Apesar de o personagem de Haley Joel Osment ser destacado como central, é o garotinho Liam Hess quem rouba a ceno como Tolo, o personagem mais complexo do enredo. A cena da tentativa de captura de porcos é dolorosa e a reflexão sobre como a crescente violência infantil (perpetrada pelas crianças) espelha a conjuntura externa permite uma interessante reflexão dramática, ainda que a reviravolta do roteiro filie-se ao tipo de chantagem emocional característico de obras à la O MENINO DO PIJAMA LISTRADO, na contemporaneidade. A trilha musical de Jan A. P. Kaczmarek é inconveniente em seu excesso xaroposo e foi ótimo ver um maduro Olaf Lubazenko em cena. Mas as pretensões épicas do realizador não se coadunaram ao orçamento reduzido, de modo que a obra assemelha-se a um telefilme... (WPC>)
Apesar de não ser tão inventivo em estilo, o discurso impressiona pela frontalidade com que defende o direto e a necessidade das moças ao estudo universitário. Acho interessante como isto surge como pretexto - e, ao mesmo tempo, lamenta-se que isto fique apenas como pretexto - , e admito que Clara Bow saiu-se bem em sua estréia no cinema falado, em parceria com o refinado Frederic March. As situações são engraçadas, em seu acúmulo de quiproquós pré-Código Hays, e a tendência natural das personagens à vontade de transar não é julgada negativamente (apenas não condiz internamente com as normas da faculdade diegética) . Grata surpresa: um filme ostensiva e indisfarçadamente feminista da Dorothy Arzner! (WPC>)
O básico da comédia romântica, num padrão que se repetiria à exaustão, nos anos vindouros... Clara Bow, fascinante e encantadora; Charles Rogers, belíssimo. Como de praxe, para falar sobre lascívia, a trama tinha de ser passada na Europa. Para que conseguisse se esquivar dos problemas e abusos, a protagonista precisa mentir. Mas, como ela é bem-intencionada, e o amor central, afinal, é puro, ela será recompensada - e nós também. Talvez eu esteja sendo indulgente em relação ao filme porque diverti-me, efetivamente, enquanto o via. Era uma cópia incompleta, com vários trechos danificados, sem qualquer som, mas muito divertida, mesmo assim. Fui influenciado pelo título: dá-lhe, Dorothy Arzner pré-Code! (WPC>)
Ontem à noite, num debate, eu deveria comentar algo sobre este filme. Mas ficava perdendo-me em elogios demorados e reiterados: eu estava fascinado não apenas pelo filme demonstrar-se ainda mais excelente numa revisão, mas por ele funcionar tão bem entre os espectadores de novas gerações. O debate foi incrível, excelentes contribuições foram adicionadas à análise, mas eu quedava impressionado com o quão tecnicamente magistral o filme é, mesmo realizado há quase cem anos. A direção do Lewis Milestone dá alguns passos à frente do que seria a mera artesania hollywoodiana, merecedora de prêmios e afins. Há poesia, há vontade de valorizar a vida, há potência da imagem - e sobretudo do som, utilizado enquanto componente narrativo - neste filmaço. No cotejo com a versão mais nova, ambas cumprem papéis próprios e bem definidos. No que tange à adaptação (fidelíssima) do livro, idem. É um filme adulto, supremamente acabado, bem fotografado, interpretado e roteirizado. Um manifesto em defesa de uma paz cada vez mais abortada, pelos interesses de políticos ou tomadores de decisões que não experimentam aquilo para onde empurram quem quer que esteja sob o seu jugo ideológico. Admito que, nesta minha ode, faço concessões à hipocrisia estadunidense, que condena na Alemanha o que ela própria faz, enquanto nação excludente e colonizadora. Mas, cinematograficamente, o filme atinge um nível de perfeição interna que impressiona-me bastante ainda hoje. Deveria ser objetivo, aqui, ao invés de, mais uma vez, despejar tantos adjetivos? Foi assim que o filme funcionou comigo: saí arrebatado da sessão! (WPC>)
Sei que, num segundo contato, com a mente e o corpo mais descansados e nutridos, gostarei mais deste filme. Entendo o porquê de ele ser tão bem-quisto por meus amigos e pelos críticos e tendo visto outro trabalho da diretora (o maravilhoso A PORTUGUESA), percebo que ela possui um projeto de Cinema deveras amadurecido e, sim, politizado. Aqui, entretanto, algo não desceu muito bem, justamente aquilo que está no centro da narrativa: o tal do amor impossível adolescente. Acho fascinante como há um conflito entre o idílio suicida, apresentado como se fosse um conto de fadas romântico, e o realismo rural das cercanias passionais. Gostei de como uma amiga, num extraordinário debate ao final de uma sessão cineclubista, associou os comportamentos da jovem protagonista desmaiante ao de qualquer garota 'emo' urbana de hoje em dia. Os parâmetros de mitomania desejosa são similares. Porém, o que incomodou-me efetivamente no filme foi a sua suspensão ebúrnea, "desconectada" dos problemas do dia a dia. Achei isto europeu demais, colonizatório em termos de projeto existencialista destinado aos "favorecidos". Um dos debatedores destacou um maneirismo da diretora, que serve-se de códigos artísticos clássicos para consumar um estilo de filme sumamente contemporâneo. Achei esta opinião mui certeira, mas, reitero: por mais que eu sinta que, nalgum momento, hei de apreciar bastante este filme, por ora, ele causou-me uma raivinha anti-elitização das formas! (WPC>)
Gosto da entrega da protagonista, acho-a crível, enquanto composição de profissional aburguesada, nos mesmos moldes das Ingrid Guimarães na franquia DE PERNAS PRO AR (não por acaso, há uma menção metalingüística quanto a isso, no desfecho, ao se mencionar a venda dos direitos do livro da personagem). Não apreciei tanto as cenas de delírio ou a transição pouco inspirada entre os rompantes desvirtuosos de comédia e os flertes necessários com o drama, o que só piora com a exposição de um ritual religioso de endividamento. As aparições de Daniel Filho e Irene Ravache, como os pais da protagonista, atrapalham mais do que ajudam, bem como a coadjuvação ex-matrimonial de caco Ciocler (o que, convenhamos, deve ser proposital). É um roteiro que dá continuidade a algo recorrente nas comédias "populares" da Globo Filmes - a saber, a ode ao endividamento para além das posses, em viés instagramático. Os clichês de sempre, com um toque mais sério (mas que, paradoxalmente, não é levado a sério o suficiente). Poderia ser pior... Senti-me mal durante a sessão, por causa do filme, mas isso deve-se à alta dimensão de um problema mui pessoal, relacionado ao tema. As responsáveis pela obra tentaram (em chave classista, mas tentaram): isto é válido! (WPC>)
Volto a este filme depois de muito tempo - isso, depois de eu conhecer pessoas que, pasmem, não suportam o cinema trufffautiano: ganhei o DVD na semana passada, e o fiz furar fila, em minha enorme lista de pendências. Lembrava do filme como "feliz". Fiquei surpreso ao percebê-lo tão amargo, suicida, como muito do que o diretor faria à frente, em sua coleção de registros de "amor difícil". Há uma pista dolorida no título: dois nomes de homens. Todos lembram da personagem feminina; poucos lembram o nome dela, entretanto. Jeanne Moreau está sublime, mas os atores masculinos também compõem com sapiência os seus respectivos papéis. Soube que o livro original foi escrito por um idoso, em sua estréia como escritor septuagenário. Explica alguma coisa. Sigo amando o filme, mas o teor de machismo do enredo não é apenas contexto de época. A montagem é um primor. Um filme difícil, ao contrário do que eu lembrava... Desta vez, doeu! (WPC>)
