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Lermontov, um dos maiores poetas russos, destacou-se por sua escrita ácida e humor ferino. Em vida, agradou e desagradou a muitos, mas suas obras atravessaram o tempo e se tornaram clássicos da literatura. Uma de suas peças, "Masquerade", ganhou uma adaptação fiel com o filme de mesmo nome, lançado em 1941 em homenagem ao centenário da morte do autor. Dirigido por Sergei Gerasimov e com Nikolay Mordvinov no papel principal, a história assemelha-se ao drama Othello, de W. Shakespeare, centrado em ciúme, suspeita de infidelidade e tragédia resultantes de desconfianças injustas.
O protagonista Yevgeny Arbenin é um homem marcado por contradições. Antes de casar-se com a jovem Nina, era um jogador astuto, mulherengo e trapaceiro, acumulando inimigos e má fama. Após o casamento, constrói uma máscara social de reclusão e serenidade, aparentando segurança e felicidade. No entanto, essa fachada logo se desfaz, revelando um caráter inseguro e ciumento.
Após um baile de máscaras oferecido pela aristocracia local, um episódio fortuito desperta nele a suspeita da infidelidade de Nina. Com o orgulho ferido e tomado de raiva e desconfiança, Arbenin passa a agir com enorme frieza e arrogância, buscando inícios da suposta deslealdade. Tentando manter intacta a honra perante a sociedade, hipocritamente Arbenin torna-se juiz e carrasco. Acreditando-se impune, é finalmente confrontado com os erros do passado e com o poder trágico da verdade presente.
Mata Hari foi uma dançarina de música javanesa que conquistou enorme sucesso na França, no início do século XX, sempre lembrada por sua beleza e pela aura de mistério que a transformaram no arquétipo da espiã sedutora. Foram justamente esses aspectos de sua personalidade que George Fitzmaurice escolheu destacar no filme "Mata Hari (1931)", estrelado pela diva Greta Garbo.
O enredo não é biográfico, embora mencione fatos da vida da personagem; também não se propõe a exaltar seus feitos, apenas utiliza o glamour que a cerca para tornar tudo envolvente. Ambientado durante a Primeira Guerra Mundial, apresenta Mata Hari como uma espiã a serviço da Alemanha (fato jamais comprovado). A narrativa acompanha os eventos de seu último ano de vida, em especial o romance que viveu com um jovem oficial russo (Ramón Novarro), seguido pela prisão e julgamento que selaram seu destino.
A interpretação de Garbo transforma a personagem em uma espécie de deusa etérea, sensual e inatingível para a maioria dos mortais. Do alto desse Olimpo, o que realmente brilha é a personalidade magnética da atriz. Em cada cena, parece que todas as luzes convergem para ela. Vale lembrar que a entonação das falas e o estilo teatral do elenco refletem o padrão de atuação da época, sendo a obra melhor apreciada pela perspectiva e contexto do passado.
Tudo no filme emana luxo: a fotografia impecável, a maquiagem que acentua a beleza e o mistério de Garbo, as peças exuberantes escolhidas para compor seu figurino. Os ricos vestidos, em sua maioria, foram bordados com pedrarias e cristais, transmitindo poder e elegância, reforçando o ar de frieza celestial da protagonista.
Coisa de celebridade mesmo!
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Obrigado! :D
Imagina ;)
Olaaa! :D
É bem interessante o contexto em torno de "O Mestre e Margarida", dirigido por Michael Lockshin. O filme é uma adaptação moderna do romance de Mikhail Bulgákov. Há uma mistura de fantasia sombria e drama, com forte crítica à repressão cultural e ao regime de Stalin. A história não segue uma linha temporal única e linear, mas três planos narrativos que se entrelaçam. O primeiro mostra o escritor conhecido como Mestre tentando concluir seu romance sobre Pôncio Pilatos, considerado subversivo e censurado pelo Conselho de Cultura em Moscou. O segundo é a própria trama bíblica, que aborda dilemas de poder, covardia e verdade com base nas figuras de Pilatos e Jesus. O terceiro plano conta a chegada do misterioso personagem Woland, uma figura demoníaca que expõe a hipocrisia e a repressão da Moscou stalinista.
Bulgárov só conseguiu publicar o livro 'O Mestre e Margarida' décadas depois de escrito, porque sofreu censura sistemática na União Soviética. Já o filme de Lockshin enfrentou ataques devido ao posicionamento do diretor contra a guerra na Ucrânia. Além disso, seu conteúdo direto e crítico foi considerado incoerente com o financiamento público que recebeu. Mesmo assim, virou sucesso de bilheteria, repetindo de certa forma o destino do livro: perseguido pelo poder, mas consagrado pelo público.