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Death and Life Madalena - Estados Unidos da América
Sinopse
Madalena é uma produtora de cinema tendo que lidar ao mesmo tempo com a morte recente do pai, sua gravidez de 8 meses e a produção de uma ficção científica B onde tudo parece dar errado.
- um dos, e talvez o meu gênero favorito, filme sobre cinema/fazer filmes - ser cineasta no Brasil é uma verdadeira luta - uma baita homenagem ao nosso cinema independente, cheio de perrengue para todos os lados, mas o amor pela arte é maior - entrega ótimos personagens, com os quais já nos afeiçoamos logo de cara, e acerta em como mostrar as formas que essa profissão/vocação afeta suas vidas
Entre documentários e dramas com pitadas psicodélicas acompanhados por uma trupe de colaboradores fiéis, o diretor Guto Parente nunca deixa de surpreender em seu cinema diverso e intenso. Desta vez, a mudança ocorre com uma comédia que poderia ser classificada como leve, mas que também encontra ecos no estilo e temáticas tão caros ao cineasta.
Madalena (Noá Bonoba) é uma produtora cinematográfica que precisa lidar com a recente morte do pai, as filmagens de uma ficção científica B escrita por ele e a gravidez de 8 meses fruto de uma relação conturbada. O desenrolar da obra apresenta tantos personagens quanto problemas, todos e tudo ao redor da protagonista, que precisa lidar com falta de dinheiro a rebeldia descompromissada de diretores, passando por greves da própria equipe de produção.
Assim como Estranho Caminho, a paternidade e o cinema orbitarão como temáticas importantes novamente em Morte e Vida Madalena (no primeiro caso, até trazendo mais uma vez o ótimo Carlos Francisco como figura paterna). Aqui o pai serve como farol inicial de influência profissional e guia final em meio ao caos, tudo isso entrecortado pelo ofício de fazer filmes.
Esta crítica continua em: tardesdecinema. com. br/post/morte-e-vida-madalena-cr%C3%ADtica
É feio torcer apaixonadamente por um filme, na metade de um festival? Olha eu sendo horrível, então: adorei este filme!
Estava com as expectativas elevadíssimas, desde que soube da existência desta obra, ainda lá em Tiradentes, quando estava em procedimento de finalização. Fiquei imediatamente apaixonado pelo título, com seu jogo de palavras opostas (e/ou complementares) e uma possível homenagem ao João Cabral de Melo Neto. Aguardei que ele fosse disponibilizado perto de mim... E tive o privilégio de estar em Brasília na noite em que ele estreou. O aplaudi efusivamente!
Assumindo uma tônica humorística mui contundente, a partir da exposição de elementos delicados (a morte de um pai, uma série de contratempos durante uma gravidez avançada, o sumiço de um diretor cocainômano durante as filmagens de uma produção entulhada de problemas), o diretor Guto Parente consegue a proeza de, mais uma vez, mudar de tom em relação às suas obras anteriores, mantendo alguns temas obsessivos (o luto, conforme foi amplamente abordado num debate, à frente), brincando respeitosamente com convenções de gêneros consolidados e contando com um elenco magistral, escolhido a partir de hipercodificações chamativas: a indecisão característica dos personagens de Marcus Curvelo e a porra-louquice de Tavinho Teixeira são brilhantemente exploradas aqui. Eu gargalhei fartamente durante a sessão (não apenas eu, aliás) e projetei-me intimamente no personagem do Tavinho, de modo que, como sói acontecer nas obras do Parente, é ofertado um consolo para quem se sente desviado, no roteiro. Fui contemplado: há uma sqüência de karaokê que é puro júbilo!
Já que (quase) mencionei a trilha musical, sinto-me na obrigação de louvar o extraordinário trabalho de Paulo Gama, que faz uma emulação dos temas de faroestes em cenas específicas e marcantes. As canções incidentais - uma delas, recorrente - também são esplendidamente escolhidas, de modo que o clima de imersão nos arranca-rabos progressivos deste filme é inevitável: quem nunca passou por uma confusão daquelas, trabalhando com cinema? (risos)
Enquanto todos ao seu redor optam por personificações estudadamente exageradas (exceção conferida a Honório Félix, incrível num pequeno papel contido), Noá Bonoba opta por um registro quase monocórdico, controlador pela imponência que ela em suas inflexões vocais e olhares de poder (mesmo quando sob a mais assustadora impotência). Um trabalho impressionante, que faz com que simpatizemos com a sua protagonista, não necessariamente bondosa, mas merecedora de afagos compensatórios. Ri muito, já disse? Mas também fui enternecido em diversas seqüências mais calmas, de diálogos possíveis em situações que beiravam o impossível. Uma aula de disposição, que culmina no nascimento de um personagem icônico deste a sua primeira menção nomenclatural. O desfecho fecha um ciclo que será reaberto logo em seguida, após a sessão: afinal, suspeitamos que o luto ressurgirá em obras vindouras deste talentosíssimo cearense, a quem cheguei a constranger pessoalmente, de tanto que o reverenciei... Mas faço questão de enfatizar: adorei este filme, a paixão pela obra vai além da devoção que eu dedico a obras anteriores do artista. Ótima mudança de tom, ótimo apelo à conversão de uma equipe de filmagem em família provisória (ou estendida, a despender do caso). Estou na torcida para que chegue a mais pessoas e que, no percurso, receba alguns prêmios. Que seja logo divulgada a data de estréia comercial. Faço questão de recomendar esta obra divertidíssima aos meus amigos mais próximos! (WPC>)
- um dos, e talvez o meu gênero favorito, filme sobre cinema/fazer filmes
- ser cineasta no Brasil é uma verdadeira luta
- uma baita homenagem ao nosso cinema independente, cheio de perrengue para todos os lados, mas o amor pela arte é maior
- entrega ótimos personagens, com os quais já nos afeiçoamos logo de cara, e acerta em como mostrar as formas que essa profissão/vocação afeta suas vidas
Entre documentários e dramas com pitadas psicodélicas acompanhados por uma trupe de colaboradores fiéis, o diretor Guto Parente nunca deixa de surpreender em seu cinema diverso e intenso. Desta vez, a mudança ocorre com uma comédia que poderia ser classificada como leve, mas que também encontra ecos no estilo e temáticas tão caros ao cineasta.
