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Em 1971, casal de ativistas anti-bélicos destrói um laboratório químico que fabricava explosivos para serem utilizados na Guerra do Vietnã. Por causa disso, durante anos eles passaram a vida fugindo do FBI. Mas o fillho deles - agora um jovem - quer se livrar desse passado.
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Família e fome de viver.
Confesso que me emocionei bastante durante vários momentos, mas acredito que isso tenha mais relação com uma sensibilidade muitíssimo maior minha no momento/dia que assisti. Dito isso, trata-se de um filme inegavelmente belíssimo.
Não sei quem disse que River Phoenix era uma espécie de novo James Dean, porém quem falou foi certeiro. Ainda que seu personagem seja cheio de travas impostas por sua família (e até por ele próprio), desde o olhar até a postura, o ator é pura vontade de sair do enclausuramento da sua condição de vida. O jovem não teve escolha diante da situação imposta desde que nasceu, porém seus desejos e vocações são intensos demais para serem ignorados.
Não poder criar laços com quem ele constrói algo especial, com lugares e com suas próprias paixões é cruel demais para qualquer pessoa.
A performance de Phoenix varia entre momentos muito contidos, que escondem essa dor e vontade de libertar seu espírito para viver o que ele pode e provar o que há no mundo, e outros, mais raros, de poderosa catarse e emoção.
Atuação brilhante de um ator que infelizmente nos deixou cedo demais.
O jovem (irmão de Joaquin Phoenix, outro brilhante ator) existe e cresce num mundo de privações, algo que sua família também vive.
"O Peso de um Passado" é também um filme familiar poderoso.
No longa, cada membro sente essa carga de ter que deixar pessoas que amam para trás e também qualquer segurança de uma vida estável. Enquanto isso, vemos uma família que convive e constrói seus dias com muito amor, porém com enormes dilemas práticos e internos para resolver.
As atuações, no geral, são ótimas. Christine Lahti e Judd Hirsch estão muito bem. A primeira possui ao menos um momento que nos marca bastante.
O lado político aqui tem muita importância, pois é ele que desencadeia todo o arco "nômade e andarilho" dos personagens. Entendemos, por meio dessas pessoas, como os EUA são um país dividido, e que escolhas ideológicas firmes e atos revolucionários são importantes, mas ao mesmo tempo podem cobrar preços imensuráveis.
A jornada ativista é algo que nunca deixa de fazer parte da existência dessa família.
Apesar das barreiras criadas, será que os filhos, a proteção e o amor que sentem um pelo outro seriam tão formidáveis se o contexto geral fosse outro ou se essa família não fosse exatamente como é?
A complexidade é inerente ao viver.
E, por último, como não lembrar da muito maravilhosa série "The Americans"?
Todo o arco individual do protagonista e também o familiar, com sua discussão sobre privações, disfarces, identidade e individualidade/liberdade num contexto político, conversam demais com a obra da FX.
Excelente filme do grandíssimo Sidney Lumet.
O filme dialoga em estilo e sentimentos com dramas sobre a juventude dos EUA dos anos 80, tem um pouco essa cara (ah, e se eu citei James Dean no início, posso dizer que tem algo dos anos 50, certo?), mas, acima disso, tem muito do cinema de Lumet.
Não se trata de um de seus trabalhos em que a própria narrativa e originalidade esbanjam vigor e, consequentemente, produzem resultados viscerais. Contudo, aqui esse efeito (ou algo parecido) surge por meio da emoção e do peso humano dessas escolhas e consequências; elas estão em tudo.
As maiores chamas dentro de nós são enormes, fortes e belas demais para serem apagadas.
O filme aborda um tema muito interessante e pertinente em reflexões sobre as consequências de um "tipo" de ativismo político. A trilha sonora é boa, mesmo apresentando algumas brechas para discussão. No entanto, esse tipo de tema em produções de Hollywood não funciona muito bem, pois as interações em torno do ativismo, ainda mais em um contexto revolucionário, tendem a ser muito romantizadas, sem muito peso dramático e totalmente subaproveitadas. Embora a narrativa tente e o filme se esforce, a obra acaba reduzida a um drama relacionado a questões familiares. Isso não tira o brilho das atuações, especialmente de Judd Hirsch, que atende com plenitude às exigências do papel; mas os demais personagens são prejudicados pela leitura hollywoodiana desses temas mais sensíveis, cujo foco recai no drama romântico e familiar, formatos que acabam funcionando melhor comercialmente. Trata-se de um embrião do que veremos em "Uma batalha após a outra", em que o tema da revolução e os seus desdobramentos são superficiais demais, tornando-se apenas mais um drama de impacto com boas atuações e direção.
Existe uma sensação curiosa de assistir a um filme, admirar quase tudo o que ele faz e, ainda assim, passar boa parte do tempo imaginando outro filme possível. Um caminho alternativo, uma versão que ele nunca quis ser, mas que insiste em rondar nossa cabeça enquanto assistimos. Às vezes, gostar de um filme também significa conviver com a pequena frustração do filme que ele nunca teve interesse em fazer. Acho que foi exatamente assim que me senti assistindo a Running on Empty.
