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Tantas camadas e tantos temas. Um filme rico demais. Conseguiu uma proeza meio paradoxal de dialogar tanto com a ficção científica quanto com o cinema-verdade. É um filme de realismo intenso , de personagens muito verossímeis, mas ao mesmo tempo de extra-ordinário (embora possível) que invade a tela (do nada uma pegadinha, ida pra Marte sem volta...).
O bom equilíbrio entre os diversos personagens, todos bem desenvolvidos ao longo do filme, permite essa abordagem habilidosa dos vários temas. E é interessante que o personagem mais calado, o Deivinho, é o que dá o mote que funciona como fio condutor das várias histórias. A busca desse pequeno Galileu moderno periférico, em que se confunde a realização de um sonho, a perseguição de uma paixão e a saída/mudança da sua realidade, funciona como uma metáfora poética para a busca de todos os personagens pela superação da distância entre mundos (que em todos os outros casos, são mundos socialmente separados). É essa busca, e os caminhos que o Deivinho adota nela, que o coloca em conflito com seu pai, que tinha outros caminhos planejados. É um filme sobre caminhos possíveis para uma família negra periférica, e a importância da união pra conseguir trilhá-los.
Um bocado corajoso e explícito nos comentários sobre o presente. Uns diálogos forçados mas que compõem com a ousadia e o desapego do realismo. Bem teatro, talvez qq coisa de Dogville no anti- cenário. Que câmera louca.