vagnerfoxx
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Últimas opiniões enviadas

vagnerfoxx
1 dia atrás

⚠️ Alerta de Spoilers: Se você ainda não assistiu esse filme, corra daqui.

​Em 2015, a Paramount e a Hasbro cismaram de transformar Transformers num universo compartilhado no estilo Marvel. O estúdio trancou uma turma de roteiristas pra parir ideias pra mais dez anos de franquia. O resultado desse experimento de laboratório foi esse: Rei Arthur bunda mole, Merlin bêbado, robôs nazistas, Anthony Hopkins com mordomo psicopata, uma garotinha sabichona com seu robô bobo e o Mark Wahlberg explicando física quântica enquanto segura a bandeira americana ao pôr do sol.

​"Transformers: O Último Cavaleiro" é o ápice do "Suco de Michael Bay". O filme tinha tudo pra fechar a franquia com chave de metal raro, mas escorregou no próprio óleo. O erro grotesco não foi a falta de grana pro orçamento, foi a escolha bisonha de enredo. Socar a mitologia medieval e sociedades secretas na franquia poluiu a trama e tirou o foco do que realmente importa nesse filme, que é a ação e a pancadaria sem limites.

​Mas se o roteiro é meio bizarro, a direção de ação do Michael Bay é um rolo compressor que não pede desculpas. A produção desse filme é monstruosa. Enquanto a Marvel hoje entope a tela com fundo verde lavado e bonecos digitais sem vida, Bay filma destruição com tanques de verdade, escala de IMAX visceral e um peso de metal na tela que você sente a poeira e o cheiro de graxa saindo da TV. As cenas de perseguição e o confronto final são foda! São uma aula de montagem e ritmo que poucos diretores no mundo conseguem assinar.

​Apesar da maionese do roteiro, o elenco ainda tenta segurar o rojão com dignidade. O Mark Wahlberg entrega aquele tipo de herói durão que só o Bay sabe filmar, fazendo uma boa dupla com a Laura Haddock no meio da correria, enquanto o Sir Anthony Hopkins passeia em cena com uma classe absurda — acompanhado do Cogman, o mordomo robótico sociopata que rouba todas as cenas em que aparece. Eles funcionam como o respiro cômico e charmoso no meio de uma estrutura de ação cavalar. Perto de desastres do cinema de entretenimento — como "Morbius", "Thor: Amor e Trovão", "Quantumania" ou a leva recente de filmes de super-herói sem sal —, "O Último Cavaleiro" entrega uma experiência infinitamente mais robusta. Ele peca no enredo, mas dá uma aula de entretenimento caótico e escala visual na tela.

​Foi uma escolha de enredo completamente equivocada que acabou selando o fim da Era Michael Bay à frente dos Transformers. O diretor se despediu da franquia do jeito mais "Bayhem" possível: com um espetáculo de destruição megalomaníaco, barulhento e atropelado. Não é o melhor filme da saga, passa longe de ter o equilíbrio dos primeiros, mas para quem é fã de metal retorcido, explosão real e pancadaria sem freio, "Transformers: O Último Cavaleiro" ainda é um puta entretenimento que dá uma surra no marasmo do cinema comercial atual.

vagnerfoxx
1 dia atrás

⚠️ Alerta de Spoilers: Se você ainda não assistiu esse filme, corra daqui.

Existe um nódulo maligno na história americana que ainda não foi tratado. Uma ferida aberta que ainda não cicatrizou. A Guerra Civil Americana (1861–1865) permanece como o conflito mais sangrento da história dos Estados Unidos, somando mais mortes americanas do que a Primeira e a Segunda Guerra Mundial juntas. A questão racial, a escravidão e a fratura entre o Norte industrializado e o Sul separatista deixaram marcas profundas no tecido social do país até hoje. O conflito deixou ressentimentos regionais e raciais que foram empurrados para debaixo do tapete e herdados por gerações.

"Republicanos x Democratas", ficção recorre a esse tema porque a sensação de divisão nos EUA é real. A fixação de Hollywood com esse tema não é um fetiche distópico; é o fantasma de história real o povo ainda não aceitou oor completo e que ganha força toda vez que o país se polariza ao extremo.

"Guerra Civil", dirigido por Alex Garland, é uma pancada seca no estômago que passa longe dos clichês ideológicos do cinema. Em vez de entregar um debate panfletário entre democratas e republicanos, o longa ignora os discursos de gabinete pra focar no horror cru da barbárie e na visão do jornalismo de guerra.

A trama acompanha a vida de uma equipe de correspondentes cruzando um país devastado rumo a Washington D.C., onde o Presidente, agora ditador de terceiro mandato, está prestes a ser deposto. O grupo é liderado por Lee (Kirsten Dunst), uma fotógrafa consagrada e anestesiada pelo trauma, e Joel (Wagner Moura), um repórter movido à adrenalina do front. Somam-se o experiente Sammy (Stephen McKinley Henderson), atuando como bússola moral veterana, e a jovem Jessie (Cailee Spaeny), garota que força sua presença na viagem em busca do batismo de fogo no fotojornalismo.

