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Data de lançamento
10 Out. 1984Duração
Winston Smith (John Hurt) é uma figura trágica que se atreveu a se apaixonar numa sociedade totalitária onde as emoções são ilegais.
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Acabei de ver esse, vi depois de 10 nos de ter lido o livro. Não sei porque demorei tanto?
Enfim, o filme é interessante, não é ruim. Sinto que o livro sempre vai ser melhor.
No fim a grande revolucionária sempre foi a Julia
A adaptação de **1984** (1984), dirigida por Michael Radford, é uma imersão asfixiante na distopia de George Orwell, destacando-se por sua estética industrial e opressiva que parece corroer a própria imagem. O filme captura com precisão cirúrgica a paranoia de um Estado que não apenas vigia cada movimento, mas exige a aniquilação do pensamento independente através da manipulação da memória e da linguagem. Ao contrário de produções que priorizam a ação, a obra de Radford foca na erosão gradual da psique do protagonista sob o peso de um regime onipresente.
A escolha de tons dessaturados e a arquitetura brutalista conferem ao longa uma sensação de estagnação temporal, reforçando a ideia de um mundo onde o futuro foi permanentemente cancelado. John Hurt entrega uma atuação vulnerável que personifica o esgotamento do indivíduo face à onipotência do "Grande Irmão". O filme não é apenas uma crítica aos totalitarismos históricos, mas um exercício de desconforto sobre a fragilidade da verdade objetiva em tempos de vigilância absoluta.
Radford consegue transpor o horror claustrofóbico do livro sem recorrer a exageros visuais, mantendo o foco no custo emocional da dissidência. É um registro sombrio sobre como a realidade, quando submetida ao controle, torna-se uma casca vazia. *1984* permanece não apenas como um drama de ficção científica, mas como um alerta necessário sobre a facilidade com que a liberdade pode ser trocada pela segurança ilusória de um sistema que, acima de tudo, teme a autonomia humana.
"Até que se conscientizem, não se rebelarão; e até que se rebelem, não poderão se conscientizar."
"Nada era seu, exceto os poucos centímetros cúbicos dentro do seu crânio"
George Orwell sempre vai ter meu coração. Um século depois e esse livro escancara nossa realidade social tão perfeitamente. Nada mudou, as pessoas continuam sendo oprimidas e desinformadas, mas com ferramentas diferentes e modernas. Esse excesso de telas, mutação de informações acontecendo o tempo todo, a privacidade se tornou um artigo de luxo. Esse monitoramento era imposto, era forçado, hoje em dia é quase sempre voluntário. As bolhas sociais fortaleceram o extremismo, para reforçar algo que a pessoa pense, um pensamento em formação logo toma um caminho de radicalismo, ou para combater, o entorno daquele cidadão vai atropelar o pensamento que está se formando de todas as formas possíveis, até que ele pense de acordo com o conformismo social, impossibilitando a conclusão de um raciocínio autoral. Surge tanta coisa tão rápido que as pessoas não conseguem amadurecer ideias e pensamentos sobre nenhum fato, as pessoas não pensam profundamente. Outro ponto é que o autoritarismo está mais vivo do que nunca, mas em 1984 era caótico, barulhento, estrondoso. Hoje em dia é silencioso, sutil, o algoritmo define o que você vai ver, o que vai ler, o que vai fazer parte do seu dia a dia. É um controle muito eficaz, as pessoas sequer percebem. Quantas vezes as plataformas silenciaram pessoas e suas opiniões? Isso é poder autoritário. Quando alguém deixa de postar o que pensa por medo da repressão também está sendo vítima do sistema, mesmo que indiretamente. Cada acesso nosso online e localização recolhidos são formas de abusos autoritários, até porque, se não aceitarmos essas diretrizes não conseguimos acessar aplicativo algum em nossos aparelhos. Os dados são coletados a todo segundo, e me pergunto quem de nós sabe para onde vão? Ninguém sabe. É muito mais fácil controlar as massas sabendo que querem, o que fazem e onde estão. Cada opção que temos já foi decidida por alguém que conhece nossos gostos e fraquezas. É assustador! O objetivo principal hoje em dia é o mesmo de 100 anos atrás. Tornar-nos pessoas não pensantes, conformistas e cegas. Eu sempre digo: o terror dos autoritários é lidar com a revolução dos que pensam. Quem