Últimas opiniões enviadas
Espetacular! Tô apaixonada! Apostaram em algo diferente do que sempre foi feito e deu muito certo. [Spoilers] Ótima direção de Zach Cregger. O filme tem alívio cômico no timing perfeito. O primeiro ato começa bem sério e tenso e depois os outros se revezam entre assustar e fazer rir. É algo que funcionou muito para minha experiência. A direção de fotografia de Dariusz Wolski está maravilhosa, é um prato cheio pra quem é fã dos jogos. Intercala entre o estilo de filmagem tradicional versus visão em primeira pessoa com exatamente a mesma visão como se estivéssemos jogando. É quase imperceptível porque não incomoda, mas há uma micro pausa dando tempo pra gente decidir o que fazer. O personagem começa o filme totalmente desarmado, assim como o jogador no videogame. Durante o tempo todo o filme mostra ferramentas que poderiam ser usadas pra defesa ou ataque. O espectador pensa "ali o gancho", "ali uma arma", "a munição caiu, e agora?", é muito bom porque a gente se sente parte do filme. O filme não entrega o esperado, do início ao fim. Por exemplo você não espera que o personagem que já é experiente e elogiado por matar todos os infectados vá morrer tão rápido. Ou que o próprio Bryan não vá sobreviver. O espectador torce o tempo todo por ele e não recebe a tranquilidade de o ver sobrevivendo, mesmo assim a gente sai do cinema feliz, porque a experiência foi incrível (ele não sobreviveu, mas eu sim, ele que lute! Haha). Essa é uma das coisas que me chamou a atenção no enredo. A gente tem um Bryan que acabou de brigar com a namorada grávida, não dando uma resposta que ela esperava sobre ser pai e tendo zero experiência com armas, mortes e infectados (assim como nós, exceto pela experiência jogando). Quando ele atira na criança e ela explode, ele sai dali lamentando demais e tentando se convencer de que não era uma criança e de que ele não mata crianças. Essa é a visão que ele tem dos infectados, ainda humanizada, mesmo que visualmente alterados. Conforme a trama avança, temos o desenvolvimento de um Bryan menos frágil. Quando ele mata os monstros no hospital, ele já não tem dó, pelo contrário. A transição de um Bryan para o outro é marcada pelo momento em que a bolsa amniótica explode na maternidade e o rosto dele fica coberto de sangue, combinando com o novo tom do personagem, que aprendeu um pouco mais com a própria experiência. Acho legal como mesmo após criar essa pequena coragem, ele ainda erra os tiros, o enredo faz questão de lembrar o tempo todo que ele ainda é gente como a gente. O ator Austin Abrams entregou muito em cena. Um destaque pra mim é a ingenuidade que ele passa em meio às situações, a vulnerabilidade e o olhar na cena final que enche o espectador de empatia. Mesmo com apenas metade do rosto de fora, ele como mosntro infectado mostrou vontade de viver e manter a parte humana que ainda lhe restava até o último segundo que pôde, lutando pela seringa. Ele implorou pra todos da equipe do hospital, até o último momento eu me vi torcendo por ele, foi dilacerador ver o coitado morrer tentando. Vale lembrar que ele foi humano também quando mentiu, humanos são extremamente falhos, ele omitiu para esses colaboradores que estava infectado. Acho importante o roteiro trazer essa característica nele porque já temos outras figuras humanas nos dando nojo e repulsa o filme inteiro, totalmente desfigurados após serem infectados. Em uma situação como essa a régua moral muda, porque a sobrevivência acaba sendo prioridade, fora que foi ele quem se lascou o filme todo pra entregar a matéria-prima para a cura. Sobre os infectados, eu senti muita referência ao Plagas de RE4, ao C-Vírus de RE6, por conta dos seres humanos estarem todos entrelaçados no filme. De longe (não tão longe assim, pois ficou idêntico haha) eu senti referência à The Last of Us e Stranger Things, como a aberração que o cachorro do início vira e a que vai atrás dele quando ele entra no esgoto. A bolsa verde de primeiros-socorros do RE Remake também foi lembrada, assim como o frasco da cura que lembra o Elpis do Requiem. A caixa de munição que colocaram é igualzinha a do jogo, o filme é bem fiel nessa parte da ambientação e materiais, tem um monstro que cospe ácido completamente inspirado no Puker, se passa em Raccoon City, e deve ter muito mais referências que passaram despercebidas por mim. Esse filme (assim como o de 2002) me lembrou muito mais o jogo do Playstation do que todos os outros. Gostei mais desse do que de todos. Escolher um local com neve foi um acerto enorme, porque combina muito com