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Data de lançamento
19 Maio 2017Duração
A trama acompanhará Mija, uma jovem garota que deve arriscar tudo para evitar que uma poderosa empresa multinacional sequestre sua melhor amiga: um animal enorme chamado de Okja.
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A mensagem que esse filme passa é de extrema importância, precisamos reconhecer o que acontece com os animais e parar com essa engrenagem de morte e exploração...
Filme MUITO interessante e nada do que eu esperava que fosse. O tom caricato que tem é algo que me pegou um ppuco desprevinido num filme com tom tão sério e foi dificil me adaptar, mas acho que faz sentido dentro do contexto do filme.
Mas o que torna o filme ainda melhor é a reta final...
É triste ver como a Okja é salva pela menina, mas a que custo? Ela não salvou o mundo ou mudou os rumos que os animais irão ter, só conseguiu salvar a Okja devido a ganância das pessoas e aquela cena dos outros animais pais jogando o filhotinho fora da cerca para que ele possa ser salvo me quebrou tanto.
É um final agridoce, porém impactante que exemplifica o mundo que estamos vivendo.
Se você der o play em "Okja" esperando encontrar um conto de fadas inocente no estilo Disney, com a história bonitinha da "Menina e Porquinho" da Coreia, prepare-se para levar dois pés no peito, com uma das historias mais incriveis sobre animais do gênero.
O diretor coreano Bong Joon-ho usa a grana da nossa mensalidade com respeito, pra entregar uma sátira absurdamente, ácida e visceral da indústria do açougue. Esqueça o comercial de margarina oitentista que machuca nosso coração até hoje, o que temos aqui é a coreana do mato e seu superporco cruzando o planeta pra mostrar a podridão da nossa sociedade. Desconstruindo o politicamente correto de todos os lados ds mesa e nos jogando na cara a maior das verdades das varandas gourmet. Vivemos em uma engrenagem podre onde quem consome, quem cria, quem salva e quem vende estão errados. Mas que a gente surta quando a carne grita na grelha, ahh isso nao tem como negar.
O enredo te pega pelo bico, logo no início pelo choque de realidade. A trama começa nas montanhas isoladas da Coreia, simbolizando uma pureza oriental de Japion, que é quebrada com a chegada dos gringos suados e suas câmeras de TV.
Mas piora assim que o próprio avô da menina Mija vende o destino da porca Okja e a alma da neta em troca de um porco de ouro falso. A partir dali, o filme vira uma montanha-russa de ação e drama que bate de frente com a podridão do mundo corporativo e a farsa gastronômica que vivemos.
A crítica à indústria da carne e ao capitalismo selvagem aqui é cirúrgica. A Tilda Swinton tá absurdamente genial e assustadora como a engomada Lucy Mirando. Ela encarna com perfeição essa nova geração de corporações nojentas que criam um bicho de laboratório modificado geneticamente, mas vendem pro mundo uma maquiagem de sustentabilidade, amor à natureza e salvação da fome mundial. É a falsidade corporativa em nível máximo! Por trás dos sorrisos, dos balões coloridos e do marketing "eco-friendly", mas o que existe é uma linha de montagem sangrenta pronta para moer a Okja e transformar a barriga do bicho em salsicha barata para lucrar bilhões.
Nesse cenário de aparências iguais aos programa de TV, o personagem do Dr. Johnny (vivido por um Jake Gyllenhaal desfigurado, imbecil e decadente) surge como o retrato perfeito desse ativismo midiático de fachada. Ele é aquele tipo de figura, desses ambientalistas brasileiros que se jogam no mato, choram pelos animais e veste a fantasia de herói diante das câmeras, mas nos bastidores se revela um covarde, sem caráter e cruel, capaz de torturar o bicho até a morte.
Bong Joon-ho brilha de verdade onde a maioria dos diretores de Hollywood amarela. Ele bate com a mesma força na galera dos direitos dos animais. A representação da ALF (Frente de Libertação Animal), liderada pelo Paul Dano, é o suco do deboche. O cara tira uma onda histórica com o extremismo desses veganos nervosos, histéricos e neuróticos, tão cheios de regras, dogmas e discursos engessados que beiram o ridículo. Tem um membro do grupo que tá quase desmaiando de subnutrição porque se recusa a comer qualquer coisa para "não deixar pegada de carbono no planeta"!
Violência diet, anarquia soft, discurso de salada; em vez de cuidarem do próprio rabo e agirem de forma prática, eles fazem uns protestos tão cheios de frescura e firula ideológica que acabam metendo os pés pelas mãos, usando a coitada da Okja como bode expiatório da causa deles e fazendo uma lambança tremenda que só piora a vida da porca e da menina Mija.
Visualmente, o filme se recusa a ser coisa de streaming. A produção é fantástica, ação, correira não faltam, e tudo num trabalho de CGI, que é uma costela na brasa. Ele te faz rir com correria no tunel, e as trapalhadas na perseguição pelo shopping na Coreia, com a Okja destruindo tudo com aquela computação gráfica impecável que dá peso real de carne e osso para o bicho.
