Arquitetura da Destruição está consagrado internacionalmente como um dos melhores estudos já feitos sobre o nazismo no cinema.
O filme de Peter Cohen lembra que chamar a Hitler de artista medíocre não elimina os estragos provocados pela sua estratégia de conquista universal. O veio artístico do arquiteto da destruição tinha grandes pretensões e queria dar uma dimensão absoluta à sua megalomania.
Hitler queria ser o senhor do universo, sem descuidar de nenhum detalhe da coreografia que levava as massas à histeria coletiva a cada demonstração.
O nazismo tinha como um dos seus princípios fundamentais a missão de embelezar o mundo. Nem que, para tanto, destruísse todo o mundo.
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Exibido no Festival de Berlim, o documentário é o maior filme do cineasta Peter Cohen e um dos mais contundentes sobre o nazismo. Realizado em 1989, é dividido em partes: da fundação do partido nazista nos anos 30, passando pela ascensão ao poder de Hitler e a dimensão estética e cultural que sustentou sua ideologia. Hitler, que sonhava em ser arquiteto e desenhava nas horas vagas esboços de prédios modernos, conseguiu colocar parte de seus planos em prática, no tocante ao que diz o título do filme, a arquitetura. Demoliu prédios antigos para fundar uma nova ordem nas artes, que pretendia ser universal, revivendo o Belo Clássico e eliminando tudo aquilo que para ele não prestava, o que chamava de “arte degenerada” (especialmente aquelas de crítica social e as relacionadas à estética moderna e a do Feio). A megalomania de Hitler extravasava o campo da arquitetura: consolidou a eugenia (limpeza étnica ao eliminar os judeus), criou laboratórios com experimentos humanos (para alcançar a raça perfeita, a ariana), buscando moldar o mundo inteiro segundo um ideal absoluto. Na ocupação nazista de países vizinhos, tentou levar para lá essa nova inspiração. Cada detalhe das marchas e dos discursos em público era cuidadosamente coreografado, com uma rica direção de arte, conduzindo a massa à histeria coletiva. O nazismo, em sua essência, pretendia “embelezar” o mundo, ainda que, para isso, fosse necessário destruí-lo primeiro. Tudo passava pelas mãos de Hitler, inclusive as insígnias nazistas, como a suástica e a águia, foram desenhadas por ele. O documentário, em muitos momentos forte e indigesto, revela como a estética nazista se entrelaçou com o projeto de poder que atingiu o ápice com o genocídio judeu – há cenas delirantes de como a arquitetura chegou aos campos de concentração, nas câmaras de gás em que centenas de pessoas eram eliminadas por hora com o gás Zyklon-B, tido como uma forma mais “limpa” de morte, já que no início do Holocausto os primeiros judeus morriam fuzilados. A epifania de Hitler ao assistir à ópera Rienzi, de Richard Wagner, é apresentada como ponto de partida para sua visão grandiosa - ele tornou-se fã inveterado de Wagner, homenageando-o em todos os cantos na Alemanha Nazista. Cohen constrói uma narrativa dolorosa e também reflexiva, mostrando como a estética se converteu em arma política e cultural, legitimando a violência em escala inédita no mundo. É um estudo perturbador sobre a beleza usada como máscara para a barbárie, e de como a arte pôde ser instrumentalizada para sustentar um projeto de morte. Narrado por Bruno Ganz, o filme foi premiado na Mostra Internacional de Cinema de SP na época do lançamento, e agora está disponível de forma gratuita na plataforma Sesc Digital, até o dia 05/04/2026, na versão restaurada recentemente em 4K, pela Cinemateca Sueca (país onde o documentário foi produzido). POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
Não à toa é considerado um dos documentários mais importantes sobre o evento mais estudado da História Contemporânea. Não existem conceitos e noções suficientes nas ciências políticas e humanas que possam dar conta da barbárie cometida pelos nazistas. Indo além de uma abordagem que foca em cronologia, sofrimento das vítimas ou análise política e biográfica de Hitler, Peter Cohen guia uma observação do nazismo enquanto um movimento estético-higienista que dá vazão aos mais sombrios desejos de grandeza de artistas medíocres e frustrados. Trazer Hitler e seus asseclas como seres humanos que transformaram sua decepção em ódio direcionado e institucionalizado é acabar com a narrativa da monstruosidade. Afinal, não existem monstros; os culpados continuam sendo, como nós, seres humanos. E a semente, que não foi plantada pelo nazismo, mas simplesmente germinou - já que a base do pensamento europeu, desde a Antiguidade, está expressa nas movimentações nazistas -, continua plantada, com algo crescendo e querendo ver novamente a luz do dia. Infelizmente, a História existe para que nunca se esqueça não somente das glórias, mas especialmente dos horrores que não podemos permitir que aconteçam novamente.
Documentário extremamente sagaz em demonstrar como funcionou a propaganda nazista, a importância da arte nesse contexto, como foi idealizada e se operou a máquina de destruição da humanidade.
"É árdua a tarefa de definir o nazismo em termos políticos, pois sua dinâmica está repleta de um conteúdo diverso daquilo que comumente chamamos de política. Em grande parte, esta força motora era estética. Sua maior ambição era o embelezamento violento do mundo. Das mortes de doentes mentais ao extermínio dos judeus, não houve um verdadeiro motivo político. Não eliminaram os inimigos ou oponentes do regime, mas, sim, pessoas inocentes, cuja existência não estava de acordo com os ideias nazistas"
Outro documento que é obrigatório em salas de aulas e nunca deve deixar de existir pra não repetir os erros contidos aqui.
>Assistido em 27 de Agosto de 2024
Importante de ser visto.
Ao mesmo tempo vergonhoso o papel dos intelectuais e pessoas estudadas no resultado final do que foi o holocausto.
Triste.
Confira *__*