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Duração
O filme é uma comédia sobre a fome, ensaio de humor negro sobre a miséria agônica do subdesenvolvimento mental de nossas elites, onde o excelente cômico Jorge Loredo representa a bur- guesia nacional através do personagem-título, um pobre diabo chapliniano e um magnata inigualável, às voltas com os constantes solavancos de nossa realidade, sujeita a chuvas e trovoadas, assim co- mo as quarteladas e abusos de autoridade, típicos da época em que foi rodado.
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" O cinema brasileiro está fadado a ser criativo e, por isso, ele é sabotado."
Bagunça, liberdade, sem regras pra filmar. A câmera é orgânica ao ambiente que é mostrado; e não uma organizadora da imagem.
Mais um filmaço experimental do Sganzerla 🖤🤍
A gente viu ótimos autores que fizeram o tal do realismo mágico ali no meio do século XX ganhando destaque com histórias que desafiam a realidade, com toques de fantasia que são tratados como algo corriqueiro e a vida no campo num país de terceiro mundo ganhando contornos surreais.
Por outro lado, vejo que o Sganzerla sempre tenta abordar o que há além do real na vida urbana no Brasil nos anos 60.
O que era morar numa cidade grande nessa época? Com certeza era irreal, mas com doses cavalares de delírio e caos.
Nada tem muita lógica, mas nós entendemos tudo. É dito o tempo todo que a morte e a miséria vão encontrar todos ali. E como isso é feito? Do jeito mais simples: com seus personagens gritando repetidamente "eu estou com fome, eu vou morrer". E vejo que os filmes escapam do didatismo porque tudo o que é falado acaba direcionado para quem já conhece a realidade que ali se passa.
Em "Sem essa, Aranha" também tem algo que valorizo muito no cinema brasileiro daquele momento: o uso das cores. Rainha Diaba, Exorcismo Negro, Copacabana Mon Amour, são todos filmes que usam cores vibrantes como um brinquedo novo.
E, de resto, tem de tudo: Miséria, artistas de teatro mostrando como se vive (miseravelmente) de arte no Brasil,Zé Bonitinho e Luiz Gonzaga numa das cenas musicais mais lindas da história.
Filmes experimentais e/ou que não seguem estruturas convencionais existem no Brasil desde, pelo menos, 1930, mas é interessante como o Rogério rasgava todo caminho tradicional a seguir, porém deixava tudo muito claro e óbvio pra quem assiste. Parece aquele sábado em que você bebe 3 caipirinhas no almoço, tira um cochilo 17h e acorda com calor e dor de cabeça à noite, sem saber se passou uma hora ou doze.
Pra quem gostou, recomendo Abismo.
Tem sinopse ainda porque é obrigatório.
AAAAAI TO COM FOME
Duas estrelas pelas duas aparições de Luiz Gonzaga - na primeira, cantando a maravilhosa Boca de Forno; na segunda, Vem Morena e Asa Branca.
Se tem Helena Inez, é quase certeza de que é um filme doido que eu não vou curtir 😆
Filme 087/2025