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Há o amor, no fundo, todos esperam um grande amor, aqueles de cinema. Até conhecermos profundamente a pessoa "perfeita" o/a escolhido e quando percebemos, já estamos entregues e muitas vezes passam por cima das convenções sociais para assumir e manter esse relacionamento.
Bom, falando de O Drama especificamente, todos aqui já assistiram, eu sei que é algo corriqueiro nos EUA (e não cultural, pois cultura é outra coisa) e há feridas abertas nunca cicatrizadas para o tema em específico da "pior coisa que a Emma (Zendaya, ótima!) fez na vida", porém o roteiro é muito mais complexo que isso. Mesmo ele não se aprofundando e deixando margem para interpretações. EU PENSO que o grande motor do filme são as ideias e os ideais impostos socialmente em uma sociedade adoecida pelo caos e hipocrisia e isso está estampado na cara e ações de Rachel (Alana Haim). Todos os três, com exceção da Emma, colocaram os planos em prática, mas ela minimiza as suas e do Charlie (Pattinson) e demoniza do seu marido e, principalmente da Emma. Ela desdenha sempre dos sentimentos de ambos e ambos são negros. Ah, mas ela é branca casada com um homem negro retinto. Meus caros, isso não quer dizer nada! São reproduções, a grande erva daninha é ela, dentro de suas perspectivas de vida e julgadora da moral.
E amizade é isso, as pessoas são influenciadas. Charlie foi influenciado pelas convicções sociais e a imposição da amiga, mesmo ele, no passado, tenha tido feito pior que sua amada, pois ele colocou em prática, ela só pensou e se redimiu.
Enfim, é muito complexo. O constrangimento e o incômodos são válidos, os atores estão excelentes, mas o filme dá margem para demonizar Emma e fazer da Rachel apenas uma chata com razão, quando é justamente o contrário. Não um filme para desvincular a questão racial. De verdade.
Todos nós amamos o primeiro filme e com razão, ele tem um lugar cativo em uma memória afetiva de conforto e até confraternização, no sentido de todos se reunirem para assistir, saber as falas, ver os figurinos incríveis, isso faz parte da minha adolescência e início da idade adulta minha e de muita gente. Tinha um Q de pensar em um futuro próspero e de muito sucesso, independente de qual área seguíamos. Acho que Prada (2006) tem um lado de coming of age também.
Corta para 2026. Tanta coisa mudou, tanta coisa que não cabe aqui. Nesse sentido, o roteiro tenta atualizar uma mudança social e midiática passados todos esses anos. Porém, penso eu, a moda está intrinsecamente nas nossas vidas (muito por conta da imposição e mídia) e do nosso jeito de expressar como nos vestimos e comportamos. Gosto da Miranda podada pelo cancelamento, comportamentos como os dela no passado não são toleradas hoje. Embora saibamos que ainda aconteça e muito!
Porém, a ideia do roteiro é boa. Mas a edição deixou o filme completamente sem nexo. Não casou em nada na direção e me senti em pequenas esquetes nível SNL.
Precisava dessa sequência após todos esses anos? Penso que poderia ser mais cuidadosa e menos despretensiosa como o primeiro que foi um sucesso inesperado. A áurea de precisar ser validado pelo sucesso e bilheteria pairou em todo o filme e isso também me incomodou bastante.
Fora isso, ainda tentando absorver essa Miranda, embora compreenda que ela envelheceu e, como disse, está podada, mas não menos poderosa. Entre o quarteto de luxo, ao meu ver, quem se saiu melhor e capitou o antes e o agora foi o Tucci.
Veredito? Bom, mas esquecível.
Últimos recados
O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
Eu gostei muito de A qualquer custo e Até o ultimo homem mas não acho que vão ganhar hehe
Muito bonito e contemplativo sobre a efemeridade da vida, dos vínculos amorosos e afetivos que ficam e dão substância à vida e o desespero do inesperado, do mudo, da incerteza.
Ele fora do apartamento durante todos esses dias me soa como metáfora do corpo na ausência de território e do que fazer a partir do diagnóstico. O mundo se esvai.
No mais, o filme é interessante, mas me soa uma releitura de "Cléo das 5 às 7" da maravilhosa Agnès Varda, um clássico de 1962 e muito superior que este remake (ou reboot?) que já é muito bom.