Terminada a sessão, experimentei uma sensação estranha de amargura, de fadiga geracional, de perda nostálgica... O filme possui uma aparência "feliz!", de abertura à liberdade e respeito às possibilidades, mas possui a mesma desconfiança que, no cinema hollywoodiano, percebemos anos antes em A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM. O desfecho é mui similar, em termos de olhar evanescente, de alegria que se esvazia após a consecução de um anseio. Gosto bastante das canções, das interpretações e dos planos escancarados, das filmagens de cima, das seqüências que se coligam como um videoclipe de arte. Mas doeu assistir a este processo de perda de inocência de mulher apaixonada, progressivamente convertida de empregada estatal em serva de quem ama. Um ponto de corte interessantíssimo na própria filmografia da diretora, que amadurece avassaladoramente, filme após filme, em direção a um acerto de contas que é tão íntimo quanto nacional. Numa revisão, tudo indica que este filme tornar-se-á um de meus favoritos. Mexeu muito comigo em langor depositado! (WPC>)
Até hoje pela manhã, doze horas antes da sessão, eu nunca havia ouvida nada do Hungria - voluntariamente, ao menos. Gostei da canção "Lembranças", e a repeti diversas vezes enquanto trabalhava. Evitei pesquisar sobre o artista, para não influenciar no julgamento biográfico: sou defensor dos filmes sobre personalidades brasileiras, acho importantes que eles sejam realizados, pois é um subgênero comum em Hollywood, que garanta a sustentação ideológica dos grandes estúdios. Ainda que a maioria dos enredos incorra em tramas "chapa-branca" (sobretudo, quando os biografados ainda estão vivos). É o caso aqui, e o filme não disfarça o puxa-saquismo. As imagens verídicas da mãe e da irmã do artista, nos créditos finais, dizendo que tudo o que aconteceu "foi por causa de Deus", só não é mais constrangedor que as situações envolvendo o péssimo personagem Gabiru (os 'flashbacks' que ele traz à tona são hediondos!) e o melodrama pretendido das tristezas familiares ( o pai bêbado, a mãe idosa que trabalha, etc., enquanto o filho luxa, depois de roubar roupas de grife em pequenas lojas locais). Porém, Gabriel Santana encarna bem o personagem-título, esforça-se para tornar crível a sua trajetória de sucesso, ainda que esta, ao final, revele-se vinculada ao que de pior existe em termos de indústria cultural, por conta da imoralidade associativa (a suspeita de que o artista flerta com o bolsonarismo chega a ser demonstrável, em matérias e entrevistas, urgh!). Quando ele solta aquele "foda-se, foda-se, foda-se" depois que alguém reclama que as letras não possuem crítica social, percebemos que o orgulho que ele sente por ser "o 'playboy' do 'rap'" não é gratuito. Sinceramente, não sei se voltarei a ouvir este artista, por vontade própria. Fiquei com medo do que ouvi da boca dele, infelizmente. Mas quase apreciei algo no relato, em termos de exposição formulaica da trajetória bem-sucedida do cantor, após inúmeras frustrações. Enquanto avaliação explícita da ode capitalista contida nas letras iniciais do artista, serve enquanto demonstrativo mais que sintomático. Viva o cinema biográfico, então: que sirva para tensionar carreiras em voga! (WPC>)
Incrível como a Djin está fisicamente parecida com a mãe, aqui. Mas, diferentemente dela, enquanto diretora, parece querer trilhar um caminho mais convencional, no que tange ao flerte narrativo com gêneros como o melodrama ou o suspense. A trilha musical de Gregory Slivar simplesmente não deixa o filme respirar, sendo executada quase ininterruptamente e eliminando qualquer ambigüidade nos comportamentos dos personagens, o que só piora pela maneira caricatural com que é concebido e interpretado o personagem de Sérgio Guizé. A própria diretora está bem coo protagonista, mas o roteiro abusa das pistas falsas, das metáforas que não se sustentam, de um feminismo hipercodificado, que desemboca na oportuna execução de uma canção da Elza Soares, mas de maneira tão óbvia quanto anticlimática, naquele desfecho precipitado e pouco convincente. Ainda assim, o filme e exitoso em instaurar a nossa curiosidade acerca do que está acontecendo e em estimular as espectadoras a desconfiarem de relaciona mentos pretensamente perfeitos. A acumulação de maus comportamentos masculinos é sufocante (até mesmo o Pedro Goifman surge como vilão!) e gostei de ver a mestra Selma Egrei em cena, ainda que a sua personagem seja mal desenvolvida. Algo na participação de Lian Gaia não funciona bem, o que só piora pelo modo como ela some, no desfecho. Desgostei do filme, em termos gerais, e lamento que a diretora tenha desistido de seguir um caminho autoral, como o restante da família conceituadíssima, mas o filme é contundente, mesmo que por vias exageradas, naquilo que ele denuncia. Serve, minimamente! (WPC>)
Li tantos comentários negativos que, ao finalmente conferir o filme, surpreendi-me ao perceber que, dentro de suas limitações convencionais e do período em que foi realizado, até que entretém, traz algo interessante para que reflitamos (a condição feminina, sempre objetificada e questionada no projeto de não hollywoodiano/estadunidense. A polêmica premiação concedida a Mary Pickford - que, com quase quarenta anos de idade, interpreta uma mocinha inicialmente virginal -, de fato, parece exagerada (pois ela exagera nas caras e bocas, às quais acostumara-se no cinema mudo), mas a sua caracterização é progressivamente interessante, no modo como a personalidade da protagonista torna-se algo complexa na seqüência do tribunal, cuja reviravolta beira o chocante. Em dado momento da trama, simplesmente eu não conseguia imaginar como aquilo tudo acabaria. Pensei muito no posterior JEZEBEL, por conta das similaridades contextuais. Até que é um filme simpático. Mui problemático, claro, mas com um dilema familiar pitoresco, no modo como converte um clichê classista em autocrítica moral. Inusitado, no mínimo. Se o Código Hays já estivesse em atividade, ele não seria realizado da maneira como foi desenvolvido. (WPC>)
Sofri para chegar até o final deste filme: um amigo neo-macmahonista disse que ele era genial e, por ser uma produção do John Landis, não descri. Como de praxe, são vários os realizadores que surgem em breves participações (de Gurinder Chadha e Atom Egoyan a David Cronenberg e Costa-Gravas) e, logicamente, há um momento em que o sobejo de estupidez dos personagens descamba para a reflexão sobre a influência social dos mesmos, o que é deveras relevante pelo fato de a família titular possuir bastante dinheiro. Porém, é tudo tão idiota (desculpa incorrer neste adjetivo), tão repetitivo, tão disrítmico, tão atabalhoado, tão canhestro que... Putz, quase nada - nadinha mesmo! - se salva. Uma atrocidade abissal! :( - WPC>
