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É um filme intenso em todos os seus aspectos, ao trazer um recorte da realidade que é duro, difícil e, quase sempre, incompreensível. Isso é a própria vida: algo que não controlamos, onde o imponderável está sempre à espreita. Às vezes, tentamos atribuir explicações e sentido à dor por meio da religião, da fé ou da crença cega na mudança e na melhora. Trata-se de um alento necessário, mas que o filme mostra precisar de fronteiras delimitadas para não se transformar em ilusão destrutiva. Um ótimo drama, com boas atuações e que se consolida como uma verdadeira montanha-russa de emoções.
É um ótimo retrato da comodidade e da nudez de um sentimento que se sustenta apesar de todas as oposições (vontade, desejo, realidade, estética, idade etc.). O filme expõe, por meio dos delírios e da intensidade dos personagens, que certos comprometimentos não são afetados por dinâmicas banais, como o sexo e o adultério — entendidos aqui como acessórios atrelados à vaidade, sem peso ou valor emocional. Essa dinâmica provoca um estranhamento profundo e espantoso: o desapego físico surge como um valor de amor, visto que o verdadeiro sentimento transcende a carne. O final reúne essas questões em um clima pesado e dolorido, pois testar tais limites — mesmo aqueles criados como jogos aparentemente sem importância — incomoda profundamente.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
:)
Ola, aceito.
Postman Blues (1997) é um filme que transita entre o trágico e o cômico de maneira leve e suave. A tragédia aqui é salpicada a cada instante, chegando a ser imperceptível; passa, em alguns momentos, como ato de comédia, mas são cenas e intenções pesadas, com uma intensa carga dramática que, muito bem articulada, desenvolve a narrativa sob uma fachada cômica. A abordagem de temas como a solidão, a frustração e a esperança é muito bem conduzida, pois estes sentimentos foram reunidos e concentrados no personagem central da obra — um fardo que gera uma ambiguidade emocional em relação ao protagonista. Além disso, é importante citar que a produção dialoga, direta e indiretamente, com o filme Muito Além do Jardim (Being There, 1979), de Hal Ashby. A semelhança é bem nítida na própria composição narrativa e no desenvolvimento do enredo. Aqui, Shinichi Tsutsumi não deve em nada a Peter Sellers. Ambas as atuações são brilhantes, assim como as duas obras. Excelentes filmes que, por coincidência ou não, possuem finais memoráveis.