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Data de lançamento
3 Nov. 2023Duração
Em um Japão social e economicamente devastado após o término da Segunda Guerra Mundial, na qual o país saiu perdendo, a situação chega a um nível ainda mais crítico quando uma gigantesca e misteriosa criatura surge do mar para assolar o país, o temível kaiju. Sob esse pano de fundo, sentindo-se como se tivesse enganado a morte muitas vezes, está Kōichi Shikishima, um piloto Kamikaze. E quando seu grupo é atacado na Ilha Odo, com muitos engenheiros de aviões de guerra mortos pelo monstro gigantesco, uma enorme culpa pesa sobre Shikishima, agora sobrevivente. Entrando assim, em uma missão pessoal, para defender suas pessoas queridas e vingar a morte de seus companheiros, Shikishima se une a um grande grupo de veteranos de Guerra, para finalmente derrotar o monstro conhecido como Godzilla.
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É so deixar o Gojira com quem sabe...ótimo filme, sem glamurizar muito e que permite soltar alguns "eita porr@"
24 Jul 2026
Eles não tem dinheiro, mas tem o povo!
achei o filme fraco, os personagens não cativaram e as atuações caricatas só distanciaram mais...a pouca expectativa que eu tinha criado sobre o filme era devido a alguns comentários muito positivos que vi sobre ele, mas com certeza não se comprovaram pra mim. Achei bobo e infantil
Tem Alguns Spoilers...
Enquanto Hollywood transforma Godzilla num super-herói de parque de diversões, o Japão nos esfrega na cara o que ele realmente é: uma metáfora viva do trauma, do luto e do terror nuclear — uma besta colossal, implacável, que surge das profundezas tão faminta por destruição que devora tudo e todos no seu caminho.
O filme não nos joga em uma metrópole moderna, ele nos arrasta pra lama de 1945, para as cinzas de um Japão pulverizado, faminto e humilhado pelo fim da Segunda Guerra Mundial. Se o país já estava no nível zero, a chegada de Godzilla é o golpe de misericórdia que o afunda no nível menos um. É no meio dessa ruína que encontramos Koichi Shikishima (Ryunosuke Kamiki), um piloto kamikaze assombrado pela covardia de ter escolhido viver.
Shikishima não carrega apenas os cacos de uma nação destruída; ele carrega a culpa corrosiva da covardia. Sua dor é física, visceral, e suas lembranças são o chicote de sua alma, que como outra bomba, explodem o que resta do seu mundo quando o passado vem lhe assombrar. Ele tenta reconstruir a vida entre os escombros de Tóquio ao lado de Noriko (Minami Hamabe) e de uma bebê abandonada, criando uma família improvisada pelo puro instinto de sobrevivência, ante a dor e a morte que ainda pulsa no seu peito. Assim como todo povo, eles não têm nada, a não ser a teimosia de recomeçar. Mas enquanto Shikishima tenta convencer a si mesmo de que tem o direito de ser feliz, o passado ressurge das profundezas na forma de um pesadelo escamoso e implacável.
Para sustentar a casa, Shikishima aceita um trabalho daqueles que é pra quem tem fé: navegar no oceano caçando minas marítimas ativas no pequeno barco Shinsei Maru. Ao lado de um grupo de veteranos traumatizados e do perspicaz ex-engenheiro naval Kenji Noda (Hidetaka Yoshioka), o horror marinho ressurge. A sequência no oceano é pura claustrofobia e desespero! Enfrentar a besta emergindo das águas escuras com um teco-teco de madeira é um teste de pavor, um ato de Ilíada Nipônica, de virar lenda.
Mas o verdadeiro inferno está reservado para a terra firme. O ataque a Tóquio é uma das sequências de destruição mais impactantes da história do cinema recente. Takashi Yamazaki constrói a cena com um realismo aterrorizante: a câmera fica no chão, esmagada junto com a multidão em pânico. Não há espetáculo, há massacre. Godzilla não tem humanidade, ele não reconhece a vida, ele passeia como um deus yōkai pelo mundo — pesado, indiferente, pisando em pessoas como se fossem insetos. A cidade em ruínas e a derrota na guerra são as feridas vivas de um orgulho caído, mas essa besta caminhando pelas ruas parece a personificação da própria maldição. Um demônio desfilando só para humilhá-los.
Quando as espinhas dorsais do monstro se projetam e travam como ganchos mecânicos, o raio atômico dispara. O silêncio que precede o cogumelo de fogo é o terror puro, o pavor cósmico que a franquia tinha deixado para trás e que volta como o pior pesadelo do trauma nuclear. É nessa apoteose de cinzas que Yamazaki consegue o milagre de resgatar o lado mais humano da história. Shikishima, que já tinha perdido tudo e vivia devastado de dor, vê ruir até mesmo o pouco que lhe restava.
Essa carga dramática só funciona porque a execução técnica beira a perfeição. Sem os milhões de dólares hollywoodianos, Takashi Yamazaki e sua equipe enxuta provaram que paixão, visão e alma valem mais do que orçamentos inflados. Com efeitos visuais absurdamente orgânicos, uma direção de arte meticulosa na reconstrução de época e a lendária trilha sonora de Akira Ifukube ressoando como um trovão, o filme humilhou os grandes estúdios e conquistou um Oscar histórico. Não por exibir computação gráfica fria, mas por usar a tecnologia como ferramenta para servir à emoção e ao pavor.
Como manda a tradição do gênero, a hora de enfrentar o bicho exige um plano. Mas, ao contrário dos clichês de Hollywood cheios de generais em salas de comando, em Minus One a resposta não vem do estado militarista ou do exército — que lavaram as mãos para a população. A salvação vem do povo! Liderados pelo cientista Kenji Noda, eles criam uma estratégia de combate fascinante que usa a própria força da física e da natureza contra o monstro.
Esse plano científico se cruza diretamente com a jornada espiritual de redenção de Shikishima. Nas alturas, a bordo de um caça Shinden experimental, o ex-kamikaze faz seu ajuste de contas definitivo com o passado. Ele não voa para morrer, como mandava a antiga e cega ideologia de seu país; ele voa agora para lutar pelo direito desesperado de viver. A vitória contra o monstro deixa de ser apenas uma batalha física e se torna o seu próprio renascimento e o nascimento de um novo Japão — uma nação que reergue a cabeça não pela glória da morte na guerra, mas pela preciosidade sagrada da vida.
Embora não seja fã de filmes de monstros, a obra me surpreendeu positivamente. É um ótimo filme, focado em mostrar o lado desolador da guerra e a união de um povo fragilizado e sem esperanças, mas determinado a salvar suas famílias e as próximas gerações
O Godzilla é imponente em todas as suas aparições, mesmo sendo um pouco travado. O CGI é excelente, não incomodando em nada. O grandalhão causa caos por onde passa e seu maior ataque é devastador — lembra mesmo uma bomba respirando antes de explodir.
A história dos humanos não foi chata como a do Godzilla de 2014. Gostei dos personagens e me importei com suas trajetórias, mesmo que elas não fossem muito exploradas — o pouco que nos é entregue é o suficiente. O longa não se prolonga os apresentando nem demora para mostrar o estrago que o God faz.
Quem busca uma boa trama de ação, aventura e um pouco de drama, vale a conferida.