Há algo de exagerado e sensacionalista no título brasileiro, mas isto não é gratuito, pois o roteiro é enfocado numa questão de embate geracional, tendo uma interessantíssima cena de apresentação do contexto contemporâneo, sobre as conseqüências assustadoras do tédio juvenil (risos). Christopher Lee aparece pouquíssimo, o filme permite mais espaço para a dignificação do personagem envelhecido de Peter Cushing, descendente da família van Helsing, recorrente nestas obras hammerianas, que obedecem a uma diegese muito própria, filme após filme. A trilha musical é ótima e o modo como a Scotland Yard entra em cena permite que a obra seja apreciada tanto pelos fãs de horror quanto do gênero policial - além de quem se identifica com os dramas familiares, claro. Eu e minha mãe gostamos bastante! (WPC>)
Ganhei um 'box' com vários DVDs relacionados ao personagem Drácula, na vertente histórica da Hammer. O curioso, neste caso em particular, é que, apesar do título original, Drácula é mencionado como morto, de modo que o vilão, aqui, não tem nada a ver com ele, ainda que seja igualmente contrabalançado por Abraham van Helsing. Para apreciar devidamente tais obras, portanto, convém aceitar as regras específicas da empresa produtora, sem comparar os filmes com as convenções de outras feituras. Daí, entregar-se à diversão. De minha parte, o filme não funcionou tanto: gosto da direção de arte, das relações entre as pessoas, do fascínio próprio trazido pela diegese. Mas, em termos roteirísticos, é tudo muito previsível, e é sempre muito fácil matar o vampiro, que teme os crucifixos (até mesmo as suas sombras) de maneira exagerada. Por conta disso, o ritmo fica modorrento, chato mesmo. Porém, diverte, ficamos querendo saber o que acontece... Verei mais. Soube que os neo-macmahonistas amam o Terence Fisher! (risos) - WPC>
Não revia este filme há mais de vinte anos, e lembro que havia gostado bastante da primeira vez, de modo que estranho o rechaço extremo dos espectadores contemporâneos. O revi por ocasião de uma Mostra de Extensão sobre os vencedores do Oscar e, de fato, confirmo que o filme envelheceu mal, sobretudo em termos ideológicos. Como o som ainda era uma novidade, no período, há trechos que parecem reféns do cinema mudo de antes, com intertítulos e silêncios "involuntários". Destes, eu gostei bastante, tanto quanto da abertura genial, em que o som é explorado de maneira cômica, enquanto bibelô de algaravia. Bessie Love se destaca nos momentos dramáticos e, quando a fotografia ousa enquadrá-la (no instante em que ela chora na cama, por exemplo, aguardando a irmã), a direção faz jus à indicação que recebeu. Mas, no geral, o filme entrega-se a uma teatralidade de revista, mecânica, centrada numa narrativa clicherosa e inevitavelmente machista. O tal "projeto de nação" servindo à lógica impositiva dos estúdios hollywoodianos em ascensão. Mas é um filme divertido, não se nega. O debate, ao final da sessão, foi maravilhoso! (WPC>)
No começo, eu me perguntava: há algo de dardenneano nesta empreitada fílmica? Os posicionamentos de câmera, enquanto a protagonista Sana realizava as suas atividades domésticas, fizeram com que eu pensasse isto. Lembrei que já compararam o diretor a uma espécie de Haneke invertido, visto que sua crença nos relacionamentos humanos é otimista, resolutiva. Deixei-me levar pelo filme, que avançava, avançava e... Fazia que com que eu me tornasse testemunha dos dilemas afetivos de uma família riquíssima e de um novo namorado em iguais condições. "Queres ir para um hotel de luxo Eu pago!", "Quinhentos Euros Deixa eu ver quanto eu tento...". Dinheiro não é um problema para aquelas pessoas e o foco central de tensão está relacionado à necessidade de dois meninos passarem alguns dias de férias na casa dos avós, na Cote D'Azur. "White people problems". Não, pois a mãe e os filhos são negros. Porém, os movimentos dramáticos encetados pelo roteiro dizem respeito a um telefone celular que toca insistentemente, a uma piscina invadida, à recomendação de não ligar os sistemas de água e eletricidade de uma mansão, a um namoro ainda inassumido... Dá para curtir um filme desses? Dá, sim. A direção é boa, há algo de imersivo em meio àquelas paisagens praianas, notamos algo de rohmeriano na narrativa quase circunstancial. Procede. Mas que é enfadonho acompanhar o lenga-lenga de gente rica, é. Aff! (WPC>)
A cada nova experiência, defendo mais e mais a importância de rever filmes. Neste caso em particular, o problema foi outro: vi o único episódio até então existente e, de maneira isolada, ele não funcionou comigo. Assistindo à integralidade da obra, fiquei encantado perante a genialidade do Odilon, tão injustamente rejeitado (desconhecido, em verdade) pela cinefilia brasileira. Tive trabalho até para encontrar notícias biográfica, que dirá sobre a sua carreira. Felizmente, o acesso ao longa-metragem ocorreu numa mostra com debate, o que estimulou as novas gerações a conhecerem este petardo incrível, que, ao contrário do que tantos dizem, não "é mais fraca no drama que na comédia". Por mais que, sim, no segundo episódio, a ironia do diretor é elevada a patamares impressionantes, o que senti no episódio inicial, com o qual identifiquei-me bastante, em relação a situações de minha própria vida, foi dilacerador. Que controle extraordinário de todos os elementos fílmicos. Trabalho de gênio indubitavelmente: amei a direção de atores, os jogos com a perspectiva da câmera, a falta de pudor em apontar o capitalismo especulativo e o racismo estrutural como os vilões do enredo, tudo. Tudinho! Tanto que, no debate com a crítica Kênia Freitas, no evento local supracitado, pedi desculpas ao Odilon, por meu rechaço (involuntariamente) inorgânico anterior. Onde quer que tu estejas, querido pioneiro, meus parabéns - e obrigado por este filmaço! (WPC>)
Sempre tive muita curiosidade em conferir este filme, inclusive por ter sido realizado no mesmo ano de TOMMY, que adoro. Comprei o LP de presente para um amigo e, ao ouvi-lo, encantei-me pela trila musical de Rick Wakeman (que faz uma breve participação no filme). Porém, achei o resultado bastante insatisfatório: a direção de arte é primorosa e o roteiro faz alegações virulentas, mas - o que é mais defeito do espectador que da obra - é necessário conhecer aquelas situações e personalidades históricas para embarcar devidamente na trama ambiciosa - e, paradoxalmente, sobre ambição. Roger Daltrey, mais uma vez, cumpre bem o papel principal, mas, a despeito da extrema sexualização do longa-metragem, há um machismo indisfarçado na aplicação dos papéis de gênero, em que as mulheres aparecem como feiticeiras objetificadas e vilanizadas, enquanto os machos dependem de longos pênis artificiais para serem validados como artistas e provedores. Não concordo com a correlação imediata entre Richard Wagner e o nazismo sobrenatural, da maneira como aparece aqui, mas faz algum sentido, dentro da diegese. Pressinto que, numa revisão com menos expectativas, o filme cresça. Afinal, ele paga o devido tributo por conta de sua fama de 'cult'. E, obviamente, pesquisei sobre a biografia de Franz Liszt (e dos demais músicos citados) após a sessão! (WPC>)
