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Na vida há os que devoram e os que são devorados. Raimundo Nonato (João Miguel) descobre um caminho à parte: ele cozinha. É nas cozinhas de um boteco, de um restaurante italiano e de uma prisão - o que ele fez para acabar ali? - que Nonato vive sua intrigante história. E também aprende as regras da sociedade dos que devoram ou são devorados. Regras que ele usa ao seu favor, porque mesmo os cozinheiros têm direito a comer sua parte - e eles sabem mais do que ninguém, qual é a parte melhor.
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Estômago é um daqueles filmes brasileiros que eu gosto pra caralho justamente porque ele consegue contar uma história aparentemente simples, mas que vai ficando cada vez mais complexa conforme você entende os personagens.
Eu acho muito foda a maneira como o filme usa a comida e a cozinha para falar sobre poder, sobrevivência, ambição e relações humanas. O protagonista começa de uma posição muito simples e, aos poucos, vai descobrindo que aquilo que ele sabe fazer pode mudar completamente a forma como as pessoas enxergam ele.
Uma das coisas que mais gosto é que o filme não tenta transformar seus personagens em pessoas completamente boas ou completamente ruins. Eles têm contradições, desejos, fraquezas e fazem escolhas que dizem muito sobre quem são. E é justamente essa humanidade meio desconfortável que deixa o filme tão interessante.
Também acho muito inteligente a forma como a história mistura humor, drama e momentos mais pesados sem deixar de lado aquela atmosfera estranha que acompanha o filme inteiro. Você consegue rir de algumas situações, mas ao mesmo tempo percebe que existe algo muito mais sombrio acontecendo por trás delas
Talvez eu quisesse que algumas partes fossem mais aprofundadas, principalmente em relação a determinados personagens e às consequências de algumas escolhas. Mesmo assim, acho que essa falta de explicação completa também combina com a proposta do filme, porque ele deixa algumas coisas para você interpretar.
Pra mim, Estômago é uma obra que fala muito sobre como as pessoas podem usar aquilo que têm para conquistar espaço, respeito e poder. No fim, não é apenas um filme sobre comida ou sobre cozinha. É sobre sobrevivência, desejo, ambição e sobre até onde alguém pode chegar quando percebe que finalmente tem alguma coisa que os outros querem.
É um filme brasileiro que eu admiro muito justamente porque consegue ser simples na superfície e extremamente complexo por baixo dela.
“Estômago” é um estudo de personagem de uma das figuras mais clássicas do Brasil: o famoso Zé. Aquele brasileirinho risonho e manso, dotado de certa habilidade mas incapaz de alcançar seu potencial por causa de mulher, de bebida, ou de alguma debilidade cognitiva. O sujeito que é amigo de todos, sempre rindo, com a fala mansa, alguém impossível de se imaginar passando a perna nos outros, quanto mais cometer alguma barbaridade, até que seu lado animal vem à tona e realiza uma brutalidade tamanha sem qualquer resquício de remorso. Esse tipo, bastante comum em cidades interioranas, especialmente no norte, nordeste e centro oeste, além de Minas, é dos mais agradáveis, reside em bares e padarias, realiza trabalhos braçais, passa o dia sob o sol sem reclamar uma vez sequer, é querido pelas crianças, dá bom dia a todos, e, portanto, quando seu instinto feral desperta ninguém entende de onde veio tal violência. “Ele era tão calmo, nunca fez mal a ninguém”, dizem os conhecidos.
Pois bem, esse é Raimundo Nonato, o Alecrim.
Um filme literalmente instigante, com certeza seguiu a escola David Cronenberg o mestre do cinema bizarro, claro tudo no bom sentido.
O ator principal faz uma atuação convicente, digna do mellhor entretenimento nacional.
Uma bela surpresa do cinema nacional. Definitivamente, é um filme que me prendeu por em despertar a curiosidade do final da trama. Particulamente, o que mais me encantou foi a atuação do personagem principal. O ator deu vida ao personagem de uma forma tão vívida que nem parece que de fato estamos assistindo um filme. O final foi bem previsível. Pra quem está em dúvida, vale a pena. ASSISTAM!
Um filme despretensioso que prende até o final. Só não gostei mais por dois motivos: achei as atuações de alguns persongens menos conhecidos muito teatral; e a cena do banquete, meio utópica né? Nota 7,5.