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O filme tem uma premissa interessante baseada em eventos reais. A produção é boa e o elenco tinha potencial, especialmente o ator principal (Callum Scott Howells) que se mostrou muito versátil para as extravagâncias que a personagem pedia. Apesar de tudo isso, o roteiro é fraco, apressado e irregular, não conseguindo equilibrar o drama e comédia que são apresentados de forma superficial. Senti que faltou explorar um pouco mais os eventos da história do Henry antes de chegar à ilha, além da relação dele com os moradores
já que ele era muito querido por eles, como falaram no final.
A questão da doença
não ficou convincente, tudo acontece de forma abrupta e achei a pior parte da história.
O final foi muito fraco e apelativo
e, por falta de coragem colocaram apenas um texto descrevendo o que realmente aconteceu ao Henry após a fuga da ilha.
Dia D criou uma expectativa muito alta por um blockbuster para os fãs do sci-fi, ainda mais com as declarações (pseudo) bombásticas do próprio Spielberg antes da estreia do filme. Infelizmente, não foi isso o que ele entregou. É um bom filme, mas longe de ser o blockbuster aguardado, e o problema está no roteiro fraco.
Talvez o roteirista, e o próprio diretor, não quiseram apresentar o óbvio, sem explicar o contexto da história e dos personagens e suas motivações, e pularam para o conflito em si, com as perseguições, as tecnologias e os poderes. Faltou o básico, o preâmbulo mostrando o que era aquela empresa e o seu objetivo, quem eram aquelas pessoas, de onde vieram e o que as motivava a fazer o que precisava ser feito, especialmente o Daniel Kellner (Josh O'connor). Muito sobre tudo isso foi sendo esclarecido durante o filme, mas de uma forma que deixou o filme cansativo.
O ponto positivo é o elenco que está ótimo. Gostei da escolha dos protagonistas adultos, e não adolescentes ou crianças, como o Spielberg costuma trabalhar nesse tipo de filme. Deu mais peso para a trama apesar de tudo.
O final foi o mais decepcionante para mim, o esforço de praticamente todos os personagens, inclusive o alien ao vivo, para chegar àquele ponto e o filme acabar sem entregar a mensagem que possivelmente mudaria o rumo da humanidade.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Há uma beleza e melancolia em “On the Sea” que não poderiam ser diferentes por causa da fotografia predominante com cores frias. As relações se desenvolvem num ambiente quase inóspito e claustrofóbico onde a vida segue um ritmo predeterminado. As pessoas naquele lugar se conhecem desde sempre, sem espaço para o diferente. Mas bastou um forasteiro aparecer e as coisas começaram a mudar, particularmente para o Jack, um homem maduro que dedica a vida ao trabalho na empresa familiar e à rotina com a esposa e o filho.
O encontro com Daniel trouxe uma oportunidade, mas os dois são opostos em quase tudo: a história de vida, o contexto familiar e a autoaceitação. Por esses motivos, a relação entre eles poderia não funcionar; ao contrário, funcionou para além da simples atração e eles encontram o amor um no outro. É muito bonito assistir à entrega apaixonada de Jack e Daniel nos pequenos momentos de felicidade em que estão se envolvendo e compartilhando detalhes da história de cada um até ali. É aquele encontro em que parece que tudo vai dar certo e eles começam a construir a cumplicidade de quem encontrou a pessoa certa — só faltava uma oportunidade para viverem juntos.
O filme tem uma direção excelente que consegue conduzir a trama de forma quase poética, mesmo quando aumenta a tensão. O roteiro é muito bem elaborado, com diálogos e silêncios que mostram o impacto transformador do desejo correspondido e o que isso representa para aqueles dois homens. A história tem um subtexto em que os olhares e insinuações revelam mais do que é mostrado. Acho isso tão interessante porque convida o espectador a preencher esses espaços. O elenco é ótimo, mas o destaque é Barry Ward, que entrega a atuação na medida perfeita do homem que se reprimiu por toda a vida.
As últimas cenas de Jack e Daniel
são a representação do significado da palavra agridoce, mas pelo menos foram emolduradas com belos diálogos de cumplicidade e imagens de amor como tem que ser. É tocante a maneira como a (ex-)esposa e o filho superam o preconceito de alguma forma e acolhem o Jack, dando a ele a chance de viver um final digno junto do homem que ama.
Na minha opinião, o filme tem as qualidades para estar entre os grandes dramas que são referência do cinema gay atual, como “Brokeback Mountain” e “God’s Own Country”.