Que grata surpresa: minha mãe gargalhou, enquanto via o filme, ao meu lado! Há algo de Ettore Scola, nesta adaptação argentina das chanchadas, com um toque muito peculiar, caro a esta cinematografia nacional: a coragem de encarar o Governo nacional, de nomear quem é responsável pela miserabilidade apresentada. A trama é muito pesada, no modo como expõe a pobreza daqueles habitantes, em confronto com um tipo de bem-estar direcionado a quem é corrupto e faz pactos com a "máfia", como diz um dos personagens. A personagem da avó (interpretada por um homem) é caricata e há algo de teatral na disposição dos atores e no modo como as situações surgem, como se fossem "atos" de um problema progressivo, mas é tudo muito divertido, engraçado aos borbotões. E inevitavelmente triste: como moro numa comunidade como aquela, identifiquei-me, contextualmente, em diversas situações. Muito bom! (WPC>)
Mais de 48 horas após a sessão, sigo pensando neste filme, incomodado pelo que ele me causou... Ansiava com muita expectativa pela conferição de uma obra que marcou a minha geração, mas, ainda que soubesse mais ou menos o que encontraria (por já conhecer outros filmes do realizador), fui sobremaneira maltratado por uma abordagem que revela-se machista, ao fazer com que a personagem-título seja coadjuvante em sua própria trama, um mero trampolim para que o macho protagonista converta seus traumas em arte (conforme aconteceu na obra literária que deu origem ao filme, né?). Gostei bastante que os atores estejam nus o tempo quase inteiro e fiquei apaixonadíssimo pela Béatrice Dalle, soberba da primeira à última aparição. Mas é um filme que dói, que esmaga, que rasga - e que não expõe suficientemente estes aspectos enquanto "contingências da época em que foi realizado", tem algo suspeitoso nas entrelinhas produtivas. Seja como for, A fotografia é fantástica e a trilha musical de Gabriel Yared faz jus ao auê que até hoje causa. É um filme que nos inebria que nos faz imergir, que apresenta uma versão mais palatável do 'amor fou' tão persistentemente abordado por Jacques Rivette, Andrzej Zulawski e afins. É um filme bonito, mas que, exatamente por isso, romantiza a toxicidade, a depressão, a degradação de uma mulher que faz de tudo para tornar o seu amado público, conhecido, famoso... Questionável em mensagem, talvez, mas indubitavelmente atrativo. Um paradoxo, conforme esperado do clássico que ele é. Quero ver a versão integral, com três horas de duração, aliás! (WPC>)
Fui contagiado pelo clima de "espera recompensada" do filme, devidamente historicizado ao demonstrar que algo parecido já acontecera no início do século XX. Gostei muito dos depoentes, da canção-tema, da justificativa emocional para a continuidade daquelas tradições, para o modo efusivo como a festa é abordada, mesmo sobre a extrema melancolia do início, em preto-e-branco, antes que as cores regressem, junto à alegria do frevo. É sério: fiquei com muita vontade de sair num carnaval vindouro. Tomara que eu consiga. Curti bastante, muito boa a abordagem os diretores, que dignificaram bastante aqueles depoentes. Spok é super carismático; Carlos da Burra, um militante orgânico. Dá-lhe, Pernambuco! (WPC>)
Mais que constatar que, na revisão, o filme cresce, fiquei muito surpreso (e feliz) ao perceber que, na sessão onde estava, todos apreciaram bastante o filme. O que, claro, não implica em concordar com todas as situações: o patriotismo despejado enquanto fórmula narrativa ainda vigente (que empurra junto um "projeto de não" estadunidense, à guisa de entretenimento), a submissão excessiva da personagem feminina ao homem imaturo que ama (e que é redimido moralmente pela guerra) e as mudanças de tom (ora cômico, ora melodramático, ora belicista) ao longo da duração um tanto excessiva são os principais problemas, mas a direção é tão boa, a fotografia é tão inventiva, a cópia a que tivemos acesso estava tão boa que... Bingo! Consideramos justa a premiação que tornou esta obra tão famosa. Porém, é importante que o filem não fique apenas refém das estatísticas do Oscar, ele é bem melhor do que isto! (WPC>)
A demonstração efetiva de que boas intenções, às vezes, não são suficientes: por melhor que seja a ilustração lúdica do empoderamento feminino, neste caso, o fato de ser uma realização masculina implica em concessões problemáticas no discurso, conforme fica evidenciado na narração final, em que os acordos masculinos são prontamente aceitos, mas a reação defensiva das mulheres, quanto à "lei da vara", é posta em suspeição. Gosto da fotografia, da montagem, da inteligência risória dos 'close-ups' de bocas e orelhas, no instante da transmissão de notícias/fofocas, do fato de uma criança ser a porta-voz legislativa das mulheres, mas o clima fantasioso do enredo ("foi assim que me contaram...") converte em fabulação de um passo distante ("na época de meus tataravós"...) o que deveria ser transformação no presente. Na execução, infelizmente, elementos periféricos de manutenção do sexismo ficam indisfarçados. Mas a idéia é boa: este filme - que eu não conhecia - rende um ótimo debate. Vou divulgá-lo! (WPC>)
Apesar de ter amado o François Ozon na primeira fase de sua carreira, esta sua celeridade em ser prolífico está fazendo com que muitos filmes sem vigor sejam acumulados... Não foi bem o caso deste título, felizmente, irmão gêmeo do excelente FRANTZ: sou devoto da novela original do Albert Camus e desgosto da adaptação de Luchino Visconti. Gostei bem mais do que é efetivado aqui, de maneira surpreendentemente fiel à trama, aliás, exceto por um ou outro detalhe, o 'flashback' da abertura, os incrementos homoeróticos, etc. Talvez Benjamin Voisin tenha exagerado na inexpressividade que, se faz sentido na primeira metade do filme (muito, muito boa), estraga a pretensão dramatúrgica da segunda, com aqueles diálogos intensos, monólogos existenciais, e uma demorada seqüência de julgamento. Em defesa do diretor, ele respeita o que estava no livro. Mas a paixão por seu protagonista não justifica todas as suas opções estilísticas, não obstante crer que a fotografia em preto-e-branco seja mui acertada e que a trilha musical de Fatima Al Qadiri seja fascinante. É um filme bonito, porém que extenua, do meio para o final. Nem mesmo as aparições do impressionante Denis Lavant funcionam a contento. Funciona, sim. Não como poderia, mas funciona. Ainda creio em ti, Ozon. Talvez conviesse diminuir um pouco o ritmo - risos opinativos! (WPC>)
Os Anjos da Guerra
3.8 57Apesar de o personagem de Haley Joel Osment ser destacado como central, é o garotinho Liam Hess quem rouba a ceno como Tolo, o personagem mais complexo do enredo. A cena da tentativa de captura de porcos é dolorosa e a reflexão sobre como a crescente violência infantil (perpetrada pelas crianças) espelha a conjuntura externa permite uma interessante reflexão dramática, ainda que a reviravolta do roteiro filie-se ao tipo de chantagem emocional característico de obras à la O MENINO DO PIJAMA LISTRADO, na contemporaneidade. A trilha musical de Jan A. P. Kaczmarek é inconveniente em seu excesso xaroposo e foi ótimo ver um maduro Olaf Lubazenko em cena. Mas as pretensões épicas do realizador não se coadunaram ao orçamento reduzido, de modo que a obra assemelha-se a um telefilme... (WPC>)
