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The Spirit of the Beehive - Estados Unidos da América
Sinopse
As duas pequenas irmãs Ana (Ana Torrent) e Isabel (Isabel Tellería) moram em terras rurais da Espanha, na década de 40. Elas estão determinadas a encontrar a estranha figura de "Frankenstein" que passará pela região.
Depois de assistir ao seu último filme arrebatador, Fechar os Olhos, já estava querendo me aprodundar mais no cinema de Victor Erice. Este filme foi outra grata surpresa, é excelente também, com várias camadas sobre cada personagem a serem exploradas a cada assistida. Ana Torrent, que interpreta Ana, nos presenteia com um dos trabalhos mais memoráveis de astros mirins. A narrativa demorou para me fisgar, parece que demora para mostrar para o que veio, mas consegue brincar com nossa cabeça e sentimentos como o outro filme que assisti do diretor. Há um diálogo entre fantasia e realidade que remete a própria dinâmica do cinema. A fotografia é linda e a condução meticulosa de Erice vale muito a pena. Uma pena que ele não lance filmes com intervalos menores de tempo.
Filmes com crianças, procuro evitar. Por vários motivos. Mas esse "Espírito" é mágico em por sua fotografia maravilhosa, ambientes bucólicos e uma profundidade repleta de silêncios. E, vai do drama ao suspense com um pé no fantástico de maneira muito sútil. Uma singela grande obra. [spoiler][/spoiler]
Que carisma e olhar encantador, mini Ana Torrent sempre meiga e com uma aura misteriosa. Pensa num filme gostoso de contemplar… Me senti naquele vilarejo bucólico da Espanha.
Considero que Ana usou a fantasia quando vinculou a imagem de Frankenstein à sua experiência com um sujeito foragido, que muitos temem e desejam “eliminá-lo”, entretanto a inocência dela não permite tal sentimento de aversão.
Além disso, a menina parece se sentir deslocada em seu ambiente familiar, tanto com a figura materna como a paterna, o que aumenta o seu apego à fantasia, algo esperado na infância.
E a partir do desfecho da breve situação que ela passa com o inimigo político,
houve uma ruptura da realidade atual, um contato impactante com a noção contrastante de vida e morte prematuramente, o que está relacionado à metáfora dos cogumelos venenosos e comestíveis, os quais ela colhia.
Alguns detalhes ficam implícitos nessa estória, e a intenção parece ser essa, utilizar metáforas para questionar a interpretação da realidade. A obra cinematográfica de Víctor Erice é poética, precisa ser não apenas vista, mas, sobretudo sentida.
QUEM TIVER INTERESSE, acesse meu site MELKBERG, por lá fiz uma análise completa e crítica do filme ;)
Mil teorias passaram pela minha cabeça enquanto assistia ao filme, mas ao terminar fico com a impressão de que ele é muito mais simples do que parece, o que não é um demérito, antes pelo contrário. O contexto de guerra civil, nos faz entrar, de um modo muito sutil do que "O Labirinto do Fauno', por exemplo, na cabeça da protagonista, em uma fase da vida onde tudo impressiona e faz questionar. A pouca presença do pai, a relação terna, mas vazia de conteúdo com a mãe, a convivência com a irmã que parece ser mais velha e ter outras prioridades, deixa Ana em um estado limiar entre realidade e um mundo onírico. O filme ciente disso, brinca com espectador, criando um tom de mistério que instiga, para no fim ser singelo e lindo. Ana Torrent tem das melhores atuações infantis que já vi, como ela é fofa!
A primeira vez que eu vi eu estava agitada, esperei o filme conversar comigo e acabou que eu não entendi muito, não estava conseguindo conectar as coisas. Aí depois li uma resenha e fui conectadando os pontos e resolvi assistir de novo. e é muito bom, principalmente a questão do olhar infantil.
E por pura coincidência, estou lendo o livro o perigo de estar lúcida de Rosa Montero, também espanhola. Tem uma passagem que ela comenta sobre o ponto em comum na infância de narradores que ela conhece: todos, de certa forma, tiveram sua infância furada por algum acontecimento, fazendo com amadurecessem antes da hora. Acabei conectando com a Ana, que leva uma infância austera demais, mas faz como consegue para conectar com a infância, com a fantasia. É bonito demais, o olhar melindroso de ana cativa.
Voltando pro que eu comentei no começo, esse filme me fez ter vontade de ler o texto esculpir o tempo do tarkovski, pq eu senti de forma mais nítida essa questão de como o tempo ta sendo trabalhado, a favor de mostrar o que. Tem filmes que conversam com a gente, parece que o tempo não é a questão, mas nesse filme eu senti o recorte do tempo de forma mais sensível, eu tive que parar e prestar atenção e tentar entender o que estava acontecendo, o que o tempo de cada cena e seu encadeamento queriam me dizer. Não me foi dado, eu tive que reparar melhor e tava ali, nas escolhas da cenas que foram escolhidas pra compor o tempo.
