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Norma Besant (Mary Pickford) é uma galanteadora incorrigivel e tem várias conquistas em sua lista. Ela começa a flertar com Michael Jeffery (Johnny Mack Brown), um homem muito honrado, que é alertado pelo pai dela sobre a filha. Após uma longa viagem ele retorna e encontra Norma compromissada. No entanto, o amor entre ambos volta a florecer, para desagrado do pai de Norma.
Oscar de Melhor Atriz para Mary Pickford.
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Li tantos comentários negativos que, ao finalmente conferir o filme, surpreendi-me ao perceber que, dentro de suas limitações convencionais e do período em que foi realizado, até que entretém, traz algo interessante para que reflitamos (a condição feminina, sempre objetificada e questionada no projeto de não hollywoodiano/estadunidense. A polêmica premiação concedida a Mary Pickford - que, com quase quarenta anos de idade, interpreta uma mocinha inicialmente virginal -, de fato, parece exagerada (pois ela exagera nas caras e bocas, às quais acostumara-se no cinema mudo), mas a sua caracterização é progressivamente interessante, no modo como a personalidade da protagonista torna-se algo complexa na seqüência do tribunal, cuja reviravolta beira o chocante. Em dado momento da trama, simplesmente eu não conseguia imaginar como aquilo tudo acabaria. Pensei muito no posterior JEZEBEL, por conta das similaridades contextuais. Até que é um filme simpático. Mui problemático, claro, mas com um dilema familiar pitoresco, no modo como converte um clichê classista em autocrítica moral. Inusitado, no mínimo. Se o Código Hays já estivesse em atividade, ele não seria realizado da maneira como foi desenvolvido. (WPC>)
Tive que pesquisar o que era Coquette e descobri que basicamente é (ou era) uma mulher que se arruma muito, flerta com todo mundo, mas não fica com nenhum deles, não era algo ofensivo, às vezes usado como julgamento para dizer que alguém era manipuladora ou vaidosa, mas só. Acho que o termo de hoje mais próximo seria o biscoiteira. Achei que a personagem seria fútil do início ao fim, mas em certo momento a atuação da Mary Pickford entregou profundidade. Considerando que o filme é um dos primeiros migrando do cinema mudo para o falado, foi um baita desafio para a carreira, acho que ela se saiu muito bem. Não ficou teatral e dramático em excesso como alguns da época, mesmo sendo uma adaptação de uma peça da Broadway para o cinema. Vi a menção ao Assistant Dramatic Director Earle Browne nos créditos do início, nunca tinha visto nos outros filmes antigos que estou assistindo, pesquisei e foi um termo criado para nomear quem ajudasse a adaptar o filme para o cinema falado, o técnico e o artístico, esse cargo era pra quem fazia a transição, garantindo que nada se perdesse nas atuações e nos sons. Equilibrando a dramatização em todos os aspectos do filme, sem exageros e sem a falta dele. A direção de fotografia é mais estática do que a maioria dos filmes anteriores de cinema mudo, acredito que pela da falta de locomoção da câmera mesmo, por conta de ruídos ou peso. Não é ruim para o filme, até combina, dá uma sensação de sufocamento dentro da casa e da vida da protagonista, que é um caos emocional. Uma casa cheia de hipocrisias, assim como a sociedade dos anos 20. As mulheres criaram coragem de cortar o cabelo (as flappers) ali em 1918, 1929 está bem pertinho, então a sociedade ainda via isso com cara feia, muito corajoso a Mary cortar o cabelo longo e se arriscar em um papel totalmente diferente dos fofinhos que fazia. Vi que ser Coquette não era necessariamente mal visto, claro, no meio dos ricos, assim como hoje em dia, vai um pobre fazer o que quer, é julgado em tudo. Mas a riquinha da época que decidisse ficar com todo mundo, encher a cara, etc, não se dava mal, desde que ninguém descobrisse, já a pobre, era jogada na sarjeta, perdia a vida social (que nem tinha) e nunca mais arrumava ninguém. Me pergunto se tudo isso tivesse acontecido entre a Norma e o Stanley, se o pai dela faria algo. Provavelmente não. Analisando a personagem Norma, é uma pessoa muito mentirosa e manipuladora, brinca com os sentimentos de todo mundo pra manter o próprio ego em dia. Um século depois e muita gente ainda faz o mesmo. Acho que nem ela achou que algo que era pra ser só curtição resultaria nela viúva e órfã, virando mãe do irmão. O filme tem dois pontos fortes de atuação pra mim, quando ela perde o Michael e quando ela mente no tribunal. Quando ela perde ele e se sente desolada e diz "I don't care" sobre o pai, dá pra sentir os primeiros indícios de que havia sentimento real ali. Quando ela