Garotas na Farra
2.8 2Apesar de não ser tão inventivo em estilo, o discurso impressiona pela frontalidade com que defende o direto e a necessidade das moças ao estudo universitário. Acho interessante como isto surge como pretexto - e, ao mesmo tempo, lamenta-se que isto fique apenas como pretexto - , e admito que Clara Bow saiu-se bem em sua estréia no cinema falado, em parceria com o refinado Frederic March. As situações são engraçadas, em seu acúmulo de quiproquós pré-Código Hays, e a tendência natural das personagens à vontade de transar não é julgada negativamente (apenas não condiz internamente com as normas da faculdade diegética) . Grata surpresa: um filme ostensiva e indisfarçadamente feminista da Dorothy Arzner! (WPC>)
Segura o que é Teu
3.4 1O básico da comédia romântica, num padrão que se repetiria à exaustão, nos anos vindouros... Clara Bow, fascinante e encantadora; Charles Rogers, belíssimo. Como de praxe, para falar sobre lascívia, a trama tinha de ser passada na Europa. Para que conseguisse se esquivar dos problemas e abusos, a protagonista precisa mentir. Mas, como ela é bem-intencionada, e o amor central, afinal, é puro, ela será recompensada - e nós também. Talvez eu esteja sendo indulgente em relação ao filme porque diverti-me, efetivamente, enquanto o via. Era uma cópia incompleta, com vários trechos danificados, sem qualquer som, mas muito divertida, mesmo assim. Fui influenciado pelo título: dá-lhe, Dorothy Arzner pré-Code! (WPC>)
Sem Novidade no Front
4.3 142 Assista AgoraOntem à noite, num debate, eu deveria comentar algo sobre este filme. Mas ficava perdendo-me em elogios demorados e reiterados: eu estava fascinado não apenas pelo filme demonstrar-se ainda mais excelente numa revisão, mas por ele funcionar tão bem entre os espectadores de novas gerações. O debate foi incrível, excelentes contribuições foram adicionadas à análise, mas eu quedava impressionado com o quão tecnicamente magistral o filme é, mesmo realizado há quase cem anos. A direção do Lewis Milestone dá alguns passos à frente do que seria a mera artesania hollywoodiana, merecedora de prêmios e afins. Há poesia, há vontade de valorizar a vida, há potência da imagem - e sobretudo do som, utilizado enquanto componente narrativo - neste filmaço. No cotejo com a versão mais nova, ambas cumprem papéis próprios e bem definidos. No que tange à adaptação (fidelíssima) do livro, idem. É um filme adulto, supremamente acabado, bem fotografado, interpretado e roteirizado. Um manifesto em defesa de uma paz cada vez mais abortada, pelos interesses de políticos ou tomadores de decisões que não experimentam aquilo para onde empurram quem quer que esteja sob o seu jugo ideológico. Admito que, nesta minha ode, faço concessões à hipocrisia estadunidense, que condena na Alemanha o que ela própria faz, enquanto nação excludente e colonizadora. Mas, cinematograficamente, o filme atinge um nível de perfeição interna que impressiona-me bastante ainda hoje. Deveria ser objetivo, aqui, ao invés de, mais uma vez, despejar tantos adjetivos? Foi assim que o filme funcionou comigo: saí arrebatado da sessão! (WPC>)
Frágil Como o Mundo
4.1 10Sei que, num segundo contato, com a mente e o corpo mais descansados e nutridos, gostarei mais deste filme. Entendo o porquê de ele ser tão bem-quisto por meus amigos e pelos críticos e tendo visto outro trabalho da diretora (o maravilhoso A PORTUGUESA), percebo que ela possui um projeto de Cinema deveras amadurecido e, sim, politizado. Aqui, entretanto, algo não desceu muito bem, justamente aquilo que está no centro da narrativa: o tal do amor impossível adolescente. Acho fascinante como há um conflito entre o idílio suicida, apresentado como se fosse um conto de fadas romântico, e o realismo rural das cercanias passionais. Gostei de como uma amiga, num extraordinário debate ao final de uma sessão cineclubista, associou os comportamentos da jovem protagonista desmaiante ao de qualquer garota 'emo' urbana de hoje em dia. Os parâmetros de mitomania desejosa são similares. Porém, o que incomodou-me efetivamente no filme foi a sua suspensão ebúrnea, "desconectada" dos problemas do dia a dia. Achei isto europeu demais, colonizatório em termos de projeto existencialista destinado aos "favorecidos". Um dos debatedores destacou um maneirismo da diretora, que serve-se de códigos artísticos clássicos para consumar um estilo de filme sumamente contemporâneo. Achei esta opinião mui certeira, mas, reitero: por mais que eu sinta que, nalgum momento, hei de apreciar bastante este filme, por ora, ele causou-me uma raivinha anti-elitização das formas! (WPC>)
(Des)controle
3.0 19 Assista AgoraGosto da entrega da protagonista, acho-a crível, enquanto composição de profissional aburguesada, nos mesmos moldes das Ingrid Guimarães na franquia DE PERNAS PRO AR (não por acaso, há uma menção metalingüística quanto a isso, no desfecho, ao se mencionar a venda dos direitos do livro da personagem). Não apreciei tanto as cenas de delírio ou a transição pouco inspirada entre os rompantes desvirtuosos de comédia e os flertes necessários com o drama, o que só piora com a exposição de um ritual religioso de endividamento. As aparições de Daniel Filho e Irene Ravache, como os pais da protagonista, atrapalham mais do que ajudam, bem como a coadjuvação ex-matrimonial de caco Ciocler (o que, convenhamos, deve ser proposital). É um roteiro que dá continuidade a algo recorrente nas comédias "populares" da Globo Filmes - a saber, a ode ao endividamento para além das posses, em viés instagramático. Os clichês de sempre, com um toque mais sério (mas que, paradoxalmente, não é levado a sério o suficiente). Poderia ser pior... Senti-me mal durante a sessão, por causa do filme, mas isso deve-se à alta dimensão de um problema mui pessoal, relacionado ao tema. As responsáveis pela obra tentaram (em chave classista, mas tentaram): isto é válido! (WPC>)
Jules e Jim - Uma Mulher Para Dois
4.1 339 Assista AgoraVolto a este filme depois de muito tempo - isso, depois de eu conhecer pessoas que, pasmem, não suportam o cinema trufffautiano: ganhei o DVD na semana passada, e o fiz furar fila, em minha enorme lista de pendências. Lembrava do filme como "feliz". Fiquei surpreso ao percebê-lo tão amargo, suicida, como muito do que o diretor faria à frente, em sua coleção de registros de "amor difícil". Há uma pista dolorida no título: dois nomes de homens. Todos lembram da personagem feminina; poucos lembram o nome dela, entretanto. Jeanne Moreau está sublime, mas os atores masculinos também compõem com sapiência os seus respectivos papéis. Soube que o livro original foi escrito por um idoso, em sua estréia como escritor septuagenário. Explica alguma coisa. Sigo amando o filme, mas o teor de machismo do enredo não é apenas contexto de época. A montagem é um primor. Um filme difícil, ao contrário do que eu lembrava... Desta vez, doeu! (WPC>)
Não Chorem, Garotas Bonitas!
