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A produção é muito boa, até porque a HBO sabe fazer série.
Mas pesaram bastante a mão no roteiro. Potencializaram as personalidades de seus "detratores", existem relatos de que Florinda e Villagrán realmente eram pessoas de difícil convivência, mas fizeram questão de pintá-los como os "vilões" que de uma maneira "destruíram" o programa. Parecia roteiro de ficção com "mocinhos" e "vilões".
Toda a parte de estudo, de referências (o máximo que aparece é um livro sobre o Chaplin e Buster Keaton na mesa do Roberto em uma das cenas), de crítica social (Chaves é uma grande referência como crítica social na América Latina. O menino pobre, a viúva de militar da classe média que ganha pensão e acha que é superior aos outros, o viúvo que se vira em várias profissões pra criar sua filha e é taxado de "vagabundo", a solteirona que acha que apenas um grande amor vai fazê-la ser feliz...), de arte circense foi deixada de lado. Colocam como se toda a genialidade de Roberto brotasse do chão, viesse de uma bolada na cara, de um escorregão na escada, de crianças comprando balões. Eu não sei o motivo de achar isso mais genial do que todo o processo realizado.
Os 3 últimos episódios é praticamente todo focado nos relacionamentos amorosos do Bolaños, que sinceramente não me interessa nem um pouco. Deixaram de lado trabalhar a forma com que ele criava seus personagens fantásticos, para virar um melodrama mexicano.
A insistência em pintá-lo como um gênio incompreendido também incomoda e acaba causando confusão no roteiro. Roberto já era um roteirista super reconhecido antes da criação de Chaves e Chapolin, tanto que ele era único que podia fumar dentro dos estúdios, tamanha sua influência. Não faz o menor sentido os produtores duvidarem dos dois programas.
Enfim, apenas mais uma "biografia chapa branca" que vemos por aí. Esta ainda mais nítida, talvez pelos roteiristas terem sido os próprios filhos de Bolaños. Ainda dizem que vem uma segunda por aí...
Um filme que explica perfeitamente que as construções são todas sociais, temporais e históricas. Nada é por acaso, as elites consolidam e normalizam suas construções para conseguir equilibrar o status quo. Luis Buñuel é gênio demais!