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Data de lançamento
17 Fev. 1922Duração
Hutter, agente imobiliário, viaja até os Montes Cárpatos para vender um castelo no Mar Báltico cujo proprietário é o excêntrico conde Graf Orlock, que na verdade é um milenar vampiro que, buscando poder, se muda para Bremen, Alemanha, espalhando o terror na região. Curiosamente quem pode reverter esta situação é Ellen, a esposa de Hutter, pois Orlock, está atraído por ela.
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Eu não sei bem o que sentir em relação a Nosferatu (1922), em vários momentos ele me lembrou muito Drácula de Bram Stoker, e depois descobri que não estava viajando já que a semelhança é real e fiquei sabendo da polêmica aqui pelos comentários.
Consigo enxergar toda a sua importância histórica e a influência gigantesca que teve e tem no terror, mas ao mesmo tempo, terminei o filme sem aquele encantamento que esperava. Ainda assim, é impossível negar o impacto que ele carrega até hoje.
É muito gratificante para um amante do universo do horror ver materiais assim tão antigos. Ver o quanto esses filmes foram precursores para que hoje tivessemos tecnicas e perpectivas que foram influenciados pelo que foi criado no passado e é lindo de ver.
Mesmo um filme de cinema mudo, preto e branco, como conseguem mexer com nossa imaginação de tal forma? Criar um personagem que mesmo sem dizer uma palavra sequer consegue deixar sua aparição em cena tão tensa. Isto é Espetacular.
As atuações são de qualidade duvidosa, e a historia não é grande coisa, mas é sim um filme iconico e tem sua importância.
Outra direção primorosa do Murnau! Que filme maravilhoso! [Spoilers] Uma das primeiras frases da Ellen é "Why did you kill them... such beautiful flowers?", e não está ali por acaso, aliás, nada em um filme do Murnau é por acaso, a frase se conecta tão bem com ela se sacrificando no final para salvar a vida de todo mundo. Só uma pessoa que prefere ver as flores vivas no jardim do que em um buquê se importaria o suficiente para se entregar e salvar a cidade. Gosto como o conto vai passando na tela, como se estivéssemos lendo o livro, o detalhe das páginas rasgadas. Dividir o filme em atos também é um acerto, combina muito com a vibe gótica do Expressionismo Alemão, observei que dá tempo de lermos a página toda, tem filmes mudos da mesma época que não respeitam o tempo de leitura do espectador. Achei muito importante o romance entre o casal contrastando com as mortes, equilibra, é um alívio na trama. Ela correndo pra se despedir dele (de novo), abraços, beijos, cartas. Imagina você viajar para uma cidadezinha e no quarto que você se hospeda, tem um livro contando basicamente tudo que vai acontecer com você nos próximos dias, que você vai ser atacado e mesmo assim continuar lá. Admiro a audácia do Hutter de jogar o livro no chão, fingir normalidade e rir do perigo, se eu fosse o Conde também atacaria quem debochasse do meu livrinho, uma falta de respeito com nosso vamp-mor. Achei muito engraçado os cavalos fantasmagóricos com os rostinhos tampados e só os olhos de fora (espero que não tenha sido desconfortável para os bichinhos). Até os figurantes nesse filme são super expressivos, que produção detalhista. Eu achei genial terem misturado imagens no set com cenas reais no castelo eslovaco e em pontos na Alemanha, o Murnau realmente se compromete. O chão quadriculado, as cadeiras longas, a caveira no relógio, os quadros e tapetes pendurados. Além da casa do Conde, também me chamou a atenção a ambientação da sala de reuniões com as miniaturas de barcos na estante e na parede, o tridente e o quadro. Lindo. A direção de figurino acerta em tudo, o contraste das roupas claras do Hutter com as sombrias do Conde. Os óculos redondos da época. A maquiagem esbranquiçada do velho e o cabelo todo ouriçado, dele e de metade do elenco, esse visual desleixado e descabelado combina muito com o gênero horror, diferencia o filme totalmente dos filmes americanos da época, que se preocupavam muito com a aparência dos personagens principais, super polidas e alinhadas, pelo menos os que eu assisti até agora. Os rabiscos nas paredes onde o Knock está, a cidade toda suja, as unhas das pessoas, tudo isso passa esse clima de peste e praga pela cidade, inclusive, o desespero do povo lembra o da Peste Bubônica, é muito similar, todo o caos. O filme é de 1922, a Gripe Espanhola de 1918, imagina esse povo assistindo a um filme que relata a chegada de uma doença sem solução por meio de navios, isso é assustador por si só, o Conde acaba sendo a representação física desse medo. Algumas cenas me marcaram muito, mas sem dúvidas a que mais marcou com relação a isso foi a sequência em que as portas são marcadas com cruzes representando quem morreu, os caixões sendo carregados pelos homens de sobretudos pretos, cartolas, expressão bem triste, e a quantidade de caixões posteriormente toma conta da rua inteira, visualmente muito forte. O Dr. Sievers explicando um pouco sobre os experimentos também muito representativo, tentar desvendar algo