Depois de assistir ao seu último filme arrebatador, Fechar os Olhos, já estava querendo me aprodundar mais no cinema de Victor Erice. Este filme foi outra grata surpresa, é excelente também, com várias camadas sobre cada personagem a serem exploradas a cada assistida. Ana Torrent, que interpreta Ana, nos presenteia com um dos trabalhos mais memoráveis de astros mirins. A narrativa demorou para me fisgar, parece que demora para mostrar para o que veio, mas consegue brincar com nossa cabeça e sentimentos como o outro filme que assisti do diretor. Há um diálogo entre fantasia e realidade que remete a própria dinâmica do cinema. A fotografia é linda e a condução meticulosa de Erice vale muito a pena. Uma pena que ele não lance filmes com intervalos menores de tempo.
BLOG: FILMESTRANGEIROS
INSTAGRAM: @filmestrangeiros
Filmes com crianças, procuro evitar. Por vários motivos. Mas esse "Espírito" é mágico em por sua fotografia maravilhosa, ambientes bucólicos e uma profundidade repleta de silêncios. E, vai do drama ao suspense com um pé no fantástico de maneira muito sútil. Uma singela grande obra. [spoiler][/spoiler]
Que carisma e olhar encantador, mini Ana Torrent sempre meiga e com uma aura misteriosa. Pensa num filme gostoso de contemplar… Me senti naquele vilarejo bucólico da Espanha.
Considero que Ana usou a fantasia quando vinculou a imagem de Frankenstein à sua experiência com um sujeito foragido, que muitos temem e desejam “eliminá-lo”, entretanto a inocência dela não permite tal sentimento de aversão.
Além disso, a menina parece se sentir deslocada em seu ambiente familiar, tanto com a figura materna como a paterna, o que aumenta o seu apego à fantasia, algo esperado na infância.
E a partir do desfecho da breve situação que ela passa com o inimigo político,
houve uma ruptura da realidade atual, um contato impactante com a noção contrastante de vida e morte prematuramente, o que está relacionado à metáfora dos cogumelos venenosos e comestíveis, os quais ela colhia.
Alguns detalhes ficam implícitos nessa estória, e a intenção parece ser essa, utilizar metáforas para questionar a interpretação da realidade. A obra cinematográfica de Víctor Erice é poética, precisa ser não apenas vista, mas, sobretudo sentida.
QUEM TIVER INTERESSE, acesse meu site MELKBERG, por lá fiz uma análise completa e crítica do filme ;)
Mil teorias passaram pela minha cabeça enquanto assistia ao filme, mas ao terminar fico com a impressão de que ele é muito mais simples do que parece, o que não é um demérito, antes pelo contrário. O contexto de guerra civil, nos faz entrar, de um modo muito sutil do que "O Labirinto do Fauno', por exemplo, na cabeça da protagonista, em uma fase da vida onde tudo impressiona e faz questionar. A pouca presença do pai, a relação terna, mas vazia de conteúdo com a mãe, a convivência com a irmã que parece ser mais velha e ter outras prioridades, deixa Ana em um estado limiar entre realidade e um mundo onírico. O filme ciente disso, brinca com espectador, criando um tom de mistério que instiga, para no fim ser singelo e lindo. Ana Torrent tem das melhores atuações infantis que já vi, como ela é fofa!
A primeira vez que eu vi eu estava agitada, esperei o filme conversar comigo e acabou que eu não entendi muito, não estava conseguindo conectar as coisas. Aí depois li uma resenha e fui conectadando os pontos e resolvi assistir de novo. e é muito bom, principalmente a questão do olhar infantil.
E por pura coincidência, estou lendo o livro o perigo de estar lúcida de Rosa Montero, também espanhola. Tem uma passagem que ela comenta sobre o ponto em comum na infância de narradores que ela conhece: todos, de certa forma, tiveram sua infância furada por algum acontecimento, fazendo com amadurecessem antes da hora. Acabei conectando com a Ana, que leva uma infância austera demais, mas faz como consegue para conectar com a infância, com a fantasia. É bonito demais, o olhar melindroso de ana cativa.
Voltando pro que eu comentei no começo, esse filme me fez ter vontade de ler o texto esculpir o tempo do tarkovski, pq eu senti de forma mais nítida essa questão de como o tempo ta sendo trabalhado, a favor de mostrar o que. Tem filmes que conversam com a gente, parece que o tempo não é a questão, mas nesse filme eu senti o recorte do tempo de forma mais sensível, eu tive que parar e prestar atenção e tentar entender o que estava acontecendo, o que o tempo de cada cena e seu encadeamento queriam me dizer. Não me foi dado, eu tive que reparar melhor e tava ali, nas escolhas da cenas que foram escolhidas pra compor o tempo.