Aê sim! Cinema da Bahia é massa, mas infelizmente ninguém fala desses filmes, parece que há uma espécie de preconceito, é preciso estar no circuito Rio/SP pra ter relevância, Olney e Roberto Pires que o digam. Agora, após assistir essa maravilha, vou maratonar os filmes de Olney São Paulo e esperar o livro que inspirou o filme chegar, sim, eu comprei, fiquei muito interessado na história.
- escolha acertadíssima do diretor em espalhar a trama por vários núcleos, várias pequenas histórias, todas no mesmo contexto - grita sobre aquele que sempre foi o maior problema em nosso pais, a desigualdade social e como ela é sempre perpetuada pelos que tem muito - helena ignez bem novinha, fazendo um papel bem inocente
Como o próprio título faz questão de mencionar, o filme é uma poderosa crítica acerca das desigualdades sociais existentes em diversos setores da sociedade brasileira. O diretor Olney São Paulo, o qual eu pouco conhecia, preferiu seguir pelo caminho menos óbvio, menos clichê, apostando em uma narrativa dinâmica e cheia de camadas. No árduo cenário do longa, o protagonismo vira antagonismo e vice versa; não há um vilão característico, muito menos mocinhos bobos, fracos e/ou ingênuos; a pobreza/miséria é a real protagonista e, ao mesmo tempo, a grande antagonista da trágica “peça” do espetáculo da vida; e o pobre homem sertanejo (analfabeto ou não), coitado, é sempre o mais prejudicado pelas desigualdades que estão enraizadas na cultura brasileira. O “Grito da Terra” (1964), um dos grandes expoentes do cinema baiano, continua bastante atual e crítico, mesmo após 5 décadas de seu lançamento. Recomendo fortemente!
Ao término da sessão, fiquei com muita vontade de ler o romance original, tamanha a quantidade de propostas muito interessantes de tratamento do material narrativo, subdividido em múltiplas tramas paralelas. Os atores até que se esforçam, mas há algo de sobremaneira artificial em suas entregas. O desfecho é abrupto, a direção parece perdida, dado o talento primordial do diretor par o documentário, mas, ao final, ele consegue convergir tudo para um desfecho que, mais estendido, seria brilhante, coadunando-se muito bem ao clima combatente do Cinema Novo. A idealização sertaneja é mais que bem-vinda: a nordestinidade do diretor não é casual. Irregular, torto, mas deveras gracioso. Obrigado pela recomendação, amigo! (WPC>)
"A terra nunca é madrasta e a gente não sabe viver fora dela" https://www.youtube.com/watch?v=HHd7mvzlZPg&feature=youtu.be&fbclid=IwAR2MQTj-Zy5-f-25CEchsL3og3i951xzgw1GNsJfhcSSdGS2mI9-UGmW7ks
Aê sim! Cinema da Bahia é massa, mas infelizmente ninguém fala desses filmes, parece que há uma espécie de preconceito, é preciso estar no circuito Rio/SP pra ter relevância, Olney e Roberto Pires que o digam.
Agora, após assistir essa maravilha, vou maratonar os filmes de Olney São Paulo e esperar o livro que inspirou o filme chegar, sim, eu comprei, fiquei muito interessado na história.
- escolha acertadíssima do diretor em espalhar a trama por vários núcleos, várias pequenas histórias, todas no mesmo contexto
- grita sobre aquele que sempre foi o maior problema em nosso pais, a desigualdade social e como ela é sempre perpetuada pelos que tem muito
- helena ignez bem novinha, fazendo um papel bem inocente
Como o próprio título faz questão de mencionar, o filme é uma poderosa crítica acerca das desigualdades sociais existentes em diversos setores da sociedade brasileira. O diretor Olney São Paulo, o qual eu pouco conhecia, preferiu seguir pelo caminho menos óbvio, menos clichê, apostando em uma narrativa dinâmica e cheia de camadas. No árduo cenário do longa, o protagonismo vira antagonismo e vice versa; não há um vilão característico, muito menos mocinhos bobos, fracos e/ou ingênuos; a pobreza/miséria é a real protagonista e, ao mesmo tempo, a grande antagonista da trágica “peça” do espetáculo da vida; e o pobre homem sertanejo (analfabeto ou não), coitado, é sempre o mais prejudicado pelas desigualdades que estão enraizadas na cultura brasileira. O “Grito da Terra” (1964), um dos grandes expoentes do cinema baiano, continua bastante atual e crítico, mesmo após 5 décadas de seu lançamento. Recomendo fortemente!
Nota: 8/10
Ao término da sessão, fiquei com muita vontade de ler o romance original, tamanha a quantidade de propostas muito interessantes de tratamento do material narrativo, subdividido em múltiplas tramas paralelas. Os atores até que se esforçam, mas há algo de sobremaneira artificial em suas entregas. O desfecho é abrupto, a direção parece perdida, dado o talento primordial do diretor par o documentário, mas, ao final, ele consegue convergir tudo para um desfecho que, mais estendido, seria brilhante, coadunando-se muito bem ao clima combatente do Cinema Novo. A idealização sertaneja é mais que bem-vinda: a nordestinidade do diretor não é casual. Irregular, torto, mas deveras gracioso. Obrigado pela recomendação, amigo! (WPC>)
"A terra nunca é madrasta e a gente não sabe viver fora dela"
https://www.youtube.com/watch?v=HHd7mvzlZPg&feature=youtu.be&fbclid=IwAR2MQTj-Zy5-f-25CEchsL3og3i951xzgw1GNsJfhcSSdGS2mI9-UGmW7ks