a temática de terror lento, com a frieza que esse tipo de iluminação pede, a luz é fria e pálida, não há nada que lembre aconchego ou alegria. A edição é ótima, o CGI não briga com o realismo, é perceptível obviamente, mas não incomoda visualmente justamente por se tratar de um jogo de videogame. Ao mesmo tempo, quem não conhecer o jogo ou a saga em si, dos filmes anteriores, não vai se incomodar com o CGI. Achei ousado o diretor contrariar o espectador, que está acostumado com filmes em que o protagonista se salva sempre e com os jogos se salvando no último minuto de barco ou trem. Se tiver sequência, com certeza vou assistir. Amei a atuação do Zach Cherry, eu já gostava dele em Severance, que é uma série que adoro. Ele aparece pouco, o que é uma pena, mas nem faria sentido ele aparecer mais. Personagem cômico, quer ajudar mas se acovarda demais com medo, mandando todo mundo na frente, muito hilário. Pensando no espectador que não sabe absolutamente nada sobre RE, o enredo traz explicações que ajudam a compreender a história (pelo menos o necessário pra entender o filme), um exemplo é quando ele sai correndo dos infectados que estão na cobertura correndo e começam a se jogar, aí ele (junto com quem assiste) descobre que eles podem morrer, pois até então as pessoas corriam atrás dele mesmo depois de levar tiros na cara. Não é necessária aula cheia de explicações ou ver os outros filmes, como na Marvel, que pra entender um lançamento precisa assistir 20 filmes, ler 10 quadrinhos e esperar as várias cenas pós-creditos. Resident Evil é acessível e simplificou a história sem prejudicá-la em nada. Saí do filme com muita vontade de jogar. A direção entregou muito. Adorei, uma obra-prima! Dei nota máxima!
Como podem pegar uma temática tão boa quanto distopia e transformar em algo completamente inútil? [Spoilers] Entendo que a ideia era focar em liberdade sexual mas não funcionou. Eu senti o filme super moralista, quase dizendo pra gente que se o sexo casual não existisse as pessoas criariam conexões verdadeiras e viveriam super felizes, o que é uma falácia. A cultura tradicional com sua ideologia já tentou esse tipo de opressão em 1800, e provou que não é eficiente. O filme é completamente bagunçado, o espectador não é inserido suficientemente de forma natural pra entender como a sociedade chegou naquele ponto, como tudo flui. Raramente filmes com excesso de nudez são bons, a maioria traz como apelo já que ninguém assistiria sem, por ser ruim. Atuações medianas para ruins. Há alguma micro química entre o casal, mas eles deixam de se escolher tantas vezes que perde a graça (que já nem existia). Se fosse de terror até faria mais sentido, pois você pensa "quem se permitiria ser controlado por regras totalmente nonsense, privando-se de prazeres sexuais, forçando-se a casar com alguém que mal conhece e nunca se relacionou sexualmente antes só porque é uma regra e não existe a menor justificativa plausível por trás?". O filme se alinha a uma visão totalmente romantizada e puritana de que é melhor se guardar para o casamento, omitindo totalmente os desafios que as pessoas têm escolhendo isso, (conheço uma pessoa cristã que não se relaciona com o marido porque ele gosta de sexo mais agressivo e ela de sexo gentil e "fofo", mas não separam porque é pecado se separar). No fim das contas o filme só fortalece esse pensamento tradicional de que as pessoas deveriam se reservar para alguém como se fosse ótimo, mas sequer apresenta os pontos ruins. O filme não funciona como comédia romântica, e sim como terror moral para as mulheres, que já sofrem bastante, numa sociedade que pune mulheres que falam abertamente sobre assuntos que são tabus como sexo, masturbação, etc. O enredo apresenta personagens femininas desesperadas pelos homens enquanto o esforço deles no texto é literalmente apenas tirar a camisa. Coloca mulheres como as pessoas perigosas dos aplicativos tipo o Tinder, quando na vida real sai notícia direto de mulheres e gays sofrendo golpes e violência sexual por gente que conheceu ali. Falando em violência sexual o filme é completamente irresponsável ao não abordar os perigos de abusos em uma noite em que o sexo é completamente liberado (para pessoas que estão há 1 ano sem. Imagina a agressividade de algumas pessoas, tudo aqui é romantizado, inclusive o jeito assedioso que as pessoas te olham na rua, esse mesmo olhar nós que somos mulheres já vimos ao pegar o metrô no centro de SP, é repulsivo, não é sexy, é nojento), na trama ou te veem de forma objetificada ou querem casar com você (em um dia), o