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O filme é um conto digno de Tchékov, guardadas as devidas proporções, para quem gosta desse autor. Um homem comum que não sabe o sentido da sua vida lidando com as tragédias, e mesmo sem compreendê-las, reage sem a brutalidade que até seria esperada naquele contexto. Ao contrário, ele não esconde a dor e a fragilidade diante das perdas impostas pelas circunstâncias, e é impossível não sentir empatia pelo Robert e torcer para que ele encontrasse o seu lugar, graças à atuação do Joel Edgerton que entregou todas as emoções da personagem de forma honesta.
Cada interação e cada diálogo são carregados pelo anseio de compreender o lugar de cada coisa e cada indivíduo na imensidão do mundo, e sua conexão com o todo, para o bem ou para o mal. De alguma forma somos convidados a participar dessas reflexões porque são questões inerentes ao ser humano, o sentido da vida, vazio existencial, autoconhecimento, luto, solidão, propósito etc.
O elenco é surpreendente, mesmo nas participações menores as atuações são intensas e profundas. O ambiente e o tom do filme me transportou para aquele microuniverso e seus conflitos, crédito para o roteiro simples e delicado, e a direção que soube conduzir tudo isso e entregou um dos melhores filmes de 2025, para mim.
É uma pena que o filme será ofuscado nas premiações por outros grandes, como aconteceu com First Cow, da Kelly Reichardt.
É um drama delicado e intenso por se passar no período de ditadura, muito bem produzido e com ótimas atuações. Destaque para a mudança de pb/colorido que deu um toque a mais de dramaticidade à história. O curta mereceria um investimento para um longa, tem muito a ser explorado a partir dessa premissa. Não recomendado para quem não gosta de drama e finais tristes.
Esse é o tipo de filme que não encontrará uma grande audiência, infelizmente. A história é linda e bem desenvolvida, cheia de mini arcos que preenchem o tempo de tela de forma satisfatória, tendo como pano de fundo a Primeira Guerra e os dramas nas vidas ordinárias impactadas por aquele momento, incluindo um pequeno coral desfalcado pelos alistamentos iminentes.
As atuações são perfeitas, desde as pequenas participações que compõem o cenário da cidadezinha inglesa tradicional e seus costumes, além do ambiente de medo e desconfiança que a guerra trouxe.
Mas o destaque para mim é o jovem tenor que consegue o papel principal no oratório como Gerôncio, que voz! Para quem gosta desse tipo de música, sabe que a voz daquele tenor é maravilhosa. O arco dele como o soldado que voltou ferido da guerra para, imediatamente, ter o coração partido, e que resolveu se dedicar à música como redenção foi muito bem desenvolvido. (Pode ser que ele estivesse dublando, vou tentar descobrir.)
O arco da personagem principal, vivido pelo Ralph Fiennes é puro drama, com o toque de humor inglês que dá a ele a chance de entregar mais uma atuação digna de aplausos. Ele está perfeito no papel do músico renomado, e o maestro improvável para o coral, com um pano de fundo misterioso e que o roteiro vai entregando informações a seu respeito com sutileza.
A morte do seu "amigo" alemão (como o filme trata o companheiro/marido) na explosão de um navio de guerra, trouxe um diálogo que desvendou algo importante sobre a vida do Dr. Guthrie, o fato dele ser gay. Na mesma cena, a revelação do interesse amoroso do pianista do coral, Robert, em se tornar o seu "novo amigo", mas que foi rejeitado de pronto. O filme tratou esse tema com leveza todas as vezes em que surgiu como subtexto nas interações. É tocante a delicada maneira como uma das moças lida com esse lado do Robert em certo momento, dizendo que se ele gostasse de garotas como os outros caras, talvez elas não gostassem tanto dele. Aliás, a situação do Robert não foi nada boa, rejeitado pelo crush e no final preso por não aceitar se alistar.