A construção das cenas é magnífica. Alex Garland joga a gente pra dentro do carro, nos levando pra uma América dividida, destruida e devastada. A atmosfera de apocalipse é intensa, o clima de medo aumenta a casa cena, com sequências de ação tensas, dramáticas e realistas, onde o horror e as atrocidades de uma guerra ganham mais veracidade por causa da presença jornalística. A cena dos atiradores de elite ocultos numa propriedade rural evoca a frieza dos grandes clássicos de guerra, naqueles momentos onde um silêncio eterno sempre antecede a morte. Enquanto a sequência em alta velocidade — onde os jornalistas trocam de carro em movimento na estrada — entrega uma rara descontração antes do colapso total. É essa insensatez que os lança diretamente no pesadelo orquestrado por Jesse Plemons: um soldado de óculos vermelhos que, ao lado de uma cova comum, executa friamente quem não responde adequadamente à pergunta "Que tipo de americano você é?". O pesadelo nazista vem à tona. O horror do holocausto vem a mente e faz o nosso sangue congelar. A banalização do mal, o terror psicológico da herança fascista ganha a tela numa cena inacreditável que a gente quer esquecer depois, mas não consegue.

A virada central da história reside entre Lee e Jessie. Um rito de passagem e término de uma carreira, acontece como as histórias de guerra são: dramáticas e trágicas. Enquanto a veterana recupera gradativamente a humanidade a ponto de se sacrificar, a jovem aprendiz faz o caminho inverso: anestesia-se diante da violência para garantir a foto definitiva da missão. Acontece de tudo de forma seca, fria rápida. Um tiro, uma bala define o desfecho do filme.

Com um design de som ensurdecedor, atuações irretocáveis de Dunst e Moura, uma produção realista, momentos de tensão, medo e loucura, e um plano-sequência final em Washington que figura entre os mais incríveis dos últimos anos no cinema, "Guerra Civil" não romantiza o conflito. O longa de Alex Garland expõe o custo humano de um país consumido pelo próprio ódio, provando que a maior distopia é a perda da pátria para ideologia e interesses políticos. Enquanto jovens se matam nas ruas, o colarinho branco contam o dinheiro.

vagnerfoxx
½
1 dia atrás

⚠️ Alerta de Spoilers: Se você ainda não assistiu esse filme, corre daqui.

É Golpi! "O Mundo Depois de Nós" é um verdadeiro estelionato de marketing, mais um golpe aplicado pelo algoritmo da Netflix. Vendido com a pompa de superprodução apocalíptica — com o aval da produtora do casal Obama, direção estilizada de Sam Esmail (Mr. Robot) e um elenco peso-pesado encabeçado por Julia Roberts, Ethan Hawke e Mahershala Ali —, o longa prometia um novo "2012", um "Guerra Mundial Z" ou um suspense apocalíptico. A gente dá o play esperando o quarto selo do Apocalipse se abrindo e recebe duas horas e vinte de DR conjugal, drama passivo-agressivo e aula de sociologia de chaminé.

A trama junta uma família de nova-iorquinos abastados que aluga uma casa de luxo no interior para fugir da rotina. A mãe (Julia Roberts) odeia a humanidade, o pai (Ethan Hawke) é um acadêmico banana que não sabe trocar um pneu sem Wi-Fi, o filho adolescente é um Nutella sem personalidade e a caçula é uma viciada em Friends em crise de abstinência. Quando o apocalipse slin fit começa — com um navio petroleiro encalhando na praia e a internet caindo —, a casa é visitada no meio da noite pelo proprietário, G.H. Scott (Mahershala Ali), e sua filha (Myha'la). A partir daí, o filme decide virar um drama claustrofóbico sobre paranóia racial e discussão de classes.

O diretor Sam Esmail até entrega sequências isoladas visualmente geniais — como o ataque dos carros autônomos da Tesla se esborrachando sozinhos na estrada e o avião caindo na praia —, mas o roteiro usa essas cenas apenas como uma cortina de fumaça. O filme empilha alegorias bizarras sem explicação real como: flamingos invasores na piscina, cervos com olhar julgador na floresta, ruídos sônicos que fazem os dentes do garoto caírem do nada e drones jogando panfletos em árabe. Em vez de amarrar os pontos de um colapso tecnológico ou militar, a produção prefere deixar a interpretação aberta pra quem assisite.

O auge do deboche vem na conclusão: enquanto o mundo ao redor desmorona em bombas e caos, a garotinha encontra o bunker do vizinho, e simplesmente ignora a família e o fim dos tempos para dar o play no último episódio de "Friends". A metáfora sobre a alienação da sociedade moderna é clara, mas a sensação de ter sido enrolado por mais de duas horas pra ver uma historia sem desfecho é um pouco frustrante.

Se "O Mundo Depois de Nós" fosse vendido honestamente como um drama psicológico sobre família, sociedade e sobre a fragilidade humana diante do incerto, ele teria seu valor. Mas ter sido embalado como o grande blockbuster de catástrofe do ano, ele não passou de uma maquete linda com um roteiro vazio por dentro. Parece um trailer de um filme que nunca existiu.

Se você assisitir o filme sem as expectativas que a gente teve quando foi enganado pela Netflix, você vai curtir muito. Mas se assisitir o longa achando que ele vai tirar o 8ª selo do Apocalipse é melhor assisitir o "Friends"

  • Filmow 4 dias atrás

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    Olá, cinéfilo!

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    Bons filmes!
    Equipe Filmow

  • Amanda Santiago 1 semana atrás

    :)

  • Briena 2 semanas atrás

    Valeu, vagner. Te adicionei porque ainda comenta sobre os filmes aqui no filmow e ainda não migrou para o letteboxdzzz.