mente a gente vê que o medo da repressão social e tentativa de agradar o pai era maior que qualquer ponta de caráter. Fiquei sem acreditar que ela teve coragem de acusar um cara tão bom de abuso sexual. Pesado! Imagino a revolta do povo de 1929 assistindo isso, basicamente todo mundo ali assistindo se importava horrores com a própria honra, honra essa que definia quem você era, onde trabalhava, quem andava com você, em quais lugares era bem-vindo, etc. O espectador sabia que a maior dor da época era ter a honra manchada, acabava com a família. Tudo em prol de manter as aparências de uma vida tradicional e hipócrita do lar conservador (que de conservador não tinha nada). Não sei como ela conseguiu, porque nem o pai, que era super egoísta e preconceituoso, conseguiu ver ela inventando tamanha falta de respeito contra o Michael, caiu em si e percebeu o mini monstro que criou (cópia dele). O pai é tão culpado quanto, um cara que prefere tirar a própria vida do que ser preso e encarar as consequências de seus atos. Ninguém saiu ganhando. O Michael era a única pessoa que tinha integridade, o resto, cada um tinha seus traços tóxicos. Para o pai, a reputação da família e a virgindade da Norma eram mais importante que tudo, inclusive, vidas. Mas me pergunto, se ela tivesse feito tudo isso com o Stanley, que era rico, ele faria vista grossa e seria o primeiro na fila do cartório de manhã querendo casar os dois. Hipócrita! Quando a Norma mente sobre o abuso, acho que ele entende que a honra que ele tanto queria salvar matando o Michael não existia, ela era mentirosa e desonesta, assassinou um cara legal e inocente em troca de nada com nada, de controle moral. A filha era um troféu, uma bonequinha que ele idealizava como pura, mesmo vendo ela dando condição e recebendo flores de vários caras. Tanto o pai, como a filha, destruíram tudo que diziam amar. Fora que usava dois pesos e duas medidas entre os filhos, quando o filho homem fala que estava "fooling around" até 4 da manhã, e ele achou que era acompanhado de mulher, ele se mostrou super orgulhoso do filho e a raiva evaporou em segundos. Homem galinha? "Esse é meu garoto". Mulher apaixonada por alguém que ele não quer? Crime. Moral seletiva: qualquer semelhança com os dias de hoje é pura coincidência. Dinâmica familiar totalmente disfuncional. A Norma busca por validação externa de todos com quem flerta pra tentar fugir do ambiente sufocante que o pai cria. Mentira patológica, a solução que ela encontra pra tudo é mentir, isso, até a cena final. Como o pai é super repressor, ela entende que precisa criar um mundo fake onde agrade todo mundo, principalmente ele. Ainda mais naquela época, onde a narrativa dos pais é a que valia na vida de alguém. Na verdade ela usa as mesmas ferramentas de manipulação que aprendeu com o pai. É importante na cena final o filme mostrar a Norma recusando o casamento com o Stanley, pois mostra que após todas as mortes, houve um colapso total na persona que ela criou, os flertes, namoros e casamentos não eram mais importantes, ficou só o vazio da solidão e da melancolia das perdas. As prioridades mudaram. O amor, mal administrado, acabou envenenando as pessoas e a saúde mental de todos os envolvidos. As atuações dos pretendentes, dos atores John Mack Brown e Matt Moore são bem medianas, ficam ali quase como figurantes, a Mary se sobressai em todas as cenas. Atuações mecânicas demais, muito teatrais, no mal sentido. Já ela, mesmo vindo do cinema mudo que é muito teatral e expressivo com o corpo, soube equilibrar, principalmente do meio para o final. Sobre o Oscar que ela ganhou. Se não fosse uma pessoa poderosa, influente e dona do estúdio United Artists, ela teria ganhado? Fica aí o questionamento, pelas atuações que vi da época em filmes de 1928 e 1929, não achei que a dela nesse filme merecia um Oscar. Isso, considerando o meu pensamento atual. Talvez em 1929 as pessoas acharam o filme incrível e viam ela como pobrezinha que sofre na trama e o pai como homem que se matou pela honra. Um destaque pra mim é a atuação do John St. Polis, muito polida, só abria a boca pra me irritar, e isso é bom. O filme não é tão ruim, considerando a época. Mas levar Oscar?
Excelentes atuações para uma história além do seu tempo. Nenhuma preocupação com a receita tradicional de final feliz. Gostei muito.
Como bem lembrado aqui abaixo, o filme possui um roteiro muito a frente do seu tempo. Dando-se todos os descontos necessários para época, é um bom drama. Nota 7,0.
Uma das coisas mais desastrosas daquela década e tinha potencial pra ser pelo menos um filme decente.Pickford totalmente perdida e sem noção.
>Assistido em 24 de Junho de 2023