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Poucos artistas parecem maiores do que a própria cultura pop quanto o caçula dos Jackson Five. Ao biografar uma figura desse tamanho, o desafio é desvendar o homem por trás do mito.
Mas Michael, de Antoine Fuqua, escolhe outro caminho: o de reconstruir aquilo que já é familiar ao espectador.
A linha do tempo com os principais marcos da carreira se acumulam entre o abuso psicológico do pai, a tentativa de reconectar com a própria criança interior e o retrato de multidões histéricas com a sua fisicalidade no palco.
Só que o capricho dos números musicais, coreografias e bastidores de clipes que recuperam parte da energia que transformou Michael Jackson em um fenômeno pouco entregam além do que já se pode encontrar nas suas performances públicas.
O que predomina em cena é sua máscara social: a versão higienizada, passiva e pueril que só parece existir a partir do conflito com Joseph.
Não entendemos como ele foi além do talento bruto e precisou recorrer à disciplina, ambição e frieza para suportar a pressão da fama. Apesar de ter dito em vida que detestava turnês, o protagonista é retratado quase sempre confortável carregando o peso do título de rei do pop.
Com um material tão controlado em mãos, a criação artística também vira fórmula: MJ assiste a um filme de terror, surge Thriller. Vê uma reportagem, nasce Beat It. Como se genialidade fosse um estalo conveniente.
Os diálogos seguem a mesma lógica: literais, expositivos e sem subtexto. Nada vive nos silêncios, e isso pesa em uma história marcada pela incapacidade de comunicação entre pai e filho.
Ainda assim, seria injusto ignorar o esforço técnico.
O filme tenta construir algo digno dentro das limitações que aceita - e em vários momentos consegue.
Por isso, Michael funciona mais como um grande show do que como um drama biográfico.
Encena o espetáculo e reverencia o ícone, mas evita a pessoa.
Últimos recados
Oiiii tudo bem? Pode me fazer algumas recomendações?? Bjs!
Vitor, vou ver o filme que você me indicou.
Saudades, viu?
Olá Vítor! Seja bem-vindo!
Grato por adicionar e curtir o meu comentário sobre o filme nacional.
Precisávamos ver tudo aquilo, no bom sentido da experiência! kkkkk
O Diabo Veste Prada 2 justifica o reencontro entre os personagens, mas não a história.
Quando a sequência foi anunciada, a pergunta foi inevitável: por que tocar em um dos maiores clássicos da sessão da tarde? Nos primeiros minutos, o projeto parecia ter uma boa resposta.
O mercado editorial mudou: não basta ser bom, é preciso gerar clique. A disputa passa a ser por atenção, e isso coloca performance e reputação em lados opostos. É nesse ponto que as trajetórias de Andy e Miranda voltam a se cruzar - pra salvar a Runway de uma crise de imagem.
A premissa é forte, mas o filme a trata como pano de fundo e rapidamente recua para uma estrutura já conhecida: a de comédia de erros. Andy, agora experiente e premiada, volta à mesma dinâmica de subordinação atrapalhada com a chefe, mas sem o conflito que fazia essa relação funcionar no primeiro filme.
Em 2006, ela via em Miranda o espelho do que poderia se tornar: bem sucedida e respeitada, mas com a vida pessoal em frangalhos. Esse espelho funcionava porque a protagonista atravessava o mesmo processo na época, com o afastamento do namorado, dos amigos, e de si mesma em detrimento da carreira.
Aqui, esse peso desaparece. 20 anos depois de atirar o celular na fonte, Andy volta a buscar validação de Miranda, enquanto esta permanece presa à mesma lógica de poder e sacrifício pessoal, sem que novas escolhas coloquem essa postura em xeque. A sensação é de estagnação.
O roteiro também não favorece os novos personagens (Branagh, Liu, Theroux), que funcionam mais como presença decorativa do que como complementos que enriquecem a história. Isso inclui o novo interesse amoroso de Andy (Patrick Bammal), que está lá apenas pra cumprir o protocolo de filme conforto e não para tensionar as decisões da personagem.
Mas Dave Frankel sabe onde pisa. Ele aposta em cheio no espetáculo visual, na montagem ágil e na química entre o elenco principal como força motriz do filme. São os figurinos, desfiles, a ambientação e o carisma dos atores nos mantêm presos na tela.
No mais, é um filme divertido que prepara o terreno para a continuação. Se apoia no passado e aponta para o futuro, mas pouco se sustenta no presente.