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Na cidade de Picuí, no sertão da Paraíba, um grupo de cientistas tenta erradicar o mortal mosquito Aedes aegypti — transmissor da dengue — por meio de um experimento secreto intitulado Yellow Cake. Utilizando o urânio extraído da região, o projeto pretende esterilizar os mosquitos e assim conter a disseminação da doença. A física nuclear Rúbia Ribeiro (Rejane Faria) integra o experimento.
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Depois do excelente, mas bem inusitado “Azougue Nazaré” (2018), o cineasta pernambucano Tiago Melo volta a desafiar as convenções em mais uma obra autoral, “Yellow Cake”, que teve première no festival Olhar de Cinema depois de ser exibido no Festival de Rotterdam em janeiro deste ano. Não espere um filme fácil ou tão compreensível – o assisti na abertura do festival, no Ópera de Arame, numa sessão com 1600 pessoas, e senti ali um misto de surpresa, dúvidas e aplausos. Misturando idioma português e infgles, com atores brasileiros e americanos (com momentos que conectam com “Bacurau”), é um filme simbólico sobre exploração do território (como um “neo-neocolonialismo” tecnológico, pelos norte-americanos) e os limites da sobrevivência em um mundo marcado por tensões ambientais. Na trama, um grupo de estrangeiros no sertão da Paraíba, na cidade de Picuí, buscam uma alternativa para acabar o mosquito aedes aegypti (transmissor da dengue). Ali é uma região rica de urânio, material radioativo capaz de eliminar a doença. O experimento se chama “Yellow Cake”, encabeçado por uma cientista brasileira (Rejane Faria) em conjunto com os americanos. Só que a situação foge totalmente de controle, desencadeando disputas políticas, econômicas e territoriais naquele fim de mundo. O filme tem uma trama muito particular para os tempos exaustivos que vivemos (de ameaças recorrentes de Trump de explorar minerais raros no Brasil), dialogando com a pressão social e como as comunidades periféricas lidam com as ameaças de invasão (personagens secundários entrarão nesse conflito, no caso os papéis de Tania Maria e Valmir do Côco). Tudo é árido e opressivo, com um toque menor de um humor mais direto (exatamente nas falas e ações de Tania Maria e Valmir do Côco). Parece ser futuro, mas um futuro sem distopia ou mudanças radicais de cenário – o que deixa o filme também ambíguo. O desfecho atinge a linha do brutal, quase um cinema raiz B de scifi setentista (o que gostei muito). Deve estrear em breve no Brasil, aguardem para ver! POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom