O filme se apropria e rediscuti a realidade brasileira a partir dos diálogos, trechos e cenas dos filmes viscerais de Glauber Rocha e do seu desejo de “retirar as máscaras”, da nossa saga terceiro mundista. A loucura lúcida das fábulas de glauberianas está na rua, na política, sendo o povo hoje o contra plano dos personagens dos seus filmes.
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Imagina o Glauber nos dias de hoje?
Que loucura...
Gostaria de assistir esse filme mas não acho em lugar nenhum
Mais um filme de filho de Glauber Rocha, sobre Glauber Rocha. Não que isso seja de todo ruim mas Paloma e Eryk parecem ter um cinema com um cordão umbilical muito forte com o pai. A ideia desse é bacana, e lhe cabia um trabalho bem simples mesmo. Gosto da narrativa, dos recortes e dos depoimentos. Bacaninha.
Amo Glauber Rocha e achei muito oportuno que este filme tenha estreado virtualmente justamente quando voltaram ao debate (via Twitter) imagens canônicas dos surtos iracundos do cineasta: tachado de autoritário, contraditório e intransigente pelos cancelamentistas, ele não pode deixar de receber também a alcunha de genial. Não são adjetivos excludentes, em verdade. No filme, entretanto, deparamo-nos com imagens e situações já muito (re)apresentadas - inclusive pela co-diretora, no ótimo ANABAZYS. Aqui, o trabalho é preguiçoso: apresenta o bolsonarismo, mas sem enfrentamento legítimo. As manifestações malévolos da política contemporânea aparecem como meta reiteração das previsões do realizador baiano através de seus filmes, cujas cenas aparecem remontadas sob a trilha sonora de A IDADE DA TERRA. Não sei se funcionou adequadamente. Pareceu um pacote de sobras do documentário anteriormente citado, em que a co-diretora atua mais como nepotista de luxo que como uma documentarista em si. Que o digam as aparições quase anuladas da grande Helena Ignez. Ou as entrevistas "autorizadas" com figuras suficientemente legitimadas da esquerda brasileira. Um bom momento: a aparição sardônica de José Celso Martinez Corrêa, e sua interpretação anal de situações contemporâneas de imoralidade monetifágica. Mas é uma exceção: a maioria das falas é insossa e reiterativa. Mais do mesmo - no pior sentido, infelizmente! (WPC>)
Fiquei bastante emocionado... As falas do Glauber, que eu antes via como histriônicas e exageradas, quando justapostas às imagens e narrativas desse Brasil apocalíptico, parecem sinceros esforços em evitar um futuro de esvaziamento da brasilidade e destruição dos direitos básicos... A montagem do filme acertou diversas vezes em quais passagens de filmes do Glauber ou trechos de seu programa "Abertura" deveriam preludiar cada desgraça brasileira: o desinteresse popular pela política e pelo país, a eleição de um presidente fascista, os ataques à cultura e à democracia, o etnocídio, o genocídio negro nas comunidades pobres... Enfim, são muitos temas urgentes que melancolicamente quebram com aquele magnetismo lúdico do Glauber ao se mostrarem mais do que vaticinios e devaneios de um artista...