A premissa, para mim, é irresistível. Um casal de ex-revolucionários procurados pelo FBI há anos, vivendo sob identidades falsas, trocando constantemente de cidade, escola, rotina e até de nome para escapar das consequências do próprio passado. No meio disso, um filho adolescente extremamente talentoso para música, começando a experimentar aquilo que talvez seja a primeira chance real de construir uma vida própria: uma universidade, um amor, um futuro que não envolva fugir no meio da noite. Existe algo imediatamente melancólico nessa ideia — principalmente porque qualquer escolha parece carregar um preço enorme. Seguir os próprios sonhos talvez signifique, para ele, nunca mais ver os pais novamente.
E talvez seja justamente por isso que uma parte de mim tenha passado boa parte do filme imaginando outro caminho possível. Não porque o filme me enganasse — ele deixa relativamente claro desde cedo o que quer ser —, mas porque existe uma versão imaginária dessa história que parece perfeitamente desenhada para me atingir em cheio. Um drama mais paranoico, mais tenso, com a sensação constante do FBI se aproximando, discussões familiares mais explosivas, um filho mais revoltado com aquela vida de deslocamento permanente. Um thriller emocional sobre crescer dentro de uma família construída sobre medo e fuga. Esse filme não existe aqui. E talvez nunca tenha querido existir.
Porque Running on Empty escolhe outra estrada. Muito menos thriller, muito mais drama silencioso. Onde eu esperava perseguição, ele encontra delicadeza. Onde parecia existir material para paranoia, ele prefere algo mais melancólico: o retrato de um garoto aprendendo, talvez cedo demais, que crescer às vezes significa se afastar das pessoas que mais amamos. O centro da história não é exatamente a perseguição, mas o amadurecimento. Não é sobre o medo constante de serem encontrados, mas sobre o peso de perceber que construir uma vida própria talvez implique deixar para trás quem nos construiu.
E isso funciona bastante.
River Phoenix é excelente como Danny. Existe algo profundamente cativante nele — um garoto responsável, educado, cuidadoso, alguém que parece ter aprendido cedo demais a não criar problemas porque a própria vida já é instável o suficiente. Talvez até responsável demais. Não existe muito da rebeldia dramática que outros filmes provavelmente explorariam aqui. Quase todo conflito parece acontecer para dentro, no olhar de alguém tentando entender se finalmente tem permissão para desejar alguma coisa para si mesmo.
Mas, curiosamente, a cena que mais ficou comigo nem envolve exatamente Danny. O momento que mais me atravessou foi uma conversa entre Annie e o pai dela, durante um jantar, depois de anos afastados. Talvez porque ali o filme finalmente deixe escapar algo que estava silenciosamente represado o tempo inteiro: o peso do tempo perdido. O que uma fuga, um desaparecimento fazem não apenas com quem parte, mas também com quem ficou. Existe uma tristeza muito adulta naquela cena, uma mistura difícil de traduzir entre afeto, mágoa e saudade. Para mim, foi o momento mais encantador do filme.
E acho curioso como isso acabou me fazendo pensar em CODA, um filme completamente diferente e, ao mesmo tempo, estranhamente próximo. Também existe ali um filho dividido entre o amor pela família e a possibilidade de construir uma vida própria. Também existe música. Também existe culpa. Mas talvez CODA me toque mais porque abraça um tipo de emoção diferente — algo mais caloroso, mais acolhedor, talvez até mais próximo de um filme conforto.
No fim, talvez eu admire Running on Empty mais do que propriamente ame. Reconheço o quanto ele é bonito, delicado e muito bem interpretado. Reconheço a inteligência da contenção. Reconheço até que talvez ele seja, em muitos sentidos, um projeto mais interessante do que CODA. O estranho é que uma parte de mim nunca deixou de olhar para aquela premissa e imaginar um outro filme possível — um pouco mais tenso, um pouco mais paranoico, um pouco mais próximo das histórias que costumam me pegar pela garganta. E talvez essa seja a experiência curiosa de gostar de um filme sem se apaixonar completamente por ele: admirar sinceramente aquilo que ele é enquanto uma parte de você continua, silenciosamente, convivendo com a saudade de algo que ele nunca quis ser.
Este filme sempre estava a minha disposição na prateleira da vídeo locadora (bons tempos aqueles), mas nunca o peguei para assistir, mesmo tendo a direção do Sidney Lumet que a época não conhecia em sua função de cineasta e pelo apelo juvenil de River Phoenix (que morreu muito jovem). Passado todos esses anos, numa tarde no meio da semana, depois de ter realizado o meu trabalho, sento no sofá e ligo a TV 📺 e acesso a antena UNITV e para minha surpresa me deparo com este filme, ainda mais dublado em português. Não me lembro se ele foi exibido alguma vez na TV aberta. Achei um drama leve, sincero e bonito com bom elenco e sensível direção de Sidney Lumet, muito acostumado com Thrillers políticos, mas que não fez feio em dramas juvenis. Satisfeito em ter conseguido assistir a este filme.
Um bom drama dirigido por Sidney Lumet. Um filme que injustamente é pouco lembrado hoje em dia. A história e os personagens são bem construídos e o elenco esbanja competência. O filme recebeu indicações do Oscar para melhor roteiro original e para melhor ator coadjuvante para River Phoenix. Christine Lahti merecia ter sido indicada também para melhor atriz.