Os membros masculinos de um coral se alistam na Primeira Guerra Mundial. Juntos, eles experimentam a alegria de cantar enquanto os jovens lutam com seu iminente recrutamento para o exército.
Como 99,9% das produções da BBC britânica, esta é mais um obra de arte, impecável. Maravilhosa, bela e tocante. <br/>E nos faz lembrar quão merda, cruéis e desumanas, são as guerras, que o transformam o ser humano num verdadeiro imbecil.
Esse é o tipo de filme que não encontrará uma grande audiência, infelizmente. A história é linda e bem desenvolvida, cheia de mini arcos que preenchem o tempo de tela de forma satisfatória, tendo como pano de fundo a Primeira Guerra e os dramas nas vidas ordinárias impactadas por aquele momento, incluindo um pequeno coral desfalcado pelos alistamentos iminentes. As atuações são perfeitas, desde as pequenas participações que compõem o cenário da cidadezinha inglesa tradicional e seus costumes, além do ambiente de medo e desconfiança que a guerra trouxe.
Mas o destaque para mim é o jovem tenor que consegue o papel principal no oratório como Gerôncio, que voz! Para quem gosta desse tipo de música, sabe que a voz daquele tenor é maravilhosa. O arco dele como o soldado que voltou ferido da guerra para, imediatamente, ter o coração partido, e que resolveu se dedicar à música como redenção foi muito bem desenvolvido. (Pode ser que ele estivesse dublando, vou tentar descobrir.)
O arco da personagem principal, vivido pelo Ralph Fiennes é puro drama, com o toque de humor inglês que dá a ele a chance de entregar mais uma atuação digna de aplausos. Ele está perfeito no papel do músico renomado, e o maestro improvável para o coral, com um pano de fundo misterioso e que o roteiro vai entregando informações a seu respeito com sutileza.
A morte do seu "amigo" alemão (como o filme trata o companheiro/marido) na explosão de um navio de guerra, trouxe um diálogo que desvendou algo importante sobre a vida do Dr. Guthrie, o fato dele ser gay. Na mesma cena, a revelação do interesse amoroso do pianista do coral, Robert, em se tornar o seu "novo amigo", mas que foi rejeitado de pronto. O filme tratou esse tema com leveza todas as vezes em que surgiu como subtexto nas interações. É tocante a delicada maneira como uma das moças lida com esse lado do Robert em certo momento, dizendo que se ele gostasse de garotas como os outros caras, talvez elas não gostassem tanto dele. Aliás, a situação do Robert não foi nada boa, rejeitado pelo crush e no final preso por não aceitar se alistar.
Esse diálogo entre os dois foi totalmente inesperado, trouxe mais carga emocional para o arco dessas personagens e, para mim, enriqueceu ainda mais esse lindo filme.
Ausente da direção há 10 anos, o cineasta premiado com o Bafta Nicholas Hytner, de ‘As loucuras do rei George’ (1994) e ‘As bruxas de Salem’ (1996), retorna com uma singela e cativante história de amor a música em ‘The choral’, já com tradução no Brasil, ‘Sinfonia de guerra’. No condado inglês de Yorkshire, durante a Primeira Guerra Mundial, os diretores do Coral de Ramsden buscam músicos para compor o grupo, já que parte dos cantores deixaram o cargo para servir no front. Alguns jovens soldados são recrutados, e agora é preciso de um novo regente. A opção que surge é a de um médico que serviu na Alemanha e, segundo consta, guarda inúmeros segredos, Dr. Henry Guthrie (papel do ótimo Ralph Fiennes, numa composição lúcida). O filme todo acompanha a luta incansável desse regente para fazer o melhor coral com os melhores músicos, preparando um espetáculo que mistura música e encenação para a população se distrair dos horrores diários da guerra. Em tom leve, sem mostrar bombardeios ou gente trucidada na guerra, é uma história de obstinação em meio ao caos. Figurinos bonitos, direção de arte de época condizente e um bom trabalho dos atores marcam o longa. Escrito pelo roteirista indicado ao Oscar por ‘As loucuras do Rei George’, Alan Bennett. Exibido no Festival de Toronto, o filme contou com sessões na Mostra de SP. Por Felipe Brida - Blog Cinema-naweb blogspot com
Como 99,9% das produções da BBC britânica, esta é mais um obra de arte, impecável. Maravilhosa, bela e tocante. <br/>E nos faz lembrar quão merda, cruéis e desumanas, são as guerras, que o transformam o ser humano num verdadeiro imbecil.
