A meu ver, é possível resumir essa temporada através do melhor episódio da série até agora: House of the devil - o oitavo episódio: O início já é um deleite pra quem gosta da série: Jughead narrando o que acontece longe de seus olhos, mas com uma riqueza altíssima de detalhes. São cenas que tentam trazer uma sensualidade, mas sem sexualizar as personagens - um ponto alto da série, que foge disso o tempo todo. Após um problema entre os dois, a série traz uma de suas principais características: sempre estar presa ao gênero do que ela realmente é, ou seja, uma trama adolescente de investigação. As cenas do Archie e da Veronica entrando na casa onde aconteceu uma matança são muito bem filmadas, mostrando a narração dos personagens intercaladas com cenas do que realmente houve. Paralelo a isso, há um dilema muito comum ao longo da temporada que é a Betty tentando ser parte mais ativa da vida de Jughead. E, apesar das narrativas dos dois casais seguirem separadamente, elas se conversam em sua conclusão e em seus dilemas. O lugar onde Archie e Betty decidem confrontar ou se aproximar de seus companheiros é o mesmo palco, e ali surge uma cena que pode até fazer alguns se contorcerem de desconforto, mas que eu particularmente achei apoteótica: Mais uma versão de uma música que deixa Glee morrendo de inveja, e ao final dela, a Betty dando seu melhor em uma dança que poderia ser muito sexy, mas que não é filmada dessa maneira. Aqui, ela também não é ridicularizada - afinal, não há cinismo na série, de modo geral - ela é colocada ali para que cada um interprete como quiser. É uma cena vergonhosa, mas também é uma cena tensa. Há uma expectativa pelo que virá depois, por qual será a conversa entre Jughead e Betty. Quem acaba com a tensão é FP, o personagem mais dúbio da série até aquele momento. Ele distrai todos do desconforto e mostra uma postura inesperada: ele não sairá dos Serpentes. Isso casa totalmente com sua trajetória até aqui, ele nunca deixava claro o que queria, nunca conseguia se desvencilhar do seu passado criminoso. Só por fim entendemos a razão, o que muda totalmente daí em diante nossa visão sobre FP. Michael e Fredo que me perdoem, mas com esse beijo eu suspirei muito mais.
A segunda temporada, talvez por maior número de episódios, talvez por maior maturidade, consegue dar foco a mais personagens e amarra melhor sua trama. Ao mesmo tempo em que os protagonistas são, basicamente, esquemáticos, a lógica destes arquétipos é um pouco desafiada ao longo dos capítulos, principalmente com Betty e Jughead. Ela é sempre quem quer apenas ajudar, mas isso acaba muito mais atrapalhando. Ela tem ira, e não sabe como lidar com ela. Ela atira o suposto irmão nas mãos de um serial killer, depois dela própria ter trazido esse irmão para dentro de sua casa na melhor das intenções. Jughead é um nerdola esquisito, mas ao mesmo tempo ele é o chefe de uma gangue de motoqueiros. Ele tem problemas reais, interesses reais, inimigos perigosos e influentes, o que não conversa sobre o ponto de partida de seu personagem. Os vilões da série também seguem caminhos clássicos: Um assassino moralista e um especulador imobiliário. A trama do capuz vermelho não volta com tanta força quando é retomada ao final da temporada, ao mesmo tempo que contorna esta falta de força com uma centralização dela na personagem da Betty. Aqui, vejo outro mérito da série: não ter pena de transformar um personagem que já existia em um vilão. O personagem do Hiram, ao contrário do Capuz Preto, é muito bem desenvolvido, tem muito mais tempo de tela. Uma excelente atuação contribui para não sabermos nunca o que realmente se passa em sua mente, apenas sabemos que ele sempre está um passo à frente. Riverdale tem isso da hiper referência - todos os episódios possuem nomes de filmes, afinal - e usa uma clara inspiração do sucesso de House of cards pra narrativa de Hiram: alguém que se apropria de tudo, que tem toda a materialidade em sua mão, para conseguir manipular todos que estiverem ao seu redor. Apesar desta narrativa muito arquetípica, a série consegue fugir, algumas vezes, de seu padrão: o episódio musical é a mais clara tentativa disso. Mesmo não sendo um primor de execução, com as músicas não se casarem totalmente com a história contada, o impacto final do capítulo é o que dita o fechamento da temporada no que vem depois. A série