filme não apresenta soluções compatíveis e muito menos pessoas se revoltando de forma mais clara contra o sistema, tentando de fato mudar algo: uma pichação aqui, pessoas gritando "foda-se o decreto ali" mas ninguém faz nada. Sobre consentimento, em uma noite na qual todo mundo está desesperado por conta da abstinência, não haveria respeito com relação ao limite do "eu não quero do outro", é uma problemática, já que existem pesquisas científicas sobre abstinência que sugerem o contrário, ou você perde o desejo, ou ele toma conta da sua mente e te deixa agressivo e estressado, o filme sugere boa parte das pessoas felizes com o "eu escolhi esperar". Outro ponto é ver as pessoas desesperadas deixando quem finalmente aceitou se relacionar pra ir atrás de camisinha. É completamente hipócrita porque a maioria das pessoas não fariam isso, pelo contrário, já que o filme mesmo coloca você perdendo a pessoa pra outra a cada cena, o cara 30+ não consegue dialogar o básico que é informar que está sem camisinha e precisa comprar no caminho, ao invés de sair correndo e deixar a mulher sozinha no bar? O filme nem lembra que existem DSTs e gravidez, sugere que todo ano acontece isso e as pessoas estão ótimas livres de doenças e sem filhos, roteiro irresponsável. Outra coisa, quem deixa a chave do próprio estabelecimento comercial com um desconhecido? Ninguém. A ideologia problemática demais. Li The Handmaid's Tale da Margaret Atwood e fazendo uma comparação é surreal a diferença da responsabilidade da direção com relação ao tema liberdade sexual. Lá há respeito com o tema, a distopia tem coerência, você encerra a adaptação refletindo, aqui você termina concluindo que assistir ao filme foi perda de tempo total. Imagina ler Atwood e pensar "agora, como posso transformar isso em uma comédia fofa?", simplesmente não funciona. O Estado te oprime o ano inteiro e uma vez no ano você fica feliz porque o opressor te deu uma migalha do que já era um direito seu. É como se a Aia tivesse um dia livre após ser abusada em todas as cerimônias e agradecesse ao governo de Gilead por isso. É patético! Tem que ter coragem pra lançar um filme horrível desse em um mundo que conta com uma série tão bem dirigida e com um roteiro magnífico quanto O Conto da Aia. Outra obra boa na mesma vibe distópica dos relacionamentos é O Lagosta. Esse sim vale cada minuto de tela!
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Olá, danylleão, obrigado pela curtida da minha lista de filmes sobre História Geral e espero que tenha gostado dela, mas tem também as minhas outras duas listas complementares de História do Brasil e do Oriente Médio, espero que você goste também. Abraços.
Quero abrir parênteses para o urso Lotso, o quanto a história dele reflete diretamente o comportamento de pessoas com apego evitativo. O indivíduo que desenvolve apego evitativo visa defenser seu emocional ao máximo de qualquer mini demonstração de afeto, por conta de rejeições passadas. Ele acabada deixando respingar os resquícios da dor de ter sido abandonado no pequenique em todos os outros brinquedos, se tornando uma figura má, punitiva, sem misericórdia, qualquer coisa que alivie e o faça nunca mais pensar no que passou e reviver a lembrança ou semelhança àquilo. Ele cita muito a falta de amor, como se nenhuma criança amasse nenhum brinquedo mais, uma extensão do que aconteceu com ele, como se servisse pra todos. Na verdade é só validação para o que aconteceu a ele e ao bebê, de terem que gerenciar a dor de serem substituídos, aí criaram esse mecanismo de defesa por anos e anos. Outra coisa é que mesmo quando eles tentam fazer ele se redimir e o ajudam, ainda assim ele se recusa completamente a esboçar gratidão e gentileza. Quem tem apego evitativo nunca vai se esforçar para iniciar ou manter relações, mesmo se for amado novamente, por medo de um novo abandono. A Jessie tinha muita ansiedade quando conheceu o Woody, mas diferente do Lotso, ela se permitiu ser amada de novo pelos amigos, pelo Andy. Ele não, ficou com tanto medo de amar e ser amado depois de tudo que se tornou um vilão que queria ditar as regras e o que cada um merecia de afeto (migalhas ou nada). Outra parte que me marca é a despedida do Andy, aquele aperto na hora de entregar o Woody pra Molly. Eu guardo de lembrança um urso rosa que ganhei no meu aniversário de 1 aninho, eu não abriria mão, mas abri de todos os outros. Era um processo doloroso, mas crescer dói. Toy story é muito complexo porque toca na ferida que é relembrar a infância, e nós adultos somos reflexos de nossa infância.