Típico caso de comédia dramática inglesa com todo o estilo fino, ritmo leve e elenco cativante. Gostei!
Meia-boca. Chatinho.
Esse é o tipo de filme que não encontrará uma grande audiência, infelizmente. A história é linda e bem desenvolvida, cheia de mini arcos que preenchem o tempo de tela de forma satisfatória, tendo como pano de fundo a Primeira Guerra e os dramas nas vidas ordinárias impactadas por aquele momento, incluindo um pequeno coral desfalcado pelos alistamentos iminentes.
As atuações são perfeitas, desde as pequenas participações que compõem o cenário da cidadezinha inglesa tradicional e seus costumes, além do ambiente de medo e desconfiança que a guerra trouxe.
Mas o destaque para mim é o jovem tenor que consegue o papel principal no oratório como Gerôncio, que voz! Para quem gosta desse tipo de música, sabe que a voz daquele tenor é maravilhosa. O arco dele como o soldado que voltou ferido da guerra para, imediatamente, ter o coração partido, e que resolveu se dedicar à música como redenção foi muito bem desenvolvido. (Pode ser que ele estivesse dublando, vou tentar descobrir.)
O arco da personagem principal, vivido pelo Ralph Fiennes é puro drama, com o toque de humor inglês que dá a ele a chance de entregar mais uma atuação digna de aplausos. Ele está perfeito no papel do músico renomado, e o maestro improvável para o coral, com um pano de fundo misterioso e que o roteiro vai entregando informações a seu respeito com sutileza.
A morte do seu "amigo" alemão (como o filme trata o companheiro/marido) na explosão de um navio de guerra, trouxe um diálogo que desvendou algo importante sobre a vida do Dr. Guthrie, o fato dele ser gay. Na mesma cena, a revelação do interesse amoroso do pianista do coral, Robert, em se tornar o seu "novo amigo", mas que foi rejeitado de pronto. O filme tratou esse tema com leveza todas as vezes em que surgiu como subtexto nas interações. É tocante a delicada maneira como uma das moças lida com esse lado do Robert em certo momento, dizendo que se ele gostasse de garotas como os outros caras, talvez elas não gostassem tanto dele. Aliás, a situação do Robert não foi nada boa, rejeitado pelo crush e no final preso por não aceitar se alistar.
Ausente da direção há 10 anos, o cineasta premiado com o Bafta Nicholas Hytner, de ‘As loucuras do rei George’ (1994) e ‘As bruxas de Salem’ (1996), retorna com uma singela e cativante história de amor a música em ‘The choral’, já com tradução no Brasil, ‘Sinfonia de guerra’. No condado inglês de Yorkshire, durante a Primeira Guerra Mundial, os diretores do Coral de Ramsden buscam músicos para compor o grupo, já que parte dos cantores deixaram o cargo para servir no front. Alguns jovens soldados são recrutados, e agora é preciso de um novo regente. A opção que surge é a de um médico que serviu na Alemanha e, segundo consta, guarda inúmeros segredos, Dr. Henry Guthrie (papel do ótimo Ralph Fiennes, numa composição lúcida). O filme todo acompanha a luta incansável desse regente para fazer o melhor coral com os melhores músicos, preparando um espetáculo que mistura música e encenação para a população se distrair dos horrores diários da guerra. Em tom leve, sem mostrar bombardeios ou gente trucidada na guerra, é uma história de obstinação em meio ao caos. Figurinos bonitos, direção de arte de época condizente e um bom trabalho dos atores marcam o longa. Escrito pelo roteirista indicado ao Oscar por ‘As loucuras do Rei George’, Alan Bennett. Exibido no Festival de Toronto, o filme contou com sessões na Mostra de SP. Por Felipe Brida - Blog Cinema-naweb blogspot com