sobrenatural através da ciência, a gente vê isso em The Walking Dead e The Last of Us, em todos eles a ciência falha pra fazer sentido no enredo. Mas é bom trazer esse outro lado para quem assiste. Quando tudo fica explicadinho e a medicina ou ciência apresenta uma solução, parece que o terror perde a graça, pelo menos pra mim, o mistério e a incerteza entretém muito mais, até porque quem quer roteiro redondinho e previsível vai ver filme de romance. Terror tem essa aura enigmática, de deixar a gente o mais agoniado possível (terror bom, porque tem uns que só pela misericórdia de tão ruim. Pode entrar, The Nun!). As atuações estão impecáveis, o destaque, claro, é a do Max Schreck como Conde Orlok (na época, as pessoas achavam que ele era um vampiro, de tão bom em cena), do Gustav Von Wangenheim como Hutter e da Greta Schroder como Ellen, os atores entregaram muito! O Nosferatu com a postura encurvada quando o Hutter chega no castelo, as mãos pra dentro com aquelas unhas gigantes, os olhos arregalados. Sempre desconfiem de pessoas que disserem "Your wife has a lovely neck". A cena do Nosfe dormindo em pé à noite é uma com o visual mais legal, a iluminação, a projeção de sombra, ficou linda. O andado dele de costas, assustador. A imagem centralizada na porta, e o resto da tela escura, ótima direção de fotografia de Fritz Arno. Sequência surreal de boa a que ele vê o Conde no caixão, só o rostinho. Ele se arrastando na escada, perturbado no quarto, o Nosfe indo atrás da Ellen. O Conde levantando no barco também e aparece "the dead ship had a new Captain", muito bom! Inclusive, a tipografia estilo Fraktur usada é algo marcante, nós, designers, usamos até hoje esse tipo de fonte no Adobe pra criar convites de festas, flyers, etc. Claro, a do filme foi feita à mão pelos artistas, mas mesmo assim vale lembrar que um século depois, ainda usamos no nosso dia a dia. Outra coisa linda é o uso do stop motion, aquela cena da porta se abrindo ficou perfeita. Essa coisa do quem vai chegar primeiro até a Ellen é muito bem construída no roteiro. Achei apavorante ele com a cara na janela quando a Ellen olha, misericórdia! A coreografia das mãos do Nosfe no filme, me lembrou muito a que o Michael Jackson usa no clipe Thriller. Talvez o diretor do clipe tenha se inspirado. A cena mais icônica do filme é provavelmente quando ele chega na casa da Ellen, a da sombra. Ele subindo, a sombra na parede, entrando no quarto até o corpo dela, o olhar dele fixado na câmera diretamente para o espectador, ele se jogando ao ver o sol. É dramática, mas combina muito com o tom do conto. Diferente de filmes dos anos 20 que dramatizam por dramatizar, sem justificativa. Ele virando fumaça, pode ter sido uma referência do Murnau a Le voyage dans la lune do Méliès, porque 20 anos antes ele criou o mesmo efeito transformando os selenitas em fumaça. A trilha sonora se encaixa perfeitamente. A montagem e edição ficaram muito bem executadas, o filme é preto & branco, mas puxado para tons, e eles vão mudando a tintagem de acordo com o clima do filme, percebi que em momentos mais tranquilos ou de dia, ele fica amarelado, quando a cena pede algo mais sombrio ou noturno, fica azulada meio acinzentada, como por exemplo quando ele desce da carroça está amarelado, entra no terreno do Conde, fica azulado, tirando a alegria e o calor da cena. Em alguns momentos também notei o uso do Magenta. O mais interessante é que isso só acontece até certo ponto, um hora essas edições se embaralham e o ambiente amarelado que era o seguro, não é mais, e isso causa pânico em quem assiste, deve ter sido o objetivo de quem editou. Por exemplo dentro do castelo o Conde aparece em alguns takes amarelados, é como se o ambiente tranquilo tivesse sido contaminado pela praga e ninguém mais está seguro em lugar nenhum. A cena do espantalho e do mar cria um link na gente direto para Sunrise, também do Murnau. Esse filme tem uma fórmula, que vejo replicada em uma imensidão de filmes ao longo desses 100 anos. Um lunático comentando sobre algo assustador, alguém viaja, descobre ou revive esse algo ou alguém, que ataca todo mundo, o protagonista sobrevive (esfarrapado) ou se sacrifica para salvar a todos. O Spielberg e o George Lucas têm tantos. Nosferatu já fazia isso no século passado. O filme é reconhecido até hoje como o clássico pai desse tipo de terror, mas tem a história muito triste. Eu li sobre a Prana Film, que convidou o Murnau pra fazer esse filme, um plágio não autorizado de Bram Stoker (Drácula), só fez um filme em todo o seu tempo de duração como produtora, faliram em seguida. A Florence Stoker processou e ganhou a causa, óbvio. As cópias foram destruídas e a gente só tem acesso ao filme porque algumas escondidas se salvaram. Um dos melhores filmes de terror que assisti.
Expressionismo alemão em sua melhor forma, não tem como definir essa obra de arte com palavras melhores.
Clássico absoluto do cinema expressionista alemão, fui assistir completo para ver o remake do Robert Eggers. É uma obra prima, que continua influente até hoje.
Visto em 12/2024