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Em Montevidéu vive Jacobo (Andres Pazos), um homem de 60 anos que vive sozinho desde a morte de sua mãe. Desde então sua única alegria na vida é a pequena fábrica de meias que possui. Marta (Mirella Pascual) é uma mulher de 48 anos que é o braço direito de Jacobo na fábrica, onde trabalha como supervisora. Marta e Jacobo possuem uma espécie de dependência mútua, apesar dos assuntos entre eles sempre ficarem em torno de trabalho. Até que um dia Herman (Jorge Bolani), o irmão de Jacobo, avisa que irá a Montevidéu para participar da matzeiva, uma celebração judaica para a colocação da pedra do túmulo em até um ano após a morte de uma pessoa. Herman não vai a Montevidéu há mais de 20 anos, tendo faltado até mesmo ao funeral de sua mãe, sendo que também tem uma pequena fábrica de meias, localizada no Brasil. A visita de Herman desperta em Jacobo a velha competição existente entre os irmãos, que faz com que ele faça a Marta uma proposta inusitada: que ela seja sua esposa durante a visita de Herman. Marta aceita a proposta. Ela passa então a morar no apartamento de Jacobo, onde ambos passam a se dedicar em enganar Herman durante sua estadia.
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Palidez e afeto.
Um filme sobre a simplicidade e a rotina. Um cotidiano totalmente repetitivo, sem cores e sem sorrisos.
Os barulhos das máquinas, os silêncios e as reações são valiosos; sentimos o detalhismo e a condução especial da direção.
Estamos diante de um dos melhores filmes sul-americanos deste século.
Vemos de perto a vida de pessoas muito simples, mas mais do que isso: muito solitárias. Seres humanos que pouquíssimo se abrem, pois não estão acostumados ou não tiveram abertura para isso. Pessoas que pouco dizem e, talvez, tenham muito a dizer, mas que sentem ou podem sentir muito.
Na maioria dos dias, o melhor momento deles será a volta para casa ouvindo suas músicas, olhando pela janela do ônibus. Em outros, uma ida de Marta ao cinema (sozinha, inclusive) ou se sentir um pouco mais bonita ao se olhar no espelho será o único motivo do dia que pode fazer com que a personagem se sinta melhor.
A "economia narrativa" e a importância dos silêncios funcionam perfeitamente nessa pérola uruguaia. A obra caminha no ritmo real em que a vida acontece. Por conta disso, torna-se tão palpável sentir o que há de bom e ruim, monótono e especial. E digo mais: tudo está no olhar de Marta.
A dureza dos personagens principais e a falta total de emoção na vida de Jacobo é o que "exige" o disfarce. Eles não parecem se importar com o que os outros pensam (Jacobo, especialmente), mas vemos que essa aparência de segurança é apenas uma fachada.
Dentro desse cenário, a sacada da escolha de 'Whisky' como título é brilhante.
(P.S.: Eu conheço o longa desde que me tornei cinéfilo e não tinha a menor noção da razão desse título. Fui belamente surpreendido.)
Em um primeiro momento, o elemento novo que surge, o irmão, é visto como o chato insuportável que não para de falar e contar histórias. Depois, aos olhos de Marta, e aos nossos, percebemos que ele, na verdade, é o único que vive, e não só sobrevive entre os três.
Se Jacobo já parece quase que totalmente conformado e anestesiado com a situação de sua vida, Marta, a melhor personagem e o coração do filme, ainda mostra que deseja uma vida diferente. É em momentos como aquele em que o irmão que visita canta no bar enquanto ela assiste, naquele em que Herman e Marta conversam e riem com a habilidade dela em falar rapidamente palavras de trás para frente, e no outro no qual os três jogam e se divertem que ficamos felizes por ela.
Receber atenção, carinho e ser valorizada é capaz de despertar qualquer pessoa. O efeito desses momentos e o tanto que nos importamos com Marta só acontecem com tamanha força graças à palidez vista na maior parte do tempo.
O fim dos dias fora da rotina leva a lágrimas imediatas. Isso ocorre não porque eles foram magníficos e super fora da curva para qualquer um, mas porque eles foram diferentes.
Viver é experimentar coisas novas. Viver é mover-se.
Como o futuro de todos, não sabemos o que acontecerá, mas Marta merece uma vida na qual possa sorrir com frequência e ter uma companhia que a valorize.
"Até amanhã, se Deus quiser."
Marta é preciosa.
Definitivamente, através dela entendemos que o afeto colore e é maior do que a solidão.
bom que já tem todo o filme na sinopse pra ninguem ver essa merda
A solidão das pessoas sempre me causou uma mistura de fascínio e intriga.
"Whisky" é repleto de solidão. De seres solitários que vagam pelos caminhos da vida, querendo encontrar alguém que caiba nos seus sonhos.
A única coisa que faz Jacobo expressar alguma reação humana é a rivalidade com o irmão, no jogo (quando ele se empenha para ajudar Marta a ganhar do irmão) e no amor (quando o irmão começa a querer conquistar Marta). No mais, ele é um ser inanimado com o piloto automático ligado e acostumado a viver de uma forma que não é dele, mas de uma espécie impulsionada pelos anseios mais básicos e frios. Um filme muito bom, que peca pelo quê de antissemitismo
Marta é um amorzinho.