No caminho de Nova York a Los Angeles, um caçador de recompensas (Robert de Niro) conduz um contador, acusado de fraude, que trabalhava para a máfia. Durante a viagem, eles serão perseguidos pelo FBI e por mafiosos.
Não resisto a uma boa dupla. Especialmente aquelas montadas a partir do atrito: o irritado e o provocador, o esquentadinho e o homem que nunca perde a compostura, alguém disposto a explodir e o outro que parece existir apenas para cutucar a explosão. Existe algo magnético nesse tipo de dinâmica. Dois ímãs brigando contra a própria natureza: passam tempo demais se repelindo até perceberem, meio contra a vontade, que talvez estejam sendo puxados um para o outro. Midnight Run parece saber exatamente o quanto isso funciona.
Jack Walsh e Jonathan Mardukas — ou, como todo mundo insiste em chamá-lo, o Duque — funcionam absurdamente bem justamente porque parecem nascer para se irritar. Jack é duro, impaciente, constantemente à beira de explodir. O Duque é inteligente, elegante, verbalmente afiado e parece extrair um prazer muito específico de provocar exatamente onde dói. Nunca perde a compostura, nunca perde o humor e, principalmente, nunca perde a oportunidade de deixar Jack um pouco mais irritado do que já estava cinco minutos antes.
Talvez seja justamente por isso que gosto tanto do fato de Midnight Run ser, em grande parte, um road movie. A estrada vira uma desculpa perfeita para prolongar a convivência. Trem, avião, monomotor, carro roubado, banheiro acorrentado, rio, hotéis, fugas improvisadas. O filme parece entender uma coisa simples: quanto mais tempo esses dois forem obrigados a permanecer juntos, melhor ele fica. E o curioso é que não são necessariamente as grandes cenas de ação que ficam na cabeça, mas as discussões. As pequenas cobranças, as implicâncias, as acusações quase infantis de quem traiu quem primeiro. “Você disse que tinha medo de avião.” “Você prometeu me soltar.” “Você mentiu antes.” Existe um prazer muito específico em ver duas pessoas brigarem de um jeito que, pouco a pouco, começa a parecer intimidade disfarçada.
Isso não significa que o filme não tenha suas conveniências. Acho perfeitamente justo dizer que Midnight Run frequentemente emburrece o mundo ao redor para manter sua dupla funcionando. O FBI, os capangas do mafioso, o caçador de recompensas azarado — todo mundo parece constantemente um passo atrás, tropeçando no próprio caminho enquanto Jack e o Duque seguem viagem. Em vários momentos, parece que bastaria alguém fazer uma ligação minimamente lógica ou conectar informações óbvias para metade daquela perseguição acabar muito mais rápido. Mas, curiosamente, isso nunca me incomodou tanto quanto talvez devesse. Talvez porque o filme pareça pouco interessado em transformar esses perseguidores em ameaça genuína. Eles funcionam como obstáculos cômicos, gente fadada a comer poeira enquanto a história encontra novas desculpas para manter Jack e o Duque dividindo espaço, trocando farpas e, sem perceber, se conhecendo melhor. É um daqueles casos em que o mecanismo do roteiro fica visível, mas a química é boa o suficiente para fazer a gente aceitar o acordo.
Também ajuda o fato de existir algo discretamente melancólico por baixo da comédia. Aos poucos, o filme vai deixando escapar pequenas tristezas: Jack saiu da polícia, perdeu o casamento, mal vê a filha. O Duque, apesar do bom humor quase constante, também é alguém fugindo, alguém que fez escolhas moralmente tortas por razões curiosamente nobres. Um homem que roubou milhões, mas doou para caridade. Um fora da lei que talvez seja mais honesto do que boa parte das pessoas correndo atrás dele. Talvez seja isso que faça a dupla funcionar tão bem. No fundo, ambos perderam alguma coisa para aquele mundo. Ambos parecem mais íntegros do que deveriam parecer num filme cheio de criminosos, agentes federais e gente interessada apenas em dinheiro. E talvez por isso as discussões fiquem melhores à medida que o filme avança. Existe uma espécie de reconhecimento silencioso surgindo ali, entre duas pessoas que provavelmente jamais teriam se escolhido em circunstâncias normais.
Talvez eu goste tanto de Midnight Run porque ele aposta numa ideia improvável: a de que certas pessoas passam tempo suficiente se irritando até começarem, sem perceber, a fazer bem uma à outra. Jack provavelmente jamais admitiria isso. O Duque transformaria qualquer confissão numa provocação. Mas, depois de quase cinco dias discutindo sem parar, acho que o filme quase faz a gente acreditar que até água e óleo podem se misturar.
Honesto, muito bem feito, boas atuações e curti a quimica entre ele e o criminoso. Curioso assistir filmes antes dos anos 2000 hoje em dia, porque na grande maioria das vezes se encontra minutos e mais minutos que poderiam ter sido cortados, o que deixaria o filme mais compacto e dinâmico, sem perder nada.