pensa, não consegue prosseguir conformado! Nasce um sentimento de revolta, uma inquietude, vontade de lutar. Admito que surge, junto a isso, um sentimento de incapacidade. É que é tão difícil conversar com pessoas conformadas. Mesmo sabendo que a nossa verdade é a verdade no meio de 1 milhão de mentiras, é difícil ser ouvido, ter voz. A gente faz o que pode. Sinto falta da liberdade de discordar sem ser punido socialmente. Na nossa sociedade é quase um crime duvidar das coisas. Outra coisa que notei de semelhança com os dias atuais é que há sempre embates, os governos estão sempre providenciando conflitos para distrair o povo do que realmente está sendo feito por trás dos panos. As pessoas também gostavam de gritar com o Goldstein, e hoje em dia parece que as redes sociais sempre nos apresentam ódios em comum, é como se isso engajasse muito mais do que a paz. O algoritmo lota o feed de conteúdo onde as pessoas possam se juntar para tacar hate em algo ou alguém. O Winston de hoje em dia é todo cidadão que vive esgotado e já não aguenta mais o cansaço mental diário. Ele tentava esconder seu diário e hoje as pessoas tentam apagar seus históricos, suas vidas online, mas é impossível. Mesmo se alguém deletasse todos os arquivos e redes referentes à vida, ainda assim estaria tudo salvo em algum servidor e por último "deletou todas as redes e histórico no dia xx/xx". É creepy, você pode criptografar, trocar de e-mail regularmente, usar VPN, mas isso não muda nada, no fundo a gente sabe que tudo é armazenado. A gente vive a mesma coisa que ele. O Winston de hoje é o cara que tenta viver uma vida garimpando coisas físicas e reais, tentando algum contato com o mundo de verdade, conexões verdadeiras, algo que a inteligência artificial ainda não tenha moldado. O 2+2=5 de hoje em dia aparece de forma mais sutil, o Winston foi torturado fisicamente e psicologicamente, como as pessoas não passam por isso hoje em dia (a maioria), algumas nem percebem que estão condicionadas. Aparece quando uma pessoa aceita uma ideia porque todo mundo aceitou, porque essa mentira se tornou conveniente, o grupo decidiu que é assim e pronto. Essa falta de contraponto é o medo mais comum dos dias de hoje. Até em lugares básicos como grupo de família, amigos ou colegas de trabalho as pessoas têm medo de se posicionar. Outro ponto é que se alguma mentira é dita por uma figura política ou famosa, ela se prolifera rapidamente como uma verdade através dos impulsionamentos midiáticos. Se o pensamento pode ser moldado por sistemas políticos, a raiz desse mesmo pensamento se enfraquece rapidamente e o emburrecimento da população se torna mais fácil de ser gerenciado. E uma das partes mais tristes do livro e do filme que reflete nos tempos atuais, a destruição total dos laços entre as pessoas. Eles queriam criar pessoas que amassem apenas o Grande Irmão, elas não podiam cultivar amizades e nem amores, assim como em Admirável Mundo Novo do Aldous Huxley, é algo que fugiria do controle deles. Hoje em dia não é diferente, o Bauman fala muito sobre essa modernidade líquida, amores líquidos, onde nada é feito para durar. As conexões são artificiais e se dissolvem rápido. As pessoas são solitárias, e isso é ótimo para quem está no controle, é mais fácil manipular essas pessoas isoladamente. "A pior coisa do mundo" que o livro cita no quarto 101 pode ser qualquer coisa pra qualquer um, mas quem coleta nossos dados conhece melhor que nós mesmos quais são nossos medos, erros e inseguranças. E já é usado contra a gente de forma indireta, para manter-nos conformados. A pergunta é: Onde a tecnologia e o monitoramento ainda não chegou? Sobrou algum lugar seguro? Fica aí o questionamento. Não é à toa que Black Mirror é minha série favorita. Aquilo tudo já é real. A gente já vive na sociedade Black Mirror. Ainda prefiro o livro, mas amo muito esse filme. Pena que não fizeram uma adaptação boa de Admirável Mundo Novo ainda. Quem sabe um dia...
“Who controls the past now controls the future
Who controls the present now controls the past
Who controls the past now controls the future
Who controls the present now?”
— Testify, de Rage Against the Machine
Ou seria, 1984, de George Orwell?! Só agora que estou terminando de ler o livro vim descobrir a referência hahaha. Muito foda!
Filme pesadíssimo. Desgastante de assistir.