vagnerfoxx
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Últimas opiniões enviadas

  • vagnerfoxx
    3 dias atrás

    ​Tem Alguns Spoilers...

    Se os críticos de cinema choram toda vez que o Michael Bay explode um carro, o problema é deles. "A Ilha" é um arregaço de ficção científica, um clássico dos anos 2000 que tive o privilégio de assistir no cinema e que namora firme e forte com os conceitos de "Matrix" e "A Praia".

    A dinâmica da história parece saída do mesmo livro: os personagens acham que estão vivendo no paraíso, num refúgio; mas na verdade estão trancados numa prisão, num mundo controlado, em uma cela mental, prontinhos para o abate.

    A primeira metade do filme te deixa amarrado no sofá com o suspense daquela utopia controlada, onde todo mundo veste branco, trabalha na mesma firma, come mingau e espera ganhar na loteria pra ir para o último lugar não contaminado da Terra. E sexo? Vixe nem pensar...

    Mas a filme da reviravolta das boas, quando o Lincoln Six Eco (Ewan McGregor) descobre a terrível verdade: a ilha é uma mentira. Eles são clones. Produtos. Peças de reposição biológicas para ricaços da vida real. Isso só pode ter sido efeito da cachaça que ele tomava com um certo personagem do filme.

    ​Quando a verdade vem à tona, a ficção dá espaço para o Michael Bay raiz e o ritmodo filme vira uma correria alucinante. A produção do Bay é foda, ele usa armas, tiros e destruição reais, deixando as cenas de ação animalescas. A computação gráfica é incrível! Ela acompanha esse visual mecânico e pesado das cenas. A fotografia é tão perfeita, limpa e saturada que os closes do filme parecem legítimas capas dos cadernos da Tilibra daquela época.

    ​As perseguições são antológicas, com destaque para a sequência bestial do caminhão soltando rodas de trem para todo lado e destruindo carros que quase saem pela tela do cinema. Melhor tatuagem pra retina é impossível. E o que dizer deles voando em uma moto tecnológica por uma Los Angeles futurista? Eles rasgam os ceus, tiram finas dos carros, levando chumbo nas costas. E quando eles caem daquele prédio, é inacreditável!

    ​O elenco corre o filme inteiro e entrega tudo que se imagina de atores em filmes do gênero. Ewan McGregor trabalha bem para caramba fazendo papel duplo. E, claro, precisamos falar sobre a era de ouro da Scarlett Johansson. Que mulher! Com aquele beição e aquele corpo maravilhoso, ela fazia a molecada da época morrer no banheiro e ressuscitar 40 minutos depois do banho. Gata demais!

    ​E pra completar, temos o mestre Steve Buscemi, o coadjuvante favorito de qualquer cinéfilo respeitável: louco, irresponsável, feio, ele era o único cara em quem você não deveria confiar num filme, mas que acaba ajudando os clones. E na vilania, o icônico Sean Bean cumprindo a lei suprema de Hollywood: se ele está no filme, ele vai morrer no final. Não é spoiler, é a norma do ator.

    ​As cenas finais, são um turbilhão cenas de ação, com o casal querendo revelae toda mentira da empresa, levando os dois a buscarem a matriz real deles. O desespero toma conta de tudo, as cenas finais é um soco de adrenalina, tiros e explosões. O momento "I am Tom Lincoln!" é inesquecível.

    A "Ilha" é aquele filmaço que eu perdi a conta de quantas vezes já assisti, o filme do Michael Bay, entrega o que o cinema do início dos anos 2000 fazia de melhor, "cinama genial com tecnologia pra entreter". Amo esse filme e sempre que eu posso volto pra essa ilha pra ver esse clássico da ação e ficção.

  • vagnerfoxx
    3 dias atrás

    Expresso do Amanhã: A CPTM Apocalíptica de Bong Joon-ho.

    ​Se você acha o horário de pico na linha Brás / Calmon Viana da Zona Leste de Sampa, um teste para os fortes, é porque ainda não viu o trem de "Expresso do Amanhã". O diretor coreano Bong Joon-ho pegou toda a nossa bagunça social, colocou dentro de uma lata de sardinha de ferro em alta velocidade e criou uma ficção científica com alma de sci-fi raiz, aquela onde você paga para entrar e nem rolando na macumba consegue sair.

    ​O cenário é um inferno gelado. Depois que a humanidade estragou o clima do planeta de vez, os sobreviventes ficaram trancados nessa carruagem maldita que nunca para. Mas o pior não é o frio de lascar o cano do lado de fora; é a bestialidade humana do lado de dentro. O trem faz o resumo da sociedade de um jeito cruel, violento e vergonhoso; a elite ostenta na primeira classe comendo sushi, enquanto a peãozada se fode no rabo do trem sobrevivendo à base de goiabada de barata.

