Últimas opiniões enviadas
"Até que se conscientizem, não se rebelarão; e até que se rebelem, não poderão se conscientizar."
"Nada era seu, exceto os poucos centímetros cúbicos dentro do seu crânio"
George Orwell sempre vai ter meu coração. Um século depois e esse livro escancara nossa realidade social tão perfeitamente. Nada mudou, as pessoas continuam sendo oprimidas e desinformadas, mas com ferramentas diferentes e modernas. Esse excesso de telas, mutação de informações acontecendo o tempo todo, a privacidade se tornou um artigo de luxo. Esse monitoramento era imposto, era forçado, hoje em dia é quase sempre voluntário. As bolhas sociais fortaleceram o extremismo, para reforçar algo que a pessoa pense, um pensamento em formação logo toma um caminho de radicalismo, ou para combater, o entorno daquele cidadão vai atropelar o pensamento que está se formando de todas as formas possíveis, até que ele pense de acordo com o conformismo social, impossibilitando a conclusão de um raciocínio autoral. Surge tanta coisa tão rápido que as pessoas não conseguem amadurecer ideias e pensamentos sobre nenhum fato, as pessoas não pensam profundamente. Outro ponto é que o autoritarismo está mais vivo do que nunca, mas em 1984 era caótico, barulhento, estrondoso. Hoje em dia é silencioso, sutil, o algoritmo define o que você vai ver, o que vai ler, o que vai fazer parte do seu dia a dia. É um controle muito eficaz, as pessoas sequer percebem. Quantas vezes as plataformas silenciaram pessoas e suas opiniões? Isso é poder autoritário. Quando alguém deixa de postar o que pensa por medo da repressão também está sendo vítima do sistema, mesmo que indiretamente. Cada acesso nosso online e localização recolhidos são formas de abusos autoritários, até porque, se não aceitarmos essas diretrizes não conseguimos acessar aplicativo algum em nossos aparelhos. Os dados são coletados a todo segundo, e me pergunto quem de nós sabe para onde vão? Ninguém sabe. É muito mais fácil controlar as massas sabendo que querem, o que fazem e onde estão. Cada opção que temos já foi decidida por alguém que conhece nossos gostos e fraquezas. É assustador! O objetivo principal hoje em dia é o mesmo de 100 anos atrás. Tornar-nos pessoas não pensantes, conformistas e cegas. Eu sempre digo: o terror dos autoritários é lidar com a revolução dos que pensam. Quem pensa, não consegue prosseguir conformado! Nasce um sentimento de revolta, uma inquietude, vontade de lutar. Admito que surge, junto a isso, um sentimento de incapacidade. É que é tão difícil conversar com pessoas conformadas. Mesmo sabendo que a nossa verdade é a verdade no meio de 1 milhão de mentiras, é difícil ser ouvido, ter voz. A gente faz o que pode. Sinto falta da liberdade de discordar sem ser punido socialmente. Na nossa sociedade é quase um crime duvidar das coisas. Outra coisa que notei de semelhança com os dias atuais é que há sempre embates, os governos estão sempre providenciando conflitos para distrair o povo do que realmente está sendo feito por trás dos panos. As pessoas também gostavam de gritar com o Goldstein, e hoje em dia parece que as redes sociais sempre nos apresentam ódios em comum, é como se isso engajasse muito mais do que a paz. O algoritmo lota o feed de conteúdo onde as pessoas possam se juntar para tacar hate em algo ou alguém. O Winston de hoje em dia é todo cidadão que vive esgotado e já não aguenta mais o cansaço mental diário. Ele tentava esconder seu diário e hoje as pessoas tentam apagar seus históricos, suas vidas online, mas é impossível. Mesmo se alguém deletasse todos os arquivos e redes referentes à vida, ainda assim estaria tudo salvo em algum servidor e por último "deletou todas as redes e histórico no dia xx/xx". É creepy, você pode criptografar, trocar de e-mail regularmente, usar VPN, mas isso não muda nada, no fundo a gente sabe que tudo é armazenado. A gente vive a mesma coisa que ele. O Winston de hoje é o cara que tenta viver uma vida garimpando coisas físicas e reais, tentando algum contato com o mundo de verdade, conexões verdadeiras, algo que a inteligência artificial