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A vida em círculos.
O veneno no outro que nos beneficia hoje será o mesmo que nos afetará amanhã.
Filme interessantíssimo sobre ascensão social. Uma obra que, na verdade, fala de sobrevivência.
Como julgar quando o mundo sempre se aproveitou desse alguém?
Barbara Stanwyck é a figura feminina irresistível. Se os homens a objetificam, ela aprende a responder e usar isso com a razão, em benefício próprio. Quando se abrem os olhos e se enxerga como os homens à sua volta são, tudo muda.
Sinceramente, eu não consigo imaginar uma atriz que seria uma escolha melhor para esse papel.
Quanto mais a personagem sobe socialmente, mais ela percebe que os comportamentos masculinos são exatamente os mesmos.
Abraçar as chances é a alternativa certa.
Ver uma personagem feminina com tamanho domínio das situações e cenários é um prazer. Além disso, não devemos esquecer que ver uma obra como essa nos anos 1930 é algo ainda mais ousado do que em outras décadas.
A sagacidade e inteligência de Lily (Stanwyck) nos divertem, porém, olhando mais profundamente, sabemos que há algo dramático maior por trás de sua conduta. Protagonista de primeira.
Barbara Stanwyck é maravilhosa, uma atriz que sempre nos hipnotiza. Eu a amo, é uma das minhas 10 prediletas de todos os tempos.
O final chama a atenção, certamente divide opiniões. Podemos interpretar como fácil demais ou meio brusco. Contudo, também podemos enxergá-lo como algo belo e novo que surge dentro de uma realidade que sempre foi muito fria para a jovem "baby face".
A vida é feita de incertezas e mudanças. Como ocorre também com os outros personagens, podemos sair de um ponto a outro oposto rapidamente.
Pode-se seguir a razão ou coração. Optar pela segurança ou pelo amor são escolhas. Apenas quem está na pele pode realmente entendê-las.
Os cruéis milagres.
Assisti à versão de 'A Balada de Narayama' de 1983 há mais de uma década (trata-se de um filme brilhante) e sempre quis ver esta aqui também, mas ainda não tinha acontecido.
Se na obra dos anos 80 a crueza do filme e da narrativa é o que nos impacta, aqui tudo funciona como uma fábula melancólica e inevitável (e também impactante, obviamente).
O teatro kabuki é claramente uma grande inspiração.
Algo que chama bastante a atenção no longa é como caminham lado a lado uma grande aceitação coletiva dos processos de sacrifícios, punições e severas obrigações (com músicas que cantam sobre esses temas) e, ao mesmo tempo, um poderosíssimo sentimento que corrói por dentro e torna muito difícil deixar partir quem se ama.
(P.S.: histórias sobre mães e filhos... puta merda, essas são naturalmente pesadas para mim).
A narração dá o especial tom de melancolia poética. A parte sonora também marca presença fortemente o tempo todo, dando peso e construindo uma atmosfera muito particular.
As canções e as brincadeiras abraçam a realidade, pois ela é dura demais para ser vista por todos de uma maneira diferente.
Ainda assim, a fome e a escassez são questões duras demais com as quais todos convivem.
A autopunição é um processo necessário. O sacrifício total é parte do próprio destino.
Há as flores, o céu, a neve, a neblina.
Há a falta. Há as pegadas de morte.
Há o sofrimento. Há o tempo que sempre avança.
A esperança anda em comunhão com a natureza. A fé está nos sinais.
Visualmente é um espetáculo. A fotografia e a cenografia são muito memoráveis. Diferentes cores se alternam: o verde, o vermelho, o roxo e o cinza (para citar algumas) ditam o tom de um filme de sentimentos muito complexos, opostos e difíceis de se aceitar.
Viver é deixar quem você ama viver em vez de você.
Partir é o maior sinônimo de amor em 'A Balada de Narayama'.
Perder quem se ama também é parte da vida que se move. Viver também é aceitar que não dá para vencer as maiores perdas e dores.
É belo. É imensamente dolorido.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
As mulheres da minha vida.
Inegavelmente, é pouco cinematográfico.
A história e o humor acontecem mais como um palco para explorar o máximo das expressões, risadas e reações de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli. Ambas pisam no acelerador para tirar o máximo de cada cena, e fazem isso enquanto riem de si mesmas o tempo todo. Muitas vezes funciona, mas nem sempre.
As atrizes (e o filme, consequentemente) expressam tudo demasiadamente. Há pouco espaço para respiro, para que elas e nós possamos sentir o que está sendo processado.
Apesar disso, as protagonistas têm uma excelente química e um inegável dom para nos fazer rir.
E, claro, há algo na comédia delas que conversa muito com a realidade, com as questões e formas de pensar de incontáveis brasileiras (e também brasileiros).
Gosto também de como o filme olha para mulheres que estão em um estágio no qual, naturalmente, olham para si mesmas e internamente se questionam: devo seguir meu caminho de vida já traçado e continuar com minha forma de lidar com os relacionamentos românticos ou arriscar mudar para realmente ser mais feliz e me sentir viva no amor (e na vida)?
Além disso, vemos relações entre mães e filhas que divertem. Como geralmente acontece, apesar dos incômodos momentâneos pela diferença de gerações e formas de enxergar o mundo, é sempre o amor que prevalece e enriquece os momentos.
Há o humano e palpável que gera identificação e bons momentos de humor. Por outro lado, existem tropeços quando o longa se mostra incrivelmente expositivo nos seus momentos mais emocionantes e no fraquíssimo final com sua totalmente desnecessária narração em off.
Ingrid e Mônica são maiores que o filme, não há dúvida. Assim como a amizade e o amor também são maiores que as inevitáveis incertezas e trapalhadas nas nossas existências.