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Data de lançamento
12 Out. 2007Duração
1997. O dia-a-dia do grupo de policiais e de um capitão do BOPE (Wagner Moura), que quer deixar a corporação e tenta encontrar um substituto para seu posto. Paralelamente dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pela honestidade e honra ao realizar suas funções, se indignando com a corrupção existente no batalhão em que atuam.
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Simplesmente o maioral
IMPRIMATUR - visto no cinema em 2007:
Já tinha visto a cópia pirata, só que fiz questão de prestigiar no cinema. Tenho certa ressalva quanto sua unanimidade, mas é recheado de cenas icônicas.
Avaliação em nota: 5.5
Nunca serão. Jamais serão.
Assisti esse filme pela primeira vez só agora, quase 20 anos depois de seu lançamento e sendo um clássico contemporâneo brasileiro. E achei bem assustador e atemporal, simplesmente. Real e tenso. A atuação do Wagner Moura é surreal de boa. Um filme que deve ser assistido por todo brasileiro.
O roteiro acompanha o Capitão Nascimento em busca de alguém para assumir seu lugar no BOPE, mas o que parece ser uma história sobre polícia rapidamente vira algo muito mais complexo. O filme funciona como uma panela de pressão emocional que junta corrupção, tráfico, política, medo e exaustão vão se acumulando até ninguém conseguir respirar direito. É o tipo de ambiente onde todo mundo acredita estar lutando contra o sistema, enquanto o próprio sistema parece engolir todo mundo por igual.
Mas por trás dos tiroteios, dos treinamentos brutais e das frases que viraram parte do vocabulário nacional, existe uma discussão amarga sobre violência como ciclo. Tropa de Elite não apresenta um problema simples nem uma solução confortável. O filme mostra uma cidade onde instituições estão desgastadas, a população está assustada e a linha entre combate ao crime e produção de mais violência se torna cada vez mais difícil de enxergar.
Wagner Moura entrega uma atuação que é praticamente um ataque de ansiedade filmado. O Capitão Nascimento vive num estado permanente de tensão, como alguém tentando controlar uma barragem cheia de rachaduras. O personagem não parece um herói tradicional mas um homem sendo consumido pela própria função. Enquanto isso, os aspirantes a policiais funcionam como o olhar do espectador para aquele universo. Eles entram acreditando em certas ideias sobre justiça e acabam descobrindo uma realidade muito mais caótica, contraditória e desconfortável.
Na direção, José Padilha constrói uma narrativa que raramente dá tempo para o público relaxar. A câmera está sempre próxima, os confrontos parecem imediatos e o ritmo transmite a sensação de que qualquer erro pode virar tragédia em segundos. Visualmente, existe uma crueza quase documental em muitos momentos. As ruas, os becos, os apartamentos e os confrontos criam uma sensação de proximidade que faz tudo parecer mais real do que confortável. E isso ajuda a explicar por que a obra gerou tantas discussões desde seu lançamento: ela não oferece respostas fáceis.
Todo mundo quer segurança, todo mundo culpa alguém pelo problema, todo mundo acredita ter a solução...mas poucos conseguem escapar da complexidade que existe por trás do gatilho.