3.5 5Terminada a sessão, experimentei uma sensação estranha de amargura, de fadiga geracional, de perda nostálgica... O filme possui uma aparência "feliz!", de abertura à liberdade e respeito às possibilidades, mas possui a mesma desconfiança que, no cinema hollywoodiano, percebemos anos antes em A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM. O desfecho é mui similar, em termos de olhar evanescente, de alegria que se esvazia após a consecução de um anseio. Gosto bastante das canções, das interpretações e dos planos escancarados, das filmagens de cima, das seqüências que se coligam como um videoclipe de arte. Mas doeu assistir a este processo de perda de inocência de mulher apaixonada, progressivamente convertida de empregada estatal em serva de quem ama. Um ponto de corte interessantíssimo na própria filmografia da diretora, que amadurece avassaladoramente, filme após filme, em direção a um acerto de contas que é tão íntimo quanto nacional. Numa revisão, tudo indica que este filme tornar-se-á um de meus favoritos. Mexeu muito comigo em langor depositado! (WPC>)
Hungria - A Escolha de um Sonho
1.8 2Até hoje pela manhã, doze horas antes da sessão, eu nunca havia ouvida nada do Hungria - voluntariamente, ao menos. Gostei da canção "Lembranças", e a repeti diversas vezes enquanto trabalhava. Evitei pesquisar sobre o artista, para não influenciar no julgamento biográfico: sou defensor dos filmes sobre personalidades brasileiras, acho importantes que eles sejam realizados, pois é um subgênero comum em Hollywood, que garanta a sustentação ideológica dos grandes estúdios. Ainda que a maioria dos enredos incorra em tramas "chapa-branca" (sobretudo, quando os biografados ainda estão vivos). É o caso aqui, e o filme não disfarça o puxa-saquismo. As imagens verídicas da mãe e da irmã do artista, nos créditos finais, dizendo que tudo o que aconteceu "foi por causa de Deus", só não é mais constrangedor que as situações envolvendo o péssimo personagem Gabiru (os 'flashbacks' que ele traz à tona são hediondos!) e o melodrama pretendido das tristezas familiares ( o pai bêbado, a mãe idosa que trabalha, etc., enquanto o filho luxa, depois de roubar roupas de grife em pequenas lojas locais). Porém, Gabriel Santana encarna bem o personagem-título, esforça-se para tornar crível a sua trajetória de sucesso, ainda que esta, ao final, revele-se vinculada ao que de pior existe em termos de indústria cultural, por conta da imoralidade associativa (a suspeita de que o artista flerta com o bolsonarismo chega a ser demonstrável, em matérias e entrevistas, urgh!). Quando ele solta aquele "foda-se, foda-se, foda-se" depois que alguém reclama que as letras não possuem crítica social, percebemos que o orgulho que ele sente por ser "o 'playboy' do 'rap'" não é gratuito. Sinceramente, não sei se voltarei a ouvir este artista, por vontade própria. Fiquei com medo do que ouvi da boca dele, infelizmente. Mas quase apreciei algo no relato, em termos de exposição formulaica da trajetória bem-sucedida do cantor, após inúmeras frustrações. Enquanto avaliação explícita da ode capitalista contida nas letras iniciais do artista, serve enquanto demonstrativo mais que sintomático. Viva o cinema biográfico, então: que sirva para tensionar carreiras em voga! (WPC>)
Eclipse
2.7 4Incrível como a Djin está fisicamente parecida com a mãe, aqui. Mas, diferentemente dela, enquanto diretora, parece querer trilhar um caminho mais convencional, no que tange ao flerte narrativo com gêneros como o melodrama ou o suspense. A trilha musical de Gregory Slivar simplesmente não deixa o filme respirar, sendo executada quase ininterruptamente e eliminando qualquer ambigüidade nos comportamentos dos personagens, o que só piora pela maneira caricatural com que é concebido e interpretado o personagem de Sérgio Guizé. A própria diretora está bem coo protagonista, mas o roteiro abusa das pistas falsas, das metáforas que não se sustentam, de um feminismo hipercodificado, que desemboca na oportuna execução de uma canção da Elza Soares, mas de maneira tão óbvia quanto anticlimática, naquele desfecho precipitado e pouco convincente. Ainda assim, o filme e exitoso em instaurar a nossa curiosidade acerca do que está acontecendo e em estimular as espectadoras a desconfiarem de relaciona mentos pretensamente perfeitos. A acumulação de maus comportamentos masculinos é sufocante (até mesmo o Pedro Goifman surge como vilão!) e gostei de ver a mestra Selma Egrei em cena, ainda que a sua personagem seja mal desenvolvida. Algo na participação de Lian Gaia não funciona bem, o que só piora pelo modo como ela some, no desfecho. Desgostei do filme, em termos gerais, e lamento que a diretora tenha desistido de seguir um caminho autoral, como o restante da família conceituadíssima, mas o filme é contundente, mesmo que por vias exageradas, naquilo que ele denuncia. Serve, minimamente! (WPC>)
Coquete
3.1 15Li tantos comentários negativos que, ao finalmente conferir o filme, surpreendi-me ao perceber que, dentro de suas limitações convencionais e do período em que foi realizado, até que entretém, traz algo interessante para que reflitamos (a condição feminina, sempre objetificada e questionada no projeto de não hollywoodiano/estadunidense. A polêmica premiação concedida a Mary Pickford - que, com quase quarenta anos de idade, interpreta uma mocinha inicialmente virginal -, de fato, parece exagerada (pois ela exagera nas caras e bocas, às quais acostumara-se no cinema mudo), mas a sua caracterização é progressivamente interessante, no modo como a personalidade da protagonista torna-se algo complexa na seqüência do tribunal, cuja reviravolta beira o chocante. Em dado momento da trama, simplesmente eu não conseguia imaginar como aquilo tudo acabaria. Pensei muito no posterior JEZEBEL, por conta das similaridades contextuais. Até que é um filme simpático. Mui problemático, claro, mas com um dilema familiar pitoresco, no modo como converte um clichê classista em autocrítica moral. Inusitado, no mínimo. Se o Código Hays já estivesse em atividade, ele não seria realizado da maneira como foi desenvolvido. (WPC>)
Os Babacas
2.5 18Sofri para chegar até o final deste filme: um amigo neo-macmahonista disse que ele era genial e, por ser uma produção do John Landis, não descri. Como de praxe, são vários os realizadores que surgem em breves participações (de Gurinder Chadha e Atom Egoyan a David Cronenberg e Costa-Gravas) e, logicamente, há um momento em que o sobejo de estupidez dos personagens descamba para a reflexão sobre a influência social dos mesmos, o que é deveras relevante pelo fato de a família titular possuir bastante dinheiro. Porém, é tudo tão idiota (desculpa incorrer neste adjetivo), tão repetitivo, tão disrítmico, tão atabalhoado, tão canhestro que... Putz, quase nada - nadinha mesmo! - se salva. Uma atrocidade abissal! :( - WPC>
Drácula no Mundo da Minissaia