ainda não tenha moldado. O 2+2=5 de hoje em dia aparece de forma mais sutil, o Winston foi torturado fisicamente e psicologicamente, como as pessoas não passam por isso hoje em dia (a maioria), algumas nem percebem que estão condicionadas. Aparece quando uma pessoa aceita uma ideia porque todo mundo aceitou, porque essa mentira se tornou conveniente, o grupo decidiu que é assim e pronto. Essa falta de contraponto é o medo mais comum dos dias de hoje. Até em lugares básicos como grupo de família, amigos ou colegas de trabalho as pessoas têm medo de se posicionar. Outro ponto é que se alguma mentira é dita por uma figura política ou famosa, ela se prolifera rapidamente como uma verdade através dos impulsionamentos midiáticos. Se o pensamento pode ser moldado por sistemas políticos, a raiz desse mesmo pensamento se enfraquece rapidamente e o emburrecimento da população se torna mais fácil de ser gerenciado. E uma das partes mais tristes do livro e do filme que reflete nos tempos atuais, a destruição total dos laços entre as pessoas. Eles queriam criar pessoas que amassem apenas o Grande Irmão, elas não podiam cultivar amizades e nem amores, assim como em Admirável Mundo Novo do Aldous Huxley, é algo que fugiria do controle deles. Hoje em dia não é diferente, o Bauman fala muito sobre essa modernidade líquida, amores líquidos, onde nada é feito para durar. As conexões são artificiais e se dissolvem rápido. As pessoas são solitárias, e isso é ótimo para quem está no controle, é mais fácil manipular essas pessoas isoladamente. "A pior coisa do mundo" que o livro cita no quarto 101 pode ser qualquer coisa pra qualquer um, mas quem coleta nossos dados conhece melhor que nós mesmos quais são nossos medos, erros e inseguranças. E já é usado contra a gente de forma indireta, para manter-nos conformados. A pergunta é: Onde a tecnologia e o monitoramento ainda não chegou? Sobrou algum lugar seguro? Fica aí o questionamento. Não é à toa que Black Mirror é minha série favorita. Aquilo tudo já é real. A gente já vive na sociedade Black Mirror. Ainda prefiro o livro, mas amo muito esse filme. Pena que não fizeram uma adaptação boa de Admirável Mundo Novo ainda. Quem sabe um dia...
Uma das melhores temporadas até aqui! Essa série é muito pesada. É um soco no estômago. Eu valorizo muito a minha liberdade, reclamo porque a mulher ainda sofre muito, há muito a conquistar, mas ainda assim somos livres. Sempre lembro da regra de Gilead de que a mulher que for encontrada lendo perde a mão ou o dedo, eu gosto tanto de ler, minha vida sem leitura seria tão sem graça. Sem música e arte então... nem se fala. Valorizo muito o meu direito de ir e vir, ler, ver, falar, ouvir, ser. Gosto muito dessa série, ela é visceral!
Últimos recados
Olá, danylleão, obrigado pela curtida da minha lista de filmes sobre História Geral e espero que tenha gostado dela, mas tem também as minhas outras duas listas complementares de História do Brasil e do Oriente Médio, espero que você goste também. Abraços.
As últimas cenas da temporada ficaram ótimas, a direção de fotografia sempre arrasa desde a primeira temporada, [spoilers] mas no museu no início, tudo branco de mármore e só a June e a Serena com as roupas em vermelho e verde representando a revolução versus autoritarismo foi lindo de ver, e no final o Fred correndo entre as árvores e a June com as meninas correndo atrás pra matar ele, é de uma produção impecável. A cena de cima delas consumindo ele me lembrou aquela de The Walking Dead dos zombies em cima do cavalo. Muito representativo, consumir o sistema que te consumiu aos poucos. Gosto quando o Lawrence diz pra ela que parece que ela nunca vai se sentir 100% vingada. Eu sinto isso da June, nem se ela matasse Gilead inteira ela se sentiria bem, até porque a mente dessa mulher foi completamente queimada vivendo tudo o que viveu. Quem vai culpar ela? Alguns episódios foram muito arrastados, mas o final compensou demais a espera. O final da temporada se destacou das outras. A trilha sonora como sempre é impecável. Eles sempre tocam jazz e blues dos anos 50. Eu amo!