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"Na Cova da Serpente" é um drama psicológico dirigido por Anatole Litvak e estrelado por Olivia de Havilland, que fala de maneira autêntica e sensível sobre os dilemas da saúde mental e como funcionavam as instituições psiquiátricas antigamente. A história é baseada no livro de Mary Jane Ward, que conta sua própria experiência após passar oito meses internada devido ao diagnóstico de esquizofrenia.
Durante boa parte do filme, acompanhamos a personagem Virgínia em um estado de confusão que também atinge quem assiste. Sua vida parece seguir um rumo normal até conhecer Robert Cunningham, com quem aceita se casar após passar alguns meses desaparecida. A partir disso, ela mergulha em um colapso psicológico que acaba resultando na sua internação num hospital para transtornos mentais. A história transmite com intensidade o terror da perda de memória e da sensação de vazio e alienação. Virgínia é acompanhada pelo Dr. Mark Kik, um psiquiatra dedicado e criterioso que se interessa pelo seu caso e busca compreender o que pode tê-la deixado em crise.
Acho que o mérito do filme é abordar esse tema com seriedade e sem caricaturas, mostrando tanto os métodos terapêuticos da época (eletrochoques e câmaras de imersão), quanto os problemas estruturais dos hospitais. Ao expor aquelas práticas e limitações, Na Cova da Serpente não apenas causa impacto, mas também nos ajuda a compreender o porquê mudanças profundas precisaram ser feitas no tratamento de pacientes psiquiátricos.
Veronica dirige por uma estrada e, num segundo de distração, sente um forte impacto como se houvesse atropelado algo. Ela bate a cabeça, mas volta a dirigir sem ver o que houve. A partir disso, ela aparenta entrar em choque por acreditar ter matado uma pessoa. O filme começa a mostrar detalhes aparentemente banais da vida da personagem mas, principalmente, seu profundo desconforto e apatia. Ela mal interage com as pessoas, demonstra alienação e confusão mental. O mais perturbador, além de seus silêncios, é que ninguém parece notar o que ela está passando. Os comentários que fazem sobre ela limitam-se à sua aparência, numa clara menção à superficialidade das relações.
Essa é a premissa de "A mulher Sem Cabeça", onde até a normalidade pode ser inquietante. As informações vão sendo oferecidas em pequenas doses para dedução do público, assim como os fatos que envolvem o acidente. Nunca há clareza absoluta, apenas suspeitas de que houve alguma vítima, possivelmente uma das crianças pobres da região, apresentadas nas primeiras cenas do filme. Este é um ponto que expõe o abismo entre classes sociais, porque a perda dessas vidas invisíveis parece ser irrelevante, com peso semelhante ao da morte de um animal.
A interpretação de Maria Onetto merece destaque pela habilidade de revelar-se somente com o olhar e poucas expressões do rosto. Em duas rápidas ocasiões suas lágrimas explodem em culpa, mas logo depois ela retorna à passividade que indica uma vida controlada pelos outros. A direção de Lucrecia Martel é inteligente e mantém incertezas, nos levando a presumir respostas e tirar nossas próprias conclusões. Durante todo o tempo é como se estivéssemos presos à mente de Veronica, compartilhando sua desorientação e enxergando tudo sob suas lentes turvas.
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Obrigado! :D
Imagina ;)
Olaaa! :D
"Schramm" é um filme curto (65 minutos) que já nas primeiras cenas revela seu desfecho, apostando no tom de ironia dramática. Mas a direção de Jörg Buttgereit não consegue agregar tensão ou manter o ritmo; a estética e a narrativa são frias, típicas do cinema alemão. A ausência de construção dos personagens faz com que eles não despertem relevância ou emoção, e até mesmo as cenas mais violentas e gráficas soam forçadas como material sensacionalista.
Embora se apresente como horror psicológico, o foco não está nos crimes, mas na mente de Lothar Schramm, o assassino. O filme expõe seus pesadelos, traumas, rotina banal e uma explicação simplista para seus impulsos. Opta por mostrar como experiências com mulheres de sua vida moldaram seu desprezo pelo feminino. Conhecido pela imprensa como o “assassino do batom”, ele parece padecer de certa culpa pelo que faz, expiando-a por meio da automutilação. Para ele, o sexo feminino é repulsivo e ameaçador, e essa visão distorcida talvez sustente a violência que o domina e o leva a acessar somente corpos de mulheres mortas ou inconscientes.
Em minha opinião, o mais perturbador do filme não é a solidão ou paranoia de Lothar, mas a constatação de que psicopatas podem viver como qualquer pessoa: ter vizinhos, frequentar restaurantes, dirigir táxis e até aparentar docilidade. Ainda assim, o filme não consegue transformar essa ideia em uma experiência marcante. Os efeitos especiais são fracos, a qualidade da fotografia é baixa e o final, sem ápice e quase banal, reflete a própria vida do protagonista.