Dirigido por
Data de lançamento
15 Maio 2015Duração
Em um futuro próximo, uma lei proíbe que as pessoas fiquem solteiras. Qualquer homem ou mulher que não estiver em um relacionamento é preso e enviado ao Hotel, onde terá 45 dias para encontrar um(a) parceiro(a). Caso não encontrem ninguém, eles são transformados em um animal de sua preferência e soltos no meio da Floresta. Neste contexto, um homem se apaixona em plena floresta - algo proibido, de acordo com o sistema.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Para quem gosta de distopias, esse filme é um prato cheio. O Lagosta é uma ficção científica social, bizarra e desconfortável do primeiro ao último minuto. Muitas ideias parecem absurdas, mas a verdade é que elas falam muito mais sobre o nosso mundo real do que gostaríamos de admitir. As atuações são frias, robóticas e sem nenhuma emoção para mostrar como a sociedade burocratizou o amor. No hotel, as pessoas não se apaixonam de verdade; elas procuram desesperadamente alguém com o mesmo "defeito" (como miopia ou sangramento nasal) só para cumprir a meta e sobreviver. É uma crítica ácida e perfeita aos aplicativos de namoro atuais, onde reduzimos seres humanos a uma lista de critérios superficiais.Mas o grande trunfo do roteiro é mostrar que o grupo rebelde da floresta (os Solitários) consegue ser tão autoritário e cruel quanto o hotel. Enquanto um te obriga a casar, o outro te proíbe de amar. Não há lado certo; o extremismo de ambos os sistemas esmaga a individualidade. O final aberto e enigmático na lanchonete é o ápice desse incômodo. Deixar o espectador na dúvida se o protagonista realmente fura o próprio olho ou se foge pelo puro egoísmo humano é genial. O filme não nos dá uma resposta mastigada; ele nos obriga a olhar no espelho e perguntar até onde nós nos mutilaríamos (literalmente ou emocionalmente) apenas para pertencer a um padrão social e não terminarmos sozinhos. Uma obra bizarra, com um humor negro afiadíssimo e profundamente reflexiva.
Não funcionou pra mim, bizarro demais slc
Cute Lanthimos.
Uma das poucas tragédias redentivas do diretor em que o protagonista visa se emancipar dos sistemas de controle em vez de perpetuá-lo.
A capa realça um dos sentidos aguçados da lagosta, o tato, que é precedido em qualidade pelo paladar e olfato; eis a chave de emancipação da tirania da visão.
Sobre o final ambíguo, parece-me que os gestos da parceira e o tráfego exibido pelo vidro da lanchonete falam por si enquanto mise-en-scene. Primeiro, ela olha para a direita (sinal negativo), tráfego agitado; depois, para a esquerda (sinal positivo) e, subsequentemente, um casal passa, o tráfego arrefece, culminando em dois caminhões vindo lentamente de encontro (ou ao encontro) do outro, e tudo escurece.
Eu gostei do filme e do humor especifico que ele apresenta. É uma ótima reflexão sobre os modelos de relacionamentos atuais e vale a pena assisti-lo.
é desse tipo de humor que estou falando.