consegue, aliás, de modo geral trazer cenas muito bonitas, muito fortes esteticamente. Vejo que a personagem que mais se beneficia destas cenas é a Cheryl. O uso de cores com ela é o melhor da série, toda vez que ela aparece o vermelho ganha muito protagonismo em cena, o que é até usado no momento em que ela entra para os serpentes, vale citar também os momentos em que ela aparece com flechas, o tom cartunesco da série nesses momentos também é muito valorizado. Ainda sobre o episódio musical, vejo que há um aceno ao maneirismo com a escolha de Carrie como o musical a ser interpretado. Ninguém melhor que Brian De Palma pra ser citado enquanto uma referência no assunto, uma referência em nos apaixonar pela breguice. Breguice essa que é muito possibilitada por ser uma série adolescente, então tudo que envolve gangues ali é um pouco besta, mas tem essa indulgência do gênero da série. E junto com estas narrativas adolescentes, também são trazidos assuntos comuns nestas histórias entre um mistério e outro, como a sexualidade da Cheryl. Ao longo desta temporada, podemos ver uma evolução muito grande dela, mostrando que não é só uma patricinha imbecil, mas sim alguém que só amou um homem (que era seu irmão) porque na verdade ama mulheres, e isso foi duramente corrigido ao longo de sua vida. É muito bonito ver que quem a salva é uma mulher por quem ela se apaixona. Nessa missão de resgate também, claro, está Veronica, que é desde a primeira temporada uma personagem com diferentes camadas. Ao mesmo tempo em que ela se mostra manipuladora e fechada com sua família, ela também escapa disso para ser leal aos seus amigos. Há espaço para dúvida em relação a tudo que envolve Veronica. Ela não tem princípios extremamente nobres e inegociáveis. Ela é aberta ao mundo ao seu redor, ao contrário de Archie, que é regido por sua moral irrefutável, mas que não consegue trazer um protagonismo à sua narrativa. Interessante ver como séries e filmes adolescentes não conseguem construir protagonistas masculinos por quem conseguimos sentir empatia.
Entendo a certa rejeição que Riverdale, principalmente devido ao momento em que a série surgiu. Uma época muito cínica do audiovisual. Se pegarmos filmes da Marvel, por exemplo, que eram o grande sucesso nessa época, podemos ver que há um cinismo muito grande: todo momento de maior seriedade tem um alívio cômico, o que dá a entender que não há uma confiança em quem pode levar aquela história ali a sério. Riverdale vai na direção oposta: cenas dramáticas são sérias, exageradas, sem gracinha. Ao mesmo tempo em que as piadas são despretensiosas, soltas em momentos aleatórios, naturais apesar da artificialidade. Série muito gostosa de se ver, muito divertida, intrigante, envolvente, com personagens que conseguem evoluir ao longo da trama e se consolidar.
Eu decidi que ia assistir Riverdale quando um rapaz disse "pra assistir Riverdale, você tem que se curtir um pouco", aí eu pensei: Eu me curto, então vou ver Riverdale.
E que delícia!!!! É muito difícil acertar o ponto exato de não se levar a sério demais e não ser cínico. E Riverdale, a meu ver, acerta em cheio. É tudo muito brega, todos são muito autoconscientes, principalmente a Verônica e a Cheryl, mas os personagens estão realmente vivendo aquilo ali à vera.
E é muito legal também ver como os adolescentes (apesar de serem uns véio interpretando) realmente agem como adolescentes: os dramas variam muito e cada um acha que o seu próprio é o maior de todos, e isso varia desde um pai preso, passando por um irmão morto, uma irmã desaparecida e a cereja do bolo que é o Archie só querendo comer alguém e sofrendo quando não consegue.
As cenas musicais também são um SHOW. Elas são bem esporádicas aqui, eu me lembro de umas 5 no máximo, e elas se integram muito naturalmente à trama, parecem versões meio despretensiosas, um pouco debochadas, é o Glee que deu certo.
E Kids in America no 11º episódio é a maior cena musical da história das séries americanas.
Dá pra escrever mais uns 40 parágrafos sobre a série, mas vou parar por aqui. Na próxima temporada vou tentar anotar um parágrafo por episódio. Muito pica.
Tinha assistido uns pedaços na época que lançou, no pior mês do pior ano de nossas vidas. Revendo agora, que coisa deliciosa. Fernanda Montenegro em tela é sempre uma experiência no mínimo agradável. Um dos melhores especiais pra ver no natal.
