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Data de lançamento
30 Maio 2019Duração
Toda a família de Ki-taek está desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota de uma família rica. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, pai, mãe, filho e filha bolam um plano para se infiltrarem também na família burguesa, um a um. No entanto, os segredos e mentiras necessários à ascensão social custarão caro a todos.
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Parasita (2019): Quando ninguém é inocente nessa história
Bom, nem vou me estender muito sobre a crítica social, que é escancarada, muito menos sobre as peculiaridades de certos filmes asiáticos, que costumam misturar drama, comédia e até elementos de horror, provocando uma verdadeira montanha-russa de sentimentos, quase sempre acompanhada de uma boa dose de crítica social.
Meu apontamento aqui, porém, é sobre a dualidade de caráter dos personagens. Sejam os ricos ou os pobres, todos apresentam comportamentos questionáveis e, de alguma forma, são responsáveis pelas próprias escolhas. Não existe exatamente um vilão ou um mocinho nessa história. São personagens complexos, egoístas, oportunistas e, em diferentes momentos, bastante cruéis.
O interessante é justamente perceber como o filme não tenta romantizar a pobreza nem transformar a riqueza em sinônimo de maldade absoluta. A desigualdade social está ali, evidente, mas ela não apaga as contradições individuais. Os personagens são vítimas de um sistema profundamente desigual, mas também reproduzem comportamentos que prejudicam outras pessoas.
E talvez uma das reflexões mais interessantes seja justamente a ideia de que, de certa forma, todos nós somos parasitas de alguém em algum momento da vida. Às vezes ocupamos o papel de hospedeiros, outras vezes de parasitas, e essa relação pode se inverter dependendo das circunstâncias, dos interesses e das necessidades envolvidas. Nem sempre percebemos o quanto nossas relações são atravessadas por algum tipo de dependência, conveniência ou exploração.
Outro ponto que me chamou a atenção é como uma pequena dose de poder pode ser suficiente para revelar facetas bastante desagradáveis da personalidade humana. Basta alguém conquistar um pouco de autoridade, dinheiro ou uma posição de vantagem para começar a tratar os outros de maneira diferente. É interessante observar como alguns personagens, independentemente da classe social, reproduzem comportamentos que provavelmente condenariam se estivessem do outro lado da situação.
No fim, Parasita não entrega personagens para amarmos ou odiarmos facilmente. Ele nos coloca diante de uma realidade desconfortável, em que sobrevivência, ambição, privilégio e ressentimento se misturam, tornando cada vez mais difícil separar quem está explorando quem. Talvez seja justamente essa ausência de inocentes que torne o filme tão provocativo.
Revisto em 07.11.2026
Por: Eduardo Gomes Nascimento
Bong já tinha tocado no assunto de classes sociais em ''Okja''aqui o diretor consegue aumentar o nível da crítica. O que mais impressiona é que faz um drama meio que de sobrevivência,mas traz bons elementos de suspense do segundo ato em diante. Tipo de suspense visto em outras de suas direções como ''Mother'' e ''Memórias de um Assassino''.
Inicialmente o filme impressiona pela eficiência em tornar situações inimagináveis em fáceis demais. Impressiona por fazer com que o espectador se aquiete no início,mas oferecendo ainda mais caos no segundo e terceiro ato. As camadas dramáticas são surpreendentes e o diretor brinca entre os contrastes entre a riqueza e a pobreza. Poder acompanhar passo a passo a família ganhando espaço é curioso,pois em nenhum momento eles realmente se preocupam com o que pode acontecer no futuro. Nesse ponto o roteiro até foge da ficção criando o ''cheiro de pobre'' que surge em certo momento no filme e consegue ser um bom instrumento para o espectador se conectar ainda mais com os personagens e situações.
Na reta final,o filme deixa de viver o sonho e traz um violência que impacta pela forma conduzida. Bong faz questão de trazer uma dose alta nas cenas,a cena do aniversário está entre uma das mais bem realizadas da década.
No final das contas,o filme passa bem a ideia de que todos nós somos parasitas...
>Revisto em 05 de Novembro de 2026
Que filme incrível! Já estava na minha lista há um tempo, mas eu não sabia nada sobre ele, e como foi uma experiência incrível ver sem saber de nada.
Ele vai escalando muito rápido. Eu já estava no meio do filme e super ansioso pra saber como aquilo ia terminar!
Tem alguns pontinhos que poderiam ser melhores, mas virou um dos meus filmes favoritos.
Dica: a dublagem é bem ruim, tente optar por legendado que a experiência fica bem melhor.
Mas assista sem muita informação sobre. É um suspense que te deixa aflito, com um final muito bom!
Um suspense inteligente e envolvente, que mistura tensão, crítica social e reviravoltas de forma brilhante. Uma história surpreendente, com uma atmosfera que prende do início ao fim.
Parasita" é uma obra-prima cirúrgica. Com um roteiro brilhante e reviravoltas impressionantes, o filme faz uma crítica social visceral sobre a desigualdade, misturando humor ácido e suspense de forma genial. A direção de Bong Joon-ho expõe as fraturas de classe sem cair em clichês, entregando uma narrativa tensa, imprevisível e visualmente impecável do início ao fim. Cinema essencial.