3.2 51Há algo de exagerado e sensacionalista no título brasileiro, mas isto não é gratuito, pois o roteiro é enfocado numa questão de embate geracional, tendo uma interessantíssima cena de apresentação do contexto contemporâneo, sobre as conseqüências assustadoras do tédio juvenil (risos). Christopher Lee aparece pouquíssimo, o filme permite mais espaço para a dignificação do personagem envelhecido de Peter Cushing, descendente da família van Helsing, recorrente nestas obras hammerianas, que obedecem a uma diegese muito própria, filme após filme. A trilha musical é ótima e o modo como a Scotland Yard entra em cena permite que a obra seja apreciada tanto pelos fãs de horror quanto do gênero policial - além de quem se identifica com os dramas familiares, claro. Eu e minha mãe gostamos bastante! (WPC>)
As Noivas do Vampiro
3.4 41Ganhei um 'box' com vários DVDs relacionados ao personagem Drácula, na vertente histórica da Hammer. O curioso, neste caso em particular, é que, apesar do título original, Drácula é mencionado como morto, de modo que o vilão, aqui, não tem nada a ver com ele, ainda que seja igualmente contrabalançado por Abraham van Helsing. Para apreciar devidamente tais obras, portanto, convém aceitar as regras específicas da empresa produtora, sem comparar os filmes com as convenções de outras feituras. Daí, entregar-se à diversão. De minha parte, o filme não funcionou tanto: gosto da direção de arte, das relações entre as pessoas, do fascínio próprio trazido pela diegese. Mas, em termos roteirísticos, é tudo muito previsível, e é sempre muito fácil matar o vampiro, que teme os crucifixos (até mesmo as suas sombras) de maneira exagerada. Por conta disso, o ritmo fica modorrento, chato mesmo. Porém, diverte, ficamos querendo saber o que acontece... Verei mais. Soube que os neo-macmahonistas amam o Terence Fisher! (risos) - WPC>
Melodia da Broadway
2.9 49Não revia este filme há mais de vinte anos, e lembro que havia gostado bastante da primeira vez, de modo que estranho o rechaço extremo dos espectadores contemporâneos. O revi por ocasião de uma Mostra de Extensão sobre os vencedores do Oscar e, de fato, confirmo que o filme envelheceu mal, sobretudo em termos ideológicos. Como o som ainda era uma novidade, no período, há trechos que parecem reféns do cinema mudo de antes, com intertítulos e silêncios "involuntários". Destes, eu gostei bastante, tanto quanto da abertura genial, em que o som é explorado de maneira cômica, enquanto bibelô de algaravia. Bessie Love se destaca nos momentos dramáticos e, quando a fotografia ousa enquadrá-la (no instante em que ela chora na cama, por exemplo, aguardando a irmã), a direção faz jus à indicação que recebeu. Mas, no geral, o filme entrega-se a uma teatralidade de revista, mecânica, centrada numa narrativa clicherosa e inevitavelmente machista. O tal "projeto de nação" servindo à lógica impositiva dos estúdios hollywoodianos em ascensão. Mas é um filme divertido, não se nega. O debate, ao final da sessão, foi maravilhoso! (WPC>)
Seis Dias Naquela Primavera
3.2 1No começo, eu me perguntava: há algo de dardenneano nesta empreitada fílmica? Os posicionamentos de câmera, enquanto a protagonista Sana realizava as suas atividades domésticas, fizeram com que eu pensasse isto. Lembrei que já compararam o diretor a uma espécie de Haneke invertido, visto que sua crença nos relacionamentos humanos é otimista, resolutiva. Deixei-me levar pelo filme, que avançava, avançava e... Fazia que com que eu me tornasse testemunha dos dilemas afetivos de uma família riquíssima e de um novo namorado em iguais condições. "Queres ir para um hotel de luxo Eu pago!", "Quinhentos Euros Deixa eu ver quanto eu tento...". Dinheiro não é um problema para aquelas pessoas e o foco central de tensão está relacionado à necessidade de dois meninos passarem alguns dias de férias na casa dos avós, na Cote D'Azur. "White people problems". Não, pois a mãe e os filhos são negros. Porém, os movimentos dramáticos encetados pelo roteiro dizem respeito a um telefone celular que toca insistentemente, a uma piscina invadida, à recomendação de não ligar os sistemas de água e eletricidade de uma mansão, a um namoro ainda inassumido... Dá para curtir um filme desses? Dá, sim. A direção é boa, há algo de imersivo em meio àquelas paisagens praianas, notamos algo de rohmeriano na narrativa quase circunstancial. Procede. Mas que é enfadonho acompanhar o lenga-lenga de gente rica, é. Aff! (WPC>)
Um é Pouco, Dois é Bom
4.1 3A cada nova experiência, defendo mais e mais a importância de rever filmes. Neste caso em particular, o problema foi outro: vi o único episódio até então existente e, de maneira isolada, ele não funcionou comigo. Assistindo à integralidade da obra, fiquei encantado perante a genialidade do Odilon, tão injustamente rejeitado (desconhecido, em verdade) pela cinefilia brasileira. Tive trabalho até para encontrar notícias biográfica, que dirá sobre a sua carreira. Felizmente, o acesso ao longa-metragem ocorreu numa mostra com debate, o que estimulou as novas gerações a conhecerem este petardo incrível, que, ao contrário do que tantos dizem, não "é mais fraca no drama que na comédia". Por mais que, sim, no segundo episódio, a ironia do diretor é elevada a patamares impressionantes, o que senti no episódio inicial, com o qual identifiquei-me bastante, em relação a situações de minha própria vida, foi dilacerador. Que controle extraordinário de todos os elementos fílmicos. Trabalho de gênio indubitavelmente: amei a direção de atores, os jogos com a perspectiva da câmera, a falta de pudor em apontar o capitalismo especulativo e o racismo estrutural como os vilões do enredo, tudo. Tudinho! Tanto que, no debate com a crítica Kênia Freitas, no evento local supracitado, pedi desculpas ao Odilon, por meu rechaço (involuntariamente) inorgânico anterior. Onde quer que tu estejas, querido pioneiro, meus parabéns - e obrigado por este filmaço! (WPC>)
Lisztomania
3.7 16Sempre tive muita curiosidade em conferir este filme, inclusive por ter sido realizado no mesmo ano de TOMMY, que adoro. Comprei o LP de presente para um amigo e, ao ouvi-lo, encantei-me pela trila musical de Rick Wakeman (que faz uma breve participação no filme). Porém, achei o resultado bastante insatisfatório: a direção de arte é primorosa e o roteiro faz alegações virulentas, mas - o que é mais defeito do espectador que da obra - é necessário conhecer aquelas situações e personalidades históricas para embarcar devidamente na trama ambiciosa - e, paradoxalmente, sobre ambição. Roger Daltrey, mais uma vez, cumpre bem o papel principal, mas, a despeito da extrema sexualização do longa-metragem, há um machismo indisfarçado na aplicação dos papéis de gênero, em que as mulheres aparecem como feiticeiras objetificadas e vilanizadas, enquanto os machos dependem de longos pênis artificiais para serem validados como artistas e provedores. Não concordo com a correlação imediata entre Richard Wagner e o nazismo sobrenatural, da maneira como aparece aqui, mas faz algum sentido, dentro da diegese. Pressinto que, numa revisão com menos expectativas, o filme cresça. Afinal, ele paga o devido tributo por conta de sua fama de 'cult'. E, obviamente, pesquisei sobre a biografia de Franz Liszt (e dos demais músicos citados) após a sessão! (WPC>)