Riverdale (2ª Temporada)
3.6 221 Assista AgoraA meu ver, é possível resumir essa temporada através do melhor episódio da série até agora: House of the devil - o oitavo episódio:
O início já é um deleite pra quem gosta da série: Jughead narrando o que acontece longe de seus olhos, mas com uma riqueza altíssima de detalhes. São cenas que tentam trazer uma sensualidade, mas sem sexualizar as personagens - um ponto alto da série, que foge disso o tempo todo. Após um problema entre os dois, a série traz uma de suas principais características: sempre estar presa ao gênero do que ela realmente é, ou seja, uma trama adolescente de investigação. As cenas do Archie e da Veronica entrando na casa onde aconteceu uma matança são muito bem filmadas, mostrando a narração dos personagens intercaladas com cenas do que realmente houve.
Paralelo a isso, há um dilema muito comum ao longo da temporada que é a Betty tentando ser parte mais ativa da vida de Jughead. E, apesar das narrativas dos dois casais seguirem separadamente, elas se conversam em sua conclusão e em seus dilemas. O lugar onde Archie e Betty decidem confrontar ou se aproximar de seus companheiros é o mesmo palco, e ali surge uma cena que pode até fazer alguns se contorcerem de desconforto, mas que eu particularmente achei apoteótica: Mais uma versão de uma música que deixa Glee morrendo de inveja, e ao final dela, a Betty dando seu melhor em uma dança que poderia ser muito sexy, mas que não é filmada dessa maneira. Aqui, ela também não é ridicularizada - afinal, não há cinismo na série, de modo geral - ela é colocada ali para que cada um interprete como quiser. É uma cena vergonhosa, mas também é uma cena tensa. Há uma expectativa pelo que virá depois, por qual será a conversa entre Jughead e Betty.
Quem acaba com a tensão é FP, o personagem mais dúbio da série até aquele momento. Ele distrai todos do desconforto e mostra uma postura inesperada: ele não sairá dos Serpentes. Isso casa totalmente com sua trajetória até aqui, ele nunca deixava claro o que queria, nunca conseguia se desvencilhar do seu passado criminoso. Só por fim entendemos a razão, o que muda totalmente daí em diante nossa visão sobre FP. Michael e Fredo que me perdoem, mas com esse beijo eu suspirei muito mais.
A segunda temporada, talvez por maior número de episódios, talvez por maior maturidade, consegue dar foco a mais personagens e amarra melhor sua trama. Ao mesmo tempo em que os protagonistas são, basicamente, esquemáticos, a lógica destes arquétipos é um pouco desafiada ao longo dos capítulos, principalmente com Betty e Jughead.
Ela é sempre quem quer apenas ajudar, mas isso acaba muito mais atrapalhando. Ela tem ira, e não sabe como lidar com ela. Ela atira o suposto irmão nas mãos de um serial killer, depois dela própria ter trazido esse irmão para dentro de sua casa na melhor das intenções.
Jughead é um nerdola esquisito, mas ao mesmo tempo ele é o chefe de uma gangue de motoqueiros. Ele tem problemas reais, interesses reais, inimigos perigosos e influentes, o que não conversa sobre o ponto de partida de seu personagem.
Os vilões da série também seguem caminhos clássicos: Um assassino moralista e um especulador imobiliário. A trama do capuz vermelho não volta com tanta força quando é retomada ao final da temporada, ao mesmo tempo que contorna esta falta de força com uma centralização dela na personagem da Betty. Aqui, vejo outro mérito da série: não ter pena de transformar um personagem que já existia em um vilão.
O personagem do Hiram, ao contrário do Capuz Preto, é muito bem desenvolvido, tem muito mais tempo de tela. Uma excelente atuação contribui para não sabermos nunca o que realmente se passa em sua mente, apenas sabemos que ele sempre está um passo à frente. Riverdale tem isso da hiper referência - todos os episódios possuem nomes de filmes, afinal - e usa uma clara inspiração do sucesso de House of cards pra narrativa de Hiram: alguém que se apropria de tudo, que tem toda a materialidade em sua mão, para conseguir manipular todos que estiverem ao seu redor.
Apesar desta narrativa muito arquetípica, a série consegue fugir, algumas vezes, de seu padrão: o episódio musical é a mais clara tentativa disso. Mesmo não sendo um primor de execução, com as músicas não se casarem totalmente com a história contada, o impacto final do capítulo é o que dita o fechamento da temporada no que vem depois. A série consegue, aliás, de modo geral trazer cenas muito bonitas, muito fortes esteticamente. Vejo que a personagem que mais se beneficia destas cenas é a Cheryl. O uso de cores com ela é o melhor da série, toda vez que ela aparece o vermelho ganha muito protagonismo em cena, o que é até usado no momento em que ela entra para os serpentes, vale citar também os momentos em que ela aparece com flechas, o tom cartunesco da série nesses momentos também é muito valorizado. Ainda sobre o episódio musical, vejo que há um aceno ao maneirismo com a escolha de Carrie como o musical a ser interpretado. Ninguém melhor que Brian De Palma pra ser citado enquanto uma referência no assunto, uma referência em nos apaixonar pela breguice.