    ​A revolta começa. Quando a turma do fundão liderada por Chris Evans decide avançar pelos vagões para tomar a locomotiva, o trem vira o expresso da maldade, com sangue, atrocidades e descobertas aterradoras. A cada porta que se abre nos vagões, é um circulo do inferno que se mostra.

    O pau come solto, uma briga desgraçada, se espalha no filme, com sangue, tripa, perna, tiro, machado, facão, coisa de açougueiro em dia de festa! As reviravoltas fazem você ficar calado diante da violência, do sadismo e do mal que se normalizou nesse inferno de ferro.

    Bong Joon-ho entende da parada! Ele sabe muito bem o que está fazendo. Ele faz uma alegoria do nosso mundo, coloca o povo dentro de um trem que não pode parar, com regras, limites, leis que não servem pra todos. Manipula ações e a ordem das coisas de baixo pra cima, do fim pro começo. A moral é quebrada, a bondade é relativa, tudo é controlado, os personagens se revelam, como heróis podres, pessoas carcomidas pelo sistema que mesmo no apocalipse controlam não só suas ações, mas suas mentes e corações.

    O caos não ter fim, o ritmo é frenético de ação, mas com aquela ironia fina (e bota fina nisso, vide a atuação bizarra da Tilda Swinton). O final é brilhante e explosivo, nos lembrando que o caos, às vezes, é o único fator de mudança quando a ordem serve apenas para esmagar quem está embaixo.

    ​"Expresso do Amanhã" é igual àquela cachaça forte que você toma no boteco perto da estação; desce rasgando a garganta, te dá um baque na mente, mas te deixa acordado para enfrentar o próximo trem lotado da vida real.

  • vagnerfoxx
    4 dias atrás

    Se você quer entender o mundo hoje, não olhe para os jornais; assista a "Elysium", de Neill Blomkamp. O filme é uma crítica social foda que desenha um abismo físico entre os que tem tudo e quem não tem nada. De um lado, a Terra: um lixão superpovoado, uma UTI global a céu aberto. Do outro, no alto, um anel de prata no céu onde os ricos preservam seu modo de vida premium, enquanto o resto da população vive fodida.

    ​O que dá um estalo na gente ao rever essa obra é saber que as naves clandestinas que tentam invadir a estação espacial não são ficção científica; são o reflexo de um pasasdo histórico. Os botes de cubanos, venezuelanos e africanos fugindo da fome e da opressão em busca de uma chance de sobrevivência, ainda são uma triste realidade do nosso presente que não pode ser esquecida.

    Blomkamp mistura alta tecnologia com a miséria absoluta, usa tomadas incríveis de terra arrasada onde o luxo das estações espaciais flutua sobre o entulho da sobrevivência humana, para nos lembrar que na nossa realidade, o muro não é de metal, mas de dinheiro e poder.

    ​No meio desse sistema podre, brilha Wagner Moura. O seu Spider é um arquiteto da guerrilha, um hacker malandro que tem a mesma moral e autoridade de quem subia o morro no BOPE. Ele não é um santo, é um sobrevivente que opera nas sombras. Ao lado dele, Alice Braga traz os restos de uma humanidade perdida, mas necessária com sua Frey, uma mãe que carrega a dor de ver o sistema negar a cura pra a próprio filha.

    ​Matt Damon é mais um correria desse mundo, ele vive Max, mais um que sai do sitema condicional e sente na pele o abuso das autoridades humanas e robóticas. Quando ele aceita ter um exoesqueleto aparafusado no próprio corpo, ele deixa de ser apenas um funcionário descartado para virar um mártir tecnológico. Ele é o homem de carne enfrentando o exército de metal da fria Secretária Delacourt (Jodie Foster).

    ​Mas se o filme tem um rosto para a maldade, esse rosto é o de Sharlto Copley. O seu Kruger é um espectro maligno, um mercenário maníaco que exala um sadismo nazista. As cenas dele perseguindo o Max são puro terror insano; ele é a pior versão do que o ser humano pode se tornar quando recebe poder para matar.

    ​O final de "Elysium" é um soco no estômago do sistema. Quando o pau come solto lá no alto, o que vemos é o reset de um regime político global. É irônico e libertador pensar que, no fim das contas, a chave para a salvação da humanidade estava nas mãos dos excluídos, dos ladrões e dos nóias que esse mundo premium, sempre tentou esquecer.

  • Genilson 2 semanas atrás

    Obrigado amigo, você é um amigo!

  • Maycon Guedes 5 meses atrás

    Valeu!

  • Alessandra Gabriela 7 meses atrás

    aaah muito obrigada, vagner! seja bem vindo também! 😊