Uma imigrante senegalesa torna-se empregada doméstica de uma família burguesa de França e relembra com dor os eventos que a levaram até o antigo país colonizador.
Filme: A Negra de... - 1966 - Diretor: Ousmane Sembene - Visto no dia 29.06.25
Que filme impactante, maravilhoso. Um cinema anticolonial, histórico, importantíssimo para refletirmos sobre o colonialismo da África, aqui especificamente de Senegal que foi uma colônia francesa e se tornou independente em 1960. Aqui narra a história de uma imigrante senegalesa onde se torna uma empregada doméstica de uma família francesa burguesa, e seus sonhos são destacados no curto filme: o desejo de ter uma vida melhor, de sair do sofrimento, da pobreza, da miséria que na qual vivia em Senegal por falta de oportunidades em geral, assim ela viu a chance de trabalhar na França, uma chance única da sua vida, de proporcionar uma vida mais digna para si e para a sua mãe. Mas aos poucos, a triste realidade se revela aos seus olhos, mostra os franceses como uma família insensível, racista, exploradores ao extremo. O mais triste é a forma como é transmitido para os filhos do casal a ignorância, estupidez que vem dos pais. Dignidade de 'Diouana' foi roubada, a mesma foi reduzida a uma empregada trancada naquela cozinha, quarto, só trabalhando e vivendo como escrava. A mensagem no final do filme é forte e bem marcante. Filmaço. Infelizmente bem atual, pois as coisas não mudaram quase de lá para cá. Olha que passaram mais de 50 anos. O filme é considerado um dos maiores do cinema africano, um dos que fez mais sucesso internacionalmente falando. Um filme profundo, que é sempre bom rever para captarmos mais detalhes, pois pode ter várias camadas, mas é um filme que merece estudo. Excelente sem dúvidas. Nota: 10,00
História impactante de tiro curto sobre o colonialismo francês, a revolta do explorado com consequências trágicas e também abordando a questão do orgulho dos oprimidos.
"As violências epistêmicas que reforçam o racismo, machismo, preconceito e a síndrome do colonizador acima dos selvagens estão aqui. Quando Diouana se cala, não é por vontade, é o sistema que a faz perder a voz e não ter amparo frente ao fetiche branco em ver o corpo negro como animalesco, um objeto, uma peça de um zoológico que está ao seu favor do entretenimento, subordinação e boa vontade. É a “maldade de gente boa” em sua essência.
Em apenas 60 minutos, Ousmane fora tão perspicaz em “A Negra de…”, que percebemos a sua forte influência na nouvelle vague, um movimento cinematográfico surgido na Europa. Mas não esperem uma homenagem, a influência soa mais como um deboche da tecnologia negra frente aos colonizadores em realizar o filme surfando nesse movimento, mas contando uma história realmente importante, não trivialidades brancas em suas superficialidades, uma antítese do movimento."
Um clássico do cinema africano! Trata-se de uma narrativa anticolonial da década de 1960 atenta às estruturas de poder que oprimem e matam pessoas, se não literalmente, matam indiretamente. A cena final do menino correndo atrás do patrão com a máscara no rosto é genial! Elgas, um sociólogo tbm senegalês, escreveu em ensaio publicado no Brasil recentemente que nos convida a pensar em novos paradigmas de pensamento que não considerem a África somente a partir da história com o colonizador e que o que resiste de tradição não é decolonial (resposta ao colonial), mas incolonizável. Penso nessa cena do irmão mais novo com a máscara tradicional como uma metáfora para o incolonizável.
Filme: A Negra de... - 1966 - Diretor: Ousmane Sembene - Visto no dia 29.06.25
Que filme impactante, maravilhoso. Um cinema anticolonial, histórico, importantíssimo para refletirmos sobre o colonialismo da África, aqui especificamente de Senegal que foi uma colônia francesa e se tornou independente em 1960. Aqui narra a história de uma imigrante senegalesa onde se torna uma empregada doméstica de uma família francesa burguesa, e seus sonhos são destacados no curto filme: o desejo de ter uma vida melhor, de sair do sofrimento, da pobreza, da miséria que na qual vivia em Senegal por falta de oportunidades em geral, assim ela viu a chance de trabalhar na França, uma chance única da sua vida, de proporcionar uma vida mais digna para si e para a sua mãe. Mas aos poucos, a triste realidade se revela aos seus olhos, mostra os franceses como uma família insensível, racista, exploradores ao extremo. O mais triste é a forma como é transmitido para os filhos do casal a ignorância, estupidez que vem dos pais. Dignidade de 'Diouana' foi roubada, a mesma foi reduzida a uma empregada trancada naquela cozinha, quarto, só trabalhando e vivendo como escrava. A mensagem no final do filme é forte e bem marcante. Filmaço. Infelizmente bem atual, pois as coisas não mudaram quase de lá para cá. Olha que passaram mais de 50 anos. O filme é considerado um dos maiores do cinema africano, um dos que fez mais sucesso internacionalmente falando. Um filme profundo, que é sempre bom rever para captarmos mais detalhes, pois pode ter várias camadas, mas é um filme que merece estudo. Excelente sem dúvidas.
Nota: 10,00
História impactante de tiro curto sobre o colonialismo francês, a revolta do explorado com consequências trágicas e também abordando a questão do orgulho dos oprimidos.
O imenso impacto de apenas colocar as coisas sob o ponto de vista do colonizado – que ainda soa como novo
"As violências epistêmicas que reforçam o racismo, machismo, preconceito e a síndrome do colonizador acima dos selvagens estão aqui. Quando Diouana se cala, não é por vontade, é o sistema que a faz perder a voz e não ter amparo frente ao fetiche branco em ver o corpo negro como animalesco, um objeto, uma peça de um zoológico que está ao seu favor do entretenimento, subordinação e boa vontade. É a “maldade de gente boa” em sua essência.
Em apenas 60 minutos, Ousmane fora tão perspicaz em “A Negra de…”, que percebemos a sua forte influência na nouvelle vague, um movimento cinematográfico surgido na Europa. Mas não esperem uma homenagem, a influência soa mais como um deboche da tecnologia negra frente aos colonizadores em realizar o filme surfando nesse movimento, mas contando uma história realmente importante, não trivialidades brancas em suas superficialidades, uma antítese do movimento."
Minha crítica completa em: https://cineset.com.br/60-anos-de-a-negra-de-de-ousmane-sembene/
Um clássico do cinema africano! Trata-se de uma narrativa anticolonial da década de 1960 atenta às estruturas de poder que oprimem e matam pessoas, se não literalmente, matam indiretamente. A cena final do menino correndo atrás do patrão com a máscara no rosto é genial! Elgas, um sociólogo tbm senegalês, escreveu em ensaio publicado no Brasil recentemente que nos convida a pensar em novos paradigmas de pensamento que não considerem a África somente a partir da história com o colonizador e que o que resiste de tradição não é decolonial (resposta ao colonial), mas incolonizável. Penso nessa cena do irmão mais novo com a máscara tradicional como uma metáfora para o incolonizável.