Dirigido por
Duração
Prepotente e cruel, Boca de Ouro manda arrancar todos os dentes perfeitos, substituindo-os por uma dentadura de ouro. Ele também cultiva o sonho de ser enterrado num caixão de ouro só para recompensar o trauma de ter nascido numa gafieira, e de ter sido abandonado pela mãe numa pia de banheiro. Boca de Ouro começa apresentando seu protagonista, que acabara de morrer assassinado. O repórter Caveirinha, designado para descobrir a verdadeira história do marginal, vai entrevistar sua ex-amante, Guigui, que conta três diferentes versões da vida do bicheiro. Em todas elas, estão envolvidos Leleco, um malandro desempregado, sua mulher, Celeste e três ricaças.
Adaptação da Obra de Nelson Rodrigues
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Boca de Ouro é nosso Rashomon tupiquinim, baseado numa obra de Nelson Rodrigues, esse é um tipo de filme que dificilmente seria reproduzido nos dias de hoje, a direção de Nelson Pereira dos Santos entrega um trabalho corajoso, sem hipocrisia barata e o mínimo de pudor.
A trama retrata a vida do bicheiro Boca de Ouro, um malandro de Madureira viciado em dinheiro fácil, bebidas e mulheres casadas. Vale dizer que o personagem é cruel, frio, cínico e curiosamente possui um carisma diabólico.
Jece Valadão era mesmo o rei dos cafajestes!
Boca de Ouro, peça de teatro escrita pelo Nelson Rodrigues em 1959, contém três adaptações cinematografia. A primeira adaptação foi dirigida pelo Nelson Pereira dos Santos em 1963, a segunda adaptação foi dirigida pelo Walter Avancini em 1990 e a mais recente com direção do Daniel Filho em 2020. Eu aproveitei para assistir a primeira versão de 1963 e futuramente, pretendo assistir as outras adaptações.
Assim que terminei a leitura de Nelson Rodrigues, corri para assistir esse filme de 1963 e apesar de ser um filme preto e branco e principalmente não ter nenhuma das tecnologias oferecidas no filmes atuais, Boca de Ouro (1963) é praticamente fiel ao texto original. Contém pouquíssimas alterações para encaixar a peça teatral na área cinematográfica. Boca de Ouro é um filme importante para cinema nacional que consegue chamar atenção nos primeiros minutos, se você assisti-lo de mente aberta e entendendo que é um clássico da nossa cultura. O interessante da história é acompanhar as versões de Dona Guigui conforme seu humor vai mudando.
Na primeira versão, Guigui conta Leleco precisava de dinheiro para enterrar a sogra e a ambição em ter Celeste para si, fez Boca de Ouro provocar um assassinato.Após saber que Boca de Ouro faleceu, Guigui teve uma crise histérica que procurou ciúmes no Agenor e Guigui decidiu contar sua segunda versão dos fatos. Por causa do Agenor, Dona Guigui acaba mostrando sua terceira versão e cada uma delas a personalidade de Boca de Ouro é modificada. Tudo isso porque Guigui está com seu orgulho ferido. Uma das versões ela mostra onde a fama de Boca de Ouro foi construída na malandragem como banqueiro do bicho e diversas falcatruas, mas também, em outras, apresentou ele como um indivíduo insensato que cultiva o sonho de ser enterrado num caixão de ouro, só para compensar o trauma de ter nascido numa gafieira e de ter sido abandonado pela mãe numa pia de banheiro.
Boca de Ouro é um personagem que desperta curiosidade, pois na sua “brilhante carreira do crime”, segundo o repórter da história que cobria a notícia da sua morte, “matava com uma mão e dava esmola com a outra.” Enfim, só me resta deixar a dica de leitura da peça de Nelson Rodrigues e após a leitura aconselho que assista Boca de Ouro, pois é um filme divertido, que consegue construir a obra com detalhes e cuidadosamente, consegue ser fiel ao original.
Gosto bastante dos Nelsons e confesso que fiquei um pouco chocado com não ter gostado de um filme que envolve ambos. Um pouco Rashomon demais pro meu gosto.
Vejo que tenta falar muito sobre como seremos lembrados e tudo mais, mas vejo que há maneiras melhores de se fazer isso, um grande exemplo é Quem é Primavera das Neves, do Jorge Furtado.
Não sou fã de filmes de gângster, mas esse daqui se sobressai. Impossível tirar os olhos do Jece Valadão quando ele está em cena. Boca de Ouro desperta sentimentos até demais...
Quando vi Rio, Zona Norte meu primeiro pensamento foi "Isso é Nelson Rodrigues puro!", e não pela trama em si, que não tem nada de Nelson Rodrigues, mas pelas locações, as mesmas ruas descritas pelo Autor e da mesma forma, com as mesmas pessoas. E então, dois filmes depois, Nelson Pereira dos Santos vai de encontro e faz uma adaptação de Nelson Rodrigues e consegue retirar, de forma positiva, toda a linguagem teatral e transformá-lo em uma linguagem cinematográfica, criando cenários com espelhos e personagens que andam diante das câmeras para evitar cortes e criar um ritmo mais fluído. Novamente se utiliza de locações reais e tem todo um aspecto jornalístico que seria ampliado anos mais tarde pelo Sganzerla em O Bandido da Luz Vermelha.