Não resisto a uma boa dupla. Especialmente aquelas montadas a partir do atrito: o irritado e o provocador, o esquentadinho e o homem que nunca perde a compostura, alguém disposto a explodir e o outro que parece existir apenas para cutucar a explosão. Existe algo magnético nesse tipo de dinâmica. Dois ímãs brigando contra a própria natureza: passam tempo demais se repelindo até perceberem, meio contra a vontade, que talvez estejam sendo puxados um para o outro. Midnight Run parece saber exatamente o quanto isso funciona.
Jack Walsh e Jonathan Mardukas — ou, como todo mundo insiste em chamá-lo, o Duque — funcionam absurdamente bem justamente porque parecem nascer para se irritar. Jack é duro, impaciente, constantemente à beira de explodir. O Duque é inteligente, elegante, verbalmente afiado e parece extrair um prazer muito específico de provocar exatamente onde dói. Nunca perde a compostura, nunca perde o humor e, principalmente, nunca perde a oportunidade de deixar Jack um pouco mais irritado do que já estava cinco minutos antes.
Talvez seja justamente por isso que gosto tanto do fato de Midnight Run ser, em grande parte, um road movie. A estrada vira uma desculpa perfeita para prolongar a convivência. Trem, avião, monomotor, carro roubado, banheiro acorrentado, rio, hotéis, fugas improvisadas. O filme parece entender uma coisa simples: quanto mais tempo esses dois forem obrigados a permanecer juntos, melhor ele fica. E o curioso é que não são necessariamente as grandes cenas de ação que ficam na cabeça, mas as discussões. As pequenas cobranças, as implicâncias, as acusações quase infantis de quem traiu quem primeiro. “Você disse que tinha medo de avião.” “Você prometeu me soltar.” “Você mentiu antes.” Existe um prazer muito específico em ver duas pessoas brigarem de um jeito que, pouco a pouco, começa a parecer intimidade disfarçada.
Isso não significa que o filme não tenha suas conveniências. Acho perfeitamente justo dizer que Midnight Run frequentemente emburrece o mundo ao redor para manter sua dupla funcionando. O FBI, os capangas do mafioso, o caçador de recompensas azarado — todo mundo parece constantemente um passo atrás, tropeçando no próprio caminho enquanto Jack e o Duque seguem viagem. Em vários momentos, parece que bastaria alguém fazer uma ligação minimamente lógica ou conectar informações óbvias para metade daquela perseguição acabar muito mais rápido. Mas, curiosamente, isso nunca me incomodou tanto quanto talvez devesse. Talvez porque o filme pareça pouco interessado em transformar esses perseguidores em ameaça genuína. Eles funcionam como obstáculos cômicos, gente fadada a comer poeira enquanto a história encontra novas desculpas para manter Jack e o Duque dividindo espaço, trocando farpas e, sem perceber, se conhecendo melhor. É um daqueles casos em que o mecanismo do roteiro fica visível, mas a química é boa o suficiente para fazer a gente aceitar o acordo.
Também ajuda o fato de existir algo discretamente melancólico por baixo da comédia. Aos poucos, o filme vai deixando escapar pequenas tristezas: Jack saiu da polícia, perdeu o casamento, mal vê a filha. O Duque, apesar do bom humor quase constante, também é alguém fugindo, alguém que fez escolhas moralmente tortas por razões curiosamente nobres. Um homem que roubou milhões, mas doou para caridade. Um fora da lei que talvez seja mais honesto do que boa parte das pessoas correndo atrás dele. Talvez seja isso que faça a dupla funcionar tão bem. No fundo, ambos perderam alguma coisa para aquele mundo. Ambos parecem mais íntegros do que deveriam parecer num filme cheio de criminosos, agentes federais e gente interessada apenas em dinheiro. E talvez por isso as discussões fiquem melhores à medida que o filme avança. Existe uma espécie de reconhecimento silencioso surgindo ali, entre duas pessoas que provavelmente jamais teriam se escolhido em circunstâncias normais.
Talvez eu goste tanto de Midnight Run porque ele aposta numa ideia improvável: a de que certas pessoas passam tempo suficiente se irritando até começarem, sem perceber, a fazer bem uma à outra. Jack provavelmente jamais admitiria isso. O Duque transformaria qualquer confissão numa provocação. Mas, depois de quase cinco dias discutindo sem parar, acho que o filme quase faz a gente acreditar que até água e óleo podem se misturar.
Honesto, muito bem feito, boas atuações e curti a quimica entre ele e o criminoso.
Curioso assistir filmes antes dos anos 2000 hoje em dia, porque na grande maioria das vezes se encontra minutos e mais minutos que poderiam ter sido cortados, o que deixaria o filme mais compacto e dinâmico, sem perder nada.
90 minutos deixaria o filme redondinho e menos repetitivo, no geral de razoável para bom.
Um filme de De Niro da boa época .Comédia, policial e road movie que funciona e diverte.
Típica comédia policial dos anos 80, alguns bons momentos de ação, mas achei desnecessária a duração de 2hs.