Madalena (Noá Bonoba) é uma produtora cinematográfica que precisa lidar com a recente morte do pai, as filmagens de uma ficção científica B escrita por ele e a gravidez de 8 meses fruto de uma relação conturbada. O desenrolar da obra apresenta tantos personagens quanto problemas, todos e tudo ao redor da protagonista, que precisa lidar com falta de dinheiro a rebeldia descompromissada de diretores, passando por greves da própria equipe de produção.
Assim como Estranho Caminho, a paternidade e o cinema orbitarão como temáticas importantes novamente em Morte e Vida Madalena (no primeiro caso, até trazendo mais uma vez o ótimo Carlos Francisco como figura paterna). Aqui o pai serve como farol inicial de influência profissional e guia final em meio ao caos, tudo isso entrecortado pelo ofício de fazer filmes.
Esta crítica continua em: tardesdecinema. com. br/post/morte-e-vida-madalena-cr%C3%ADtica
É Brasil, é cinema, é cômico, é dramático, é belo, é simples, é complexo, é brega, é refinado, ai... é tudo!
É feio torcer apaixonadamente por um filme, na metade de um festival? Olha eu sendo horrível, então: adorei este filme!
Estava com as expectativas elevadíssimas, desde que soube da existência desta obra, ainda lá em Tiradentes, quando estava em procedimento de finalização. Fiquei imediatamente apaixonado pelo título, com seu jogo de palavras opostas (e/ou complementares) e uma possível homenagem ao João Cabral de Melo Neto. Aguardei que ele fosse disponibilizado perto de mim... E tive o privilégio de estar em Brasília na noite em que ele estreou. O aplaudi efusivamente!
Assumindo uma tônica humorística mui contundente, a partir da exposição de elementos delicados (a morte de um pai, uma série de contratempos durante uma gravidez avançada, o sumiço de um diretor cocainômano durante as filmagens de uma produção entulhada de problemas), o diretor Guto Parente consegue a proeza de, mais uma vez, mudar de tom em relação às suas obras anteriores, mantendo alguns temas obsessivos (o luto, conforme foi amplamente abordado num debate, à frente), brincando respeitosamente com convenções de gêneros consolidados e contando com um elenco magistral, escolhido a partir de hipercodificações chamativas: a indecisão característica dos personagens de Marcus Curvelo e a porra-louquice de Tavinho Teixeira são brilhantemente exploradas aqui. Eu gargalhei fartamente durante a sessão (não apenas eu, aliás) e projetei-me intimamente no personagem do Tavinho, de modo que, como sói acontecer nas obras do Parente, é ofertado um consolo para quem se sente desviado, no roteiro. Fui contemplado: há uma sqüência de karaokê que é puro júbilo!
Já que (quase) mencionei a trilha musical, sinto-me na obrigação de louvar o extraordinário trabalho de Paulo Gama, que faz uma emulação dos temas de faroestes em cenas específicas e marcantes. As canções incidentais - uma delas, recorrente - também são esplendidamente escolhidas, de modo que o clima de imersão nos arranca-rabos progressivos deste filme é inevitável: quem nunca passou por uma confusão daquelas, trabalhando com cinema? (risos)
Enquanto todos ao seu redor optam por personificações estudadamente exageradas (exceção conferida a Honório Félix, incrível num pequeno papel contido), Noá Bonoba opta por um registro quase monocórdico, controlador pela imponência que ela em suas inflexões vocais e olhares de poder (mesmo quando sob a mais assustadora impotência). Um trabalho impressionante, que faz com que simpatizemos com a sua protagonista, não necessariamente bondosa, mas merecedora de afagos compensatórios. Ri muito, já disse? Mas também fui enternecido em diversas seqüências mais calmas, de diálogos possíveis em situações que beiravam o impossível. Uma aula de disposição, que culmina no nascimento de um personagem icônico deste a sua primeira menção nomenclatural. O desfecho fecha um ciclo que será reaberto logo em seguida, após a sessão: afinal, suspeitamos que o luto ressurgirá em obras vindouras deste talentosíssimo cearense, a quem cheguei a constranger pessoalmente, de tanto que o reverenciei... Mas faço questão de enfatizar: adorei este filme, a paixão pela obra vai além da devoção que eu dedico a obras anteriores do artista. Ótima mudança de tom, ótimo apelo à conversão de uma equipe de filmagem em família provisória (ou estendida, a despender do caso). Estou na torcida para que chegue a mais pessoas e que, no percurso, receba alguns prêmios. Que seja logo divulgada a data de estréia comercial. Faço questão de recomendar esta obra divertidíssima aos meus amigos mais próximos! (WPC>)