Mas o verdadeiro soco no estômago fica para o terceiro ato em Nova York. Quando tudo dá errado no resgate do bicho, onde Lucy (que dá lugar à sua irmã gêmea Nancy), Dr. Johnny e toda a corporação são desmascaros no melhor estilo de novela mexicoreana. O desfecho de tudo, vai no único lugar real do filme, o matadouro. O clímax industrial desse lugar, tem o peso visual de um campo de extermínio nazista.
O céu de chumbo, a lama, o cenário cinzento e os milhares de superporcos chorando na cerca de arame farpado sabendo que vão morrer na fila do abate é de estraçalhar o coração de qualquer marmanjo. A cena da maquina de abate com o Okja na lâmina do carrasco, onde Mija (Ahn Seo-Hyun), fez tudo que pode pra salvar o bicho, com o Jay tambem, sem ação, espumando sangue verde do seu coração, tendo até o colaborador olhando triste, foi dificil de ver. Você quase perde a fé na humanidade na hora.
Mas a salvação nao veio de um ato heróico dos militantes sem noção, nem do ativista de TV, nem dos funcionários da firma. A salvação de Okja, foi a base do business. O momento que Mija oferece o porco de ouro do avô pra resgatar sua amiga, é o resumo nu e cru da ganância do sistema podre que governa nosso mundo. Ali não há ideologia, só o lucro. A cena da personagem da Tilda mordendo o vil metal para testar sua pureza, é uma imagem que ilustra quem manda em tudo no topo da pirâmide, e quem obedece em baixo.
No final, Mija não salva o mundo e nem destrói a indústria da carne; ela apenas consegue comprar a vida da Okja e de um filhotinho que os pais superporcos empurram pela cerca na última hora.
"Okja" de Bong Joon-ho, é um trator na pista do cinema moderno. Um filme inteligentíssimo, incômodo e necessário que nos obriga a olhar para a engrenagem do mundo e engolir crú, seco e sem tempero, o nosso orgulho, seja o sabor ideológico que ele tiver: carne, peixe, ovo, salada e fruta. O filme humilhou a elite rica e gananciosa das multinacionais e jantou esses ativistas de apartamento com a mesma faca afiada.
"Okja" é um filme com um coração gigante e uma mente cínica; um filme do primeiríssimo escalão antes da Netflix virar a fábrica de mortadela de filmes que é hoje.
Caramba, que filme!
demorei bastante para reconhecer o Jake Gyllenhaal, na verdade tive que ir tirar a prova no imdb... sinistro.
O filme pega a gente pelo lado emocional fortemente, a garotinha e seu amigo superporco são uma fofura sem igual, aquelas cenas do final naquele campo.... foi muito pesado, me passou uma vibe de campo de concentração, sabe... to na meia idade, eu lembro como eu via o veganismo/vegetarianismo como algo ridiculo, digno de fazer piada, não porque eu adoro/idolatro carne, churrasco, etc... mas por pura burrice mesmo. como sou ant-social não tenho esse "amor" toda por carne, gostaria de ser vegetarismo um dia com toda certeza, pois hoje eu não vejo mais os animais como inferiores, os vejos como superiores, pelo fato de não terem maldade, sim eles matam uns ao outros, mas o fazem pela sobrevivência, pelo instinto. Eu vejo o paraiso que seria o planeta sem humanos, quando penso nisso vejo algo realmente celestial, não consigo imaginar uma convivência entre humanos e animais, apesar de ambos serem animais, bichos.
por fim, eu ainda como carne pelo mesmo objetivo dos animais, sobrevivência, acho uma frieza e falta de humanidade a forma como tratamos esses bichos, principalmentes os três mais "comidos", vacas, porcos e galinhas.... e algo digno de nazismo puro, campos de concentração feitos para matar de forma rapida.
O grande trunfo do filme é sua capacidade de fundir tons radicalmente distintos em uma narrativa coesa e poderosa. Bong Joon-ho transita sem esforço entre a comédia absurda personificada pela excêntrica Tilda Swinton e pelo apresentador de TV histriônico (Jake Gyllenhaal) cenas de puro suspense e profunda comoção, centradas no vínculo visceral entre a jovem Mija (Ahn Seo-hyun) e sua Okja. A direção na construção dessa relação é plenamente na amizade improvável. No entanto, o filme não se contenta em ser apenas uma história de menina e seu animal; é uma sátira afiada que não poupa ninguém, nem mesmo a ALF (Frente de Libertação Animal no filme), cujos métodos e contradições internas são expostos com um olhar crítico. Esse didatismo em sua mensagem, por vezes, torna os vilões um tanto caricatos, mas serve ao propósito do diretor de criar uma fábula de contornos nítidos e moral urgente. O final é um de seus mais corajosos e ambíguos, recusando-se a oferecer uma solução fácil e forçando o espectador a confrontar suas próprias escolhas.