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Data de lançamento
29 Ago. 2019Duração
Roy McBride é um engenheiro espacial que decide empreender a maior jornada de sua vida: viajar para o espaço, cruzar a galáxia e tentar descobrir o que aconteceu com seu pai, um astronauta que se perdeu há vinte anos no caminho para Netuno.
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Tem Alguns Spoilers...
Sabe qual é a maior e mais dolorosa ironia de "Ad Astra"? O filme que foi vendido como uma odisseia épica é, na verdade, um mosaico picotado — o resultado trágico de um trabalho sujo, retalhado na pós-produção pelos executivos do estúdio. O diretor James Gray queria entregar um drama de ficção científica contemplativo, seco e filosófico. Porém, com medo do prejuízo milionário de uma fita lenta, o estúdio tomou o filme de suas mãos, meteu uma narração em voice-over do Brad Pitt pra mastigar e deixar tudo didático e fez refilmagens pra enfiar cenas de ação gratuitas. É por isso que, quando o filme acaba, fica a incômoda sensação de ter assistido a uma colagem malfeita de pedaços de outros filmes em um novo.
A interferência dos bastidores resultou num roteiro cheio de furos que enfraqueceram toda a história em pontos cerebrais da trama. Afinal, para que diabos o exército gastaria uma fortuna transportando Roy McBride (Brad Pitt) pela rota Terra ➡️ Lua ➡️ Marte, se a intenção desde o começo era descartá-lo, impedindo-o de chegar ao pai? Se o protagonista era um risco psicológico ou uma ameaça à missão, bastava mantê-lo confinado na Terra gravando uma mensagem em áudio pro pai. Toda a travessia militar soa como uma muleta preguiçosa de roteiro para forçar um conflito artificial.
No meio desse tiroteio de decisões criativas ruins, as cenas de ação surgem totalmente deslocadas. A perseguição de piratas (oi?) na superfície da Lua e o ataque do babuíno enfurecido na estação espacial funcionam em sci-fi de baixo orçamento e slasher de ficção, mas não num filme com uma atmosfera dessa, que tenta buscar um significado mais profundo e emocional de um filho procurando o pai perdido. Esses são momentos jogados para chamar público, que só interrompem o ritmo e rasgam a atmosfera do filme. Para completar, a direção exige de Brad Pitt uma atuação tão contida — sob a justificativa de um astronauta cujos batimentos nunca passam de 80 bpm — que o ator deixa de parecer introspectivo para soar apenas frio, apático e anestesiado diante do caos ao seu redor.
A contradição de "Ad Astra" é que, visualmente, ele é impecável. A fotografia, a iluminação e a escala do espaço são deslumbrantes. O grande mistério que move a trama — a busca pelo pai lendário (Tommy Lee Jones) — carrega uma premissa forte sobre a cegueira da obsessão. Porém, quando o reencontro finalmente acontece nos confins do sistema solar, a revelação é breve e amarga: o pai não queria saber da humanidade, não queria saber do filho e praticamente escolhe o suicídio no vácuo em vez de encarar a própria ruína.
"Ad Astra" tinha o embrião de um estudo brilhante sobre a solidão humana, uma trama de geopolítica tensa e nervosa, conflitos espaciais misteriosos e personagens fortes. No entanto, ele acabou vítima da própria indústria: um filme que tentou abraçar o infinito do espaço, mas foi sufocado por cortes de estúdio, cenas de ação de provador e um roteiro fragmentado que não consegue parar de sangrar.
P.S. O que eu imagino pra "Ad Astra" se eu tivesse o poder de mandar os produtores pra Plutão:
• A Geopolítica e a Lua: Se a Terra estivesse vivendo uma crise geopolítica, marcada pela paranoia militar e pela disputa por recursos, a ida para a Lua ganharia um peso real. A cena dos piratas na superfície lunar não seria um tiroteio solto de trailer, mas o reflexo direto e inevitável de um planeta falido estendendo suas garras para o espaço.
• O Suspense no Vácuo: Atender a um pedido de socorro no meio do nada é a receita perfeita para um suspense espacial denso. Mas colocar um babuíno selvagem num ambiente fechado e controlado é ridículo. O perigo ali deveria vir de uma falha humana devastadora, de uma conspiração no vácuo ou de um colapso psicológico da tripulação.
• Marte Noir: Marte, o último bastião antes do abismo, tinha a obrigação de ser o palco de uma trama de mistério e conspiração. Ali, Roy deveria investigar arquivos proibidos, escapar da vigilância do exército e desenterrar segredos da missão do pai em uma atmosfera sufocante de paranoia.
• A Tragédia Grega: O confronto final entre pai e filho precisava ter a força de uma tragédia grega. Precisava ser um embate visceral, profundo e doloroso entre duas almas partidas — o tipo de cena que deixa a gente quebrado no sofá, em vez de ver um pai simplesmente se soltar no vácuo e um filho voltar para casa como se nada tivesse acontecido.
E P.S. do P.S.:
A Liv Tyler serviu pra quê? Ser foto num tablet e dois segundos de choro gravado? E o Donald Sutherland (uma lenda do cinema) ter uma participação tão miúda e ser despachado antes do filme engrenar?
Acho que Plutão, ainda é perto demais.
Drama melancólico sem alma, não cativa ao ponto de me compadecer com qualquer personagem, mas tem algumas cenas boas.
O filme é excepcional em muitas coisas, não tem como negar. Mas de fato é extremamente monótono. E como teve alguém aqui nos comentários que já havia falado que desagrada quem espera algo mais, DE FATO! Eu simplesmente dormi vendo esse filme e isso é muito dificil de acontecer. Mas voltei e vi até o final, fiquei com ódio hahaha
Não aconteceu nada! Só me fez ficar com raiva e perder tempo. Mas acredito que a abordagem do filme era essa mesmo e beleza. Apenas EU, não gostei. Se você gosta de todos os efeitos visuais sobre o espaço, vai amar porque não decepcionaram. Mas se está esperando qualquer ação....esse filme não é pra vc!
Não chega a ser um Interestelar, mas é muito boa! A motivação, as atuações, a fotografia, tudo impecável! Vale muito a pen a experiência!!
Temos aqui uma aventura que vai além de apenas ficção científica. O protagonista deve enfrentar fantasmas do passado enquanto lida com um caso delicado envolvendo seu trabalho no espaço.
O longa entrega ótimos efeitos visuais, criando um crível ambiente espacial, indo desde solos desconhecidos até a imensidão escura do universo com alguns planetas aqui e acolá.
O roteiro traz bom momentos de tensão, equilibra bem o drama com a aventura, e busca fugir do clichê raspando em clássicos de outrora.