Breguice essa que é muito possibilitada por ser uma série adolescente, então tudo que envolve gangues ali é um pouco besta, mas tem essa indulgência do gênero da série. E junto com estas narrativas adolescentes, também são trazidos assuntos comuns nestas histórias entre um mistério e outro, como a sexualidade da Cheryl. Ao longo desta temporada, podemos ver uma evolução muito grande dela, mostrando que não é só uma patricinha imbecil, mas sim alguém que só amou um homem (que era seu irmão) porque na verdade ama mulheres, e isso foi duramente corrigido ao longo de sua vida. É muito bonito ver que quem a salva é uma mulher por quem ela se apaixona.
Nessa missão de resgate também, claro, está Veronica, que é desde a primeira temporada uma personagem com diferentes camadas. Ao mesmo tempo em que ela se mostra manipuladora e fechada com sua família, ela também escapa disso para ser leal aos seus amigos. Há espaço para dúvida em relação a tudo que envolve Veronica. Ela não tem princípios extremamente nobres e inegociáveis. Ela é aberta ao mundo ao seu redor, ao contrário de Archie, que é regido por sua moral irrefutável, mas que não consegue trazer um protagonismo à sua narrativa. Interessante ver como séries e filmes adolescentes não conseguem construir protagonistas masculinos por quem conseguimos sentir empatia.
Entendo a certa rejeição que Riverdale, principalmente devido ao momento em que a série surgiu. Uma época muito cínica do audiovisual. Se pegarmos filmes da Marvel, por exemplo, que eram o grande sucesso nessa época, podemos ver que há um cinismo muito grande: todo momento de maior seriedade tem um alívio cômico, o que dá a entender que não há uma confiança em quem pode levar aquela história ali a sério. Riverdale vai na direção oposta: cenas dramáticas são sérias, exageradas, sem gracinha. Ao mesmo tempo em que as piadas são despretensiosas, soltas em momentos aleatórios, naturais apesar da artificialidade.
Série muito gostosa de se ver, muito divertida, intrigante, envolvente, com personagens que conseguem evoluir ao longo da trama e se consolidar.
Riverdale (1ª Temporada)
3.7 392 Assista AgoraEu decidi que ia assistir Riverdale quando um rapaz disse "pra assistir Riverdale, você tem que se curtir um pouco", aí eu pensei: Eu me curto, então vou ver Riverdale.
E que delícia!!!!
É muito difícil acertar o ponto exato de não se levar a sério demais e não ser cínico. E Riverdale, a meu ver, acerta em cheio. É tudo muito brega, todos são muito autoconscientes, principalmente a Verônica e a Cheryl, mas os personagens estão realmente vivendo aquilo ali à vera.
E é muito legal também ver como os adolescentes (apesar de serem uns véio interpretando) realmente agem como adolescentes: os dramas variam muito e cada um acha que o seu próprio é o maior de todos, e isso varia desde um pai preso, passando por um irmão morto, uma irmã desaparecida e a cereja do bolo que é o Archie só querendo comer alguém e sofrendo quando não consegue.
As cenas musicais também são um SHOW. Elas são bem esporádicas aqui, eu me lembro de umas 5 no máximo, e elas se integram muito naturalmente à trama, parecem versões meio despretensiosas, um pouco debochadas, é o Glee que deu certo.
E Kids in America no 11º episódio é a maior cena musical da história das séries americanas.
Dá pra escrever mais uns 40 parágrafos sobre a série, mas vou parar por aqui. Na próxima temporada vou tentar anotar um parágrafo por episódio. Muito pica.
Gilda, Lúcia e o Bode
4.1 25Tinha assistido uns pedaços na época que lançou, no pior mês do pior ano de nossas vidas.
Revendo agora, que coisa deliciosa. Fernanda Montenegro em tela é sempre uma experiência no mínimo agradável.
Um dos melhores especiais pra ver no natal.
O Urso (3ª Temporada)
3.8 146 Assista AgoraPra quem gosta de merda, é um deleite
O Rei da TV (2ª Temporada)
3.5 38 Assista AgoraDeixa a cronologia pra lá, galera! Precisamos aprender a VOAR!!!!