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Família e fome de viver.
Confesso que me emocionei bastante durante vários momentos, mas acredito que isso tenha mais relação com uma sensibilidade muitíssimo maior minha no momento/dia que assisti. Dito isso, trata-se de um filme inegavelmente belíssimo.
Não sei quem disse que River Phoenix era uma espécie de novo James Dean, porém quem falou foi certeiro. Ainda que seu personagem seja cheio de travas impostas por sua família (e até por ele próprio), desde o olhar até a postura, o ator é pura vontade de sair do enclausuramento da sua condição de vida. O jovem não teve escolha diante da situação imposta desde que nasceu, porém seus desejos e vocações são intensos demais para serem ignorados.
Não poder criar laços com quem ele constrói algo especial, com lugares e com suas próprias paixões é cruel demais para qualquer pessoa.
A performance de Phoenix varia entre momentos muito contidos, que escondem essa dor e vontade de libertar seu espírito para viver o que ele pode e provar o que há no mundo, e outros, mais raros, de poderosa catarse e emoção.
Atuação brilhante de um ator que infelizmente nos deixou cedo demais.
O jovem (irmão de Joaquin Phoenix, outro brilhante ator) existe e cresce num mundo de privações, algo que sua família também vive.
"O Peso de um Passado" é também um filme familiar poderoso.
No longa, cada membro sente essa carga de ter que deixar pessoas que amam para trás e também qualquer segurança de uma vida estável. Enquanto isso, vemos uma família que convive e constrói seus dias com muito amor, porém com enormes dilemas práticos e internos para resolver.
As atuações, no geral, são ótimas. Christine Lahti e Judd Hirsch estão muito bem. A primeira possui ao menos um momento que nos marca bastante.
O lado político aqui tem muita importância, pois é ele que desencadeia todo o arco "nômade e andarilho" dos personagens. Entendemos, por meio dessas pessoas, como os EUA são um país dividido, e que escolhas ideológicas firmes e atos revolucionários são importantes, mas ao mesmo tempo podem cobrar preços imensuráveis.
A jornada ativista é algo que nunca deixa de fazer parte da existência dessa família.
Apesar das barreiras criadas, será que os filhos, a proteção e o amor que sentem um pelo outro seriam tão formidáveis se o contexto geral fosse outro ou se essa família não fosse exatamente como é?
A complexidade é inerente ao viver.
E, por último, como não lembrar da muito maravilhosa série "The Americans"?
Todo o arco individual do protagonista e também o familiar, com sua discussão sobre privações, disfarces, identidade e individualidade/liberdade num contexto político, conversam demais com a obra da FX.
Excelente filme do grandíssimo Sidney Lumet.
O filme dialoga em estilo e sentimentos com dramas sobre a juventude dos EUA dos anos 80, tem um pouco essa cara (ah, e se eu citei James Dean no início, posso dizer que tem algo dos anos 50, certo?), mas, acima disso, tem muito do cinema de Lumet.
Não se trata de um de seus trabalhos em que a própria narrativa e originalidade esbanjam vigor e, consequentemente, produzem resultados viscerais. Contudo, aqui esse efeito (ou algo parecido) surge por meio da emoção e do peso humano dessas escolhas e consequências; elas estão em tudo.
As maiores chamas dentro de nós são enormes, fortes e belas demais para serem apagadas.
Sem lugar para indecisão e coração.
A fria objetividade ideológica, o vazio de tempos de devastação, alguma alienação e uma nascente melancolia.
Gosto do cenário, de mostrar uma Polônia exatamente no primeiro dia após a Segunda Guerra Mundial. Muitos comemoram, mas não sabem direito para onde ir após o fim do conflito; outros sabem o que "devem fazer" e, acho que podemos dizer isso, será que eles não são aqueles que mais estão perdidos?
Gosto também do clima geral e da atmosfera que mistura tons de felicidade com ares de mentira e algum oportunismo dos personagens.
Ainda assim, acho que o filme poderia ser mais poderoso nesse sentido.
Vemos que, quando aparece a possibilidade de leveza, um possível amor e algum respiro de vida, as coisas que antes eram as mais urgentes se mostram as menos necessárias. Os mais belos sentimentos podem nascer nos cenários mais destruídos.
O final é pessimista, não é tão bom assim (soa meio corrido e menos desenvolvido do que deveria), mas combina perfeitamente com um mundo no qual os últimos anos aniquilaram tantas vidas e o senso de humanidade.
Não achei um dos melhores filmes da história do cinema (não contem ao meu avô Scorsese, que acha isso), porém é um clássico obrigatório que merece ser visto.
Cuidado com o que você deseja...
Um filme que tem uma simplicidade clara, que aparenta ser parecido com várias obras de terror pouco ambiciosas e competentes da nossa época, mas que usa extremamente bem todo o material que tem em mãos.
As caras assustadoras (caretas, muitas vezes) e jump scares aqui, tão usados em filmes genéricos, mostram que o problema não são os "recursos", e sim quando há falta de uma competente construção do todo e/ou de uma ótima atmosfera que domina o longa.
"Obsessão" aborda amores, relacionamentos e desejos. Num primeiro plano (ainda o da imaginação), trata-se de algo bem palpável, uma situação com a qual qualquer pessoa que assiste ao filme se identifica. É sobre querer muito a pessoa que vemos sempre e não conseguir dizer o quanto a queremos e amamos.
Esse sentimento e vontade fortes são o que movem o longa. A partir daí, tudo vira uma incrível (e demoníaca?) bola de neve que ganha contornos muito bem explorados.
O quanto pode ser egoísta, tóxico e até doentio querer alguém mesmo sabendo que isso faz a outra pessoa ser infeliz e, ainda pior, se destruir?
"Obsessão" usa o terror e o sobrenatural para potencializar com muita tensão (proporcionando excelentes momentos) o que há de melhor no seu gênero.
Adoro a ameaça que suga cada vez mais a vítima em direção às sombras. Adoro que as expressões são substituídas paulatinamente por faces assombradas.
Adoro a falta de medo em ser exagerado, histriônico, chocante, violento e devastador.
Tendo essas características, conseguir ter uma condução e coerência muito bem equilibradas que jamais deixam a história chegar perto de se perder ou deixar de crescer é um baita mérito do longa.
Do caráter doentio de posse à violência, vemos cenas surpreendentes, intensas e bem desconfortáveis.
Desconforto é a palavra aqui, aliás. Não só relativo ao que o gênero costuma proporcionar ao público (que a obra faz bem), mas muito também nas ações dos personagens e decisões imorais dos próprios.
Será que a pessoa que ameaça, ataca e explode é realmente pior do que quem iniciou tudo, se beneficia e aceita a realidade de alguma forma?
Até onde vale o amor quando tudo em volta não faz mais sentido?
E de quem é a verdadeira obsessão aqui?
Claro, o que é dito nas entrelinhas é exposto por meio do terror, como um filme de gênero não pode deixar de fazer. E isso é maravilhoso.
"Obsessão" é, independentemente de outras qualidades, uma obra de terror muito tensa e eficiente. O mais incrível é que, além disso, há também nele um filme rico em discussões.
O mote funciona demais. Entendo as notícias sobre o desejo de desenvolverem um universo a partir do longa.
Super envolvente, delicioso e bem amarrado. Um dos melhores filmes de terror dos últimos anos. Merece o sucesso.
Mudar a ordem natural das coisas é algo que cobra um preço que é quase impossível sustentar depois.
Deixar de ser você mesma é a própria morte.