rosto e que claramente possui uma preocupação material com aquela invasão, algo que vai muito além da sua cunhada ter sido levada. Ao final, Odisseu vê que apenas perdeu com tudo aquilo. Pelos mortos e pelos anos. E essa diferença dá um tom totalmente distinto aos dois filmes. Nada ali foi necessário. Tudo foi perdido. Vidas e anos.
Para além de debater se o filme é uma adaptação boa ou ruim, gosto de como foi escolhido que Odisseu fosse um veterano de guerra: alguém que possui ecos da morte de uma deusa trazidos o tempo todo e só explicados ao final, após estarmos totalmente envolvidos com a história do nosso herói.
Ainda sobre cenas memoráveis, como o momento em que a estátua e a Zendaya são colocadas lado a lado, vale destacar como a presença do ciclope é perturbadora. Seus gritos geram uma agonia gigantesca.
A conclusão também é muito intensa, com Odisseu agindo quase que como um semideus. Uma luta que nem foi prometida é entregue com muita potência, apesar da atuação esquisita à beça do Robert Pattinson.
A construção do Odisseu ao longo de toda essa história, porém, é cheia de contradições, o que faz com que nós nos empatizemos com os seus soldados que querem causar um motim a qualquer momento.
Um épico que consegue ser tudo o que se propõe, em minha humilde opinião, mesmo com o Nolan mostrando sua redundância clássica.
Sobre filmes longos, mas anti épicos, pra quem gostou, recomendo Não espere muito do fim do mundo.
Moscou
3.7 29 Assista AgoraEu gosto de como o nome, Moscou, já representa algo que, assim como a peça em si, nunca vai acontecer. É uma peça que não vai ser concretizada, assim como a vida de quem está ali na trama dentro da trama.
Assim como em outros filmes, o Coutinho tenta contar a vida das pessoas apenas por fragmentos, então aqui a própria trama da peça é contada deste modo: de modo incompleto e com pontos de vista diferentes.
E mesmo sem ser alguém que constrói cenas super elaboradas, Moscou traz momentos mais belos do que qualquer outro filme de outro diretor. Como dois fósforos no escuro ao som de duas pessoas cantarolando pode representar tão bem encontro e encanto?
Deve ser muito difícil fazer cinema sabendo que o Coutinho sempre vai ser melhor que você.
Sobre peça dentro do filme: O beijo no asfalto, do Murilo Benício.
Napoli, Napoli, Napoli
3.2 12Assisti a esse sem imaginar muito bem do que que ia se tratar.
Talvez imaginasse não sei se uma coisa romantizada, mas uma coisa um pouquinho mais alto-astral, não sei dizer.
E aí não foi o que eu encontrei, obviamente.
É um documentário bastante sóbrio, como quase toda a filmografia do Ferrara. Ele não é alguém super alto-astral o tempo todo, apesar de Go Go Tales, O Rei de Nova York e outros filmes até terem momentos de festejo. Mas a maior parte das vezes ele é alguém bastante realista no sentido de que ele vê como é dura a vida de seus personagens. E aqui eu vejo que ele entrevista pessoas que poderiam ser personagens se seus filmes de ficção.
A consequência da miséria é muito bem mostrada, ao contrário da causa, que é extremamente confusa e complexa. Gosto de como são trazidas pessoas da gestão pública que explicam que sabem que existe um problema, que talvez até a causa seja óbvia, mas que não conseguem encontrar uma solução.
Também é deixado bem claro o lado que o filme assume, principalmente quando um discurso extremamente racista toma forma pela boca de um jornalista, porém é imediatamente refutado por alguém que está no cotidiano destes jovens que soam fadados a um destino igual ao dos mais velhos.
Ainda falando sobre os problemas que todos ali vivem, é muito rico como várias pessoas possuem voz dadas a elas, sejam estas pessoas fictícias ou reais. Ninguém está imune a ter a vida atingida por aquela miséria ali, seja na cadeia, seja dentro da própria família, nas ruas, etc.
Difícil.
Pra quem gostou, recomendo Os chefões, também do Ferrara.
O Desespero de Veronika Voss
4.1 48 Assista AgoraAcho interessante como o filme fala sobre pessoas perdidas, até abandonadas, talvez? E como elas usam do vício para ficarem um pouco mais presentes, ou para talvez para se conformarem com o que aconteceu, com o que pode acontecer.
O tempo todo os personagens olham pra fora da câmera, como se buscassem algo que nunca encontram, com uma desesperança gigantesca, sem nenhuma perspectiva do que fazer.
Tudo isso colocado num contexto pós-guerra. Um momento em que nada sobrou. Um jornalista falando de esporte numa cidade em reconstrução, num país em reconstrução, uma atriz que foi patrocinada pela extrema-direita e agora tem que fingir que aquilo não acontecia, tem que mendigar certos papéis, um senhor que passou por tanta dor na vida que não consegue viver sem o vício, e o vício como essa forma de escape, que é altamente vantajosa para alguns.
Vícios. Sejam eles em morfina, em escape ou na história de alguma atriz em decadência. Perdas. Sejam de bens materiais, de carreiras ou de alguém que te apoia na busca pela verdade. Nada muito interessante jornalisticamente.
Pra quem gostou, recomendo O vício, do Abel Ferrara.
Três Mulheres, Três Amores
3.3 69 Assista AgoraJulia Roberts em comédia romântica é sempre um deleite.
Gosto de como as três protagonistas possuem seu espaço em tela e na trama, todas com as histórias mais típicas do cinema e da vida: a que não sabe se quer seguir a vida de casada que já foi previamente traçada para ela, a que encontra um playboy com fetiche em pobre e a casta que cai no conto do vigário de um homem muito mais velho.
Legal que o final vai pra um meio clichê: é o esperado, mas não tira a personalidade e a marca de quem tem sua história contada.
Pra quem gostou, recomendo O casamento do meu melhor amigo. Julia Roberts em mais uma comédia romântica em que a vida não dá a ela o ideal, mas que o possível basta.
3 Obás de Xangô
4.2 10 Assista AgoraRecentemente vi o filme sobre a Leci e acho que tem muita sinergia com 3 Obás de Xangô. Não chegam a ser biografias, são basicamente homenagens. Aqui, falando também muito sobre religião e cultura brasileira através da vida das pessoas que foram estes instrumentos de cultura. Bem massa.
Pra quem gostou, recomendo A luta do século, também do Sergio Machado. Vai muito nessa onda de homenagear os biografados.
Alien: A Ressurreição
3.1 524 Assista AgoraSempre ouvi falar muito mal desse e agora entendi a razão. Parece que nada do filme carrega o que havia de bom nos anteriores. Sem contar que tá cheio de piadinha de duplo sentido. O final salva um pouquinho da dignidade.
Acho que Matrix Revolutions se baseia bastante em cenas do final, mas vale mais a pena. Ligeiramente subestimado.