Um retiro seleto para mulheres cristãs, escolhidas por meio de um sorteio, em busca de sua melhor versão, se transforma em uma jornada absurda e perigosa.
Papo coach, conservadorismo, crentes, extrema-direita e hipocrisia. Me irritou do início ao fim, mas como vai irritar muito mais a comunidade evangélica, eu curti.
Apesar de achar a Bruna Linzmeyer linda, não gosto dela como atriz (nem aqui); entretanto, achei a escolha dela bem oportuna. Como lamentei a curta duração do filme, esperei uma ascensão maior do roteiro. Achei fácil demais construir uma ironia crítica em cima de demonstrações tão caricatas (como alguns já constataram), sem provocar o espectador o suficiente. Aliás, vendo a sessão lotada de pessoas com opiniões já formadas, preocupa-me a nossa incapacidade de debater temas com sensatez construtiva. Não vejo problema em ser "bela, recatada e do lar", desde que isso seja fruto de uma vontade própria, e não de um aprisionamento involuntário/estrutural. A grande dificuldade do mundo não é o estabelecimento de padrões ou regras, mas as variações da hipocrisia de quem as desvirtuam com ou por dissimulação — candidatas mulheres que pedem votos, sendo contrárias à emancipação feminina, ilustram perfeitamente esse descompasso ideológico. Gosto do recorte irônico do filme, mas acho que o lado paranoico da manipulação, com direito a "caça às bruxas", ficou desproporcional, fazendo o filme perder seu "decoro" ou "liturgia" narrativa. Em outras palavras, a atmosfera de horror do terço final acabou por ofuscar toda a urgência de sua dimensão objetiva.
Atuações, direção e direção de arte muito boas, esbarrando num roteiro bem tosco. Impossível se envolver com o arco narrativo da fita/bruxa, e muito menos aderir à caricatura que são os personagens. Os fios puxados para revelar as situações e posições são muito fracos - o fotógrafo que cita a redação do jornal, a empregada, o computador sem senha e com fotos de situações que a personagem não fotografou. Deixa muito a desejar com relação a seus pares evangês Medusa e Divino Amor.
Muito bem interpretado, dirigido e roteirizado. Bruna Linzmeyer está ótima nesta representação ficcional da Michelle Bolsonaro (risos). O problema é que as personalidades representadas são tão caricaturais que, em dado momento, o filme cansa, que é justamente quando ele adere às convenções do suspense, e se encerra de maneira anticlimática e súbita. As situações são muito bem desenvolvidas (mesmo o exagero psicótico envolvendo uma crendice popular) e a direção de arte é muito bem aproveitada. Assisti ao filme sem esperar muita coisa, e fiquei satisfeito com o resultado, que confirma o talento da diretora estreante em longas-metragens na condução deste tipo de temática. Tem muito a ver com MEDUSA, da Anita Rocha da Silveira, aliás. Imediatamente após a sessão, soube que evangélicas estão fazendo campanha contra o filme: tomara que isso alavanque a audiência (risos), ele merece! Em época eleitoral, este título cai como uma luva! (WPC>)
- uma ótima crítica a um certo grupo de pessoas ai que age bem dessa maneira - inconcebível e triste que nos dias de hoje ainda tenham mulheres com orgulho de ser submissas e são contra o femininos, é muita burrice e lavagem cerebral - já vale só pelo tanto que esse filme vai irritar a comunidade evangélica
Papo coach, conservadorismo, crentes, extrema-direita e hipocrisia. Me irritou do início ao fim, mas como vai irritar muito mais a comunidade evangélica, eu curti.
IMPRIMATUR - visto no cinema em 2026:
Apesar de achar a Bruna Linzmeyer linda, não gosto dela como atriz (nem aqui); entretanto, achei a escolha dela bem oportuna. Como lamentei a curta duração do filme, esperei uma ascensão maior do roteiro. Achei fácil demais construir uma ironia crítica em cima de demonstrações tão caricatas (como alguns já constataram), sem provocar o espectador o suficiente. Aliás, vendo a sessão lotada de pessoas com opiniões já formadas, preocupa-me a nossa incapacidade de debater temas com sensatez construtiva. Não vejo problema em ser "bela, recatada e do lar", desde que isso seja fruto de uma vontade própria, e não de um aprisionamento involuntário/estrutural. A grande dificuldade do mundo não é o estabelecimento de padrões ou regras, mas as variações da hipocrisia de quem as desvirtuam com ou por dissimulação — candidatas mulheres que pedem votos, sendo contrárias à emancipação feminina, ilustram perfeitamente esse descompasso ideológico. Gosto do recorte irônico do filme, mas acho que o lado paranoico da manipulação, com direito a "caça às bruxas", ficou desproporcional, fazendo o filme perder seu "decoro" ou "liturgia" narrativa. Em outras palavras, a atmosfera de horror do terço final acabou por ofuscar toda a urgência de sua dimensão objetiva.
Avaliação em nota: 6.0
Atuações, direção e direção de arte muito boas, esbarrando num roteiro bem tosco. Impossível se envolver com o arco narrativo da fita/bruxa, e muito menos aderir à caricatura que são os personagens. Os fios puxados para revelar as situações e posições são muito fracos - o fotógrafo que cita a redação do jornal, a empregada, o computador sem senha e com fotos de situações que a personagem não fotografou. Deixa muito a desejar com relação a seus pares evangês Medusa e Divino Amor.
Muito bem interpretado, dirigido e roteirizado. Bruna Linzmeyer está ótima nesta representação ficcional da Michelle Bolsonaro (risos). O problema é que as personalidades representadas são tão caricaturais que, em dado momento, o filme cansa, que é justamente quando ele adere às convenções do suspense, e se encerra de maneira anticlimática e súbita. As situações são muito bem desenvolvidas (mesmo o exagero psicótico envolvendo uma crendice popular) e a direção de arte é muito bem aproveitada. Assisti ao filme sem esperar muita coisa, e fiquei satisfeito com o resultado, que confirma o talento da diretora estreante em longas-metragens na condução deste tipo de temática. Tem muito a ver com MEDUSA, da Anita Rocha da Silveira, aliás. Imediatamente após a sessão, soube que evangélicas estão fazendo campanha contra o filme: tomara que isso alavanque a audiência (risos), ele merece! Em época eleitoral, este título cai como uma luva! (WPC>)
- uma ótima crítica a um certo grupo de pessoas ai que age bem dessa maneira
- inconcebível e triste que nos dias de hoje ainda tenham mulheres com orgulho de ser submissas e são contra o femininos, é muita burrice e lavagem cerebral
- já vale só pelo tanto que esse filme vai irritar a comunidade evangélica