Esperando o Rabecão
3.6 28 Assista AgoraQue grata surpresa: minha mãe gargalhou, enquanto via o filme, ao meu lado! Há algo de Ettore Scola, nesta adaptação argentina das chanchadas, com um toque muito peculiar, caro a esta cinematografia nacional: a coragem de encarar o Governo nacional, de nomear quem é responsável pela miserabilidade apresentada. A trama é muito pesada, no modo como expõe a pobreza daqueles habitantes, em confronto com um tipo de bem-estar direcionado a quem é corrupto e faz pactos com a "máfia", como diz um dos personagens. A personagem da avó (interpretada por um homem) é caricata e há algo de teatral na disposição dos atores e no modo como as situações surgem, como se fossem "atos" de um problema progressivo, mas é tudo muito divertido, engraçado aos borbotões. E inevitavelmente triste: como moro numa comunidade como aquela, identifiquei-me, contextualmente, em diversas situações. Muito bom! (WPC>)
Betty Blue
4.1 86Mais de 48 horas após a sessão, sigo pensando neste filme, incomodado pelo que ele me causou... Ansiava com muita expectativa pela conferição de uma obra que marcou a minha geração, mas, ainda que soubesse mais ou menos o que encontraria (por já conhecer outros filmes do realizador), fui sobremaneira maltratado por uma abordagem que revela-se machista, ao fazer com que a personagem-título seja coadjuvante em sua própria trama, um mero trampolim para que o macho protagonista converta seus traumas em arte (conforme aconteceu na obra literária que deu origem ao filme, né?). Gostei bastante que os atores estejam nus o tempo quase inteiro e fiquei apaixonadíssimo pela Béatrice Dalle, soberba da primeira à última aparição. Mas é um filme que dói, que esmaga, que rasga - e que não expõe suficientemente estes aspectos enquanto "contingências da época em que foi realizado", tem algo suspeitoso nas entrelinhas produtivas. Seja como for, A fotografia é fantástica e a trilha musical de Gabriel Yared faz jus ao auê que até hoje causa. É um filme que nos inebria que nos faz imergir, que apresenta uma versão mais palatável do 'amor fou' tão persistentemente abordado por Jacques Rivette, Andrzej Zulawski e afins. É um filme bonito, mas que, exatamente por isso, romantiza a toxicidade, a depressão, a degradação de uma mulher que faz de tudo para tornar o seu amado público, conhecido, famoso... Questionável em mensagem, talvez, mas indubitavelmente atrativo. Um paradoxo, conforme esperado do clássico que ele é. Quero ver a versão integral, com três horas de duração, aliás! (WPC>)
O Ano em que o Frevo Não Foi pra Rua
3.4 2Fui contagiado pelo clima de "espera recompensada" do filme, devidamente historicizado ao demonstrar que algo parecido já acontecera no início do século XX. Gostei muito dos depoentes, da canção-tema, da justificativa emocional para a continuidade daquelas tradições, para o modo efusivo como a festa é abordada, mesmo sobre a extrema melancolia do início, em preto-e-branco, antes que as cores regressem, junto à alegria do frevo. É sério: fiquei com muita vontade de sair num carnaval vindouro. Tomara que eu consiga. Curti bastante, muito boa a abordagem os diretores, que dignificaram bastante aqueles depoentes. Spok é super carismático; Carlos da Burra, um militante orgânico. Dá-lhe, Pernambuco! (WPC>)
Asas
4.0 103Mais que constatar que, na revisão, o filme cresce, fiquei muito surpreso (e feliz) ao perceber que, na sessão onde estava, todos apreciaram bastante o filme. O que, claro, não implica em concordar com todas as situações: o patriotismo despejado enquanto fórmula narrativa ainda vigente (que empurra junto um "projeto de não" estadunidense, à guisa de entretenimento), a submissão excessiva da personagem feminina ao homem imaturo que ama (e que é redimido moralmente pela guerra) e as mudanças de tom (ora cômico, ora melodramático, ora belicista) ao longo da duração um tanto excessiva são os principais problemas, mas a direção é tão boa, a fotografia é tão inventiva, a cópia a que tivemos acesso estava tão boa que... Bingo! Consideramos justa a premiação que tornou esta obra tão famosa. Porém, é importante que o filem não fique apenas refém das estatísticas do Oscar, ele é bem melhor do que isto! (WPC>)
Modesta
3.0 1A demonstração efetiva de que boas intenções, às vezes, não são suficientes: por melhor que seja a ilustração lúdica do empoderamento feminino, neste caso, o fato de ser uma realização masculina implica em concessões problemáticas no discurso, conforme fica evidenciado na narração final, em que os acordos masculinos são prontamente aceitos, mas a reação defensiva das mulheres, quanto à "lei da vara", é posta em suspeição. Gosto da fotografia, da montagem, da inteligência risória dos 'close-ups' de bocas e orelhas, no instante da transmissão de notícias/fofocas, do fato de uma criança ser a porta-voz legislativa das mulheres, mas o clima fantasioso do enredo ("foi assim que me contaram...") converte em fabulação de um passo distante ("na época de meus tataravós"...) o que deveria ser transformação no presente. Na execução, infelizmente, elementos periféricos de manutenção do sexismo ficam indisfarçados. Mas a idéia é boa: este filme - que eu não conhecia - rende um ótimo debate. Vou divulgá-lo! (WPC>)
O Estrangeiro
3.5 19Apesar de ter amado o François Ozon na primeira fase de sua carreira, esta sua celeridade em ser prolífico está fazendo com que muitos filmes sem vigor sejam acumulados... Não foi bem o caso deste título, felizmente, irmão gêmeo do excelente FRANTZ: sou devoto da novela original do Albert Camus e desgosto da adaptação de Luchino Visconti. Gostei bem mais do que é efetivado aqui, de maneira surpreendentemente fiel à trama, aliás, exceto por um ou outro detalhe, o 'flashback' da abertura, os incrementos homoeróticos, etc. Talvez Benjamin Voisin tenha exagerado na inexpressividade que, se faz sentido na primeira metade do filme (muito, muito boa), estraga a pretensão dramatúrgica da segunda, com aqueles diálogos intensos, monólogos existenciais, e uma demorada seqüência de julgamento. Em defesa do diretor, ele respeita o que estava no livro. Mas a paixão por seu protagonista não justifica todas as suas opções estilísticas, não obstante crer que a fotografia em preto-e-branco seja mui acertada e que a trilha musical de Fatima Al Qadiri seja fascinante. É um filme bonito, porém que extenua, do meio para o final. Nem mesmo as aparições do impressionante Denis Lavant funcionam a contento. Funciona, sim. Não como poderia, mas funciona. Ainda creio em ti, Ozon. Talvez conviesse diminuir um pouco o ritmo - risos opinativos! (WPC>)